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sexta-feira, maio 18, 2012

Como ler a Bíblia lendo Jesus.

Este texto busca ser uma ajuda para ler a bíblia como uma escritura cristã, há mais livros e autores que aprofundam este assunto, você pode e deve consultá-los:

Pregação Cristocêntrica - Brian Chappel.
Pregando Cristo a partir do Antigo Testamento - Sidney Greiadnus
Preaching Christ in All Scripture- Edmund Clowney
Deuses Falsos - Timothy Keller

Antes de entender como funciona esta leitura, deve-se ter uma clareza da noção do evangelho versus religião (ou moralismo). O Evangelho é Deus em busca do homem para salva-lo e redimi-lo. A religião é o homem que busca Deus através de seus esforços. Então, podemos que existem dois modos de como podemos encarar a leitura da Bíblia.

Estas simples idéias já definem os nossos pressupostos de como leremos a Bíblia, se entendemos a vida cristã como a religião define, estamos em busca de princípios para viver e assim, alcançar a Deus. Agora, se temos uma clara noção do evangelho, notamos que a Bíblia não fala de nós, mas de como Deus nos buscou e encontrou, então, o personagem principal é Jesus Cristo.

Por isto também, o evangelho é um evento histórico de boa nova, algo que já aconteceu em nosso favor pela obra perfeita e redentora de Cristo e não é uma coisa que precisamos construir com nossos esforços. 

Assim, se lemos a bíblia como o famoso manual do fabricante com as regras que Deus deu para alcançar a Ele perdemos toda a obra de Cristo em nosso favor. Jesus é seu modelo, seu mestre, seu chefe mas nunca será seu salvador, seu redentor, enfim, seu amor e vida.



1. Evitando uma leitura moralista.

O grande erro que podemos cometer ao ler e interpretar um texto bíblico é não enxergar a presença de Jesus Cristo nele, isto fica claro como ensina Bryan Chapell de quatro modos dos fatais SEJA, FAÇA, MUDE e DISCIPLINE-SE:

“Mensagens que exortam a ser como, que concentram a atenção dos ouvintes sobre um personagem bíblico, à medida que o pregador os exorta a serem como aquela pessoa ou como alguém aspecto da sua personalidade (...) Simplesmente dizer às pessoas que imitem a piedade de outros sem lembra-luz que qualquer coisa mais que conformidade exterior precisa vir de Deus, leva-as ou a desesperar-se da transformação espiritual ou a negar sua necessidade” p. 306
A carne nunca melhora, mensagens que começam com esforço próprio começam na nossa natureza carnal do eu. A culpa cancelada por esforço ou mudança de comportamento gera somente legalismo e orgulho.




2. Lendo  toda a Escritura sob a luz do Evangelho.


Devemos buscar uma leitura da bíblia sagrada, seja do primeiro e do segundo testamento a luz da obra e vida de Jesus Cristo. 


Como ensina Greidanus:



"A igreja do Novo Testamento pregava o nascimento, o ministério, a morte e a ressureição e a exaltação de Jesus de Nazaré como cumprimento das antigas promessas de aliança com Deus, sua presença hoje no Espírito e seu iminente retorno. Em suma, pregar Cristo significava pregar Cristo encarnado dentro do contexto do pleno escopo da história da salvação" Pregando Cristo a partir do Antigo Testamento,  p. 18

Citando Calvino, que ensina que:

"Devemos ler as escrituras com o propósito expresso de encontrar Cristo nelas. Aquele que se desviar desse objetivo, embora possa se afadigar a vida inteira no aprendizado, jamais alcançará o conhecimento da verdade, pois que sabedoria podemos encontrar sem a sabedoria de Deus? p. 259

Encontrar Cristo é ir além do método moralista, é buscar a boa nova no texto e revelar Cristo em todo texto.

O método moralista/religioso se concentra assim:

1. História.
2. Princípio Moral
3. SEJA: faça, seja, mude ou discipline-se

Uma aproximação cristocêntrica leva o texto até Cristo, e promove a boa nova, começa-se também com uma exegese gramatical histórica do texto, ou seja, entende-se o seu contexto histórico da escrita e sua  interpretação para os ouvintes atuais.

1. história
2. princípio moral.
3. incapacidade humana.
4. história de Jesus diante daquele princípio
5. vitória em Jesus para aquele princípio.

Ou como ensina Greidanus:

um sermão cristão sobre um texto do Antigo testamento necessariamente irá na direção do Novo Testamento. Isso é óbvio quando o texto contém uma promessa que é cumprida em Cristo: o pregador não pode parar na promessa, mas, naturalmente, irá prosseguir com o sermão até o seu cumprimento. O mesmo ocorre quando o texto contém um tipo que é cumprido em Cristo: o sermão vai do tipo para o antítipo. Isso também acontece quando o texto relata um tema que é mais desenvolvido no Novo Testamento, no sermão, o pregador vai do tema do AT para seu desenvolvimento mais completo no NT p.263



Jesus é o grande herói da Bíblia e não eu ou você, como Timothy Keller coloca:

Jesus é o verdadeiro e melhor Adão, que passou pelo teste no jardim e cuja obediência é imputada a nós.Jesus é o verdadeiro e melhor Abel que, apesar de inocentemente morto, possui o sangue que clama, não para nossa condenação, mas pela absolvição.Jesus é o verdadeiro e melhor Abraão que respondeu ao chamado de Deus para deixar todo o conforto ea família e saiu para o vazio sem saber para onde ia, para criar um novo povo de Deus.Jesus é o verdadeiro e melhor Isaque, que foi não somente oferecido pelo Seu Pai no monte, mas foi verdadeiramente sacrificado por nós. E quando Deus disse a Abraão: "Agora eu sei que você me ama, porque você não poupou o seu filho, teu único filho a quem você ama de mim," agora podemos olhar para Deus levando Seu Filho até a montanha e sacrificá-lo e dizer: "Agora sabemos que nos ama, porque você não poupou o seu filho, teu único filho, a quem você ama de nós."Jesus é o verdadeiro e melhor Jacó que lutou e sofreu o golpe de justiça que merecemos, por isso, como Jacó, só recebêssemos as feridas da graça para nos despertar e disciplinar.Jesus é o verdadeiro e melhor José que, na mão direita do rei, perdoa àqueles que o venderam e traíram e usa seu novo poder para salvá-los.Jesus é o verdadeiro e melhor Moisés que se põe na brecha entre o povo e Deus e que é mediador de uma nova aliança.Jesus é a verdadeira e melhor Rocha de Moisés que, golpeada com a vara da justiça de Deus, agora nos dá água no deserto.Jesus é o verdadeiro e melhor Jó, sofredor verdadeiramente inocente, que então intercede e salva os seus tolos amigos.Jesus é o verdadeiro e melhor Davi, cuja vitória torna-se a vitória do Seu povo, apesar deles nunca terem movido uma única pedra para conquistá-la.Jesus é a verdadeira e melhor Ester que não apenas arriscou deixar um palácio terreno, mas perdeu o definitivo e divino, que não apenas arriscou sua vida, mas deu sua vida para salvar seu povo.Jesus é o verdadeiro e melhor Jonas que foi expulso na tempestade, para que nós pudéssemos ser trazidos para dentroJesus é a verdadeira Rocha de Moisés, o verdadeiro Cordeiro pascal, inocente, perfeito, desamparado, sacrificado para que o anjo da morte vai passar sobre nós. Ele é o verdadeiro templo, o verdadeiro profeta, o verdadeiro sacerdote, o verdadeiro rei, o verdadeiro sacrifício, o verdadeiro cordeiro, a verdadeira luz, o verdadeiro pão.A Bíblia não é realmente sobre você - é sobre ele.

quarta-feira, setembro 15, 2010

Edmund. P. Clowney: Preaching Christ in All of Scripture

 

 

Edmund P. Clowney busca entender a Bíblia como um livro cristão, e busca em todo o  texto a presença de Cristo. Percebi então que a Bíblia não nos dá uma história cheia de Israel, mas uma história da obra de Deus de salvar o seu povo escolhido. Então, os pregadores que ignoram a história da redenção em sua pregação estão ignorando o testemunho do Espírito Santo a Jesus em todas as Escrituras.

1. Cristo em todas as escrituras.

O  Deus vivo revelado no Antigo Testamento é o Deus Uno e Trino. Para ter certeza, a Encarnação trouxe à luz Antigo Testamento ensino que ainda estava na sombra.

Paulo afirma a divindade de Cristo, quando ele escreve: "Porque em Cristo toda a plenitude da Divindade a vida em forma corpórea" (Col. 2:09, NVI). O Filho de Deus possui todos os atributos de Deus. Ele é "um Espírito, infinito, eterno e imutável, sendo na sua sabedoria, poder, santidade, justiça.

O Dispensacionalismo ensina que Deus oferece diferentes meios de salvação em diferentes períodos. A salvação pelas obras foi o caminho da salvação, no período de Israel, e será novamente no milênio. A era da igreja "foi uma interrupção imprevista na história da salvação. Os quatro evangelhos são, portanto, para Israel, não a igreja. Nenhuma das profecias do Antigo Testamento previu. O relógio profético parou.

 

Cristo como servo da aliança.

Servir ao Senhor significa adoração e obediência. Jesus Cristo consuma a relação de aliança de ambos os lados. O que Jesus  como o Servo do Senhor não pode ser descrito como um mera "situação" paralela, um "fenômeno", um termo Hanson usa para explicar o referência típica. Ele está certo em insistir que a atividade do próprio Deus no Antigo Testamento não é apenas um tipo de sua atividade como Senhor no Novo Testamento. No entanto, as ações e papéis de Adão, Noé, Abraão, Isaac, Jacó, José, Moisés, Arão, Josué, Davi, e o resto não devem ser fixados ao lado da pessoa e obra de Jesus Cristo como performances menos eficaz do mesmo tipo de serviço.

Simbolismo e tipologia.

Contudo, ele também procura se afastar da alegorização do texto, buscando uma leitura mais tipológica. Para ele, a alegoria é atribuição de significados arbitrários para as palavras, o alegorista pode evitar ou subverter o significado do texto.  Citando Francis Foulkes, ele diz que alegorizar é um método distinto da tipologia, pois se faz a exegese de palavras ao invés do texto, se atribui significados para palavras evitando-se ou manipulando-se o texto.

Assim, o autor começa a analisar os texto de forma tipologica.

Simbolismo cerimonial.

No antigo testamento, este servia para separar o puro do impuro.

De forma que o poder dominante de Cristo inverte o princípio da impureza, quando Jesus toca o leproso, ele não está contaminado, contudo o leproso é limpo e pode reivindicar o seu novo estado, através do sacerdote e do sacrifício, esta inversão aparece também quando Paulo ensina que aqueles que se converteram ao cristianismo que não estão obrigado a separar seus cônjuges infiéis, como era necessário no Antigo Testamento.

Simbolismo histórico.

 

Sacrifício de Isaque por Abraão. (Gn. 22)

O verbo”jireh”  é a forma de um verbo comum para "ver". Que significa "dar" ou "ver-lhe", sendo derivado do contexto no versículo 8, onde Deus  está "vendo" o cordeiro, que pode ser  entendido como fornecendo. Está mais envolvido aqui o testar a fé de Abraão.

O primeiro uso do verbo "ver" em Gênesis 22 ocorre no versículo 4: "No terceiro dia, Abraão olhou e viu o lugar ao longe" (NIV). Abraão vê o carneiro preso no mato, no monte (v. 13). O lugar é novamente enfatizado na parte que  diz: "No monte do Senhor em que será visto", ou "ele vai ser visto."

Precisamos saber que Paulo fará uma alusão a esta passagem, quando ele diz: "Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como é que ele também não, junto com ele graciosamente nos dá todas as coisas?" (Rom . 08:32 NVI).

Memoriais de significância.

Cristo está presente na pessoa e no símbolo. Nesse incidente, o Cristo, o Senhor está na rocha como o Anjo teofânico, mas sobre o símbolo da Rocha  é necessário para fornecer o símbolo de que quando estiver com a natureza humana, ele deve assumir ela para receber o golpe expiatório de julgamento.

De forma que a fidelidade da aliança de Deus se torna o fundamento das promessas dos profetas inspirados sobre a graça de Deus no futuro.

  • Atos e palavras do Senhor.

Não podemos ignorar os tipos presentes no Novo Testamento, mesmo que não podemos sistematizar eles, não identificá-los é confessar a falência da hermenêutica. Sabemos que os escritores do Novo Testamento  encontraram os tipos, mas confesso que não podemos saber como eles fizeram isso. Parece haver nenhum princípio visível para nós seguirmos. Não podemos ignorar os tipos presentes no Novo Testamento. Se houver um simbolismo presente,  podemos acertadamente inferir uma tipologia.

Todas as verdades vêm para a sua realização em relação a Cristo. Se, portanto, podemos construir uma linha de simbolismo do evento ou cerimônia para uma verdade revelada,  a verdade vai nos levar a Cristo

Se traçarmos uma linha de significância diretamente do Antigo Testamento, que revelou a verdade para nós sem qualquer referência a Cristo e a realização dessa verdade Nele, estamos traçando uma linha do moralismo.

Se tomarmos a história de Davi e Golias, e apreendermos a verdade da coragem sem qualquer inferência a Cristo, estaremos construindo um sermão apenas moralista.  O que Davi exibe é a fé, o autor de Hebreus constrói sua lista de homens e mulheres de fé no Antigo Testamento- Hb 11-. Nela, fé e graça andam juntos, Davi, o ungido do Senhor é um tipo de Jesus Cristo, o Messias, que se encontra e vence Satanás, o home forte para que possa livrar os que estão cativos dele- Lc 11:15-19-. Nesta passagem, um pregador que depender da alegoria para tentar explicar o texto escolhendo algo nele, vai acabar gerando uma interpretação que não está relacionada com o contexto e significado do texto.

Há algumas formas que nos ajudam a entender como se dá o processo: (1) a forma de progressão histórica redentora, (2) a forma de cumprimento de promessas; (3) o caminho da tipologia; (4) a analogia; (5) a forma de temas longitudinal; (6 ) o modo de contraste; (7) a forma de referências do Novo Testamento.

Aqui, Clowney faz uma crítica ao dispensionalismo, que  não consegue ver a continuidade da obra redentora de Deus, mas justamente de uma forma de teologia bíblica vê a importância das eras ou épocas apenas. A história da redenção é sempre acompanhada pela história da revelação, a interpretação de Deus, de seus próprios atos fornece os temas que a teologia bíblica e sistemática deve reunir e sintetizar.

A história da redenção e da revelação existe por causa da vinda de Cristo. Se Jesus Cristo não foi escolhido no plano eterno de Deus, não teria havido história humana de qualquer maneira. Adão e Eva teriam caído mortos ao pé da árvore do conhecimento do bem e do mal. A graça da promessa da aliança de Deus é a fonte e o coração da história redentora.

Os levitas, tribo separada para servir ao Senhor na sua tenda, foram considerados como substitutos para os primogênitos. Além de seu número, cada pai israelita paga cinco siclos de comprar de volta o seu filho primogênito (Ex. 13:15-16; Num. 03:14, 16, 42-51).

Ele revelou seu nome como o Senhor o Deus cheio de devoção ( pacto de chesed ) e da fidelidade de verdade. Ele prometeu ir no meio do seu povo, e não apenas à frente deles.

"Onde é que os escritores do Novo Testamento, em contraste com suas contrapartes não-cristãos judeus, a idéia de interpretar o Antigo Testamento a partir da realidade de Cristo?" Os discípulos tinham estado com Jesus e teve encontro com o Senhor ressuscitado."Mas uma resposta mais completa é que o próprio Jesus ensinou-os a ler o Antigo Testamento, desta forma

Então ele abriu suas mentes para que eles pudessem compreender as Escrituras "(Lucas 24:44-45, NVI). Lucas relata em seguida suas palavras. Jesus apresentou uma síntese do Evangelho e sua propagação através das nações (vv. 46-47)

Ele preenche os livros sapienciais do Antigo Testamento. As formas de ensinar que Jesus usou são as formas de sabedoria do Antigo Testamento, mas ele tira do seu tesouro coisas novas e velhas (Mt 13,52). Nele, o Antigo Testamento é feita nova em plenitude, e as notícias do evangelho justifica o velho, ao mesmo tempo que cumpre e supera.

 

2. Preparando um sermão que apresenta Cristo.

  • O Senhor fala por si mesmo na pregação.

O Novo Testamento usa vários termos para a pregação. Pregação inclui proclamar a Boa Nova, ensinando a riqueza da revelação de Deus, encorajando, exortando, advertência e repreensão.

O estudo bíblico nos leva a sua presença.

Sentido também é atraído para a dinâmica da comunicação: o emissor, a mensagem eo receptor. Além disso, o elemento relacional fornece o contexto de comunicação. A fixação da mensagem inclui aqueles a quem é dirigida, mas tem um significado além daqueles para os quais foi inicialmente prevista.

No entanto, o oposto é o caso. Lembro-me de ouvir Tim Keller do Redentor Igreja Presbiteriana em Nova York que descreve o caminho da devoção. Ele insistiu que a Escritura abre as portas do céu para aqueles que buscam o Senhor.

Ouvir a Palavra do Senhor é um exercício de fé em acreditar que o Senhor faz ouvir e responder às nossas fundamento. A comunhão com o Senhor nos é pessoal. Sua intensidade vai além de nossas expressões de devoção, mas nossas palavras e nossos gritos resposta para o seu pronunciamento de amor.

A devoção do Senhor, seu Chesed, é profundamente pessoal, mas é direcionado para o seu povo escolhido. Nós, que são escolhidos em compartilhar a Cristo o amor que nos é dado por Cristo, como membros do seu corpo Cuidado, a reflexão devota da Palavra do Senhor permanece a chave para entrar a sua presença no culto.

 

Estrutura do Sermão que apresenta a Cristo.

Nós não podemos aprovar o papel de Jesus, nem a sua expressão facial enquanto falava. A realidade de Jesus não pode usar um stand-in. O esforço para tornar realidade para além da palavra pregada não como ficção. O ator não é Jesus.

A Estrutura do sermão que apresenta Cristo na história da redenção.

Toda a apresentação de Jesus possui uma dimensão narrativa, ele vem como o climax para uma grande história bíblica, no velho testamento Jesus aparece como o anjo em Ex. 3:2,14, Isaías viu sua glória no templo (Jo.12:41).

Jacó perdido quando o Senhor tocou seu quadril, mas Jacó venceu porque ele não deixou eu ir. O Senhor perdido em um sentido, quando ele abençoou Jacó, mas ele ganhou, porque a bênção de Jacó era o seu objetivo final.

 

O discurso direto apresenta Jesus.

Jesus é apresentado quando ele revela a si mesmo para nós e também quando ele fala para instruir, guiar e cuidar da gente. Quando pregamos tendo em conta o Evangelho, não podemos colocar as palavras de Jesus como um discurso indireto. Devemos chamar os nossos corações para as palavras de Jesus diretamente, e então pensar – como eles poderiam acreditar nele senão ouviram?-. Jesus está falando na pregação, devemos ver isto claramente e de forma direta.

Oração preparatória para a apresentar a Cristo.

 

"Como posso saber se estou pregando na energia da carne ou do poder do Espírito?" Isso é muito fácil ", Lloyd-Jones respondeu, como repete o autor: "Se você está pregando na energia da carne, você vai se sentir exaltado e sublime. Se você está  pregando no poder do Espírito, você vai sentir temor e humildade”

Pregação na presença do Senhor é mais pessoal do que possuir o poder de expressão, um poder que pode ser pensado como unção para a tarefa.

O Senhor nos salva pela maravilha da sua presença pessoal conosco. Assim é com a pregação. Nós não procuramos uma onda de energia em ministrar a Palavra de Deus. Nós buscamos a sua presença no ato da pregação, como temos diante da pessoa de Jesus Cristo ..

Mantenha sua linguagem vivida, e não por ilustrações e figuras de linguagem que roubam a atenção dele, mas pelas referências vivas para que o Senhor diz e faz. Certifique-se que as ilustrações não distrair a partir do que eles ilustram. Pegue  a atenção das pessoas com uma história sobre um ídolo dos esportes ou música, e você pode nunca tê-la de volta.

 

 

3. Compartilhando as boas vindas do Pai – Lc 15.

Na primeira parte da história, Jesus está mostrando a graça do Pai. e na segunda parte da história, ele nos está dizendo o que é preciso para a boa vinda.

A graça das boas-vindas do Pai.

A história começa com o filho mais novo, ele odeia cada minuto que passa naquela casa, detesta tudo que existe lá. Só uma coisa que ele gosta: o dinheiro do seu pai. Diante da remota possibilidade de obter e o fim da paciência, ele pede ao pai, que lhe dê sua parte da herança.

Foi uma coisa muito cruel de se fazer, a sabedoria judaica aconselha a não dar nada enquanto vivo, Clowney cita Ecl. 33:22

porque é melhor que os teus filhos te peçam, do que estares tu olhando para as mãos de teus filhos.

Contudo, o pai atendeu o pedido. Após algum tempo em uma terra, o filho perde tudo, e Jesus não conta como ele perdeu o dinheiro, apenas diz que estava faminto, alimentando porcos,  este não era um trabalho marginal, contudo, os porcos na lei judaica são animais impuros, o que quer dizer que o filho agora era um estranho, longe de casa, perdido e impuro.

O arrependimento do filho não é glamurizado, ele apenas reconhece que sua situação atual é muito inferior a dos funcionários do pai, que ele agiu tolamente.

O que guarda a lei é filho sábio; mas o companheiro dos comilões envergonha a seu pai Pv. 28:7

Ele quer voltar para casa do pai para ser um empregado por lá, porque sabia que não tinha nenhum direito de ser aceito de novo no antigo relacionamento, a confissão de seu completo imerecimento nos prepara nos assombrarmos com a graça do pai.

O pai o recebe de volta, dando a ele completa e livre perdão que não demora em restaurar no filhos, os símbolos de seu estatus- a melhor roupa como símbolo de honra, o anel que carrega o selo da família, mesmo as sandálias tem um significado, já que os servos andavam de pés descalços.

Clowney faz um relato aqui de outros pais amorosos, como Abraão no Monte Moriá, Rei Davi quando chora a vida de Absalão, em 2Sm 18:33. E o próprio Deus, que chora por seu povo escravo no Egito, Ex. 4:23 c/c Os.11:1-4.

A demanda da boa vinda do Pai.

Com a festa acontecendo, chega o irmão mais velho, e pergunta que está acontecendo ali. Ele vê a festa e fica aborrecido, afinal, tudo que está sendo gasto ali está sob sua conta, já que a herança foi dividida. Ele despreza a alegria do pai, fica furioso por sua graça e se ressente do amor pelo pródigo.

Os fariseus desprezam os pobres e desdenhavam o chamado de Cristo para o banquete do reino. Eles foram avisados que outros se sentariam no banquete do reino, e eles iam achar a si mesmos excluídos para sempre.  Contudo, nesta parábola, Jesus deixa a porta aberta para os fariseus, eles permanecem de fora, furiosos porque Jesus está celebrando com publicanos e pecadores. Contudo, Jesus diz que o Pai ainda vai ao encontro do filho mais velho, para eles entenderem que isto significa que se eles rejeitam seu chamado, eles ficaram de fora do banquete da glória.

O filho amargo está mais longe de casa ali no campo do que o pródigo estava no chiqueiro.  Ele não tem amor por seu pai. Guardar as ordens de seu pai é uma escravidão. Seu real prazer não é estar com seu pai, como o pródigo no começo da história, ele preferiria celebrações com seus amigos. Ele não tem entendimento do amor do pai – por seu irmão, ou por ele mesmo. Ele não ama seu irmão também. Ele não consegue chamá-lo de meu irmão, apenas diz este seu filho.

A demanda, a obrigação aqui é clara. Ele deveria entrar na festa, ele não pode ficar lá fora na escuridão queimando de raiva e inveja. Suponha que o irmão mais velho conhecesse o amor do pai, seu coração.  O que ele teria feito? Ele teria ajudado o pai no encontro com o irmão perdido, teria ido atrás do irmão se ele compartilhasse os sentimentos do seu pai. Isto é o que ele teria feito e muito mais, contudo, isto não é apenas uma sugestão, é algo que entendemos da parábola, esta é uma das três que Jesus contou para os fariseus e doutores da lei que o estavam criticando. Jesus contou três parábolas, a da ovelha perdida, da moeda perdida e do filho perdido. Cada história termina com uma alegre festa para comemorar que se achou o que estava perdido. Jesus está ensinando que há alegria no céu quando um pecador se arrepende. Contudo, ele está também fazendo um contraste entre seu ministério e a atitude de seus críticos. A reclamação deles que ele se associava com pecadores. Ele responde que ele está buscando pecadores porque é o que seu Pai faz. Jesus está retratado no pastor, que busca a ovelha que se perde, ele está retratado também na mulher que varre sua casa buscando amoeda que está perdida. Jesus não aparece, contudo, na parábola do filho pródigo. Ao invés disto, ele se coloca fora da história e coloca no lugar a figura dos fariseus, o irmão mais velho está fazendo apenas o que eles faziam: se recusando a se juntar com pecadores. Jesus está fazendo o oposto, ele entende o coração de misericórdia do Pai, ele não apenas quer que os pecadores estejam no banquete dos céus, como também veio atrás deles onde eles estão. Ele veio para buscar e salvar aquele que estava perdido.

Não entendemos  esta parábola se nos esquecemos quem disse isto e por quê.  Jesus Cristo é nosso irmão mais velho, o primogênito do Pai. Ele é o Pastor que vem procurar para encontrar o perdido, ele é a Ressurreição e a Vida, que pode dar vida aos mortos, ele é o herdeiro da casa do Pai. Esta parábola é incompleta se esquecermos que o nosso irmão mais velho não é um fariseu, mas Jesus. Ele não se limita a acolher-nos em casa como o irmão não, ele vem para encontrar-nos no chiqueiro, coloca os braços em torno de nós, e diz: "Volte para casa!"

De fato, se nos esquecermos de Jesus, não entendemos completamente a medida do amor do Pai. O pai celeste não é permissivo com o pecado. Ele é um Deus santo,a penalidade do pecado deve ser paga. A glória da graça surpreendente é que Jesus pode dar boas vindas aos pecadores por que ele morreu por eles. Jesus não apenas veio para a festa, comeu com publicanos e pecadores redimidos, ele espalhou a festa, pois ele nos chama para a mesa do seu corpo partido e sangue derramado.

E é por isto que o autor de Hebreus diz que Jesus está cantando junto com seus irmãos, conforme Hb. 2: 12.

Se você está perdido, ele está te buscando onde você está e quer te levar de volta para casa. Se você é um crente, como foi que Jesus te achou, como te carregou de volta para casa, se você já experimentou a graça, você conhece o coração do pai, dê boas vindas aos pecadores.

sábado, janeiro 23, 2010

Lloyd-Jones: Vir a Cristo


"Você não pode vir a Cristo apenas em busca de algo- de auxílio ou de alguma outra coisa- há uma única razão para ir a Cristo: é você compreender que nenhuma carne pode ser justificada pela Lei perante Deus. Toda boca foi fechada e todo o mundo está condenado diante de Deus" p. 40

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"A próxima verdade, apresentada com muita objetividade e clareza, é que é Deus quem provindencia este método, este plano de salvação, é Deus quem providencia tudo o que está em nosso Senhor Jesus Cristo. Foi Deus que O enviou, foi Deus quem O incumbiu de sua missão. A ação é toda de Deus. Foi Deus que amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito- e, todavia, há essa tendência de esquecer isso, de deixar isso de lado, e de sermos tão Cristocêntricos que no fazemos culpados de esquecer e ignorar Deus, o Pai, a primeira Pessoa da trindade santa e bendita" p.50

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"A justificação não produz nenhuma mudança fatual em nós: é uma declaração que Deus faz concernente a nós. Não é algo resultante de alguma coisa que nós fazemos, mas, antes, é algo que é feito para nós. Só nos tornamos justos no sentido de que Deus nos considera justos, e nos proclama justos" p. 75


Romanos : Exposição sobre Capítulos 3:30-4:25 Expiação e Justificação

Editora PES

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Tim Keller: Renovação Corporativa

DINAMICAS DA RENOVAÇÃO CORPORATIVA.
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A renovação/ avivamento é uma obra de Deus pela qual a igreja é adornada e capacitada de maneira que as normas operacionais do Espirito Santo são intensificadas. As operações normais do Espirito Santo são: 1. Convicção do pecado (Jo. 16.8). aprovação e seguranca da graça do amor do Pai ( Rm. 8.15-16). Acesso a presença de Deus (Jo. 16:8). 2. Apropriação e segurança da graça e do amor do Pai (Rm 8,15-16). 3. Acesso a presença de Deus (Jo. 14.21-23, 1Co 3.17-18).
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Esta perspectiva difere das três mais comuns: 1. A noção carismática que o avivamento basicamente como uma adição de operações extraordinárias do Espirito Santo (milagres, curas, profecias, revelações). Ou em outras palavras, quanto mais espetaculares são os dons do Espirito, mais são enfatizados e buscados. 2. A posição popular fundamentalista que o avivamento é simplesmente uma estação de maio vigor e atividade evangelística. Um avivamento é uma cruzada evangelística ou uma missão numa cidade. 3. A posição popular liberal que vê o avivamento como um dos eventos primitivos de catarse emocional ocorrendo entre pessoas não educadas que são sujeitas a manipulação psicológica por parte dos evangelistas.
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O que segue é explorar as maneiras de trazer o evangelho a uma igreja, e assim o avivamento e renovação. Temos dito, anteriormente, que há duas condições para o avivamento ocorrer na vida de uma igreja.
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O eixo do amor
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quando uma igreja entende que o evangelho mesmo , através da compreensão enfática e equilibrada tanto do amor quanto da santidade de Deus, que resulta em sua graça por nós ao dar seu Filho para morrer na cruz.
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O Eixo teologia-espiritualidade/
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quando a igreja brinda uma ênfase equilibrada entre a santa doutrina e a experiência da presença de Deus.
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Temos visto que a primeira condição nas dinâmicas de renovação individual, agora, veremos a segunda condição.
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Teologia e Espiritualidade
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O primeiro fundamento para a renovação espiritual é uma sã doutrina, já que o evangelho é verdade. A menos que a verdade esteja intacta e seja compreendida plenamente, não se pode gozar de seu efeito renovador. A doutrina bíblica é o instrumento normal pela qual o Espírito Santo regenera o coração – 1Pe 1:22-23, Rm 10:9,17- . Um milímetro desviado pode tirar do curso um foguete no espaço. De igual maneira, uma mínima distorção do evangelho pode resultar em patologias catastróficas na vida espiritual e intelectual. Paulo afirma com firmeza que ao menor desvio no evangelho significara que toda a fé estará perdida. Se coloca uma maldição sobre si se tentar inová-lo ou mudá-lo. Qualquer evangelho diferente, na realidade não é evangelho nenhum (Gl. 1:6-7)
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Contudo, aqui devemos ser cuidadosos. O evangelho está em perigo por qualquer troca das doutrinas cardiais da fé. Diferenças e erros em doutrinas secundarias: tais como o governo da igreja, batismo, dons espirituais, profecias, etc não são barreiras para a renovação. Deus enviou seus maiores avivamentos a Anglicanos, Presbiterianos, Batistas, Wesleyanos, pentecostais e muitos grupos que tem uma grande variedade de perspectivas acercas de muitos desses temas. Ainda que estes grupos diferem em tantos assuntos que outros consideram suas posições errôneas, Deus os abençoou. Portanto, uma perfeita precisão em doutrinas não é um pré-requisito!
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Entao, quais doutrinas devem ser cuidadas? As doutrinas cardiais. Quais são? São aquelas que em se perderem, se destrói a salvação pela graça. Lutero assinala isto em seu comentário sobre Galatas, que as heresias seriam aquelas que destroem a salvação pela graça. Ao longo dos anos, se tem ensinado que Jesus era apenas um homem, ou somente Deus. Que Deus é somente santo ou somente amor e misericórdia, que os seres humanos não são realmente pecadores ou não são imagem de Deus, que a morte de Jesus não foi substitutiva, que o novo nascimento e a obra do Espírito Santo não eram absolutamente necessárias, que Deus não faz milagres, de maneira alguma ocorreu a ressurreição e a Biblia não é realmente a revelação de Deus. Se se tivesse levando em conta estas opiniões, elas destruiriam a salvação pela graça, são um direto assalto e nós seriamos salvos por algo que criamos.
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Contudo, positivamente, a primeira condição para uma renovação espiritual é suster os ensinos básicos do Credo Apostolico e o evangelho mesmo. O Pai é santo e demanda santidade. Todos os homens são pecadores frente a Ele. Cristo na cruz tomou toda a ira de Deus pelo pecado e sua vida foi preparada como um registro perfeito de justiça para todos os que crerem. Por meio da fé e nenhuma obra ou esforço próprio, uma pessoa pode obter perdão de seus pecados e ser tratado como alguém perfeitamente justo por Deus. Deus trata aos pecadores crente como se houvessem obedecido e sofrido tudo que JEsus obedeceu e sofreu. Deus cobrou de Jesus a conta que nós merecíamos, e nos trata como Jesus merece.
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Sem esta simples mensagem, a renovação não pode ocorrer. Por exemplo, os unitários nunca tiveram um avivamento – nem o desejam ter. Mas, outro desequilíbrio doutrinal pode dificultar a renovação também. O liberalismo protestante tem solapado a idéia do pecado. Nos leva a estar tão seguros em nossa própria justiça que nem sentimos necessidade do sacrifício de Jesus Cristo. Por outro lado, o catolicismo romano tem uma opinião sobre o pecado de tal feita que conduz as pessoas a estarem inseguras acerca da sua justiça , que necessitam re-sacrificar continuamente para poder tratar com o pecado. Um lado se aparta radicalmente da perspectiva da graça, enquanto que o outro fica muito enfocado no pecado. Pode haver renovação tanto na igreja católica como nas tradicionais, somente quando as pessoas que as compõem buscarem e se moverem de acordo com as doutrinas bíblicas levantadas pela Reforma.
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Para que a sã doutrina seja uma condição para a renovação, estas doutrinas cardiais devem não somente serem cridas. Mas, dentro das igrejas que as colocam, a renovação é algumas vezes impedida devido a falta de atenção para estas mesmas doutrinas. É tão fácil enfatizar o minúsculo, mediante uma e supervalorização de algo bom mas pequeno, temas secundários: política, profecia, curas e dons espirituais como outros aspectos distintivos que diferenciam de outras denominações ou tradições. Quando isto acontece o resultado será uma ortodoxia morta. Veja o que se segue.
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Um mero entender a doutrina não é suficiente para garantir a vida espiritual (2Tm 3:5, 1Co 13:1,2, Ap. 2:2-4). Uma segunda condição para a renovacao é estar profundamente persuadido que a doutrina não é suficiente. O conceito acerca da precisão doutrinal conduz a uma ortodoxia morta. Ironicamente, este perfeccionismo doutrinal se converte em uma obra que substitui Jesus como salvador. O resultado é o orgulho espiritual. Pelo contrario, o que nos faz cristãos é a verdade aplicada a um coração iluminado espiritualmente (1TS 1:3-5).
Uma ortodoxia viva somente é alcançada quando o Espírito Santo abre os olhos do coração e transmite uma visão do verdadeiro Deus e da real condição humana. Esta visão transforma a direção da vida.
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Esta luz divina e espiritual é ...um verdadeiro sentido da excelência divina das coisas reveladas na palavra de Deus e uma convicção da verdade e a realidade que surgem daí...Há um conhecimento duplo do bem pelo qual Deus faz a mente do homem capaz. O primeiro, que é meramente cognoscivo...e o outro que consiste em sentir do coração, quando o coração é sensível ao prazer e deleite da presença desta idéia. O primeiro se exerce meramente no..conhecimento da distinção da disposição da alma. Desta maneira há uma diferença entre ter uma opinião de que Deus é santo e gracioso, e ter um sentido do amor e da beleza desta santidade e graça. Há uma diferença entre ter um juízo racional de que o mel é doce e ter uma sensação desta doçura. Um homem pode ter o primeiro por conhecer como sabe que é o mel, mas um homem não pode ter o segundo a menos que tenha em sua mente a experiência de provar o mel.
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De igual modo, uma igreja deve ter corporalmente um profundo sentido da possiblidade e necessidade da presença de Deus caindo sobre nós, ao adorar, testificar ou ensinar. Tanto um cristão como uma igreja deve saber que pelo Espírito Santo é possível experimentar realmente a Deus quando as verdades doutrinais são elevadas e irradiam (Ef. 1:8ss, Ef. 3:14-21).
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Aconteceram três grandes avivamentos em Gales. Em cada caso, o líder do avivamento tinha uma santa doutrina em seu ensino, encontrou que era incapaz de liderar um avivamento a mesmo que tenha experimentando pessoalmente e assombrosamente a realidade de Deus por meio da aplicação do Espírito Santo destas doutrinas em seus corações. Estas foram experiências com a verdade, mas foram experiências depois de tudo.
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Pelo visto, outra pré-condicao para a renovação é uma vida de oração consciente e disciplinada, porque que não é simplesmente passar o tempo em petições, mas uma busca pelo rosto de Deus, para conhece-lo. Deve haver um humilde reconhecimento de quão pouco de Deus temos experimentado e um crente desejoso por conhecer a Ele.
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Estas duas pré-condições não coexistem geralmente em uma igreja ou tradição. AS igrejas tendem a estar divididas em: aquelas que tratam de forçar uma adoração emocional que sempre demanda que Deus esteja presente , e aquelas cuja adoração é uma atividade cognitiva e que não espera que Ele se manifeste no meio delas.
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Se uma igreja não se encontra em uma dinâmica de renovação se deve analisar a condição em que ela se encontra. Como no físico, também existe no mundo espiritual um numero de patologias que entorpecem a saúde.
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a. Heterodoxia: o primeiro requisito para um avivamento é que as verdades bíblicas cardiais sejam cridas e suportadas pela igreja. Contudo, adverti que Deus tem enviado avivamentos a anglicanos, presbiterianos, luteranos, batistas, wesleyanos, pentecostais e muitos outros grupos com uma grande variedade de opiniões em muitos aspectos doutrinais. Portanto, para a renovação não é preciso ter uma doutrina perfeita em todos seus detalhes. Que queremos dizer com doutrinas cardiais. Como já colocamos na seção sobre a Teologia, “suportar os ensinos básicos do evangelho” estas são os ensinos centrais do Credo Apostolico e do evangelho mesmo. Como também já dissemos, sem esta mensagem básica o avivamento não é possível, e temos dado o exemplo dos unitários que nunca tiveram avivamentos.
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b. Ortodoxia morta: Há certas igrejas cujas doutrinas fundamentais são sustidas pela maioria das pessoas, mas o evangelho não é compreendido e nem revitaliza suas vidas. Lovelace escreveu:
"Muito do que temos interpretado como um defeito da santificação em membros de igrejas realmente é o resultado de uma perda de peso na doutrina da justificação. A importância deste princípio não pode ser inferiorizado. É um grave erro pensar que as congregações mortas simplesmente necessitam ser mais santificadas quando em realidade não compreendem o evangelho. Os cristãos que já não estão seguros em Deus, que Ele os ama e aceita em Jesus, disparte de seus feitos espirituais presentes são, na realidade, pessoas que tem uma radical insegurança inconscientemente".
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A ortodoxia morta converte a igreja em uma teia religiosa onde as pesoas necessitadas se congregam semanalmente para que as diga que estão bem. Sua religiosidade é desenhada para não necessitar depender de Cristo como seu verdadeiro salvador. Há vários tipos básicos de ortodoxia morta.
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Em primeiro lugar, existe o tipo legalista. Este se encontra geralmente em igrejas conservadoras, independentes. Se ajustam a códigos de conduta. Necessitam ouvir que estão no caminho correto e que os liberais estão errados. Para além de sua fé intelectual no evangelho, na vida prática esperam ser justificados por sua exatitute teológica e sua obediência aos códigos e regras.
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Em segundo lugar existe a variedade da igreja de poder. Neste tipo, as pessoas são desafiadas a ver Deus através de milagres mediante sua fé e sujeição. O grau de subserviência e fé chega a converter-se de uma maneira que estas pessoas se sentem justificadas frente a Deus. Se sentem confusos quando as curas e as respostas às orações não acontecem, crêem, então, que a fé não foi suficiente. As pessoas nunca estão seguras se estão se sujeitando o suficiente.
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Em terceiro lugar, existe o tipo sacerdotal em que as pessoas dominadas pela culpa são tranqüilizadas pela beleza da forma litúrgica. A musica, arquitetura e fineza estética dos cultos ajudam as pessoas a sentir-se efêmeras acerca de Deus.
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Em quarto lugar, está a variedade presunçosa que geralmente se encontra nas igrejas históricas, onde a maioria das pessoas crêem nas verdades bíblicas básicas, mas, cujas consciências são apaziguadas por um Deus é demasiado perdoador para castiga as pessoas boas que fazem coisas boas pelos necessitados.
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Nada do que temos dito anteriormente deve ser interpretado como uma negação da importância da: a. retitude teológica, b. adesão a uma ética cristã de pureza, c. orar em fé por grandes coisas e cura, d. a importância de uma adoração vibrante, e. a necessidade de ajudar os pobres. Contudo, em todos os exemplos, quando estas coisas se convertem em substitutos de Cristo, se transformam no que os puritanos chamavam de obras mortas. Essencialmente, as primeiras formas enfatizam a lei sem a graça e as duas ultimas a graça sem a santidade de Deus. De qualquer forma, o evangelho se perde na pratica.
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Marcas de uma ortodoxia morta
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Estas são algumas marcas da ortodoxia morta, especialmente aqueles do tipo legalista – ainda que algumas podem ser encontradas em outras. Algumas são:
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1. Uma ênfase desmedida em defender a verdade em lugar de propraga-la. A ênfase está em atacar as falsas opiniões, não em ganhar os perdidos para cristo. Se busca com arrogância a quem não sustem as perspectivas corretas.
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2. Forte e até uma feroz oposição a trocar o programa e o estilo de adoração. O que as pessoas chama de sentir a Deus geralmente é um sentimento de segurança (sentimentalismo) que vem de praticar formas e procedimentos familiares ou conhecidos.
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3. Muitas vezes há um desejo de escutar mensagens inspiradoras e gerais, mas, que não incomodem em nada. Existe uma lei não escrita de que o pastor deve ser agradável e que não deve ofender em nada. Por outro lado, nas igrejas de poder pode acontecer o outro extremos, o pastor deve ser muito autoritário e manipulador.
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4. Um tendência a fofoca e ao hipercriticismo As diferenças não podem ser discutidas com amor. Atitudes defensivas que criam pelejas amargas. A única maneira que a igreja trata com isto é se fechando ou suprimindo os desacordos.
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5. Uma aversão pela saudável desordem que cria o avivamento ou a renovação. Tanto a tradição ou o pastor ou um líder chave devem estar no controle. Algumas vezes existe uma oposição a qualquer tipo de emoções. Durante os tempos de avivamento, as pessoas se sentem muito motivadas a pertencer ao ministério e a adoração que se apresenta como um tipo de desordem divina que deve ser tratado.
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6. Uma apatia em acreditar em possibilidade gloriosas. Se sentem incapazes por esperar ou acreditar que certas classes de pessoas podem transformar-se ou não se tem uma visão por um impacto na comunidade. Miopia na planificação que provem da condição que somente podemos conseguir aquilo para o qual temos recursos humanos visíveis.
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7. Pouca discussão acerca das experiências espirituais, sobre Deus, crescimento em amor, tentações e outras coisas como estas. Se objeta qualquer auto exame ou ajuste de contas para o crescimento na graça e caminhar com Deus.
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8. Total concentração nas necessidades e preocupações dos membros e sobrevivência da instituição (a igreja). Falta de desejo e intento por alcançar o mundo.
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9. Carência de mobilização dos membros. Existe um consenso e expectativa de que o pastor deve fazer virtualmente todo ministério.
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10. Forte ligação as formas culturas e costumeiras, tipos de musica e estilos de vestimenta e maneiras de falar como regras não escritas de conduta, quase inconscientes definindo o que seria um crente maduro
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A ortodoxia morta é na realidade um esforço por ressuscitar leis cerimoniais- como as regras descritas por Moises da pureza ritual- que faz com que as pessoas se sintam aceitas por Deus.
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No livro de Galatas, lemos sobre o debate que tiveram Paulo e Pedro sobre a continuidade da validez as leis cerimoniais. No antigo testamento, haviam leis morais que delimitavam nossa conduta. Assim mesmo, existiam leis cerimoniais: regras sobre o que era limpo ou não. Isto tinha a ver com as comidas, vestes, enfermidades, sacrifícios, lavagens e outros ritos de purificação cerimoniais. Estas eram regras para a aproximação, desenhadas para mostrarmos nossa inabilidade para poder chegarmos a presença de Deus a menos que sejamos santificados. Contudo estas regras não podiam nos fazer aceitáveis para Deus. Basta olhar o livro de Hebreus para entender isto. Sem embargo, os judeus chegaram a confundir as leis cerimoniais com as leis morais. As viam como um meio para poderem ser aceitáveis a deus, como uma maneira de salvação.
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Paulo foi o primeiro pilar da igreja do primeiro século que compreendeu plenamente as implicações do evangelho pela lei de Moises. 1. Em primeiro lugar se deu conta que as leis cerimoniais foram satisfeitas em Cristo, que Cristo agora nos fazia santos e sem manchas (Cl.1:22-23)- limpos e aceitáveis ante a presença de Deus. Portanto, tais regramentos para os alimentos e vestimentas que outros judeus desejavam continuar usando como parte de sua cultura, não deviam ser impostas aos crentes gentios. 2. Em segundo lugar, a lei moral segue sendo a obrigação do povo de Deus. Contudo, ao obedecer a lei não é um modo de salvação, mas, resultado da gratidão e divida para com aqueles que nos salvou.
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As ortodoxias mortas são os esforços modernos para ter o que os judaizantes de Galatas intentavam fazer. Queriam complementar o evangelho por meio da sustentação de formas culturais especificamente desenhadas para ajudar as pessoas a sentirem-se aceitas por Deus ao conformarem-se a estas regras e um sentimento de superioridade sobre aqueles que não se conformavam da mesma maneira. Paulo via isto como a destruição do evangelho e sua liberdade e poder. Ele escreveria o mesmo hoje as igrejas que são extremamente ortodoxas.
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Ortodoxia defeituosa
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Este um resumo de Lloyd-Jones. Se refere àquelas igrejas que são ortodoxas com alguns sinais de vida nascida do evangelho, contudo, onde o avivamento e a renovação são impedidos por alguns defeitos que ele descreve:
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1 ultra-intelectualismo: esta é uma tendência a simplesmente ensinar as doutrinas e o evangelho em uma maneira superficialmente abstrata ao invés de prega-las e aplica-las aos corações de uma maneira pratica. Uma igreja pode apontar inteiramente seu ministério ao intelecto antes que ao coração. Seu orgulho acerca de ter uma doutrina santa é a evidencia para os de fora.
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2 Falta de um balanço doutrinal: uma igreja e/ou um pastor podem estar demasiadamente absorvidos por um das doutrinas não cardiais. Pode ter ensino demasiado e ênfase na profecia ou na escatologia, ou em certos tipos de preocupações sociais ou sobre dons espirituais, tudo isto pode impedir o avivamento. Outra forma de fazer o mesmo é a tendência de algumas igrejas em enfatizar seus distintivos doutrinais sobre os novos crentes desde cedo.
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3 Muita preocupação com as mecânicas, organizações e instituições. Uma igreja pode por suas esperanças em certos tipos de programas, campanhas ou tipo denominacional ou alguns métodos ou estilos. Adverte-se não colocar sua esperança em notas de receitas para o crescimento da igreja antes de saber que Deus está presente no meio de sua comunidade.
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4 Pecados cômodos: certas pessoas, famílias, e até mesmo o pastor pode ser demasiadamente tolerante com praticas pecaminosas que tiram a vitalidade espiritual de toda a congregação. Casos que deveriam receber disciplina, mas, que não acontece, desalentam a congregação. O mesmo pastor pode simplesmente estar cheio de temores ou ocultando pecados secretos que o impedem de conduzir o povo de Deus.
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Nesta altura já deve ser claro que tanto a ortodoxia morta como a defeituosa não são categorias claras. Mais bem são graus num espectro. Muitas congregações não estão totalmente mortas, contudo, tem uma mescla de defeitos e atitudes mortas com alguns sinais vitais.
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Emocionalismo
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Note: o emocionalismo é o que Edwards e outros teólogos do avivamento chamaram de entusiasmo. Poderia ser classificado como outra maneira de ortodoxia defeituosa. Geralmente, se vê isto em igrejas que não estão mortas e nem são heterodoxas. Contudo, a diferença com o ultra-intelectualismo, o emocionalismo aberto cai no autoritarismo com condicionantes de quase de cultos. Merecem sua própria categoria.
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As igrejas renovadas tem sido sempre criticadas desde a direita pela heterodoxia e a ortodoxia morta. A heterodoxia teme e desdenha as doutrinas fundamentais do avivamento enquanto que a ortodoxia morta teme e desdenha a ênfase na experiência e o alijamento de métodos tradicionais. Contudo, também existe normalmente um inimigo do avivamento que vem da esquerda. Esta é a forma religiosa do emocionalismo que vão aos extremos e perdem de vistas os fatores básicos do avivamento. A heterodoxia e a ortodoxia morta, então, argumentam que o emocionalismo é o fim lógico da renovação. O emocionalismo, contudo, é uma patologia. Por emocionalismo não nos referimos de nenhuma maneira ao nível de demonstração das emoções presente na adoração ou na comunicação. A emoção é algo perfeitamente normal na renovação. Soluços e sentimentos profundos são uma rotina. E algumas culturas e temperamentos expressam estas emoções de uma maneira mais demonstrativas, outros são mais reservados ou quietos. O emocionalismo, portanto, não é definido pelo grau das emoções. O que estamos falando é de uma orientação deformada do evangelho, onde a emoção se volta torna central absolutamente na pratica.
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Quando o emocionalismo se torna demasiadamente central.
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O emocionalismo esta marcado por métodos apontando diretamente para fermentar as emoções. Enquanto que a ortodoxia morta teme as emoções e os renovados as vêem como um necessário resultado, ainda que não seja a meta do verdadeiro avivamento, os emocionalistas o vêem como um fim em si mesmo, um absoluto sinal de que o Espirito está operando. Os melhores teólogos do avivamento- como Edwards- tem distinguido sempre entre os efeitos emocionais de uma verdadeira conversão e aquelas emoções forcadas e falsas.
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O emocionalismo geralmente crê que os fenômenos extraordinários – línguas, curas, profeciais, milagres- são essencais para uma renovação real. O escrito deste manual não é carismático nem tampouco anti-carismático. Por principio, não nego que em uma renovação real se incluam milagres. Somente desejo esclarecer – o que baseio na historia da igreja- que os avivamentos poderosos não são sempre acompanhados por milagres e sinais.
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O emocionalismo não se centra no evangelho. Tende ao legalismo (pessoas que se apóiam em suas experiências emocionais para comprovar sua aceitação com Deus) ou em um anti-nomianismo e heterodoxia (pessoas que crêem que a doutrina e a pratica importam pouco, sempre tem um tenha uma experiência com Deus).
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Sem o evangelho, a vida consome a ortodoxia ou a ortodoxia consome a vida. Por que? Porque sem o evangelho e a cruz , a lei de Deus cancelaria seu desejo amoroso de salvar-nos ou desejo amoroso de Deus de salvar-nos cancelaria sua lei. A verdade consumiria o amor ou o amor consumiria a verdade, a santidade e o amor de Deus não poderiam ser reconciliados. Contudo, no evangelho, sobre a cruz, estes dois se combinam e brilham gloriosamente. Portanto, há três maneiras pelas quais o cristianismo pode ser distorcido sem o evangelho.
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Heterodoxia viva- excesso emocional. Ênfase na experiência e algumas doutrinas não bem definidas ou alguma vontade para defini-las. A vida é coloca em competição com a doutrina, imaginação contra razão.
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Ortodoxia morta: excessiva ênfase no cognoscivo. Legalismo. A doutrina e ordem é
colocada contra a vida, a graça o amor e mistério.
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Heterodoxia morta: nem veradade, nem vida. A verdade e a vida sem tem consumido mutuamente. Existe um amor pela aceitação e altruísmo mas sem intensidade ou vida.
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fonte: Manual del plantador de iglesias - Timothy Keller e J. Allen Thompson - pp. 201-209

quarta-feira, setembro 16, 2009

SIDNEY GREIDANUS: Pregando Cristo a partir do Antigo Testamento 3


A história da pregação de Cristo a partir do Antigo Testamento.

"Qualquer pessoa que leia as Escrituras com atenção descobrirá nelas a palavra sobre Cristo...pois Cristo é o tesouro escondido num campo...ele foi escondido, foi simbolizado por tipos e expressões parabólicas que no nível humano não poderiam ser compreendidos antes da consumação daquilo que foi profetizado, ou seja, a vinda de Cristo"

Irineu, Contra as Heresias, 4,26,1 p. 87

Interpretação alegórica.

permite ir além do signifcado literal, histórico, de uma passagem, para um suposto sentido mais profundo.
Irineu (c. 130-200)


Para ele, o fundamento da hermeneutica é que Cristo constitui o centro da Escritura, a Bíblia é um livro sobre o Salvador. O tema fundamental da Bíblia é o plano de salvação.


As idéias de dispensações capacita Irineu a mover-se além dos limites de simplesmente descobrir Cristo no AT para também considerar o significado da passagem para Israel. ele escreve que Deus levantou profetas na terra....esboçando, como um arquiteto, o plano da salvação para aqueles que o agradassem. E ele mesmo forneceu direção aos que contemplavam não no Egito, enquanto aos rebeldes do deserto, ele promulgou uma lei muito aplicável à sua condição. Aqui, vemos Irineu dando o primeiro passo em direção ao que um dia seria chamado de interpretação histórica.
De acordo com A.S. Wood, Irineu deduziu dois princípios hermenêuticos da unidade da Escritura: O primeiro é a harmonia da Escritura. O segundo é o princípio da analogia pelo qual é permitido à Escritura agir como seu próprio intérprete" p.95
Em oposição à interpretação alegórica dos gnósticos, Irineu sugere ainda outro princípio heremeneutico: os pregadores devem ter como alvo a interpretação comum, simples, óbvia do texto da Bíblia.




A Escola de Alexandria



A interpretação alegórica foi desenvolvida primeiramente na Grécia no sec. 3o. a.C.


"John Breck mostra como a escola filosófica grega que se originou com Platão inspirou a interpretação alegórica preferida pelos alexandrinos: ao opor o ambito eterno da verdade ao mundo historico da matéria, os herdeiros da filosofia platônica tinham a tendência de desvalorizar o conceito de História e, consequentemente, o arcabouço histórico da revelação...A interpretação de acontecimentos históricos consiste em discernir seu sentido espiritual ou seja, o significado mais profudno da realidade eterna, celestial, que se expressa na vida humana. Declarado como um princípio hermenêutico, o objetivo é discernir o significado escondido de um aconteciemnto, expondo a verdade eterna nele inserida" (p. 98).
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Clemente de Alexandria 150-215
foi o primeiro a acrescentar o metodo alegórico de Filo aos métodos de exegese já existiam.
"Como Filo, Clemente ensinava que a Escritura tinha um significado duplo; Análogo ao ser humano, ela tem um significado de corpo - literal- como também um significado de alma- espiritual- por trás do sentido literal" p. 99
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Orígenes 185-254
"A abordagem de Orígenes está muito mais arraigada numa teologia da encarnação e numa visão sacrametal de mundo...Cristo, o Logos, comunica-se conosco de três modos encarnacionais, com seu corpo historico e ressureto, com seu corpo, a igreja e com seu corpo das Escrituras, cujas letras recebem vida pelo Espírito Santo" (Thiselton, in p. 101)
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"Antes do advento de Cristo, não era completamente possível demonstrar provas concretas da inspiração divina das antigas Escrituras, enquanto que a sua vinda levou aqueles que poderiam suspeitar que a lei e os profetas não eram divinos `a clara convicção de que eles foram compostos com o auxílio da graça celestial " Origenes, First Principles, 4,1,6 in p. 101

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O problema da pregação alegórica é que eles prociuram a relaçãocom Jesus em algum detalhe um tanto incidental pra tratamento como metafora, e ñão o resto da história. A tendencia de buscar o texto e faze-lo adequar a homília.

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Interpretação tipológica

Escola de Antioquia

a principal diferença entre a tipológica e alegórica é a forma como a história da redenção funciona na interpretação, Embora, a alegórica não negue a história redentora, ela não desempenha papel importante na interpretação da Escritura. A tipológica requer a história redentora, porque a analogia e o desenvolvimento progressivo entre tipo e antitipo são feitos dentro da história redentora. Como disse K. J. Woolcombe: "A exegese tipologica é busca por elos entre acontecimentos, pessoas ou coisas dentro da estrutura historica da revelação, enquanto o alegorismo é a busca de um significado secundário e escondido subjacente ao sentido principal e obvio de uma narrativa" p. 110
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Teodoro de Mopsuéstia (350-428)

utiliza a interpretação gramatica-historica. Ele focaliza o sentido natural e literal, procura determinar o sentido historico original de uma passagem.

"Até mesmo quando o NT cita um texto do AT, ele pode ser apenas ilustrativo em vez de uma indicação do sentido messiânico; até Os. 11.1 diz ele não faz referência a Cristo, apesar de Mt. 2,15

Teodoro foi chamado de judaizante- porque ele entendia o AT dentro de seu sentido historico e se recusavaa ler as doutrinas cristãs nele, como estava sendo feito cada vez mais em seus dias. p. 113

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João Crisóstomo (347-407)

O tipo recebe o nome de verdade até que a verdade esteja prestes a vir, mas quando vier o verdadeiro, o nome não é mais usado. Semelhante , na pintura: um artista desenha um rei, mas até que as cores sejam aplicadas ele não é chamado de rei, quando as cores são vestidas, o tipo é escondido pela verdade, e não é mais visível, e dizem então: Eis o Rei. (p.115)

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Intepretação Quádrupla

literal-histórico, moral, místico e escatológico.

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Agostinho 354-430

"o objetivo do escritor desses livros sagrados, ou seja, o Espírito de DEus que nele habita, é não apenas documentar o passado, mas também retratar o futuro, no que concerne à cidade de DEus, pois aquilo que for dito daqueles que não seus cidadãos é dado para sua instrução, ou como enigma para enfeitar sua glória" p. 123

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João Cassiano (360-435)

1. sentido liteiral, que ensina os fatos historicos. Jerusalém- cidade em Israel

2. sentido alegorico, que mostra que os fatos da historia prefiguram a forma de outro mistério - fé = Jerusalém- a igreja de Cristo

3. sentido tropológico ou moral, que oferece explicação moral pertinente à purificação da vida - amor.= Jerusalém - a alma da pessoa

4. sentido anagógico, que tem a ver com mistérios espirituais, que surgem para segredos mais sublimes e sagrados do céu- esperança= Jerusalém-a cidade celestial de Deus.

"O maná pode ser visto, literalmente, como alimento dado milagrosamente aos israelitas; alegoricamente, como bendito sacramento da Eucaristia, tropologicamente, como o sustento espiritual da alma dia após dia pelo poder da habitação do Espirito de Deus, e anagogicamente, como o alimento das benditas almas no céu, a Visão beatífica e união perfeita com Cristo" p. 125


domingo, julho 19, 2009

SIDNEY GREIDANUS: Pregando Cristo a partir do Antigo Testamento - 2


Capítulo 2- A necessidade de pregar Cristo a partir do Antigo Testamento.


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A tentação da pregação centrada no homem.

"Note que no primeiro ponto a luta particular de Jacó se transforma na luta de toda pessoa- é o erro da generalização, ou universalização. Note, além disso, que a luta física de Jacó é transformada em nossa luta espiritual com Deus - esse é o erro da espiritualização- Note que no segundo ponto, a transformação de Jacó é substituida pelo nosso chamado para a transformação- esse é o erro da moralização-. p.52

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"Deve-se enfatizar que nenhum sermão torna-se Palavra de Deus para a igreja cristã se estiver falando apenas do AT sem estar ligado ao Novo. Em todo sermão surge do texto do AT, deve haver referência ao resultado no Nt da palvra do AT" p. 59

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Os autores do NT repetem vez apos vez as conexões: as promessas do AT são cumpridas no novo, os tipos do AT encontram seu cumprimento nos antítipos do Novo, os temas do AT, tais como reino de DEus, aliança, redenção, conquanto ainda passando por dramáticas transformações, continuam no NT. Todos esses elos demonstram a unidade entre os dois testamentos. Todos esses elos são baseados, afinal, no fato de que a história redentora de DEus é uma só peça" p. 65

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O antigo testamento deve ser interpretado da perspectiva do novo.

"o fato da progressão na história da salvação exige um ouvir sempre renovado da palavra do Senhor falada num momento anterior da história da salvação. Esse ouvir deverá ser novo porque é ouvir dentro do contexto dos acontecimentos e das circunstâncias na história que ocorreram depois" p. 69

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Marcos.

"Kingsbury pergunta sobre o motivo pelo qual Marcos situa sua historia do ministerio terreno de Jesus dentro de um contexto da historia que corte do tempo a profecia do AT até o final dos tempos. Ele responde porque...quer propor a afirmação de que era exatamente o ministerio de Jesus o eixo central para toda a atividade de Deus com a humanidade "p. 77

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Mateus

o significado de Jesus está profundamente arraigado na historia de Israel no AT, tão profundamente que as bençãos prometidas para Israel no AT só encontram cumprimento nele. Ele é israel, a personificação representativa do verdadeiro Israel , como tambem seu rei" p. 78

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se o AT realmente evidencia Cristo, então só somos pregadores fiéis quando fazemos justiça a essa dimensão em nossa interpretação e pregação do AT

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um Cristo sem AT- teríamos um Cristo afastado do amplo pano de fundo do sofrimento humano e da ação redentora de Deus, o pano de fundo da justiça de DEus e de sua ira, seu amor e sua santidade p. 82

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O NT o saudo a Jesus como Messias e Filho de homem, descrevendo-o como servo sofredor, contudo, em nenhum explica o significado desses termos...sem o conhecimento do AT, na verdade, é impossivel entender o significado da obra de nosso Senhor, como os escritores do NT o viam" p. 83

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domingo, julho 12, 2009

SIDNEY GREIDANUS: Pregando Cristo a partir do Antigo Testamento.



Capitulo 1- PREGAR A CRISTO E PREGAR O ANTIGO TESTAMENTO


"A igreja do Novo Testamento pregava o nascimento, o ministério, a morte e a ressureição e a exaltação de Jesus de Nazaré como cumprimento das antigas promessas de aliança com Deus, sua presença hoje no Espírito e seu iminente retorno. Em suma, pregar Cristo significava pregar Cristo encarnado dentro do contexto do pleno escopo da história da salvação" p. 18
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"pregar Cristo como sendo pretar sermões que integrem de modo autêntico a mensagem do texto com o climax da revelação de DEus na pessoa, na obra e no ensino de Jesus Cristo, conforme relevado no Novo Testamento" p. 24
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Sobre a necessidade de pregar a partir do Antigo Testamento.
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"Como um pastor cristão pode esperar alimentar o rebanho numa dieta espiritual equilibrada se negligencia, completamente, os 39 livros das Escrituras Sagradas dos quais Cristo e todos os autores do Novo Testamento receberam seu próprio alimento espiritual" p. 30
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"Como os gnósticos, Marcion tinha uma visão dualista do universo, em que o mundo material é mau e o espiritual, bom. Um bom Deus - puro Espirito- não poderia ter criado este mundo material. p. 34
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Bultmann acreditava que : "Para a fé cristã, o Antigo Testamento não é mais a revelação como foi antigamente, e ainda é, para os judeus. Para a pessoa que se encontra dentro da igreja, a historia de Israel é um capitulo fechado....a historia de Israel não é nossa história e, no tocante a Deus ter mostrado sua graça nessa historia, essa graça nao foi intencionada para nós...para nós a historia de Israel não é a história da revelação. Os acontecimentos que tinham significado para Israel, que eram a Palavra de Deus nada mais significam para nós... Para a fé cristã, o Antigo Testamento não é, no verdadeiro sentido, Palavra de Deus" p.37
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"apesar dessas grandes dificuldades, há muitas razões para os pastores pregarem a partir do Antigo Testamento: 1. o AT faz parte do canon cristão. 2. ele revela a historia da redenção que conduz a Cristo 3. ele proclama verdades que não são encontradas no NT. 4. ele nos ajuda a entender o NT 5. ele evita uma compreensão errada do NT e 6. ele oferece uma compreensão mais completa de Cristo" p. 41
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"Só no AT é que aprendemos que Deus criou os seres humanos à sua imagem e semelhança para ter comunhão com ele e uns com os outros, com um mandado de desenvolver e cuidar da terra. Só no AT é que recebenmos um retrato da queda humana no pecado, resultando em morte, divisão e inimizade entre a semente da milher e a semente da serpente. Só no AT é que ouvimos sobre a eleição de Abraão e de Israel como ponto de partida para a restauração de seu reino sobre a terra. Só no AT é que encontramos detalhes sobre a aliançã de Deus com Israel, as dez palavras da aliança- O Decalogo- as bençãos e as maldições. Só no AT é que ouvimos falar sobre a vinda do Messias e sobre o Dia do Senhor" p. 44
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"O AT mangém o evangelho fiel à História. É a defesa mais segura contra assimilação de filosofias e ideologias estranhas, contra uma fuga para uma piedade sentimental e puramente fora da realidade deste mundo, e contra aquele individualismo degradante que tão facilmente nos assedia" p. 48

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Pregando Cristo


“A pregação centrada em Cristo é muito mais específica do que a pregação centrada em Deus”.
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Das recentes palestras sobre “Pregando Cristo a partir das narrativas de Gênesis”.

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No início de meu ministério, preguei uma série de sermões em Eclesiastes. Um sermão após outro, um pregador aposentado me dizia: “Eu apreciei seu sermão, Sid, mas eu me pergunto: “Será que um rabino poderia ter pregado seu sermão em uma sinagoga?” Esta imagem ficou gravada nitidamente em minha cabeça. O meu sermão era distintivamente cristão? Eu tinha pregado Cristo?Hoje reconheço que mesmo com um doutorado em interpretação bí­blica e pregação, eu não sabia como pregar a Cristo com integridade a partir de Eclesiastes, e eu nem estava muito preocupado em como fazê-lo. Minha maior tarefa, eu penso, era fazer justiça ao texto escolhido, e evitar distorcer as Escrituras. Não seria su­ficiente pregar sermões centrados em Deus? Cristo, afinal, é Deus. Mas pesquisas e reflexões poste­riores me convenceram que a “prega­ção centrada em Cristo” é muito mais específica do que a “pregação centrada em Deus”. De acordo com o Novo Testamento, pregar a Cristo não é o mesmo que pregar a Deus de maneira geral, mas significa pregar Cristo encarnado, Jesus de Nazaré, como o clímax da revelação própria de Deus. Como João explica, “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou” (Jo 1.18).
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A Necessidade de se Pregar Cristo
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A necessidade de se pregar Cristo é claramente comunicada no Novo Tes­tamento. Em primeiro lugar, Jesus or­denou que seus discípulos pregassem sobre ele. Após sua ressurreição, Jesus ordenou a seus discípulos: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mt 28.19-20).Em segundo lugar, devemos pregar Jesus Cristo porque ele é o caminho da salvação. Jesus disse para Nicodemus: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). De fato, Jesus disse que ele é o único caminho da salvação. “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6; cf. Jo 17.3; At 4.12). Em terceiro lugar, deveríamos pregar explicitamente a mensagem de Jesus Cristo em nossa cultura pós­cristã. Na antiga cultura cristã, pregadores podiam pressupor que os seus ouvintes indistintamente iriam fazer conexões entre a mensagem do sermão e Jesus. Mas ninguém pode partir dessa hipótese em uma cultura pós-cristã. Se de alguma maneira as pessoas ainda pensam em alcançar a Deus, elas são inclinadas a pensar que existem muitos caminhos para ele. Os cristãos seguem um caminho, os judeus seguem outro, e os mulçumanos, ainda outro. No final das contas, todos se encontram no mesmo topo da montanha. Mas, se a Bíblia está correta, existe apenas um caminho até Deus: Jesus Cristo. Portanto, é crucial que em cada sermão nós explicitamente preguemos Jesus Cristo.
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O Significado de “Pregar Cristo”

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Mas o que significa “pregar Cristo?” O entendimento mais comum de “pregar Cristo” é pregar a pessoa e a obra de Cristo - a obra é costumeiramente en­tendida como o trabalho ungido de Je­sus. Esta definição ampla é baseada no Novo Testamento. Embora Paulo te­nha dito: “Nós pregamos Cristo cruci­ficado” (1Co 1.23), suas cartas deixam claro sua igual preocupação em pregar o Cristo ressurreto (1Co 15.4), em pregar “Jesus Cristo como Senhor” (2Co 4.5), e pregar a Segunda Vinda de Jesus (1Ts 3.13-18). Mas mesmo esta definição da pregação da pessoa e/ou a obra de Jesus Cristo é muito limitada para que possamos pregar Cristo em todos os sermões com integridade. Muitos textos de sabedoria do Antigo Testamento não podem ser legitimamente ligados a pessoa ou obra de Jesus. Deveríamos acrescentar à nossa definição de “pregar Cristo” um elemento a mais: o ensino de Jesus. Em seu mandado missionário, o próprio Jesus nos ordenou que passássemos adiante seus ensinamentos: “Fazei discípulos de todas as nações..., ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mt 28.20). João reiteirou a importância do ensino de Jesus: “Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que per­manece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho” (2Jo 9). Portanto, quando pensamos em pregar Cristo, deveríamos incluir o ensino de Cristo a respeito de tópicos tais como Deus, o reino de Deus, o próprio Jesus e sua missão, salvação, a lei de Deus, e nossa responsabilidade e missão. Em conformidade com isso, sugiro a seguinte definição: “Pregar Cristo a partir do Antigo Testamento significa pregar sermões que autenticamente integram a mensagem do texto com o clímax da revelação de Deus na pessoa, obra, e/ou ensino de Jesus Cristo como são revelados no Novo Testamento”.[1]Quando o texto contém uma pro­messa sobre o Messias que está por vir, os pregadores podem fazer este movimento de modo direto. Eles automaticamente relacionam a promessa com o cumprimento. Por exemplo, quando pregamos em Isaías 61, “O Espírito do SENHOR Deus está sobre mim,” não nos atemos apenas ao significado do texto para os ouvintes de Isaías, mas prosseguir adiante até o seu cumprimento em Jesus (Lc 4) e seu significado para os ouvintes contemporâneos. Do mesmo modo, quando pregamos que Deus redimiu Israel da escravidão do Egito, não deveríamos nos ater apenas à mensagem para Israel, mas deveríamos prosseguir adiante na história da redenção até o ato redentivo final de Deus em Jesus e em sua mensagem para a igreja aqui e agora.
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Os caminhos para a pregação de Cristo a partir do Antigo Testamento
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Estudando tanto o Novo Testamento quanto a história da pregação, cheguei a conclusão de que existem sete caminhos legítimos para relacionar o Antigo Testamento a Jesus. Eles são: (1) a progressão histórico-redentiva, (2) promessa-cumprimento, (3) tipologia, (4) analogia, (5) temas longitudinais, (6) referências neotestamentárias, e (7) contraste.[2]Se o texto pregado é o relato da criação de Gênesis 1.1-2.3, as opções estão limitadas porque o relato descreve o estado anterior a queda. Além disso, os pregadores podem chegar a Jesus através das referências do Novo Testamento: João 1.1-5 faz menção a Gênesis 1 e fala de Jesus como a Palavra de Deus pela qual todas as coisas foram criadas. João continua no verso 14, “A palavra se fez carne,” o que pode ser relacionado com Filipenses 2.6-7, onde Paulo fala de Cristo Jesus, “o qual, sendo o próprio Deus ... esvaziou-se a si mesmo tomando a forma de servo”.Se o texto bíblico fala sobre os eventos posteriores à queda como, por exemplo, a narrativa de Abel e Caim em Gênesis 4, os pregadores podem chegar até Cristo por uma variedade de caminhos:
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Pelo caminho da progressão histórico-redentiva, traçando a batalha entre a semente da serpente e a semente da mulher, a partir de Caim versus Abel, do Egito versus Israel, indo para Canaã versus Israel, para Herodes versus Jesus, para Satanás versus Jesus, para o Mundo versus a igreja, até a derrota final de Satanás (Ap 20.10) e a vitória de Cristo.
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Pelo caminho da tipologia Abel-Cristo: Abel, a semente da mulher que foi morto pela semente da serpente, é um “tipo” de Jesus Cristo, a Semente da mulher que seria morto por Satanás.
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Pelo caminho da analogia: assim como Deus assegurou a Israel que ele preservaria o seu povo da aliança na história humana (veja Gn 4.25-26), Jesus assegura sua igreja que “as portas do inferno não pre­valecerão sobre ela” (Mt 16.18).
Traçando o tema longitudinal da semente da mulher a partir de Sete, a “semente” que substituiu o martirizado Abel (4.25), até Noé, Abraão, Isaque, Jacó, Judá, Davi, e finalmente até Jesus Cristo, a Semente da mulher.
Usando referências neotestamentárias como Hebreus 12.24 ou João 3.11-13 como uma ponte para Cristo.
Para os textos de sabedoria do Antigo Testamento a opção pela analogia combinada com as referências neotestamentárias pode ser uma abordagem frutífera se o pregador identificar um ensino similar de Jesus, o rabi que pensava em parábolas como um homem sábio do passado. Por exemplo, ao pregar sobre “Não te fatigues para seres rico... Pois, certamente, a riqueza fará para si asas, como a águia que voa pelos céus” (Pv 23.4-5), é possível usar analogia para se chegar ao ensino similar de Jesus, “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam” (Mt 6.19). Ou, pregando em Eclesiastes com os seus freqüentes refrões sobre a vaidade, um pregador pode usar a opção do contraste: em razão da ressurreição de Jesus, a vida humana não é vaidade. Isto pode ser baseado pelas palavras finais de Paulo em seu capítulo sobre a ressurreição: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão” (1Co 15.58). O fato é que no contexto histórico-redentivo mais amplo é possível se fazer justiça à mensagem original do texto da pregação, e pregar a pessoa, obra e ensino de Jesus, sem distorcer as Escrituras. A pregação cristrocêntrica não se opõe à pregação teocêntrica. Se feita corretamente, a pregação cristrocêntrica expõe o verdadeiro coração de Deus.
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[1] Esta definição é de meu livro, Preaching Christ from the Old Testament (Grand Rapids: Eerdrmans, 1999), p.10.[2] Para uma explicação detalhada disto veja Preaching Christ from the Old Testament., 203-77
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Dr. Sidney Greidanus

Professor de Pregação no Calvin Theological Seminary em Grand Rapids, Michigan.Este artigo, traduzido por Adrien Bausells, foi extraído da revista Forum (primavera de 2003, p. 3-4), publicada pelo Calvin Theological Seminary.

domingo, novembro 19, 2006

Pregação Cristocêntrica

CHAPELL, Bryan Pregação Cristocêntrica Ed. Cultura Cristã

“O
teste das três horas da madrugada requer que você imagine sua esposa, seu pai ou membro da igreja, acordando-o de um sono profundo com esta simples pergunta:”Sobre o que é o sermão de hoje, pastor?”. Se você for incapaz de dar uma resposta incisiva, saberá que o sermão provavelmente está incompleto. Pensamentos que você não consegue juntar às três da madrugada por certo não serão apreendidos pelos utros a qualquer hora” p. 41


“Seminaristas tropeçam em suas primeiras experiências de pregação ao tentar concentrar tudo o que estão aprendendo em único sermão” p. 43

FOCO DA CONDIÇÃO DECAÍDA
“Nossa esperança reside na certeza de que toda a Escritura tem um Foco da Condição Decaída (FCD). Deus se recusa a abandonar seus filhos, frágeis e pecadores, sem guia ou defesa num mundo antagônico ao bem-estar espiritual deles. Nenhum texto foi escrito e destinado às pessoas do passado somente. Deus pretende em cada texto da Escritura dar-nos a paciência e o incentivo de que hoje necessitamos. O FCD é a condição humana recíproca que os crentes contemporâneos compartilham com aqueles ou aquele a quem o texto foi escrito que requer a graça da passagem” p. 44

o pregador que afirma somente a conclusão a que o comentarista chega, está tentando pregar por procuração” p.73



“Agora, que eu e todo aquele que fala a palavra de Cristo, livremente nos orgulhemos de que nossa boca é a boca de Cristo. Estou verdadeiramente certo de que minha palavra não é minha, mas a palavra de Cristo. Assim deve ser a minha boca a boca daquele que a exprime”
Martinho Lutero, p.101


“A maioria dos textos homiléticos alude aos seis amigos fieis dos repórteres, que intuitivamente empregamos na obtenção dos fatos: o quê, quem, quando, onde, por quê e como.” p.113.


Você não pode exortar sua congregação a fazer tudo quanto a Biblia requer da sua parte como se ela pudesse cumprir essas exigências por sua própria conta, mas apenas como conseqüência do poder salvador da cruz e da morada, do poder santificador e da presença de Cristo na pessoa do Espirito Santo. Toda pregação edificante, para ser cristã, precisa levar plenamente em consideração a graça de Deus na salvação e na santificação
Jay Adams na p.291

“A tipologia conforme se relaciona com a pessoa e a obra de Cristo, é o estudo das correspondências entre pessoas, eventos e coisas que primeiro aparecem no Antigo Testamento pela primeira vez para preparar ou expressar de modo mais completo as verdades de salvação do Novo Testamento” p. 297

“Cada aspecto, cada ato e esperança da vida cristã encontram seu motivo, força e causa em Cristo, ou, então não são de Cristo. As verdades da Escritura que não antecipam ou não culminam no ministério de Cristo precisam, ao menos, ser pregadas como uma conseqüência da sua obra, ou nós as arrancamos do contexto que as identifica como a mensagem cristã” p. 303

IDENTIFICANDO MENSAGENS NÃO-REDENTIVAS


1. Os fatais SEJA
“Exortam os crentes a ser alguma coisa para que sejam abençoados (...) O que não conseguem perceber é a erosão da esperança que causam semanalmente pela pregação de mensagens bíblicas na origem, porém biblicamente incompletas” p. 305


2. Mensagens para SER COMO

“Mensagens que exortam a ser como, que concentram a atenção dos ouvintes sobre um personagem bíblico, à medida que o pregador os exorta a serem como aquela pessoa ou como alguém aspecto da sua personalidade (...) Simplesmente dizer às pessoas que imitem a piedade de outros sem lembra-luz que qualquer coisa mais que conformidade exterior precisa vir de Deus, leva-as ou a desesperar-se da transformação espiritual ou a negar sua necessidade” p. 306


3. Mensagens para SER BOM.

“Pregação evangélica que infere que somos salvos pela graça, mas apoiada por nossa obediência, não apenas solapa a obra de Deus na santificação, mas ela, em ultima analise, lança duvida sobre a natureza de Deus, tornando duvidosa a própria salvação”307



4. Mensagens que Dizem às pessoas para DISCIPLINAR-SE

“Tais mensagens não estão simplesmente advogando comportamento moral, mas estão de maneira característica incentivando os crentes a exercitar essas disciplinas de modo mais regular, sincero, amplo e metódico, o que pretensamente irá elevá-los a planos mais altos de aprovação”. (p. 307)
“Nenhum grau de diligencia humana é capaz de compensar o Senhor por tudo o que n[os verdadeiramente lhe devemos, mera insistência sobre as disciplinas apenas torna aquelas mais honestas quanto aos seus méritos menos seguras de sua condição. Recompensas imaginárias valem muito pouco numa economia em que santidade absoluta permanece a única moeda corrente aceitável” p. 308

A PARTE ESSENCIAL DA PREGAÇÃO CRISTOCÊNTRICA.

“Mensagens para ser não são erradas em si mesmas; são erradas por si mesmas. As pessoas não são aptas a fazer ou ser o que Deus exige, sem a obra de Cristo nelas, por elas, e por meio delas. Apenas recriminar o erro e martelar a devoção podem convencer os outros de sua impropriedade ou torná-los auto-suficientes, mas essas mensagens também conservam remota a verdadeira piedade. Assim, instrução no procedimento bíblico sem a verdade redentora, somente causa ferimentos, e ainda que seja oferecida como um antídoto do pecado, tal pregação ou promove farisaísmo ou leva ao desespero. Os pregadores cristocêntricos não aceitam nenhuma dessas alternativas. Os padrões santos que penetram o coração sempre que as pessoas reconhecem a profundidade de suas obrigações divinas, tornam-se lenitivo para a alma, quando pregamos seu cumprimento em Cristo e sua capacitação por seu Espírito” p. 309
“O intento das escrituras caracteriza-nos a todos como seres feitos à semelhança de queijos suíços cheios de furos que os esforços humanos não podem preencher.”p. 316

HISTÓRIA REDENTORA

A unidade da historia redentora implica a natureza cristocêntrica de cada texto histórico. A historia redentora é a historia de Cristo. Ele permanece no seu centro, e não menos no seu inicio e seu fim...A Escritura desvenda o tema e a amplitude de sua historiografia logo no começo, Gn 3.15 Van´t Veer diz,`coloca todos os eventos subseqüentes sob a luz da tremenda batalha entre Cristo nascido no mundo e Satanas, o príncipe deste mundo, e isso situa todos os acontecimentos à luz da vitória completa que a semente da mulher alcançará. À vista disso, torna-se imperativo que nem uma única pessoa fique isolada desta historia e se mantenha a parte dessa grande batalha. O lugar de ambos oponentes e colaboradores só pode ser determinado cristo logicamente. Apenas no que concerne aos que receberam seu lugar e tarefa no desenvolvimento desta história é que aparecem na historiografia da Escritura. Desse ponto de vista, os fatos são selecionados e registrados
Sidney Greidanus na p. 317


A GRAÇA

“A graça não auxilia meramente condutas justas, ela socorre na apreensão do infalível amor de Deus que torna possível a retidão humana. Se obediência é apenas uma postura defensiva que nossos ouvintes assumem para desviar a ira divina ou lisonjear o favor divino, então, santidade humana nada é senão um eufemismo de egoísmo. Autoproteção e autopromoção são lamentáveis substitutos de glorificar a Deus e goza-lo sempre, porém, as primeiras alternativas são resultante definitivos de vidas devotadas a Deus por temor servil e medo abjeto” p. 328

CULPA CANCELADA PELA MUDANÇA DE COMPORTAMENTO GERA LEGALISMO/MORALISMO
CULPA CANCELADA PELA CRUZ, PRODUZ ATITUDE RECONHECIDA E ARREPENDIMENTO.

A cura da alma começa com a mensagem de que Deus graciosamente aceita nossas obras que lhe são oferecidas em gratidão por nossa salvação, porém nossa aceitação e santificação jamais resultam de qualquer coisa, senão graça” p.332

Amor a Deus transborda no desejo de agrada-lo cuidando daqueles a quem ele ama. Orgulho e juízo critico se desvanecem. Os cristãos se unem com os necessitados precisamente porque a graça lhes assegura que podem dispor de recursos para agir desta forma. Somente a pregação cristocêntrica produzirá essa confiança frutífera”p. 334


“Reverência às verdades da graça precisa preceder o serviço quanto às obrigações morais, ou as ações se tornarão irrelevantes e equivocadas. As mãos dos crentes devem permanecer vazias de si mesmas, tanto antes quanto depois da conversão, se queremos experimentar a plenitude da graça” p. 336