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sexta-feira, julho 29, 2011

Disciplinas Espirituais - PERGUNTAS E DALLAS WILLARD

Dallas Willard começa seu livro Espírito das Disciplinas com  o segredo do jugo suave,  ele começa assim ao comparar os preços pagos na vida diária pelo jugos do pecado e de Cristo, sendo que o primeiro é muito mais difícil de carregar do que o outro.

Por que sempre começamos a discutir as disciplinas a partir de nossas desculpas para não faze-las, por que não enxergamos além da nossa vontade e desejo, além da arena carnal?


Afastar-se da justiça é o mesmo que escolher uma vida de jugos, presa nos:tentáculos de problemas esmagadores, de fracassos e desapontamentos que nunca são resolvidos. Esta é a fonte do drama interminável, onde por vezes o horror apresenta-se como vida humana normal. O "preço do discipulado", embora possa exigir tudo o que temos, é pequeno quando comparado com a sorte daqueles que não aceitam o convite de Cristo para .andar no Caminho da Vida. (Espírito das Disciplinas)

Quando partimos de um ponto de escassez, sempre acreditamos na verdade que temos que perder para trocar por algo que não vale tanto assim, que será um grande sacrifício. A doçura das disciplinas não existe, mas apenas o fel. É como se estivessemos fazendo um grande favor a Deus, que terminássemos em nosso corpo aquilo que Ele não consegue fazer.


Não temos, assim, a força que deveríamos ter, e os mandamentos de Jesus tomam-se esmagadoramente pesados. Na verdade, muitos cristãos parecem não acreditar realmente que Jesus pretendesse que cumpríssemos os seus mandamentos. Qual é o resultado? Seus ensinamentos são tratados como mero ideal, algo que bem podemos estabelecer como alvo, sabendo, porém, que estaremos fadados a jamais alcançar.

Para sairmos dessa mera leitura das Escrituras, Dallas propõe uma volta as disciplinas baseando-se na própria vida de Jesus:

Jesus como pode ser' observaldo claramente no registro de sua vida, compreendeu bem este fato e viveu corretamente. Devido ao preconceito com que lemos os Evangelhos atualmente ( o que discutiremos mais adiante), temos grande dificuldade de ver a principal ênfase na vida de Jesus. Esquecemos que o fato de ser o Filho unigênito de Deus não o isentou da necessidade de uma vida de preparação, desenvolvida fora da vista do público, A despeito dos eventos auspiciosos do seu nascimento, Jesus cresceu no seio de uma família simples na humilde cidade de Nazaré. Aos 12 anos de idade, como vemos em Lucas 2.45, Jesus exibiu um conhecimento espantoso "no meio dos doutores" em Jerusalém. Mesmo assim, retomou ao lar com os pais e, durante os 18 anos seguintes, sujeitou-se às demandas da família.
Então, depois de receber o batismo pelas mãos de seu primo João Batista, Jesus buscou a solitude e jejuou por um mês e meio. A seguir, na seqüência de seu ministério, esteve a sós grande parte do tempo, muitas vezes passando noites inteiras sozinho, em oração, antes de ministrar às necessidades de seus discípulos e ouvintes no decorrer do dia.
A partir de tais preparações, Jesus era capaz de manter uma vida pública de serviço por meio do ensino e da cura. Foi capaz de amar seus companheiros mais próximos até o fim – apesar de muitas vezes eles o terem desapontado e parecerem incapazes de acompanhar sua fé e obras. Posteriormente, Ele foi capaz de se sujeitar a uma morte sem precedentes em seu significado intrínseco e efeito histórico.
O segredo do jugo suave, portanto. envolve viver como Jesus viveu a inteireza de sua vida – adotando seu estilo geral de vida. Seguir" suas pisadas" não pode ser equivalente a comportar-se como Ele se comportava quando estava "sob os holofotes". Viver como Cristo viveu é viver como Ele viveu toda a sua vida.
 Para Dallas, o fracasso humano vem do desejo sem dedicação aquilo que provém frutos,  não adiantando ter boas intenções apenas.  Isto me faz voltar a minha questão,  a questão das disciplinas serem encaradas como favor que fazemos a Deus, seria isto?  Sendo que alguns estão dispostos e outros não.


Na verdade, Jesus convidou pessoas para segui-lo num modo de vida a partir do qual comportamentos como amar os inimigos parecerá a única coisa sensível e feliz a se fazer. Para uma pessoa que vive desta forma, a coisa mais difícil a fazer seria odiar os inimigos, virar as costas aos necessitados ou amaldiçoar quem a amaldiçoa, assim como seria difícil para Cristo. O verdadeiro discipulado cristão conduz ao ponto onde difícil é não reagir da mesma forma que Jesus o faria.
Contudo, isso não se trata de uma mera adequação comportamental a um padrão público de comportamento, que seria um farisaísmo,  Willard criticando EM SEUS PASSOS QUE FARIA JESUS, diz que seguir não é tentar se comportar como ele em público, é buscar fazer aquilo que fazia em privado. Willard continua a história de fora para dentro ao meu ver quando diz...

O segredo do jugo suave, então, é aprender com Cristo como viver nossa vida toda. como investir todo nosso tempo e nossa energia mental e física como Ele fez. Temos de aprender como seguir sua preparação - as disciplinas para a vida sob o governo de Deus que capacitaram o "Filho do homem" a receber o apoio constante e efetivo do Pai enquanto. fazia a sua vontade. Temos de descobrir como entrar em suas disciplinas a partir de onde estamos hoje – e, sem duvida, como ampliá-las para abranger as nossas necessidades. (ED)
Contudo, acho que a preocupação de Dallas está em ir contra a apatia do crente em relação as disciplinas ou a falta de necessidade delas já que a vida cristã normal é inviável e irreal


Cremos de todo o coração que devemos seguir de perto nosso Senhor Jesus Cristo e ser semelhantes a Ele. Entretanto, poucos cristãos (talvez nenhum) podem ver isso como uma possibilidade real para si mesmos ou para os crentes que eles conhecem. Isso não parece ser algo que possamos avaliar mediante medidas definidas, que entendamos claramente, e que saibamos como implementar. (ED)
No capítulo 3, Salvação e Vida, ele começa a desenvolver uma teologia prática das disciplinas, dizendo

Esta relação, porém, entre as disciplinas e o jogo suave com a vida abundante, baseia-se na natureza da personalidade humana. Jesus era humano, não só divino. Ele precisou de disciplina não porque fosse pecador e necessitasse de redenção, como nós, mas porque tinha um corpo como o nosso. Isso nos ensina que temos de compartilhar como Ele das disciplinas. Seu entendimento com o Pai era: "Sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo me preparaste" (Hb 10.5). Jesus compartilhou da estrutura humana e, como ocorre com todo ser humano, seu corpo foi o ponto focal de sua vida.
É exatamente este reconhecimento apropriado do corpo e suas implicações para a teologia que falta às visões atuais da salvação ou da libertação cristã. O corpo humano é o ponto focal da existência humana. Jesus tinha um corpo. Nós temos um. Sem a percepção adequada do lugar do corpo, as peças do quebra-cabeça da nova vida em Cristo não se encaixam de forma realista, e segui-lo – ser como Ele - continua sendo uma impossibilidade prática.(ED)


A salvação que afeta nossas vidas, é feita mediante o corpo, Willard não faz uma ligação seja com o docetismo ou com gnosticismo aqui, ele diz uma coisa bastante clara - EXCLUIR NOSSOS CORPOS  DA RELIGIÃO É O MESMO QUE EXCLUIR A RELIGIÃO DE NOSSAS VIDAS.

Assim, Dallas repensa o conceito próprio de salvação, uma salvação que apenas tem a ver com a noção de pecado falha porque...

O que significa "ser salvo"? O que as pessoas entendem quando ouvem falar em "salvação", "redenção" e outros termos do Novo Testamento usados em referência à ação divina de restaurar homens e mulheres ao lugar que deviam ocupar no mundo? Qual o conceito verdadeiro e coerente por trás dessas palavras? O pressuposto deste autor é que tudo isso se perdeu por meio dos processos históricos e das alterações da linguagem empregada para refletir interesses teológicos especiais. Nós perdemos o contato com os significados radicais dos conceitos que fariam a graça e a personalidade humana se encaixarem como luvas no processo do discipulado cristão!  (ED)

Uma vez, porém, que a salvação é reduzida a mero perdão dos pecados, as discussões sobre a sua natureza são limitadas aos debates sobre a morte de Cristo, sobre quais elementos envolvidos em sua morte tornam o perdão possível e atual. Tais debates abordam as "teorias da expiação". Mesmo assim, por meio dessas teorias, a conexão entre salvação e vida – tanto a sua vida como a nossa – torna-se ininteligível. E ela permanece ininteligível para todos os que tentam entender a salvação unicamente por essas teorias. Por quê? Porque elas não nos ajudam a entender o que afirmou o apóstolo Paulo: "[sendo] reconciliados com ele mediante a morte .de seu Filho... seremos salvos por sua vida" (Rm 5.10). Como podemos ser salvos por Sua vida quando cremos que a salvação procede somente de Sua morte? Portanto, se nos concentrarmos exclusivamente em tais teorias, o corpo (a vida concreta) é perdido no processo de redenção. Assim sendo, como poderíamos considerar as disciplinas para a vida espiritual senão como esquisitices históricas e práticas estranhas engendradas por pessoas desvairadas de épocas distantes e que jaziam na ignorância? (ED)


 Em outro livro, A CONSPIRAÇÃO DIVINA,  Willard trabalha a idéia de evangelhos de administração do pecado:


Denota que você pode ter a fé em Cristo que traz o perdão, sem no entanto ser diferente, nos outros aspectos da sua vida, daqueles que não têm fé em Cristo. Essa visão tão agradavelmente apresentada em adesivos  e outros objetos tem profundas raízes históricas. É hoje elaborada em muitos livros sérios de teologia e acatada por multidões de pessoas que sinceramente se identificam como cristãs.

 (...)

Helmut Thielicke ressalta que muitas vezes nós nos perguntamos se as celebridades que anunciam comidas e bebidas realmente consomem o que estão vendendo.3 Ele diz também que essa mesma questão é a mais premente para aqueles que falam em nome de Cristo. Se as faltas morais estão tão difundidas entre nós, então seguramente algo está errado. Talvez não estejamos comendo aquilo que anunciamos. O mais provável, acho eu, é que o que estamos "vendendo" seja irrelevante para a nossa vida real e não tenha o poder de mudar o nosso dia-a-dia. (...)
A situação atual, na qual a fé que se professa exerce pouca influência sobre o conjunto da vida, não é característica do nosso tempo, tampouco é um desenvolvimento recente. Mas atravessa agora uma fase aguda. A história nos levou ao ponto em que se considera que a mensagem cristã trata essencial e exclusivamente dos meios de lidar com o pecado: de atos ou atitudes erradas e as suas conseqüências. A vida, nossa existência real, não está incluída naquilo que hoje se apresenta como o cerne da mensagem cristã, ou se inclui só marginalmente. É assim que nos encontramos hoje.
Quando percebemos a separação entre a mensagem atual e a vida cotidiana, as faltas destacadas acima fazem pelo menos algum sentido. Não nos surpreendem. Quem examina o largo espectro da profissão e da prática cristãs, percebe que a única coisa considerada essencial na ala direita da teologia é o perdão dos pecados. Na ala esquerda é a eliminação dos males sociais ou estruturais. O evangelho corrente então se torna um "Evangelho da administração do pecado". A transformação da vida e do caráter simplesmente não faz parte da mensagem redentora. No seu âmago, a realidade humana corriqueira não é o palco da fé e do viver eterno.
Para a direita, ser cristão é uma questão de ter os pecados perdoados. (Lembra-se o leitor dos adesivos?) Para a esquerda, você é cristão se está realmente comprometido com a eliminação dos males sociais. O cristão é ou aquele que está pronto a morrer e enfrentar o juízo de Deus, ou aquele que tem um compromisso visível com o amor e a justiça na sociedade. E só.
De volta ao Espírito das Disciplinas, precisamos realmente re-avaliarmos nossos conceitos de salvação, regeneração, santificação, ressurreição. Conceitos que precisam sair do mundo das idéias e assumir a realidade de nossos corpos pela força do Espírito Santo.
Uma vez que esquecemos ou obscurecemos o significado de "salvação" (ou" redenção", ou "regeneração") e o substituímos por expiação simples ou mero perdão de pecados, jamais seremos capazes de alcançar um retorno coerente para a existência humana concreta. Jamais seremos capazes de deixar claro exatamente o que a nossa vida tem a ver com a nossa "salvação". Uma prova clara disso são os esforços fúteis de cristãos através dos séculos de- alinhavar obediência – ou "obras" ou "leis" – à graça, ou insistir que Cristo não pode ser nosso Salvador sem ser também nosso Senhor. (ED)
A fé deve então estar relacionada com obras, seguindo Lutero, parte para a mesma consequência de Bonhoeffer, só tem fé que é obediente, só o obediente tem fé...No "Espírito das Disciplinas" ele apresenta três dimensões disto:
1. A presença de um novo poder dentro do indivíduo, irrompendo numa ruptura com o passado por meio do arrependimento e a liberação de perdão. A folha seca automaticamente cai do ramo quando uma nova folha surge. Assim, temos a representação bíblica do arrependimento, bem como dão, como algo dado por Deus (Salmo 80.3; 8504; Atos 5.31; Romanos 2:4 e Timóteo 2.25).
2. Uma transformação imediata, mas também gradual do caráter e da personalidade do indivíduo (2 Co 5.17; Rm 5.1-5; 2 Pe l:4-l1).
3.Um poder significativo, sobre-humano, sobre os males deste presente século e do mundo, exercido tanto pelo indivíduo como pela Igreja coletiva ("Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão..." – Mt 28.18).
Para terminar minha questão, pego a resposta de outro livro de Willard, A GRANDE OMISSÃO

Uma mente abarrotada de desculpas pode transformar o discipulado num mistério ou pode considerá-lo algo a ser temido. Mas não há nenhum mistério no desejo e na intenção de ser como alguém — isso é algo extremamente comum. E se, de fato, estamos decididos a ser como Cristo, isso ficará evidente para todas as pessoas mais atentas ao nosso redor, assim como para nós. É claro que as atitudes que definem o discípulo não podem ser colocadas em prática nos dias de hoje deixando a família e o trabalho para seguir Jesus em suas viagens pelo país. Mas o discipulado pode ser concretizado ao aprendermos ativamente como amar os inimigos, abençoar os que nos perseguem e suportar com longanimidade um opressor — ou seja, colocar em prática pela graça as transformações interiores da fé, do amor e da esperança. Esses atos — realizados pela pessoa disciplinada que manifesta graça, paz e alegria — tornam o discipulado tão tangível e espantoso hoje quanto aquelas deserções do passado distante. Qualquer um que entrar no Caminho verá isso e, ao mesmo tempo, verá por experiência própria que não há nada de assustador no discipulado.





quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Dallas Willard: Conspiração Divina


Convém que estejamos cientes de, grosso modo, cinco dimensões da nossa vida eterna no Reino no Meio de Nós. Essas dimensões se distribuem mais ou menos na seguinte seqüência:

1. Confiança e em Jesus, o "Filho do homem", aquele que foi ungido para nos salvar. As passagens bíblicas relevantes para essa dimensão são Jo 3:15; Rm 10:9-10; e ICo 12:3. Essa confiança é uma realidade, e é ela mesma uma verdadeira manifestação da vida "das alturas", não das capacidades humanas normais. É, como diz Hb 11:1, "a convicção de faros que se não vêem". Qualquer um que verdadeiramente possui essa confiança tem absoluta certeza de estar "lá dentro".

2. Mas essa confiança na pessoa de Jesus naturalmente leva ao desejo de ser seu aprendiz na vida do reino de Deus. Só mesmo um processo histórico contínuo eivado de confusões e falsas motivações poderia nos trazer a esta situação corrente, na qual se considera que a fé em Jesus implica naturalmente ser discípulo dele. A condição de aprendiz de Jesus significa viver no seu mundo, ou seja, colocar em prática os seus ensinamentos (Jo 8:31). E isso gradualmente integra toda a nossa existência no glorioso mundo da vida eterna. Tornamo-nos "verdadeiramente [...] livres" (Jo 8:36).

3. A abundância de vida que se alcança quando se é discípulo de Jesus, "permanecendo na sua palavra", naturalmente conduz à obediência. O ensinamento que recebemos e a experiência de vivê-lo nos leva a amar a Jesus e ao Pai com a plenitude do nosso ser: o coração, a alma, o entendimento e a força (corporal). E assim aprendemos a amar essa obediência a ele, mesmo quando não compreendemos ou até mesmo quando não "gostamos" do que ele exige. "Se me amais", disse Jesus, "guardareis os meus mandamentos" (Jo 14:15). E: "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele" (v. 21). O amor de Jesus nos sustenta ao longo da prática da disciplina e do treinamento que possibilita a obediência. Sem esse amor, não persistimos no aprendizado.

4. A obediência, com a vida de disciplina que exige, conduz à completa transformação interior do coração e da alma. E, num processo circular, essa mesma transformação sustenta a obediência. A condição permanente do discípulo passa então a ser a de "amor, alegria, paz, longanimidade [paciência], benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio" (Gl 5:22-23; comparar com 2Pe 1:2-11). E é amor autêntico até o nosso âmago mais profundo. Essas virtudes são chamadas de "fruto do Espírito", pois não são conseqüências diretas do nosso esforço, mas nos são incutidas à medida que passamos a admirar e imitar a Jesus, fazendo todo o necessário para aprender a obedecer a ele.

5. Por fim, vem o poder para fazer as obras do reino. Uma das declarações mais chocantes de Jesus, também encontrada no "discurso de formatura", foi esta: "Aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e outras maiores fará" (Jo 14:12). É normal que nos sintamos assombrados e incapazes diante dessa afirmação. Mas tenhamos em mente que o mundo em que vivemos precisa desesperadamente que essas obras sejam feitas. Não seria somente por exibicionismo ou para impressionar a nós mesmos e os outros. Mas, francamente, mesmo uma "obra" modesta já é mais do que a vida da maioria das pessoas pode sustentar. Se uma só das nossas orações vier a ser atendida, com efeitos publicamente visíveis, isso já poderia bastar para atolar alguns de nós em semanas de pretensa superioridade espiritual. Grande poder exige grande caráter para que seja uma bênção, não uma maldição, e esse caráter é algo que precisamos adquirir gradualmente.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

A Grande Omissão

Contrastando com isso, a suposição dominante entre os cristãos professores de hoje é de que podemos ser "cristãos" para sempre sem jamais nos tornarmos discípulos — nem mesmo no céu, pois, afinal, que necessidade teremos de ser discípulos no porvir? Onde quer que estejamos, podemos ver que esse é o ensinamento corrente. E essa é (com suas várias conseqüências) a Grande Omissão da "Grande Comissão", em que a Grande Disparidade se encontra firmemente arraigada. Enquanto a Grande Omissão continuar a ser permitida ou nutrida, a Grande Disparidade florescerá — tanto na vida de indivíduos quanto em grupos e movimentos cristãos. Logo, se cortarmos a raiz da Grande Omissão, a Grande Disparidade murchará, como foi o caso tantas vezes no passado. Não é preciso lutar contra ela. Basta parar de alimentá-la. (p.11)

As expectativas de Jesus a nosso respeito não são complicadas nem confusas. Em alguns casos, exigirão mudanças naquilo que estamos fazendo. Mas a Grande Comissão — o plano de Jesus para a formação espiritual, o crescimento da Igreja e o serviço ao mundo — é bastante óbvia. Então, mãos à obra! Ele proverá todo o preparo e apoio necessários. Não se esqueça: "Quando tudo falhar, siga as instruções". (p.14)

Parte 1: Aprendizes de Jesus

1. Discipulado: Exclusividade dos supercristãos?

Dallas Willard arremata o capítulo citando Helmut Thielicke que diz: "os cristãos não se encontramsb a ditadura do "você deve", mas dentro docampo magnético da liberdade cristã, sob a capacitação do "você pode". (p.24)

2. Por que se preocupar com o discipulado?

3. Quem é seu mestre?

Em meio a tantas informações, devemos buscar a fonte de nossas informações mais comuns e vitais em Jesus Cristo.

"Junto de Jesus, a disposição de fazer o mal que habita os membros de nosso corpo é, por meio de uma longa prática, removida de forma gradativa e crescente. Nossa "carne" passa cada vez mais para o lado do nosso espírito e do Espírito de Deus, dedicando-se a servir a Deus. As disciplinas da vida espiritual são uma parte essencial da formação interna decisiva que Jesus realiza em nós e não podemos jamais negligenciá-las" (p.32)

4. Semelhantes a Jesus: Os recursos divinos para uma vida transformada estão sempre disponíveis
"Pessoas comuns em ambientes comuns podem viver da abundância do Reino de Deus, permitindo que o espírito e as ações de Jesus transbordem naturalmente de sua vida". (p. 33)

5. A chave para as chaves do reino
As chaves são as disciplinas espirituais.


Parte 2: A formação espiritual e o desenvolvimento do caráter

6. A formação espiritual em Cristo é para a vida toda e para a pessoa toda
"Muitos de vocês sabem que nas Escrituras a "carne" é associada com maior frequência não a cigarros, uísque e mulheres devassas, mas, sim, a atividades religiosas - Fp. 3 - (...) A carne representa aquilo que é natural - as capacidades humanas sem assistência espiritual ou divina. e, em nossas atividades religiosas, é possível dependermos da carne nesse sentido" (p. 52)

"A formação espiritual em Cristo é o processo pelo qual o ser mais íntimo do indivíduo ( o coração, a vontade ou o espírito) assume a qualidade ou caráter do próprio Jesus. Essa é a definição de formação espiritual..."
(p. 57)


"Outro fator que contribui para o interesse na formação espiritual foi a desintegração da importância das diferenças denominacionais. Hoje em dia, é muito raro encontrar alguém que acredite que sua identidade denominacional lhe garante algo relevante em termos de conteúdo cristão (...) A maioria das pessoas que se dizem cristãs- evangélicas ou não- vai de uma igreja para outra e usa como parâmetro de escolh a congregação local e sua liderança, e não a denominação- ou pelo menos não apenas isso. Muitos, especialmente s mais jovens, não fazem idéia do que representam as diferenças entre as denominações. Pouco tempo atrás, a filha de um conhecido meu lhe perguntou: De qual franquia somos membros?
(...)
Com a desintegração da filiação e linguagem denominacional, torna-se necessária uma nova linguagem. A formação espiritual está preenchendo esta lacuna ao expressar a essência e a profundidade de nosso compromisso com Cristo numa linguagem verdadeiramente interdenominacional. No entanto, seu aspecto mais importante é a tentativa de voltar o foco para a necessidade de transformação interior e, segundo estatisticas e relatos informais, é comum encontrar em nossa cultura cristaso que não diferem expressivamente de não-cristãos. "(p. 58)

A graça divina não está ligada somente ao pecado.

"O verdadeiro santo consome graça como um 747 queima combustível na decolagem. Torne-se o tipo de pessoa que pratica rotineiramente aquilo que Jesus fez e disse. Você consumirá mais graça levando uma vida santa do que pecando, pois todo ato santo que você realizar terá de ser sustentado pela graça de Deus. E esse sustento é o favor totalmente imerecido de Deus em ação. É a vida de regeneração e ressureição- e justificação, que é absolutamente vital, pois nossos pecados precisam ser perdoados. Mas a justificação não é algo separável da regeneração. E a regeneração se desenvolve de modo natural em santificação" (p. 65)

Concluindo o capítulo, ele estabelece 4 pontos básicos:
1- O evangelho da justificação, de per si, não gera discípulos, além da fé é necessária a obediência.
2- Perfeccionismo, levar a sério a vida de discípulo.
3- não podemos ter um evangelho que trata apenas do pecado, o evangelho não cuida apenas do passado, é a nova vida em Cristo.
4- caráter inevitável de um processo sério ao longo do tempo, as experiências espirituais não transformam o caráter, ele é formado e transformado pela ação.


7. Formação espiritual em Cristo: Uma perspectiva de sua natureza e viabilidade

"Ensinamos as pessoas a fazer tudo o que Jesus ordenou moldando o seu coração de modo a amar a Cristo e seus mandamentos, e treinando sua personalidade como um todo (alma, mente, corpo, e, em parte, até mesmo o ambiente) para acompanhar o novo coração ou espírito, que é o elemento criativo da pessoa, aquilo que também chamamos de vontade. O desejo (thelein; Rm 7.18) não é apenas importante, é inevitável. Mas quem é a pessoa , e sua ação envolve mais do que a vontade" (p.75)

"Uma vez que fomos encontrados por Deus, passamos a buscar uma vida cada vez mais plena dele. Graça é o oposto de mérito, e não de esforço. A verdade da formação espiritual é que não seremos transformados à semelhança dele apenas por mais informações, inspirações ou ministrações. Apesar de todos esses elementos ocuparem um lugar importante, nunca serão suficientes, e a confiança depositada exclusivamente neles explica por que, hoje em dia, tantos cristãos não conseguem ir muito além de um certo nível de decência" (p. 77-78)

8. O espírito está pronto, mas...: O corpo como instrumento para o crescimento espiritual

"A disciplina é uma atividade que está a nosso alcance e que realizamos a fim de nos tornarmos capazes de fazer o que não conseguimos por esforço direto. Todas as áreas da vida exigem certas disciplinas, e isso inclui a área espiritual. Por essa razão, Jesus orientou e conduziu seus discípulos a disciplinas para a vida espiritual: jejum, oração, solitude, silêncio, serviço, estudo, comunhão, e assim por diante" p. 85

"Desenvolvemos cada um dos ensinamentos de Jesus escolhendo comportamentos diferentes que sejam relevantes, encontrando espaço- rearranjando as coisas- em nossa vida para praticar esses ensinamentos e visualizar de outra forma a situação dentro desse novo ambiente comportamental que inclui Deus". (p.87)

9. Vivendo na visão de Deus
"A visão de Deus e de si mesmo em Deus inspira uma combinação de humildade e grande anseio por Deus. Essa combinação leva a esforços extraordinários realizados na dependência de Deus. Grandes resultados ão alcançados, pois Deus age em conjunto com esforços feitos na dependência dele e por amo a ele. Os resultados desenvolvem vida própria . Pessoas ao redor só conseguemver os resultados que, de fato, são externamente notáveis e dignos de apoio. por vezes, o apoio humano também representa o sustento de Deus. Mas os efeitos de tudo isso precisam ser vigiados com grande cuidado a fim de evitar que corrompam o coração, afastando-o de uma visão apropriada de Deus e da coragem humilde que flui dela" (p. 94)

10. Reflexões de Idaho Springs sobre a formação espiritual 99
"Não é possível reduzir a formação espiritual a uma formula, pois ela é um relacionamento dinâmico e extremamente individualizado. É certo, porém, que qualquer iniciativa para a formaçao espiritual abençoada por Deus inclui boa parte dos elementos já mencionados" (p. 102)

"Qualquer atividade que esteja ao nosso alcance e que nos permita realizar pela graça o que não podemos realizar por nossos esforços diretos éuma disciplina da vida espiritual" (p. 124)
11. O cuidado da alma: Para pastores... e outros

Parte 3: O discipulado da alma e da mente

12. Disciplinas espirituais, formação espiritual e a restauração da alma

13. A piedade cristocêntrica: O coração do evangélico 147


quinta-feira, novembro 01, 2007

Renovação do Coração

Novo nascimento não combina com velhos hábitos.

De forma geral, quem se convertia até uns 30 anos atrás ainda deve lembrar do que a maioria dos pastores costumava bradar dos púlpitos: “Você tem que mudar tudo em sua vida para seguir a Jesus!” Mas alguma coisa aconteceu nas últimas décadas, e o discurso mudou. Para não criar antipatia contra o rebanho, nem afugentar potenciais fiéis, muitos líderes passaram a inverter a lógica, e garantem que não é preciso mudar nada para seguir a Jesus.

Para Dallas Willard , representante mais do que legítimo de uma multidão de pessoas preocupadas com os rumos da Igreja moderna, ninguém nasce de novo para continuar sendo o que era antes. Por isso a estranheza que tal falta de solidez espiritual lhe causa – fraqueza esta que, a seu ver, tem sido a ruína do povo de Deus. Afinal, não deveria ser comum encontrar um número tão grande de crentes envolvidos em pecados sexuais, improbidade financeira e tantos outros desvios morais.

O que falta a essa gente que carrega o nome de Cristo, mas se recusa a imitar o caráter do Salvador? A resposta está em A renovação do coração, no qual o autor do sucesso Conspiração divina (também publicado no Brasil pela Editora Mundo Cristão) defende o que chama “transformação do espírito”, um processo divino por meio do qual cada elemento do ser se harmoniza com a vontade do Criador.

Em linguagem objetiva, e ainda assim repleta de sensibilidade, Willard vasculha os processos e os componentes da natureza humana para propor um discipulado pessoal e o enfrentamento sem rodeios dos desafios à autenticidade da fé. O resultado, segundo ele, fica patente “quando todas as partes essenciais do ser humano são efetivamente organizadas em função de Deus, e por ele restauradas e sustentadas”.

Sobre o autor
Dallas Willard é teólogo e professor da Escola de Filosofia da Universidade do Sul da Califórnia. Também foi professor na Universideade de Wisconsin. É graduado em Psicologia pela Faculdade William Jewell e em Filosofia e Religião pela Universidade Baylor, onde fez o doutorado. Suas obras filosóficas são concentradas nas áreas da Epistemologia e da Filosofia da Mente e da Lógica. Trabalhou também na Fundação C. S. Lewis e na Universidade de Biola. Saiba mais!

trechos:

A formacao espiritual repousa sobre esta fundação indispensável da morte do eu e não pode continuar a não ser que fundação esteja firmemente estabelecida e sustentada . (p. 76)

A ganância é auto-idolatria, pois torna os meus desejos supremos. Significa que eu poderia pegar o que quisesse caso fosse possível. Derrotar a ganância é aprender a nos alegrar por outros desfrutarem os bens que possuem. (p.77)

Mas andar com Jesus pelo caminho da autonegação rompe de imediato o encouraçado domínio do pecado sobre a personalidade humano e abre a estradas para uma restauração cada vez mais plena da bondade radical na alma. Tal situação da acesso a uma incrível e sobrenatural força para a vida. Porque devemos ser os agentes ativos desta progressão ‘de força em força´(Sl 84:7), é crucial que agora procuremos compreender os três principais componentes de qualquer processo de transformação espiritual. (p. 89)

Em todas as coisas que fazemos, somos autorizados a realizar a obra divina. O que almejamos nessa visão é habitar de modo completo no reino de Deus e tão completamente quanto possível aqui e agora, não apenas no futuro. (p. 103)

Os maiores santos não são os precisam menos da graça, mas os que mais consomem, os que de fato mais precisam dela,- os que estão impregnados por ela em todas as dimensões do seu ser. A graça para eles é como a respiração. (p.112)


Dallas Willard, A Renovação do Coração Ed. Mundo Cristão.

sábado, setembro 01, 2007

zeros e o Reino

“Blessed are the spiritual zeros - the spiritually bankrupt, deprived, and deficient, the spiritual beggars, those without a wisp of ‘religion’ - when the kingdom of the heavens comes upon them.”

[Dallas Willard]