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sexta-feira, novembro 12, 2010

Leandro Norloch: História Politicamente Incorreta do Brasil





O PSOL é contra os pobres?
Publicado em  por Leandro Narloch
Dia desses, almoçando com uns amigos que pregam a liberdade econômica no Brasil, percebi que o pior cenário para os pobres brasileiros seria a vitória de algum partido nanico da esquerda. Quem é “contra burguês” também é contra os pobres.  Esse raciocínio virou um artigo para o Instituto Millenium. Abaixo destaco os trechos mais legais.
Receita de pobreza
É difícil imaginar uma receita de criação de pobreza mais eficiente que a proposta pelos partidos nanicos da esquerda.
De todas as contradições desta eleição, a mais interessante é a que envolve os partidos radicais da esquerda (PSOL, PSTU, PCO) e suas propostas para acabar com a miséria e a desigualdade. Nos debates, no horário eleitoral, nas entrevistas, os candidatos desses partidos falam sobre os baixos salários, mostram cenas de crianças miseráveis, desfilam como os grandes defensores da igualdade, os maiores inimigos dos ricos. Mas prometem justamente as medidas que, em todos os países em que foram implantadas, resultaram em mais miséria, mais pobreza, mais burocratas com um poder desigual diante dos outros cidadãos.
O PSOL, de Plínio de Arruda Sampaio, sugere reestatizar empresas privatizadas e “refundar a estratégia do socialismo”. O PCO diz que vai suspender o pagamento da dívida pública. E os candidatos do PSTU afirmam que o único meio de acabar com a fome é romper com o imperialismo mundial e o FMI. É difícil imaginar uma receita de criação de pobreza mais eficiente que a proposta por esses partidos.
A economia fechada e o aumento do Estado fizeram a Argentina, que já foi o único país do Primeiro Mundo na América do Sul, patinar por todo o século 20. Depois do famoso calote de 2002, mais de 2 milhões de argentinos se tornaram pobres num único mês. Na Venezuela, o “socialismo do século 21” aumentou o número de bebês subnutridos (de 8,4% para 9,1% entre 1999 e 2006), as casas sem acesso a água, a pobreza e o índice de Gini, que mede a desigualdade econômica. A economia deve diminuir entre 3% e 6% em 2010 – enquanto os vizinhos comemoram os tempos de prosperidade.
Mais que multiplicar a pobreza, esse modelo cria uma desigualdade institucional que lembra os tempos de nobreza e feudalismo. Como descreveu Otto Graf Lambsdorff, ex-Ministro da Economia da Alemanha da década de 1980, o Estado pesado demais cria “uma classe parasita de burocratas socialistas e de políticos que obtém benefícios por meio de excesso de regulamentação e da corrupção ou por meio da administração de vastos impérios de indústrias e de bancos nacionalizados”.
Se os candidatos da esquerda radical estão realmente comprometidos com a redução da pobreza, devem seguir os países que conseguiram tratar esse mal.São em geral nações que percorreram um caminho parecido. Diminuíram os impostos, as barreiras comerciais e o controle do governo nos transportes e nas comunicações. E seguiram a regra ridiculamente básica sugerida pelo FMI: não gastar mais do que se arrecada.
Com poucas diferenças, foi isso que fez a Irlanda, a Coreia do Sul, Singapura e outros campeões de redução da miséria. Costa Rica e outros países da América Central, depois de estabelecer acordos de livre comércio com os Estados Unidos, estão transformando pobres em classe média. O exemplo melhor e mais próximo é o do Chile. Enquanto privatizava mais de 400 estatais, derrubava encargos trabalhistas (eles somam hoje só 4% do total do salário, dez vezes menos que no Brasil) e assinava acordos comerciais para se tornar uma dez economias mais abertas do mundo, o Chile via suas favelas virarem bairros. Em 20 anos, a taxa de pobreza caiu quase três vezes – é hoje de 13%, menos que a metade da média latino-americana.
A luta contra a pobreza encampada pelos partidos radicais esbarra num equívoco fundamental. Diante de uma multidão de miseráveis e de poucos enriquecidos, o rebelde da esquerda liga os dois pontos e explica a pobreza pela luta de classes: os pobres existiriam por causa dos ricos. Não é fácil entender que a pobreza existe por falta de ricos, de pessoas com dinheiro que disputem o serviço dos mais pobres. Mais difícil ainda é admitir que o melhor jeito de diminuir a pobreza é facilitando a vida dos geradores de riqueza. Quem é “contra burguês” também é contra os pobres – e contra o próprio país.
Será que os nanicos da esquerda não conhecem esses princípios básicos de economia? Provavelmente sabem, sim. Acontece que o objetivo deles não é acabar de verdade com a pobreza. E sim desfilar como radicais – o que acaba dando apoio a partidos mais moderados donos dos mesmos equívocos.

fonte: http://guiapoliticamenteincorreto.wordpress.com/ 

terça-feira, agosto 24, 2010

Para Presidente.

Não voto na Dilma e nem no Serra.

Não voto na Dilma pois foi ela quem manteve Renan Calheiros e Zé Sarney no senado, apesar das zilhões de provas de corrupção como também os mil dossiês que ela já montou e, principalmente, o PNDH-3 do Gov. Lula.

Não voto no Serra, pelo seu amadorismo em campanha política, o programa segunda-feira que fez quando corria contra o Lula era pura cópia do filme presidente por acaso, Serra não significou nada de importante em São Paulo, seu governo não contribuiu ou não alterou nada do sistema já estabelecido.

Voto na Marina Silva, por absoluta falta de opção melhor, não por ela, mais por desmérito dos concorrentes.

Acredito que Dilma vence no primeiro turno, que daqui dois anos traz Zé Dirceu, Pallocci para cargos maiores e públicos ,além da gorda participação nos bastidores atualmente. Vibrem Renan,Sarneys et caterva.

apesar de :

Aloprado" do PT vira fazendeiro no sul da Bahia

Marcos Valério reaparece, envolvido no escândalo do DF

Fernando Sarney é indiciado pela PF por evasão de divisas

O banquinho que cresceu 980% em três anos

sábado, novembro 21, 2009

Dilma é inocente


Dilma é inocente
seg, 09/11/09
por Guilherme Fiuza

fonte: http://colunas.epoca.globo.com/guilhermefiuza/2009/11/09/dilma-e-inocente/

Ela não tem culpa. Está sendo só ela mesma. Passeia de mãos dadas com o padrinho, reclama da imprensa burguesa, fuxica informações do governo anterior. Isto é Dilma Rousseff.
O problema são os outros. A opinião pública brasileira é comprável com meio slogan. Caetano Veloso, querendo criticá-la, sem querer abençoou a fraude. O mal de Dilma, segundo o compositor, é ser apenas uma gestora, sem experiência política.
Haja paciência. A única verdade incontestável no currículo de Dilma Rousseff – fora as que ela mesma cria – é ser uma militante. Venerável Caetano: política é a única coisa que a ministra-chefe da Casa Civil fez até hoje.
Quem lhe disse que Dilma é gestora? Lula? Os jornais? Procure saber você mesmo. Descubra, se puder, uma única experiência de gestão bem-sucedida da suposta dama de ferro.
A auto-intitulada companheira de armas de José Dirceu fez na vida o que dez entre dez políticos da DisneyLula fazem: buscar o poder, grudar nele, abrir espaços para a companheirada na sombra do Estado brasileiro.
Avalie a gestão mais conhecida de Dilma Rousseff, à frente do Ministério das Minas e Energia (na Casa Civil ela só conspira, faz campanha e brinca de mãe do PAC, portanto não conta). Caetano, você ouviu falar que as concessionárias de energia elétrica estão devendo bilhões de reais ao consumidor, por cobranças excessivas na conta de luz?
Pois bem: isso é uma das obras-primas da famosa gestora Dilma Rousseff.
Copiando o populismo tarifário argentino, a candidata de Lula baixou na marra o preço da energia – como sempre, em nome do povo. É o crime perfeito: o povo fica feliz agora, e se dá mal mais tarde, com a falência das empresas do setor, que acabarão sendo socorridas pelo Tesouro – isto é, por todos nós.
Desta vez, as empresas deram um jeitinho, dentro do fantástico modelo criado pela gestora Dilma, de já ir abatendo o prejuízo no caminho. O contribuinte vai se ferrar lá na frente, e o consumidor já vai se ferrando agora. Um lembrete: ambos são a mesma pessoa – você –, vítima da grande gestora.
Alguém tem notícia de que a cobrança exorbitante e ilegal será devolvida às vítimas? Alguém ouviu alguma garantia nesse sentido da ministra mais poderosa do governo?
Ninguém tem, ninguém ouviu. Por uma razão simples: Dilma Rousseff não é uma autoridade de fato, não está administrando (gerindo!) os problemas do Brasil. Está cuidando do seu projeto eleitoral. Fazendo política – que é o que se dispõe a fazer.
Nada disso aparece na pasmaceira que é o debate político brasileiro. Todos os gatos por aqui têm status de lebre. Maluf inventa o “gestor” Celso Pitta, e a manada só grita depois do cofre arrombado. E lá vamos nós de novo, Caetano.
O verdadeiro analfabeto brasileiro é o eleitor.

sexta-feira, novembro 20, 2009

GRACILIANO RAMOS: Angústia











A realidade, nos romances de Graciliano Ramos, não é deste mundo. É uma realidade diferente. Após ter lido Angústia até o fim, é preciso reler as primeiras páginas, para compreendê-las. É um mundo fechado em si mesmo. Que mundo é?
"Há nas minhas recordações estranhos hiatos. Fixaram-se coisas insignificantes. Depois um esquecimento quase completo" — confessa Luís da Silva em Angústia. E depois: "Como certos acontecimentos insignificantes tomam vulto, perturbam a gente! Vamos andando sem nada ver. O mundo é empastado e nevoento." E acrescenta: "Não sei se com os outros se dá o mesmo. Comigo é assim." É assim com todos nós outros, quando entramos no mundo empastado e nevoento, noturno, onde os romances de Graciliano Ramos se passam: no sonho. Os hiatos nas recordações, a carga de acontecimentos insignificantes com fortes afetos inexplicáveis, eis a própria "técnica do sonho", no dizer de Freud. Álvaro Lins, no melhor artigo que se escreveu sobre Graciliano Ramos, observou agudamente a abstração do tempo — "Mas no tempo não havia horas", cita o crítico —, e acrescenta: "Os outros personagens são projeções do personagem principal. Julião Tavares e Marina só existem para que Luís da Silva se atormente e cometa o seu crime. Tudo vem ao encontro do personagem principal — inclusive o instrumento do crime". Estas palavras do crítico constituem a chave da obra do romancista: descrevem perfeitamente a nossa situação no sonho, em que tudo é criação do nosso próprio espírito. Explica-se assim o extremo egoísmo dos heróis de Graciliano Ramos: é o egoísmo daquele que sonha e para o qual, prisioneiro dum mundo irreal, só ele mesmo existe realmente. A mentalidade inteiramente amoral do sonho exclui, decerto, toda "generosidade"; mas a substitui por um sentimento mais vasto de identificação quase mística com as criaturas da própria imaginação, até a cachorrinha Baleia: "Tat twam asi."
O extremo egoísmo do sonho engendra o motivo principal do romancista: cobiça de propriedade. Propriedade de terra, de mulher, em São Bernardo; aqui e em Angústia, a forma extrema desta cobiça, o ciúme. Por isso, nos romances de Graciliano Ramos, esses afetos ultrapassam toda medida; sugerem, ao lado dos afetos análogos na vida real, a impressão de sentimentos patológicos. E quando o autor considera os monstros da sua angústia de sonho, lança o seu grito mais elementar: "Dinheiro e propriedade dão-me sempre desejos violentos de mortandade e outras destruições."
"Ai quando virá o anjo da destruiçãop’ra acabar com a minha memória..."
(Murilo Mendes).
Todos os romances de Graciliano Ramos — e este é o sentido do seu experimentar — são tentativas de destruição; tentativas de "acabar com a minha memória", tentativas de dissolver as recordações pelos "estranhos hiatos" dum sonho angustiado. Trata-se de saber que mundo de recordações se dissolve assim.
A resposta é bastante difícil. Surge, ainda uma vez, o clichê do "sertanejo culto" e sugere aos críticos a idéia de que o romancista está furioso contra o ambiente selvagem do seu passado. Mas não é assim. Não é o sertão o culpado; Vidas secas é o seu romance relativamente mais sereno, relativamente mais otimista. O culpado é — superficialmente visto, numa primeira aproximação — a cidade. O herói de Graciliano Ramos é o sertanejo desarraigado, levado do mundo primitivo, imóvel, para o mundo do movimento. É o vagabundo ("um pobre nordestino..."); e explica-se o seu ódio balzaquiano ao mundo burguês, que conseguiu a estabilidade relativa do comércio de secos e molhados. Esta vagabundagem é o aspecto sociológico do egoísmo do sonho quando se choca com a realidade. É o desejo violento do vagabundo de restabelecer-se na terra: "Como a cidade me afastara de meus avós!" Mas é apenas uma explicação em primeira aproximação: pois Paulo Honório consegue o seu fim, e, contudo, é uma vida malograda. Por quê? Porque o seu criador quer mais do que terra, casa, dinheiro, mulher. Quer realmente voltar aos avós. Voltar à imobilidade, à estabilidade do mundo primitivo. E para atingir este fim, deve antes destruir o mundo da agitação angustiada, à qual está preso.
Os romances de Graciliano Ramos são experimentos para acabar com o sonho de angústia que é a nossa vida. Uma lenda budista conta dum homem que correu, ao sol do meio-dia, para fugir à sua sombra, que o angustiava; correu, correu, sempre perseguido pelo companheiro sinistro, até que encontrou o grande Sábio, que lhe disse: — "Não continues a fugir! Assenta-te sob esta árvore!" E como ele parou, a sombra desapareceu. A sombra sobre o mundo de Graciliano Ramos não é a sombra da árvore da salvação, mas a do edifício da nossa civilização artificial — cultura e analfabetismo letrados, sociedade, cidade, Estado, todas as autoridades temporais e espirituais, que ele convida ironicamente — no começo de São Bernardo — a colaborar na sua obra de destruição. Mas eles mostram-se incapazes de cometer o suicídio proposto. Entrincheiram-se na "dura realidade", imposta a todas as criaturas do Demiurgo, e que se arroga todos os atributos da eternidade. O romancista, porém, não se conforma. Transforma esta vida real em sonho — pois do sonho, afinal, se acorda. Então, as disposições funestas do Demiurgo seriam revogadas, e o destruidor poderia dizer, com o Gide das Nouvelles Nourritures: "Table rase. J’ai tout balayé. C’en est fait. Je me dresse nu sur la terre vierge, derrière le ciel à repeupler."6
O fim é o estado primitivo do mundo — o céu repovoado. Então, a angústia já não assusta.
"Black is night’s cope;But death will not appalOne who, past doubting all,Waits in unhope."
Foi a última sabedoria poética do romancista Thomas Hardy, versos duros, populares e clássicos ao mesmo tempo, rimados em sinal da concordância resignada com o mundo. É possível que o romancista Graciliano Ramos escreva também, um dia, tais versos, duros, populares e clássicos ao mesmo tempo, versos tradicionais, como o velho Hardy. Mas não serão rimados. Serão versos brancos. Pois a primeira rima de Graciliano Ramos já anunciaria o Fim do Mundo.

segunda-feira, julho 27, 2009

FRANCISCO DORATIOTO: Maldita Guerra


esqueça todo o blá-blá-blá do cursinho ou ondee foi que você aprendeu sobre a Guerra dos Três Patetas....


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Com sólida base documental e metodológica, o autor, Francisco Doratioto, desmonta mitos sobre a Guerra do Paraguai e faz revelações surpreendentes sobre este marco da história de brasileiros, paraguaios, uruguaios e argentinos. O autor explica o início do conflito através do processo histórico regional, rejeitando a interpretação de que o imperialismo inglês seria o responsável pelo desencadear da luta. A obra relata o duro cotidiano das tropas aliadas e mostra a dinâmica da guerra, reavaliando a atuação de chefes militares como Mitre, Tamandaré e Caxias. As principais batalhas são contextualizadas de forma didática em mais de 20 mapas, enquanto personagens e situações encontram-se representados num conjunto de ilustrações e fotografias.
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"É fantasiosa a imagem construída por certo revisionismo histórico de que o Paraguai pré-1865 promoveu sua industrialização a partir de dentro, com seus próprios recursos, sem depender de centros capitalistas, a ponto de supostamente tornar-se ameça aos interesses da Inglaterra no Prata. Os projetos de infra-estrutura guarani foram atendidos por bens de capital ingleses e a maioria dos especialistas estrangeiros que os implementaram era britânica. As manufaturas oriundas da Inglaterra chegaram a cobrir, antes de 1865, 75% das importações paraguaias, quase todas originadas de Buenos Aires, em operações controladas por comerciantes britânicos ali instalados. Esses comerciantes concediam aos importadores paraguaios um crédito de oito meses para o pagamento das mercadorias" p. 30
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"A guerra do Paraguai foi fruto das contradições platinas, tendo como razão última a consolidação dos Estados nacionais na região. Essas contradições se cristalizaram em torno da Guerra Civil uruguaia, iniciada com o apoio do governo argentino aos sublevados, na qual o Brasil interveio e o Paraguai também. Contudo, isso não significa que o conflito fosse a única saída para o díficil quadro regional. A guerra era uma das opções possíveis, que acabou por se concretizar, uma vez que interessava a todos os Estados envolvidos. Seus governantes, tendo por base informações parciais ou falsas do contexto platino e do inimigo potencial, anteviram um conflito rápido, no qual seus objetivos seriam alcançados com o menor custo possível. Aqui não há bandidos e mocinhos como quer o revisionismo infantil, mas sim interesses. A guerra era vista por diferentes ópticas: para Solano Lopez era a oportunidade de colocar seu país como potência regional e ter acesso ao mar pelo porto de Montevideú, graças a uma aliança com os blancos uruguaios e os federalistas argentinos, representados por Urquiza, para Bartolomé Mitre era a forma de consolidar o Estado centralizado argentino, elimando os apoios externos aos federalistas e brasileiros viabilizaria impedir que seus dois vizinhos continuamente a intervir no Uruguai, para o Império, a guerra contra o Paraguai, não era esperada, nem desejada, mas, iniciada, pensou-se que a vitória brasileira seria rápida e poria fim ao litígio fronteiriço entre os dois países, e às ameças à livre navegação, e permitira depor Solano Lopez". p.96

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Da expansão colonial à empresa agrícola




"Coube a Portugal a tarefa de encontrar uma forma de utilização economica das terras americanas que não fosse a facil extração de metais preciosos. Somente assim seria possível cobrir os gastos de defesa dessas terras. Este problema foi discutido amplamente e a alto nivel, com inferencia de gente como Damião de Gois- que via o desenvolvimento da Europa comntemporanea com uma ampla perspectiva. Das medidas politicas que então foram tomadas resultou o inicio da exploração agricola das terras brasileiras...."




FURTADO, Celso Formação Economica do Brasil Publifolha, 2001, p. 5

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Machado de Assis: a pirâmide e o trapézio.

Para lembrar os cem anos da morte do escritor -que se completam em 29 de setembro, ou celebrar, vou ler o empoeirado A pirâmide e o trapézio de Raymundo Faoro.

Eis um página a página do livro:

Capítulo 1- A Pirâmide e o Trapézio

1.1 o topo da pirâmide: a classe e o estamento.

Numa relação de coexistência e permeação, há na sociedade brasileira da época e na obra de machado, estes dois fenônemos de convivência de duas camadas sociais: a classe e o estamento.

"A galeria burguesa de Machado de Assis brota do chão, expande-se e enriquece, mas não domina e nem governa. Entorpeche-lhe os passos o filtro interior da insegurança, hesitante na ideologia mal definida de seu destino" (p. 17)

A classe ocupa-se em se firmar, definir e qualificar, de acordo com a ocupação específica de seus membros (...) os estamentos assumem o papel de órgãos de Estado, as classes permanecem limitadas a funções restritas à sociedade" (p. 18)


Na ascensão social, o essencial é " a força indispensável a todo homem que põe a mira acima do estado em que nasceu (Mão e Luva, II). No outro lado vegeta a imensa legião de Rangéis: "o pior é que entre a espiga e a mão, há o tal muro do poeta, e o Rangel não era homem de saltar muros. De imaginação fazia tudo, raptava mulheres e construía cidades. Mais de uma vez foi, consigo mesmo, ministro de EStado, e fartou-se em cortesias e decretos...Cá fora, porém, todas as suas proezas eram fábulas. Na realidade, era pacato e discreto ( O diplomático)" (p. 19)

1.2 sociedade não rígida.

"A subida na montanha, posto que possível, nem sempre é convencionalmente legítima. O sentimento de escárnio, a repulsa velada acompanham, não raras vezes, muitas carreiras triunfantes" (p.20)

A boa sociedade que se corporifica no Imperador, tem dois grandes mmentos: o baile da Ilha Fiscal e as bodas imaginárias de Rubião (Quincas Borbas).

A "burguesia insegura de sua força e de seus poderes, nobilita-se e se afidalga por todos os meios, pel imaginação, falsificação ou imitação. Sob esta sombra, cresceu o constrangido acatamento a uma aristocracia, sem raízes e sem tradição. Burguesia mascarada de nobreza, incerta de suas posses, indefinida no estilo de vida"

"Os homens de nascimento humilde penetram por duas portas: a cunhagem e o enriquecimento. Na cunhagem, o recém-vindo sogre o mesmo processo que o metal ao se amoedar, recebendo a marca e as insígnias do círculo que o aceita. No enriquecimento, a subida, também filha da ambição, deixa um travo de insuficiência e pecado. Aqui, o dinheiro dá tudo, que alça, eleva e doura, não dá tudo, transmite, ao contrário, o sentimento de que houve o escamoteio de quem fura a entrada, sem ser convidado" (p. 25)

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Jorge Valadares


O primeiro médico diplomado que pisou o chão da Bahia de Todos os Santos foi Jorge Valadares, judeu converso ou cristão novo ou judeu marrano. Ele acompanhava o Primeiro Governador Geral (1549-1553) e ocupou o cargo de Físico Mor. Seu sucessor foi outro Jorge, O Jorge Fernandes que também era judeu e ocupou o cargo de Físico-Mor por três anos.

Foi empossado em 1o de maio de 1549, ganhava 48 mil reais por ano, manteve-se no cargo até 1553, quando foi substituído pleo também cristão-novo Jorge Fernandes.

fonte: A Coroa, a Cruz e a Espada Eduardo Bueno p.122

terça-feira, novembro 13, 2007

O beija-mão de Dom João VI.




“Quando o sinal é dado para a abertura do salão real, a banda de musica da corte, no seu costume muito antigo, começa a tocar e toda a cena assume uma aparência muito imponente. Os nobres caminham em fila para dentro do salão, um após o outro, em passos lentos. Quando chegam a alguns passos do trno, inclinam-se profudamente. Em seguida, avançam mais um pouco, ajoelham-se e beijam a mão do soberano, que a estende para todos os seus súditos com ar verdadeiramente paternal. Feito isso, os nobres repetem a mesma homenagem em direção à rainha e a cada um dos membros da família real. Por fim, saem em fila pela outra porta, na mesma ordem que entraram.”


ADPG in 1808, p. 201

segunda-feira, novembro 12, 2007

1808: o nascimento do Brasil como nação

O começo atrapalhado do Brasil guarda lições que ficam até hoje, a nova leitura é um jornalismo sobre a vinda da corte real portuguesa ao Brasil em 1808.

A fuga da família real portuguesa para o Rio de Janeiro ocorreu em um dos momentos mais apaixonantes e revolucionários do Brasil, de Portugal e do mundo. O propósito deste livro, resultado de dez anos de investigação jornalística, é resgatar e contar de forma acessível a história da corte lusitana no Brasil e tentar devolver seus protagonistas à dimensão mais correta possível dos papéis que desempenharam duzentos anos atrás. '1808 - Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil' é o relato sobre um dos principais momentos históricos brasileiros.

quinta-feira, setembro 27, 2007

D. Pedro 2 e a magistratura


"A primeira necessidade da magistratura é a responsabilidade eficaz, e que enquanto alguns magistrados não forem para a cadeia, como, por exemplo, certos prevaricadores muito conhecidos do Supremo Tribunal de Justiça, não se conseguiria esse fim"
Dom Pedro II

Carvalho, J.M. D Pedro II: ser ou não ser Cia das Letras, 2006, p. 83