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sábado, junho 25, 2011

Eugene H. Peterson: Memórias de um pastor 2

No livro, Peterson fala sobre um conselho que recebeu para organizar sua vida na Companhia de Pastores que participava. O conselho partiu de um rabino que abriu seus olhos para o significado das festas judaicas e o pastoreio.


PASCOA - na salvação, Deus se torna pessoalmente presente a nós, na oração, respondemos nos tornando pessoalmente presentes para Deus. A salvação do exodo é um evento histórico, a oração cultiva a intimidade da salvação ... pastores, falam isto. Escutem todos os dias o que as pessoas tem a dizer, ajudem essa pessoas a entenderem que as historias que elas nos contam estão sendo entenebricidas na grande história contada no Sinai.

PENTECOSTE- festa da revelação da lei no Sinai, está ligada a história de Rute, como Deus fala a partir de historias comuns .., pastores, façam isto, escutem todos os dias o que as pessoas tem a dizer, ajudem essas pessoas a entenderem que as historias que elas nos contam estão entetecidas na grande história contada no Sinai.

NONO DE AB- o jejum em pesar pela destruição da cidade e do templo, assim parecia, pela perda até mesmo de Deus... pastores, façam isto. Não expliquem o sofrimento, não prometam que tudo logo vai passar. Não culpem as pessoas por seu sofrimento. Enfrente-o com elas. Seja o seu companheiro, paciente no sofrimento.

FESTA DOS TABERNACULOS- os anos de peregrinação no deserto são representados por tendas- tabernaculos- montadas em cima das casas e nos quintais. Pastores não façam o que as pessoas querem ou pedem de vocês. O mercado religioso está repleto de milagreiros, de gente produzindo respostas, e todos eles dizem ter credenciais outorgadas por Deus.... Dizer não é tão importante quanto dizer sim.

PURIM- o livramento do genocidio na Pérsia, é celebrado num festival gastronomico, de troca de presentes e risos, tem a ver com  a história de Ester.... pastores, lembrem-se que  vocês estão trabalhando com uma comunidade formada em Deus, lembrem-se sempre disso, e não com uma comunidade formada no medo, motivada pelo sucesso, pela satisfação das necessidades, deixam a história de Ester se tornar o texto que interpretará sua congregação


FONTE MEMÓRIAS DE UM PASTOR.

sexta-feira, junho 24, 2011

Eugene H. Peterson: Memórias de um pastor

No momento que começo a vida de pastoreio, nada melhor que ler sobre a vida do João de Patmos dessa geração, o pastor-poeta Eugene Peterson.

"Muita gente tem dificuldade em crer que Jesus foi concebido no ventre virgem da Maria. Tínhamos dificuldade em acreditar que a igreja estivesse sendo concebida no ventre de uma catacumba que eramos nós. Contudo, não abrimos mão dessa história. Teria sido muito mais fácil imaginar uma igreja formada por um grupo de elite de homens e mulheres ávidos pela beleza da santidade, igreja tão magnificas quanto a curvilínea Tirza e tão terrível para as forças do mal quanto um exercito com bandeiras . Mas, se assim fosse, onde estaríamos? Não teríamos chance de participar dessa igreja" p. 143

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Eugene Peterson: Salvação


Tanto em Êxodo quanto no evangelho de Marcos, fica claro que não contribuímos em nada para nossa salvação. No entanto, somos convidados a participar. Na primeira metade do evangelho, pessoas de todo tipo são atraídas para junto de Jesus, experimentando sua compaixão, as curas, o livramento, o chamado, a paz. Vemo-nos implicitamente incluídos. Na segunda metade do evangelho, essa experiência de participação pessoal se torna explícita.

No centro do evangelho de Marcos há uma ponte entre os anos na Galiléia em que se narra a vida de Jesus e as últimas semanas em Jerusalém, concentradas em sua morte. Na verdade, essa ponte é estratégica para nos guiar a uma participação na salvação coerente com a vida e a morte de Jesus descritas por Marcos com tanto cuidado. Creio ser evidente que Marcos não era um jornalista escrevendo boletins diários das atividades de Jesus no século I. Também não era um publicitário tentando nos envolver numa causa com ambições históricas. Seu evangelho é a teologia espiritual em ação, uma forma de escrever que nos leva a participar do texto.



Marcos 8:27—9:9 é a passagem que serve de ponte, no centro do relato, entre as várias evocações de vida na Galiléia, ocupando simetricamente um lado, e a viagem resoluta a Jerusalém e a morte, ocupando o outro.

A passagem de transição é constituída de duas histórias. A primeira, o chamado de Jesus à renúncia enquanto ele e seus discípulos se dirigem a Jerusalém, fornece a dimensão ascética da salvação (8:27—9:1). A segunda, a transfiguração de Jesus no monte Tabor, fornece a dimensão estética (9:2-9).


As histórias começam e terminam com declarações acerca da identidade de Jesus como Deus em nosso meio: primeiro Pedro afirmando: "Tu és o Cristo" (8:29); depois, a voz do céu dizendo: "Este é o meu Filho amado" (9:7). Numa extremidade, o testemunho humano e, na outra, a atestação divina.

Antes de considerarmos essas duas histórias, desejo enfatizar a necessidade de mantê-las no contexto e ligadas entre si. O contexto é a vida e a morte de Jesus, aquele que revela Deus. Jesus é o tema do evangelho de Marcos. Fora de contexto, essas duas histórias dão espaço para inúmeras interpretações equivocadas. Não podem ser consideradas isoladamente. Não oferecem uma teologia espiritual pronta para ser explorada em nossos próprios termos.

Além disso, elas são organicamente ligadas. Não devem ser separadas uma do outra. São um ritmo de duas batidas numa única vida de salvação, e não duas formas alternativas de existir na história, de participar da obra salvadora de Deus na história. As histórias reúnem os movimentos ascéticos e estéticos, o "não" e o "sim" que trabalham juntos no cerne da vida de salvação. A participação na salvação, conforme esta é revelada em Jesus, exige o emprego apropriado e diferenciado dessas duas palavras: "não" e "sim".

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Eugene Peterson: Trovão Inverso 2

sobre Ap. 8:5
"As oraçãos que haviam subido, sem que os jornalistas da época percebessem, voltaram com uma força imensa- segundo a expressão de George Hebert, como trovão inverso. A oração volta à história com efeitos que ninguém poderia prever . A terra em que vivemos se abala a cda dia por causa disso " p. 126
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"Oração é, na vida de fé, o ato em que entramos diante de Deus em postura consciente e deliberada de falar e ouvir- relacionamento do Criador com sua criação e dela com Ele. A qualquer tempo que nos concentramos, focamos os pensamentos e prestamos atenção, nós oramos. Orar significa ter consciência, exercitar a atenção, estimular e desenvolver a intensidade pessoal diante de Deus" p. 128
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"Asssim como a dor é um caminho de cura e o sofrimento um estimulo á saúde, também o julgamento é um instrumento útil ao arrependimento. Mas isso não é garantido" (Ap. 9:20-21) p.139
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O primeiro aspecto do testemunho que aprendemos é que não podemos dizer tudo. Testemunho não é o mesmo que tagaralice. Testemunho não é o mesmo que tagarelice. Jesus havia dado conselho semelhante sobre lançar pérolas aos porcos (Mt. 7:6)." p. 146
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A mensagem é eterna e abrangente. Todos que ousam testemunhar têm a consciência dolorosa de estarem apenas na borda de suas obras (Jó 26:14). Nenhuma pessoa está apta a transmitir tal mensagem. Contudo, João não se esquiva ao testemunho com a desculpa de sua inadequação. Pega o que é capaz de assimilar, um livrinho no lugar de um livro" p.148
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Ser incapaz de dizer tudo não significa que estamos isentos de falar o que podemos . Ainda assim, a troca de palavra sugere humildade, que nem sempre se verifica naqueles que ousam testemunhar de seu Senhor" p.149
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Sobre Ap. 11
A profecia se dirige à vontade, com um convite para participarmos da vontade de Deus. O testemunho não envolve recrutamento nem propaganda. Ele se propõe a esclarecer o terreno onde as decisões serão tomadas, tenta lançar luz sobre a interseção entre tempo e eternidade e convida a entrar na claridade onde o caminho estreito começa. A lei mostra como Deus se envolve emnossa vida. A profecia diz como nos envolvemos na dele. As duas são sistole e diastole do testemunho, que não pode existir sem nenhuma delas. AS duas testemunhas apontam para Cristo, que revela tudo de Deus a nós, e também a nossa total resposta a Ele.
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segunda-feira, dezembro 14, 2009

EUGENE PETERSON: Fofoca


"O menosprezo do mundo de João estava acontecendo pela fofoca daqueles cujos ensinos aberrantes logo seriam conhecidos como gnosticismo. A natureza essencial da fofoca é que ela fala das pessoas em vez de falar para as pessoas. A fofoca deixa de fora tudo o que é singular e maravilhoso na pessoa e a reduz a uma historieta, a um lugar-comum ou a um estereótipo.. A fofoca nunca é feita por admiração. A fofoca nunca é feita por amor"

Eugente Peterson, Aprendendo a adorar com o Apocalispse de João, in Espiritualidade Subversiva, p.111

terça-feira, dezembro 08, 2009

Eugene Peterson: Espiritualidade Subversiva


Marcos: o texto fundamental para a espiritualidade cristã
"Seguir a Jesus significa não seguir nossos impulsos, apetites, caprichos e sonhos, todo os quais tão prejudicados pelo pecado que passam a ser guias pouco confiáveis para definir qualquer lugar para onde valha a pena seguir. Seguir a Jesus significa não seguir as práticas de procrastinação e negação da morte de uma cultura que, por obsessivamente lutar pela vida sob a égide de ídolos e ideologias, acaba com uma vida tão contraída e apoucada, que mal se pode chamar de vida" p. 24


Permanecer na companhia de Jesus significa contemplar sua glória, interceptar esta vasta conversa entre gerações distantes entre si- gerações que abrangem desde a lei até o evangelho, passando pelos profetas-, uma conversa que se dá em torno de Jesus, e depois ouvir a confirmação divina da revelação corporificada em Jesus. Quando o Espírito de Deus faz sua aparição, para nós é uma aparição repleta de beleza" p.25
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"Os evangélicos vêm interiorizando de forma acrítica os caminhos do mundo e trazendo-os para dentro das igrejas sem que ninguém perceba. Mais especificamente ainda, interiorizamos a fascinação do mundo pela tecnologia e seu entusiasmo pelas atividades. Em vez de ser trazidos diante de Deus (Ó vem, deixa-nos adorar e nos curvamos) e levados a desenvolver um gosto pelos santos ministérios da transcedência em adoração, o que interminavelmente promovem, tentando nos convencer , é que devemos tentar isso e aquilo. Somos recrutados para papéis e posições na igreja nos quais podemos brilhar, validando assim nossa utilidade para aquela nossa função" p.51
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Sobre McLuhan:
Seu insight central, o de que o meio é a mensagem , demonstra que a forma em que uma mensagem é transmitida tem mais efeito sobre - sendo assim mais importante para - a pessoa e sua cultura do que o conteúdo da mensagem. p. 118
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O teólogo leva Deus a sério como sujeito e não como objeto, e toma para si como um projeto para a vida toda a missão de pensar e falar sobre Deus a fim de desenvolver conhecimento e compreensão a respeito de Deus em seu ser e trabalho. O poeta leva as palavras a sério como imagens que relacionam o visível e o invisível, e torna-se um curador que garante que sejam usadas de modo primoroso e preciso. O pastor leva as pessoas de carne e osso a sério como filhos de Deus e fielmente as ouve e fala com elas, tudo o mais passa a ser periférico. Nem sempre os três ministérios convertem numa única pessoa, quando isso acontece, os resultados são extraordinários. É porque João integrava de modo tão completo o trabalho de teólogo, poeta e pastor , que temos o Apocalipse, esse documento concebido de modo tão genial e de utilidade inesgotável" p. 150-151.
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"Calvino via o coração humano como uma fábrica inexoravelmente eficiente para produzir ídolos. As pessoas comumente veem o pastor como o engenheiro de controle de qualidade da fábrica. No momento que aceitamos a posição, desertamos da nossa vocação" p. 185
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PETERSON, Eugene H. Espiritualidade Subversiva Editora Mundo Cristão, 2009.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

EUGENE PETERSON: Pregação


"Sem a pregação, por mais esplêndido que seja o trono e por maior que seja o número dos anciões e das criaturas, não há certeza de que eu me incluo, e, como consequência, vem desespero suficiente para levar uma pessoa ao pranto. Não basta enxergar o trono glorioso, ouvir os cânticos maravilhosos e entender como são vastas as inclusões. Se não descubro que eu me incluo, não conseguirei louvar, minhas ração será o choro. Se não consigo me ver entre os que jogam a coroa para o alto e gritam de alegria, despreocupados, minha única atitude será curvar a cabeça e chorar"


Eugene Peterson, Trovão Inverso, p. 98

quarta-feira, agosto 12, 2009

EUGENE PETERSON: Trovão Inverso


"È compreensível que muitos se ressintam de ter que se relacionar com a igreja,quando se interessam apenas em Cristo. Ela está repleta de ambiguidades, desfigurada por crueldade e covardia, maculada por hipocrisia e sofismas, a tal ponto que muitos se enchem de aversão por ela. A religião cristã é tão suscetível ao ataque da superstição e da fraude que não é de admirar que muitos se recusem a se associar a ela e busquem Cristo por outros caminhos e em outros lugares- em sistemas gnósticos e êxtases místicos, por exemplo" p. 61
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"O sacerdote apresenta Deus para nós e vice-versa. Liga o divino e o humano. Sua função não é proteger a santidade de Deus com a criação de barreiras que impeçam o acesso de humanos pecadores. Também não é proteger as fraquezas humanas do julgamento divino estabelecendo rituais como sistemas de defesa. Ele abre as passagens fechadas por medo, culpa, ignorância ou superstição para que o acesso seja livre. O sacerdote faz intermediação. Coloca-se ao nosso lado e ao lado de Deus" p. 62
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NÃO podemos deixar de reconhecer o contraste entre a visão de João e da grande estatua do sonho de Nabucodonosor, que Daniel interpretou (Dn 2:31-45). Ela tinha cabeça de ouro, torso de prata, ventre e quadris de bronze, pernas de ferro, mas pés de uma mistura de ferro e barro, que não fazem boa liga. A imagem era magnifica, construída com metais fortes e preciosos, mas sua base era defeituosa. Atingida por uma pedra , ela se desfez. (...)Aquele que sobrevive e triunfa interpreta a sucessão histórica de reinos condenados ao julgamento - a imagem do sonho de Nabucodonosor-. O contexto da interpretação vai além do texto que interpreta.
O Filho de Homem, Cristo, se coloca, na visão de João, em contraste com a estátua de pés defeituosos do sonho de Nabucodonosor e em continuação ao anjo de pernas de bronze- um ser que parecia homem, que fortaleceu a Daniel - Dn10.16-. Por mais impressionante e magnifica que seja, a sucessão de reinos deste mundo assenta-se sobre uma base imperfeita. Já o de Cristo repousa sobre um fundamento tão forte quanto sua superestrutura magnifica. A base de bronze é sólida. O bronze combina o ferro, que é forte mas enferruja, com o cobre que não enferruja, mas é maleável. Na ligação, a melhor qualidade de cada um fica preservada- a força do ferro e a durabilidade do cobre. Sobre essa base repousa o governo de Cristo: o fundamento de seu poder foi testado pelo fogo. p. 63-64
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"João destaca sete características para descrever o Filho do Homem, em arranjo simétrico. O primeiro e o último elementos: a cabeça branca e a face brilhante, são os mais importantes: perdão e bênção são a primeira e a ultima impressões. O segundo e o sexto, olhos e boca, são os órgãos do relacionamento, visão e audição são os meios principais de comunicação: Cristo mostra que Deus se relaciona conosco. O terceiro e quinto itens, pés e mão direita, os membros em par do corpo representam a capacidade - os pés concedem base sólida e mobilidade, a mão dirieta é instrumento para execução da vontade: Deus é capaz, e age em nosso favor. O quarto item, dessa série de sete, é a voz. A Voz está no centro. Todas as palavras proféticas e apóstolicas convergem para esta voz que troveja sons de amor apaixonado e de misericórdia urgente." p. 67
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"O treinamento acontece em sete áreas: somos ensinados a amar (Éfeso), sofrer (Esmirna), falar a verdade ( Pérgamo), ser santos (Tiatira), ser autênticos (Sardes), cumprir a missão ( Filadélfia) e adorar, usando tudo para louvar a Deus e recebendo dons para servi-lo (Laodicéia)" p. 84
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"Uma porta, apenas isso, separa o povo miserável, digno de compaixão da fartura da mesa da Comunhão. O próprio Cristo bate à porta. Com persistência e paciência, semana após semana, o convite ressoa. Vamos adorar a Deus? Abra a porta. Venha para a festa. Aceitarão eles o convite?
(...) através da porta, ele vê os membros de sua igreja reunidos na adoração no Dia do Senhor, como tinha sido costume desde o começo. A visão agora mostra a eles o significado glorioso do que fazem nos cultos dominicais" p. 91
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"Fracasso na adoração nos relega a inclinações instáveis, ficamos à mercê de toda propaganda, sedução, engodo. Sem o culto, passamos a manipular e ser manipulados. Avançamos em pânico aterrador ou letargia enganosa e, então, ficamos alarmados por espectros e nos acalmamos com placebos" p. 92
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"As colinas são um engano, assim como todo lugar casual ou pomposo em que as pessoas procuram um centro fácil e instantãneo. Gente que não adora vive em um enorme shopping center e avança de uma loja a outra, desperdiçando imensas quantidades de energia e fazendo infinitas incursões para atender primeiro às suas necessidades e depois a seus apetites, inclinações e fantasias. A vida se volta de repente de uma satisfação parcial para outra, interrompida apenas por fossos de decepção. o movimento se alimenta de ilusões sucessivas de que, comprando tal armário, tendo certo carro, comendo determinado alimento, ou bebendo certa bebid, a vida terá um centro e uma coerência" p. 93
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"A adoração é como uma pedra preciosa que revela todas as cores da luz que está em nosso interior e à nossa vida e nos deixa ofuscados" p. 96

sábado, janeiro 10, 2009

Vocação Espiritual do Pastor

Redescobrindo o chamado ministerial
Ed. Mundo Cristão

Dois movimentos de Jonas

O primeiro movimento na história mostra um Jonas desobediente; o segundo o mostra como profeta obediente. Em ambos, Jonas fracassa. Nós nunca vemos um Jonas bem-sucedido. Ele nunca acerta. Acho isso um tanto reconfortante. Jonas não é um modelo a ser seguido, um modelo que mostra minha ineficiência; esse é um treinamento de humildade, uma humildade bem alegre, em vez de servil.

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Fuga para Társis


E por que Társis? Bem, para começar, é bem mais empolgante do que Nínive, que era um lugar antigo coberto por uma história arruinada e infeliz. Ir à Nínive para pregar não era uma missão cobiçada por um profeta hebreu com boas recomendações. Társis, entretanto, era outra história. Era um lugar exótico. Uma aventura. Társis tinha o encanto do desconhecido enfeitado com detalhes barrocos de fantasia e imaginação. Nas referências bíblicas, Társis era "um porto distante e às vezes idealizado". O livro de 1Reis 10:22 relata que a frota de Salomão ia a Társis pegar ouro, prata, marfim, macacos e pavões. O estudioso de línguas semíticas, Cyrus H. Gordon, diz que na imaginação popular ela era "um paraíso distante".Shangri-lá.


Esse escapismo exótico é bem familiar. Deus oferece a homens e mulheres uma vocação e os chama para realizarem uma obra. Nós respondemos a essa iniciativa divina, mas humildemente pedimos para escolher o destino. Seremos pastores, mas não em Nínive, faça o favor! Vamos experimentar Társis. Em Társis, podemos ter uma carreira religiosa sem termos de lidar com Deus. (p. 27)


Pornografia Eclesiástica
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Existe uma tendência generalizada de nos esquivarmos das condições; mais comumente, essa fuga é alcançada ou por um encantamento artificial da igreja ou por seu repúdio. Fico muito ressentido quando pessoas tentam me atrair até Társis, pintando o trabalho pastoral como servir de sacerdote para os turistas do Mar Religioso — admirando as paisagens das Ilhas Gregas, parando em Roma para um tour pelas ruínas e museus, e finalmente chegando à lendária Társis.
Esse encantamento artificial da igreja é pornografia eclesiástica — tirando fotos ou pintando quadros de congregações que não têm mancha ou mácula, algo que só existe em umas poucas igrejas por alguns curtos anos. Estes quadros exibidos de maneira provocante não possuem relacionamentos pessoais. Os quadros atiçam a cobiça por domínio, gratificação e por uma espiritualidade impessoal e sem envolvimento. Minha própria imagem de uma congregação desejável era lapidada por tal pornografia um templo com uma torre alta e uma congregação banal. Fico espantado e alarmado que, mesmo tendo parado há muito de olhar as revistas e cartazes nas paredes da minha imaginação vocacional, ainda estou vulnerável à sedução.
O repúdio da paróquia ocorre mais repentinamente, muitas vezes pela imaginação de estruturas alternativas. Quantos de nós, no final de um longo dia de trabalho, sonhamos em começar um centro de retiro para ser freqüentado apenas por famintos e sedentos, ou em formar comunidades onde apenas pessoas muito motivadas podem entrar, ou em escapar para um seminário ou universidade onde as complexidades do pecado e os mistérios.

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Depois de tudo...

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Deus realiza seus propósitos por meio de quem realmente somos, com nossa desobediência impetuosa e nossa obediência impiedosa, e generosamente usa nossa vida tal como encontra para realizar sua obra.
Ele faz isso de tal maneira que é quase impossível para nós recebermos crédito por ela, mas também de tal maneira que em algum lugar no caminho ficamos surpreendidos com as vitórias que ele realizou, no mar e na cidade, onde desempenhamos nosso estranho papel de Jonas. (p. 39)


FUGINDO DA TEMPESTADE
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"No momento em que as palavras são usadas sem oração e pessoas são tratadas sem o acompanhamento da oração, algo de essencial na vida começa a vazar. Foi a percepção desse vagaroso vazamento, a perda de espírito, que produziu minha sensação de crise" (p.59)
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"A redução da alma ao simples eu, seguido de uma remoção manipulada de Deus do centro e do fundamento, tornou possível o diagnóstico do eu - ja que todo misterio havia desaparecido- e a fabricação de uma religião precisamente adequada para a satisfação das necessidades do eu, mas que deixava de lado toda a complexidade e delicadeza do relacionamento de Deus com o homem" (p. 61)
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"Dinheiro, um poderoso elemento na autonomia humana, tem um papel-chave em cada história, Jonas usa uma grande quantia para comprar uma passagem para Társis, e o interesse no dinheiro faz com que o capitão do navio despreze o conselho de Paulo. O poder do dinheiro desaparece na tempestade. Resta agora um único poder: Deus- e salvação de Deus. (p. 70)
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"A tempestade expõe a futilidade de nosso trablaho - como Jonas- ou o confirma - como Paulo-. Nos dois casos, a tempestade nos faz cientes de que nosso trabalho se constitui de Deus, ele retira qualquer sugestão de que, em nosso trabalho, podemos evitar ou controlar Deus. Uma vez que isso esteja estabelecido, estamos prontos para aprender sobre a espiritualidade adequada a nossa vocação, trabalhando verdadeiramente, sem temor, sem ambição ou ansiedade, sem negação ou preguiça" (p. 72)
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NO VENTRE DO PEIXE.
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Existem três condições de tensão para o serviço pastoral, que necessitam serem constantemente pensadas e oradas: a instituição que me ordena, a congregação que me chama e o ego chamado e ordenado.
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Eugene Peterson compara o ventre do peixe a um momento de askesis, um isolamento proporcionado por Deus das condições acima dispostas e de seus poderes ilusórios, para uma reavaliação do chamado e da vocação.
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Para ele a askesis "não é uma tecnologia espiritual ao nosso dispor, mas, ao contrário, é uma imersão num ambiente onde nossas capacidades são reduzidas a nada ou quase nada e ficamos à mercê de Deus para que ele possa moldar sua vontade em nós" (p.89)
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A retomada da sacralidade do sábado santo ajudaria neste sentido, é o evento menos celebrado, como também é a askesis.
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a regra da askesis é a seguinte:


sábado, setembro 15, 2007

Coma este livro!


O caráter autoral das Sagradas Escrituras foi estabelecido como pessoal nas figuras do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ele era pessoal e por isso era também relacional, o que significava que a leitura é também relacional, o que significava que a leitura e a audição das Escrituras exigia participação pessoal e relacional. Esse fato foi acompanhado pelo reconhecimento de que essas Escrituras, nas quais Deus estava revelando tudo o que Ele é, também incluíam tudo que nós somos: há uma participação pessoal e abrangente de ambos os lados, do autor e do leitor.

Eugene Peterson, Coma este livro, p. 28

Coma este livro!

O carater autoral das Sagradas Escrituras foi estabelecido como pessoal nas figuras do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ele era pessoal e por isso era também relacional, o que significava que a leitura é também relacional, o que significava que a leitura e a audição das Escrituras exigia participação pessoal e relacional. Esse fato foi acompanhado pelo reconhecimento de que essas Escrituras, nas quais Deus estava revelando tudo o que Ele é, também incluíam tudo que nós somos: há uma participação pessoal e abrangente de ambos os lados, do autor e do leitor.

Eugene Peterson, Coma este livro, p. 28

terça-feira, agosto 14, 2007

O Pastor Desnecessário

Paulo e as Escrituras
"Como o fariseu, ele as utilizava e como cristã, submete-se a elas"

Necessários e as Escrituras
"Queremos viver a partir da revelação inteira, de tal forma que, mesmo que não tenhamos citações bíblicas para circunstâncias e perguntas específicas, saibamos que continuamos a viver de acordo com o que a Bíblia ensina"

"Um pastor necessário procura controlar as Escrituras, manejando-a para defender seus próprios interesses. Um pastor desnecessário encontra lugar onde habitar dentro das Escrituras e é moldado por elas" p. 61

Necessários e o Mistério
"Mistério não é a ausência de significado, mas a presença de mais significado que conseguimos compreender"

"Os pastores necessários agem dentro do que conhecem e controlam, sendo muito hábeis em apresentar explicações e solucionar problemas. Pastores desnecessários não precisam explicar todas as coisas, mas vivem maravilhados frente ao Deus do mistério, felizes por saber que há mais coisas para vir do que podem ver ou imaginar"
p. 64


PETERSON, Eugene et DAWN, Marwa O Pastor Desnecessário Ed. Textus

sexta-feira, agosto 10, 2007

Sabedoria


vivemos num ethos cristão que conhece sua perspectiva de salvação pela Bíblia e tem sua perspectiva do mundo pelas notícias de jornal. p. 74



se o ministério cristão se resume apenas ao trabalho de pastores e das pessoas que os auxiliam nos cultos noturnos e de fins de semana, não há muita integridade em orar "Venha o teu Reino, há?" p. 81


PETERSON, Eugene Diálogos de Sabedoria Ed. Vida

sábado, maio 12, 2007

Chega de Genérico


No ato de crer na criação, aceitamos o que Deus faz, nos inserimos nele e nos sujeitamos ao que ele realizou a continuar a realizar. Não somos expectadores da criação, mas participantes dela. p. 69



Quando nada do que podemos fazer resolve e quando nos vermos perdidos e de mãos vazias, estamos prontos para deixar Deus criar.
p. 81

O grande amor de Deus por nós e seus propósitos para conosco são concretizados nas bagunças das cozinha e do quintal, nas tempestades e nos pecados, no céu azul, no trabalho diário e nos sonhos de nossa vida comum. Deus trabalha conosco do jeito que somos, e não como devemos ser ou imaginamos que devemos ser. Deus lida conosco no lugar onde estamos, e não onde gostaríamos de estar.
p. 93
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A Trindade não é uma tentativa de explicar ou definir Deus por meio de abstrações (ainda que, em parte, seja isso também), mas um testemunho de que Deus se revela pessoal, em relacionamentos pessoais. A conseqüência prática desse fato é que Deus nos resgatou das especulações dos metafísicos e nos trouxe ousadamente para uma comunidade de homens, mulheres e crianças chamados a ter essa vida comum de amor, uma vida extremamente pessoal, na qual experimentam a si mesmos em termos pessoais de amor, perdão, esperança e desejo.
Descobrimos, sob a imagem da Trindade, que não conhecemos Deus ao defini-lo, mas ao sermos amados por ele e ao correspondermos a esse amor. As conseqüências são pessoalmente reveladoras: outra pessoa não vem a me conhecer, nem eu a outrem, pela definição, explicação, categorização ou "psicologização", mas de modo relacional, ao aceitar e amar, dar e receber. Os aspectos pessoais e interpessoais oferecem as imagens centrais (Pai, Filho, Espírito Santo) tanto para conhecermos Deus quanto para sermos conhecidos por ele. Isso é viver, e não pensar sobre viver; é viver com alguém, e não desempenhar funções para alguém. p. 16

PETERSON, Eugene H. A Maldição do Cristo Genérico Editora Mundo Cristão

segunda-feira, maio 07, 2007

Maldição do Cristo genérico

http://video.google.com/videoplay?docid=6535225430006715559&q=eugene+peterson&hl=en

Este livro é uma conversa sobre teologia espiritual. Escolhi o termo “conversa” porque ele denota o vaivém de vozes de pessoas empenhadas na tarefa de considerar, explorar, discutir e desfrutar não apenas o tema em questão, mas também a companhia umas das outras. A expressão “teologia espiritual” é um par de palavras que mantém a coesão daquilo que, com freqüência, é “desmembrado”. Representa o esforço da comunidade da igreja para manter o que pensamos a respeito de Deus (teologia) em ligação orgânica com a maneira como vivemos com Deus (espiritualidade).

O crescimento meteórico do interesse pela espiritualidade nas últimas décadas deve-se, em grande parte, a uma profunda insatisfação com abordagens da vida aridamente racionalistas, constituídas de definições, explicações, esquemas e instruções (de psicólogos, pastores, teólogos ou planejadores), ou impessoalmente funcionais, compostas de slogans, objetivos, incentivos e programas (de anunciantes, palestrantes, consultores, líderes de igreja ou evangelistas). Mais cedo ou mais tarde, quase todos nós descobrimos um desejo profundo de viver de coração o que já sabemos com a mente e fazemos com as mãos.

Mas “a quem recorrer”? As instituições educacionais demonstram um interesse apenas secundário em lidar com nosso desejo ¾ oferecem-nos livros para ler e exames para nos aprovar, mas, fora isso, não nos dão muita atenção. Em nossos locais de trabalho, descobrimos mais que depressa que somos valorizados, principalmente (senão exclusivamente), em função de utilidade e lucratividade ¾ somos recompensados quando desempenhos bem nosso papel; do contrário, somos demitidos.

As instituições religiosas, que em outros tempos eram (e em outras culturas ainda são) os lugares mais óbvios para tratar das questões de Deus e da alma, causam decepção a um número cada vez maior de pessoas. Elas descobrem estar sendo cuidadosamente desenvolvidas como consumidoras num mercado que comercializa Deus como produto; ou se vêem tratadas como alunos aprendendo em ritmo irritantemente vagaroso, sendo preparados para provas finais sobre “a mobília do céu e a temperatura do inferno”.4

Por causa dessa pobreza espiritual que nos cerca, da falta de interesse em tratar daquilo que é de suma importância ¾ e está ausente tanto de escolas, empregos e vocações quanto de nossos lugares de culto ¾, a “espiritualidade” (usando um termo genérico) saiu das estruturas institucionais e se encontra um tanto dispersa. A espiritualidade está “no ar”. O lado bom é o fato de que os aspectos mais profundos e característicos da vida passaram a ser preocupações correntes; a fome e a sede pelo eterno e duradouro são amplamente reconhecidas e abertamente expressas; a recusa das pessoas em ser reduzidas a uma descrição de cargo e a resultados de avaliações é, hoje, uma realidade clara e definida.

No entanto, a dificuldade encontra-se na constatação de que, de uma forma ou de outra, todos estão convidados a criar a espiritualidade mais adequada para si mesmos. Da miscelânea de testemunhos de celebridades, gurus da mídia, fragmentos de êxtase e fantasias pessoais, inúmeras pessoas, com as melhores intenções do mundo, montam, “por conta própria”, identidades espirituais e modos de vida dotados de uma inclinação clara para vícios, relacionamentos rompidos, isolamento e violência.

Não há dúvida de que existe um interesse amplamente difundido de viver além dos papéis e funções atribuídos pela cultura. No entanto, grande parte dessa preocupação resulta numa espiritualidade moldada segundo parâmetros determinados por essa mesma cultura. Assim, parece-nos preferível usar o termo “teologia espiritual” para nos referirmos de modo específico à tentativa dos cristãos de tratar das experiências vividas e reveladas nas Sagradas Escrituras e da riqueza de conhecimentos e práticas de nossos antepassados ao aplicá-las ao nosso mundo contemporâneo, no qual a “fome e sede de justiça” são difusas e indistintas.

Os termos “teologia” e “espiritual” formam um ótimo par. “Teologia” é a atenção que dedicamos a Deus, nossa tentativa de conhecê-lo conforme é revelado nas Sagradas Escrituras e em Jesus Cristo. O adjetivo “espiritual” se refere à insistência de que toda revelação de Deus sobre si mesmo e suas obras pode ser vivida por homens e mulheres comuns em seus lares e locais de trabalho. O “espiritual” impede que a “teologia” se deteriore num simples e distante exercício de pensar, falar e escrever sobre Deus. A “teologia” evita que o “espiritual” se torne apenas a atividade emocional de pensar, falar e escrever sobre sentimentos e idéias individuais de Deus. Uma palavra necessita da outra, pois sabemos como é fácil desassociar o estudo sobre Deus (teologia) da maneira como vivemos; também sabemos como é fácil desvincular nosso desejo de viver com plenitude e satisfação (vida espiritual) daquilo que Deus é, de fato, e das maneiras como ele opera entre nós.

A teologia espiritual é a atenção que dedicamos à teologia prática que vivemos e sobre a qual oramos, pois se não orarmos, mais cedo ou mais tarde ela deixará de ser vivida de dentro para fora e em harmonia com o Senhor da vida. É nossa tentativa de viver aquilo que sabemos e cremos acerca de Deus. É o desenvolvimento da vida como adoração, ajoelhados perante Deus, o Pai; da vida como sacrifício, usando nossos pés para seguir Deus, o Filho; da vida como amor, envolvendo e sendo envolvidos pela comunidade de Deus, o Espírito.

A teologia espiritual não é uma área a mais que pode ser listada juntamente com as disciplinas da teologia sistemática, bíblica, prática e histórica; ela representa a convicção de que toda teologia, sem exceção, diz respeito ao Deus vivo, que nos torna criaturas vivas cujo propósito é viver para a sua glória. É o desenvolvimento da consciência e de percepções ao mesmo tempo alertas e responsivas em nosso local de trabalho e no local de culto; igualmente ativas quando trocamos as fraldas de um bebê em seu quarto e quando meditamos no meio de um bosque; necessárias tanto ao lermos os editoriais do jornal quanto ao fazermos a exegese de uma frase escrita em hebraico.

Alguns podem querer simplificar tudo mantendo o espiritual e descartando a teologia. Outros se contentarão em continuar com a teologia habitual e deixar de lado o espiritual. No entanto, a verdade é que vivemos apenas porque Deus vive e vivemos bem apenas quando o fazemos de modo coerente com a forma como Deus nos cria, salva e abençoa. A espiritualidade começa com a teologia (a revelação e compreensão acerca de Deus) e é norteada por ela. E a teologia nunca se encontra inteiramente separada de sua expressão no corpo de homens e mulheres aos quais Deus deu vida, sendo o desejo dele que todos vivam a vida de salvação na plenitude (espiritualidade).

segunda-feira, novembro 06, 2006

O Pastor que Deus usa

PETERSON, Eugene H. O Pastor que Deus usa Ed. Textus

“parece-me que adotamos os modelos aplicados à produção para o crescimento e administração da igreja. Os lideres das denominações tendem a considerar promissores os pastores que planejam de modo semelhante ao dos homens de negócios que visam a saturar o mercado. Por conseguinte, temos enfatizado demais a imagem e as relações publicas, mas acredito que a necessidade mais premente é recuperar a percepção da complexidade e da profundidade da verdade bíblica” Timothy L. Smith in p. 273


“O que se requer é humildade, disposição para trabalhar dentro do chamado pastoral e fé no Senhor da batalha e confiança em que Ele saberá colocar seus servos no lugar que considerar melhor para o combate. Se os seus pastores não conseguem compreender isso nas Escrituras, deveriam pelo menos aprender com as batalhas simuladas a que tantos assistem, com atenção devocional, nas tardes de domingo. Quando assistem futebol” p. 262
‘a comunidade cristã ..é uma colônia estranha por sua natureza e existência, para as quais não existem analogias no mundo que a cerca, e portanto não há categoria em que se possa entende-la e por isso, não tem utilidade palpável” Karl Barth p. 231


“Os lideres religiosos ativos muitas vezes se transformam em defensores de Deus, como se fosse necessário tomar conta dEle. Pensamos que nossas ações determinam sua eficiência, e não enxergamos que esta é a posição de um pagão diante de um ídolo e na da criatura diante do Criador” p. 225


“O conhecimento religioso deixa de ser bíblico quando se transforma em um item de informação ou passa a ser usado de forma impessoal. Se for usado para aumentar a distancia entre as pessoas, alguma coisa está errada. Se aplicado para colocar alguém em seu devido lugar também tem algo errado. Se o objetivo for melhorar a vida, sem que haja fé em Deus, mais uma vez, está errado. E se o pastor colabora em qualquer uma dessas situações, está se transformando em acessório do pecado” p. 208


“Se João Batista tivesse escrito um livro, seria semelhante a Eclesiastes. Ele funciona como um banho e não como refeição. É limpeza, não alimento. Fala de arrependimento. De purificação. O pastor o lê para se limpar da ilusão, das idéias idolatras e dos sentimentos que enojam. O texto expõe e rejeita toda expectativa pretensiosa e presunçosa que tenha Deus como alvo e que passe pelo pastor” 188


“O sofrimento precisa nos abrir para os outros, não pode levar-nos a rejeição. O talmude diz-nos que Deus sofre com o homem. Por quê? Para fortalecer os laços entre a criação e o Criador. Deus escolhe sofrer para entender melhor o homem e ser mais bem-entendido por ele. Mas você insiste em sofrer sozinho. Este tipo de sofrimento faz com que se encolha e seja diminuído. Amigo, isto é quase cruel.” Elie Wiesel na p. 176


“A atenção de Deus é o pré-requisito de sua ira. O motivo dela se voltar contra o homem reside no fato dEle se importar com sua criação” Abraham J. Heschel p. 159


“A genealogia é uma ferramenta literária usada para estabelecer a transição de um exame microscópico da ação de Deus em um lugar especifico, entre pessoas singulares, para uma visão telescópica do enorme alcance dos caminhos divinos” p. 131


“Ao assumir que Deus não tem planos para aquela pessoa(eleição) e forneceu a estrutura para que a salvação seja vivenciada(aliança), o pastor constrói uma ponte entre o Sinai e o lugar onde a pessoa está qualquer que seja ele e oferece a convicção de que há uma historia de providencia, salvação e santificação que merece ser contada” p. 120


“Em seu papel de conselheiro, o pastor se afasta de sua posição como amigo em Cristo e passa a funcionar como um substituto de Deus. Isso, em suma, é um ato de idolatria” p. 113


A atitude pastoral de ouvir capacita a pessoa a reconhecer as correspondências entre o é denegrido e desvalorizado pelos outros como mundano e os padrões verdadeiros da redenção de Deus p. 110
Um pastor não deve reclamar de sua congregação, por certo para outras pessoas, mas também não deve faze-lo para Deus. A congregação não lhe foi confiada para que ele se tornasse seu acusador diante dos homens e de Deus” Bonhoeffer in p. 84


“Compete à oração perseverante e paciente manter o amor ardente e a fé fervorosa entre o momento em que se apaixona e a consumação do amor, a promessa e o cumprimento, isto é: entre os limites definidos pela aliança” p. 72


“Com a salvação, somos capazes de receber uma serie de mandamentos que nos levam a relacionamentos vivos, completos e saudáveis com Deus e com outras pessoas” p. 41


"A Bíblia é o requisito básico para nosso ministério pastoral. Não há nada mais difícil do que lidar com relacionamentos pessoais. Pregar é muito mais fácil. Uma vez alguém fez uma pergunta a Gregório Nazianzeno e ele respondeu:"Seria bem melhor responder isso do púlpito!". È mais fácil tratar das necessidades humanas no invólucro sagrado do púlpito, do que enfrentá-las sozinho, no relacionamento íntimo de uma visita pastoral" Donald G. Miller, p. 20

Transpondo Muralhas: a vida de Davi

PETERSON, Eugene H. Transpondo Muralhas: Reflexões sobre a vida de Davi Ed. Habacuc, 2004.


“A coisa mais importante que uma pessoa pode fazer por outra é verificar o que existe de mais profundo no outro, despender tempo, e ter discernimento para ver o que há no interior do outro, quem a pessoa realmente é, e,então, reafirmar isso pelo reconhecimento e encorajamento” Martin Buber in p. 81


“O deserto ensinou Davi a ver beleza em toda parte. O deserto foi a escola que ensinou a Davi quanto à preciosidade da vida; por inicio das provações que ali viveu, Davi aprendeu a encontrou Deus em lugares onde antes jamais imaginaria. O deserto mergulhou Davi em belezas tão profundas que a pequenez de uma vingança pessoal se tornou impensável. O deserto treinou Davi em lealdade tão profunda que seria impossível a quebra de um juramento. O deserto mostrou a Davi a presença de Deus até mesmo numa lasca de rocha insignificante, para que nada, e evidentemente ninguém,viesse a ser tratado por ele com escárnio ou desdém” p. 109

“O moralismo é a morte da espiritualidade. É uma forma de encarar as coisas que coloca toda a ênfase no desempenho pessoal. Funciona a partir da convicção de que existe uma justiça nítida, que somos capazes de discernir, achar melhor e executar, em cada uma das diversas circunstancias. Isso coloca toda a carga da nossa espiritualidade naquilo que fazemos. Deus é marginalizado. O moralismo esmaga o nosso espírito. Nele não há misericórdia.” p. 135

“O deserto por si mesmo, nada faz acontecer, Davi e Saul estavam no deserto. Saul como perseguidor de Davi, obcecado em sua caçada, com a vida se resumindo a um desejo de matar. Entretanto, Davi corria para Deus e se encontrava em suas orações de refugio em Deus, maravilhado, tomado de gloria, desperto e aberto para o generoso amor de Deus, o Deus que nos faz bem com sua Palavra” p.112

“As historias do deserto são narrativas referentes a tentação e provação. O deserto é lugar de provação, o lugar da tentação. O deserto é selvagem. Nada nele é, por natureza, domado e domesticado. Os recursos da civilização a que estamos acostumados não se encontram ali, e a vida se resume inteiramente a sobrevivência” p.106

"Quando vivemos uma vida correta a nossa experiÊncia com Deus é compartilhada com as pessoas que conhecemos e que vimos a conhecer. Elas experimentam um pouco do experimentamos com Deus." p.145

Golias e Doegue, filisteus e amalequistas são explicitamente definidos como inimigos. Sabemos o que pretendem. Sabemos que neles não podemos confiar. Mas Abner e Joabe? Só porque eles acham que estão do nosso lado, achamos também que estejam. Mas essa conclusão não tem respaldo bíblico. Temos que estar atentos a Abner e Joabe. Pois os meios são importantes. A obra de Deus não pode ser realizada de outro modo senão pelos meios usados por Deus. Exploração de pessoas (Abner) e violência (Joabe) não são meios de Deus p.171

A extrema tentação pode ser uma traição.

Fazer coisa certa, mas sendo errônea a razão.

A força normal que foi dada ao pecado original.

Resultou , em nossas vidas, no pecado venial

T.S. Eliot


“Uzá ignorou (desafiou!) a orientação mosaica e substituiu-a pela ultima inovação tecnológica dos filisteus- uma carroça de bois, de preferência (1Sm 6). Uma carroça de bois bem projetada é inegavelmente mais eficiente para transportar a arca do que levitas. Mas também é impessoal- é a substituição de pessoas consagradas por uma maquina eficiente, o impessoal tomando lugar do pessoal. Uzá é o santo padroeiro daqueles que adotam a tecnologia sem qualquer analise, sem levar em conta a natureza do que é sagrado. Uzá estava encarregado (achava ele assim) de Deus e era sua intenção continuar no controle. A conseqüência desse tipo de vida é a morte, pois Deus não se deixa manejar. Não tomamos conta de Deus, é Deus quem toma conta de nós” p.195

Alexander Whyte sobre Mical: “aqueles que não ouvem, sempre menosprezam os que dançam” p.199

“Uma corrente com desvio de doutrina tem-se manifestado em nossos dias, dizendo que as orações de louvor têm preeminência sobre todas as outras. Isso não é verdade como também é altamente antibíblico. Na oração modelo que nos legou, Jesus nos preparou para pedirmos: no Pai Nosso, há seis petições e nenhum agradecimento” p. 205

“É preciso coragem, coragem imensa, para abandonar o controle, para abrir mão de nossa posição de prestígio tão recentemente conquistada, para largar nossos trabalhos e simplesmente sentar aos pés de Jesus” p. 213

“A história de Davi é uma história de evangelho, Deus fazendo por Davi o que Davi não poderia fazer por si mesmo. De um pecador salvo. É uma história que se completa com a de Jesus, que demonstra quem é Deus ao buscar o doente, o rejeitado e o perdido” p.266

“Em determinado dia, não temos a menor idéia do sentido de Deus para as nossas vidas e, no dia seguinte, já o temos. Pensávamos que Ele estivesse ausente, e Ele está bem presente. Porque nada foi dito, achamos que nada foi feito, mas muito se fez; só que de maneira sutil e silenciosa. É assim na ressurreição. E, muitas e muitas vezes, é assim na vida” p. 286