O livro tem por intenção ser o primeiro de uma trilogia de um currículo de crescimento espiritual. Smith é ligado a Renovare, escreveu um livro simples e profundo que aborda diversas questões da vida espiritual.
A abordagem de Smith é bastante criativa,um capítulo traz um princípio e logo a seguir, vem uma disciplina espiritual a ser praticada em torno daquele tema. O livro de Smith é mais fácil de ser lido que os de seus mentores como Dallas Willard ou Richard Foster, pois é mesmo uma introdução à vida contemplativa.
Para Smith o processo de mudança na vida de uma pessoa envolve a necessidade de examinar o que pensamos - nossas narrativas-, como agimos- nossas disciplinas espirituais- e com quem estamos interagindo - nosso contexto social-. Há quatro elementos básicos: 1. mudar as histórias de nossa mente, 2. engajar-nos em novas práticas, 3. refletir e dialogar com outras pessoas que seguem o mesmo caminho e 4. fazer tudo sob a orientação do Espírito Santo.
A abordagem de Smith diz que precisamos mudar as narrativas de nossa mente, o que lembra o ensino de Peterson. Precisamos descobrir quais as narrativas que formam o nosso pensamento, e comparar elas com as de Jesus, o livro segue tentando mostrar o Deus que Jesus conhecia em oposição ao Deus das narrativas religiosas.
As disciplinas são vistas como exercícios de treinamento para alma, tratam de sabedoria e não de justiça.
"O Espírito muda nossas falsas narrativas testemunhando a verdade. nossos dois mais importantes relacionamentos são nosso relacionamento com Jesus, como Senhor- do grego kyrios- e nosso relacionamento com Deus como nosso pai- aba em aramaico, o idioma que Jesus falava-" p.35
A passividade da vida cristã:
"Começaremos a viver como Jesus viveu uma vida perfeita que não somos capazes de vier e como ele ofereceu essa vida ao Pai em nosso favor, libertando-nos da obrigação de merecer o amor e o favor de Deus" p. 38
Gostei muito do livro, em breve, coloco outros trechos do livro. A espiritualidade fica claro no livro que está ancorada no amor incondicional de Deus por nós. A nossa transformação está baseada em três coisas, na mudança de narrativa, na disciplina espiritual e comunidade, tudo isto sob dependência do Espíirto Santo. A manifestação disto tudo é uma vida que descansa e frutifica do Espírito Santo, uma vida com paz e contemplação.
“Aquilo que fazemos não produz em nós a simplicidade, mas nos posiciona no lugar em que podemos recebe-la: Diante de Deus, de modo que ele possa operar em nós a graça da simplicidade” Liberdade da Simplicidade, p. 25
“A dependencia radical de toda a criacao em relacao a Deus é o conceito basico para a compreensão da simplicidade. Ninguem possui existencia independente nem capacidade de auto-sustentacao. Tudo que somos e possuímos é por derivação” p. 37
Simplicidade é liberdade. Duplicidade é servidão. A simplicidade traz alegria e equilíbrio. A duplicidade traz ansiedade e temor. O pregador de Eclesiastes observou que “Deus faz o homem reto, e este procura complicações sem conta” (Eclesiastes 7:29, Bíblia de Jerusalém).
O experimentar a realidade interior liberta-nos exteriormente. O linguajar torna-se veraz e honesto. A cobiça de “status” e posição passou, porque não mais necessitamos deles. Paramos com a extravagância pomposa, não porque não possamos dar-nos a esse luxo, mas por uma questão de princípio. Nossos bens se tornam disponíveis aos outros. Juntamo-nos à experiência que Richard E. Byrd registrou em seu diário, após meses de solidão no estéril Ártico: “Estou aprendendo... que um homem pode viver intensamente sem grande quantidade de coisas.”
Jesus declarou guerra ao materialismo do seu tempo. O tremo aramaico para riqueza era “mamom”, e Jesus condenou-a como um deus rival: “Nenhum servo pode servir a dois senhores; porque, ou há de aborrecer um ou amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom” (Lucas 16:13)
A simplicidade é a única coisa que pode adequadamente reorientar nossas vidas de sorte que as posses sejam autenticamente desfrutadas sem destruir-nos. Sem a simplicidade, ou capitularemos ao espírito de “Mamom” da presente era má, ou cairemos num ascetismo legalista e anticristão. Ambas as situações levam à idolatria. Ambas são espiritualmente fatais
A Disciplina Espiritual da simplicidade provê a necessária perspectiva que nos liberta para receber a provisão de Deus como um Dom que, por não ser nosso, não devemos guardar, mas que pode ser gratuitamente partilhado com outros. Uma vez que reconhecemos que a Bíblia denuncia os materialistas e os ascetas com igual vigor, estamos preparados para voltar nossa atenção à estrutura de um entendimento cristão da simplicidade.
Como Jesus deixou muito claro em nosso texto central, estar livre de ansiedade é uma das provas interiores de que estamos buscando o reino de Deus em primeiro lugar. A realidade interior da simplicidade envolve uma vida de alegre despreocupação com os bens materiais. Nem o ganancioso nem o avarento conhecem essa liberdade. Ela não tem nada que ver com a abundância ou com a falta de posses. É uma atitude interior de confiança. O simples fato de uma pessoa viver sem a posse de bens materiais não é garantia alguma de que esteja vivendo em simplicidade. Paulo ensinou que o amor do dinheiro é a raiz de todos os males, e muitas vezes os que menos o têm amam-no ao máximo. É possível a uma pessoa estar desenvolvendo um estilo de vida exterior de simplicidade e viver cheia de ansiedade. Inversamente, a riqueza não liberta da ansiedade.
A Expressão Exterior da Simplicidade
Em primeiro lugar, compre as coisas por sua utilidade e não por seu “status”.
Segundo, rejeite qualquer coisa que o esteja viciando. Aprenda a distinguir entre a verdadeira necessidade psicológica, como ambientes alegres e o vício.
Terceiro, crie o hábito de dar coisas. Se você acha que se está apegando a alguma posse, considere dá-la a alguém que necessite.
Quarto, recuse ser dominado pela propaganda dos fabricantes de bugigangas modernas
Quinto, aprenda a desfrutar das coisas sem possuí-las. Possuir coisas é uma obsessão de nossa cultura. Se as possuímos, achamos que podemos controlá-las; e se podemos controlá-las, sentimos que nos darão maior prazer.
Sexto, desenvolva um apreço mais profundo pela criação. Aproxime-se da terra.
Sétimo, olhe com cepticismo saudável todos os planos de “compre agora, pague depois”.
Oitavo, obedeça às instruções de Jesus sobre a linguagem clara, honesta. “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim: não, não. O que disto passar, vem do maligno” (Mateus 5:37).
Nono, recuse tudo quanto gere a opressão de outros.
Décimo, evite qualquer coisa que o distraia de sua meta principal.
Dallas Willard começa seu livro Espírito das Disciplinas com o segredo do jugo suave, ele começa assim ao comparar os preços pagos na vida diária pelo jugos do pecado e de Cristo, sendo que o primeiro é muito mais difícil de carregar do que o outro.
Por que sempre começamos a discutir as disciplinas a partir de nossas desculpas para não faze-las, por que não enxergamos além da nossa vontade e desejo, além da arena carnal?
Afastar-se da justiça é o mesmo que escolher uma vida de jugos, presa nos:tentáculos de problemas esmagadores, de fracassos e desapontamentos que nunca são resolvidos. Esta é a fonte do drama interminável, onde por vezes o horror apresenta-se como vida humana normal. O "preço do discipulado", embora possa exigir tudo o que temos, é pequeno quando comparado com a sorte daqueles que não aceitam o convite de Cristo para .andar no Caminho da Vida. (Espírito das Disciplinas)
Quando partimos de um ponto de escassez, sempre acreditamos na verdade que temos que perder para trocar por algo que não vale tanto assim, que será um grande sacrifício. A doçura das disciplinas não existe, mas apenas o fel. É como se estivessemos fazendo um grande favor a Deus, que terminássemos em nosso corpo aquilo que Ele não consegue fazer.
Não temos, assim, a força que deveríamos ter, e os mandamentos de Jesus tomam-se esmagadoramente pesados. Na verdade, muitos cristãos parecem não acreditar realmente que Jesus pretendesse que cumpríssemos os seus mandamentos. Qual é o resultado? Seus ensinamentos são tratados como mero ideal, algo que bem podemos estabelecer como alvo, sabendo, porém, que estaremos fadados a jamais alcançar.
Para sairmos dessa mera leitura das Escrituras, Dallas propõe uma volta as disciplinas baseando-se na própria vida de Jesus:
Jesus como pode ser' observaldo claramente no registro de sua vida, compreendeu bem este fato e viveu corretamente. Devido ao preconceito com que lemos os Evangelhos atualmente ( o que discutiremos mais adiante), temos grande dificuldade de ver a principal ênfase na vida de Jesus. Esquecemos que o fato de ser o Filho unigênito de Deus não o isentou da necessidade de uma vida de preparação, desenvolvida fora da vista do público, A despeito dos eventos auspiciosos do seu nascimento, Jesus cresceu no seio de uma família simples na humilde cidade de Nazaré. Aos 12 anos de idade, como vemos em Lucas 2.45, Jesus exibiu um conhecimento espantoso "no meio dos doutores" em Jerusalém. Mesmo assim, retomou ao lar com os pais e, durante os 18 anos seguintes, sujeitou-se às demandas da família.
Então, depois de receber o batismo pelas mãos de seu primo João Batista, Jesus buscou a solitude e jejuou por um mês e meio. A seguir, na seqüência de seu ministério, esteve a sós grande parte do tempo, muitas vezes passando noites inteiras sozinho, em oração, antes de ministrar às necessidades de seus discípulos e ouvintes no decorrer do dia.
A partir de tais preparações, Jesus era capaz de manter uma vida pública de serviço por meio do ensino e da cura. Foi capaz de amar seus companheiros mais próximos até o fim – apesar de muitas vezes eles o terem desapontado e parecerem incapazes de acompanhar sua fé e obras. Posteriormente, Ele foi capaz de se sujeitar a uma morte sem precedentes em seu significado intrínseco e efeito histórico.
O segredo do jugo suave, portanto. envolve viver como Jesus viveu a inteireza de sua vida – adotando seu estilo geral de vida. Seguir" suas pisadas" não pode ser equivalente a comportar-se como Ele se comportava quando estava "sob os holofotes". Viver como Cristo viveu é viver como Ele viveu toda a sua vida.
Para Dallas, o fracasso humano vem do desejo sem dedicação aquilo que provém frutos, não adiantando ter boas intenções apenas. Isto me faz voltar a minha questão, a questão das disciplinas serem encaradas como favor que fazemos a Deus, seria isto? Sendo que alguns estão dispostos e outros não.
Na verdade, Jesus convidou pessoas para segui-lo num modo de vida a partir do qual comportamentos como amar os inimigos parecerá a única coisa sensível e feliz a se fazer. Para uma pessoa que vive desta forma, a coisa mais difícil a fazer seria odiar os inimigos, virar as costas aos necessitados ou amaldiçoar quem a amaldiçoa, assim como seria difícil para Cristo. O verdadeiro discipulado cristão conduz ao ponto onde difícil é não reagir da mesma forma que Jesus o faria.
Contudo, isso não se trata de uma mera adequação comportamental a um padrão público de comportamento, que seria um farisaísmo, Willard criticando EM SEUS PASSOS QUE FARIA JESUS, diz que seguir não é tentar se comportar como ele em público, é buscar fazer aquilo que fazia em privado. Willard continua a história de fora para dentro ao meu ver quando diz...
O segredo do jugo suave, então, é aprender com Cristo como viver nossa vida toda. como investir todo nosso tempo e nossa energia mental e física como Ele fez. Temos de aprender como seguir sua preparação - as disciplinas para a vida sob o governo de Deus que capacitaram o "Filho do homem" a receber o apoio constante e efetivo do Pai enquanto. fazia a sua vontade. Temos de descobrir como entrar em suas disciplinas a partir de onde estamos hoje – e, sem duvida, como ampliá-las para abranger as nossas necessidades. (ED)
Contudo, acho que a preocupação de Dallas está em ir contra a apatia do crente em relação as disciplinas ou a falta de necessidade delas já que a vida cristã normal é inviável e irreal
Cremos de todo o coração que devemos seguir de perto nosso Senhor Jesus Cristo e ser semelhantes a Ele. Entretanto, poucos cristãos (talvez nenhum) podem ver isso como uma possibilidade real para si mesmos ou para os crentes que eles conhecem. Isso não parece ser algo que possamos avaliar mediante medidas definidas, que entendamos claramente, e que saibamos como implementar. (ED)
No capítulo 3, Salvação e Vida, ele começa a desenvolver uma teologia prática das disciplinas, dizendo
Esta relação, porém, entre as disciplinas e o jogo suave com a vida abundante, baseia-se na natureza da personalidade humana. Jesus era humano, não só divino. Ele precisou de disciplina não porque fosse pecador e necessitasse de redenção, como nós, mas porque tinha um corpo como o nosso. Isso nos ensina que temos de compartilhar como Ele das disciplinas. Seu entendimento com o Pai era: "Sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo me preparaste" (Hb 10.5). Jesus compartilhou da estrutura humana e, como ocorre com todo ser humano, seu corpo foi o ponto focal de sua vida.
É exatamente este reconhecimento apropriado do corpo e suas implicações para a teologia que falta às visões atuais da salvação ou da libertação cristã. O corpo humano é o ponto focal da existência humana. Jesus tinha um corpo. Nós temos um. Sem a percepção adequada do lugar do corpo, as peças do quebra-cabeça da nova vida em Cristo não se encaixam de forma realista, e segui-lo – ser como Ele - continua sendo uma impossibilidade prática.(ED)
A salvação que afeta nossas vidas, é feita mediante o corpo, Willard não faz uma ligação seja com o docetismo ou com gnosticismo aqui, ele diz uma coisa bastante clara - EXCLUIR NOSSOS CORPOS DA RELIGIÃO É O MESMO QUE EXCLUIR A RELIGIÃO DE NOSSAS VIDAS.
Assim, Dallas repensa o conceito próprio de salvação, uma salvação que apenas tem a ver com a noção de pecado falha porque...
O que significa "ser salvo"? O que as pessoas entendem quando ouvem falar em "salvação", "redenção" e outros termos do Novo Testamento usados em referência à ação divina de restaurar homens e mulheres ao lugar que deviam ocupar no mundo? Qual o conceito verdadeiro e coerente por trás dessas palavras? O pressuposto deste autor é que tudo isso se perdeu por meio dos processos históricos e das alterações da linguagem empregada para refletir interesses teológicos especiais. Nós perdemos o contato com os significados radicais dos conceitos que fariam a graça e a personalidade humana se encaixarem como luvas no processo do discipulado cristão! (ED)
Uma vez, porém, que a salvação é reduzida a mero perdão dos pecados, as discussões sobre a sua natureza são limitadas aos debates sobre a morte de Cristo, sobre quais elementos envolvidos em sua morte tornam o perdão possível e atual. Tais debates abordam as "teorias da expiação". Mesmo assim, por meio dessas teorias, a conexão entre salvação e vida – tanto a sua vida como a nossa – torna-se ininteligível. E ela permanece ininteligível para todos os que tentam entender a salvação unicamente por essas teorias. Por quê? Porque elas não nos ajudam a entender o que afirmou o apóstolo Paulo: "[sendo] reconciliados com ele mediante a morte .de seu Filho... seremos salvos por sua vida" (Rm 5.10). Como podemos ser salvos por Sua vida quando cremos que a salvação procede somente de Sua morte? Portanto, se nos concentrarmos exclusivamente em tais teorias, o corpo (a vida concreta) é perdido no processo de redenção. Assim sendo, como poderíamos considerar as disciplinas para a vida espiritual senão como esquisitices históricas e práticas estranhas engendradas por pessoas desvairadas de épocas distantes e que jaziam na ignorância? (ED)
Em outro livro, A CONSPIRAÇÃO DIVINA, Willard trabalha a idéia de evangelhos de administração do pecado:
Denota que você pode ter a fé em Cristo que traz o perdão, sem no entanto ser diferente, nos outros aspectos da sua vida, daqueles que não têm fé em Cristo. Essa visão tão agradavelmente apresentada em adesivos e outros objetos tem profundas raízes históricas. É hoje elaborada em muitos livros sérios de teologia e acatada por multidões de pessoas que sinceramente se identificam como cristãs.
(...)
Helmut Thielicke ressalta que muitas vezes nós nos perguntamos se as celebridades que anunciam comidas e bebidas realmente consomem o que estão vendendo.3 Ele diz também que essa mesma questão é a mais premente para aqueles que falam em nome de Cristo. Se as faltas morais estão tão difundidas entre nós, então seguramente algo está errado. Talvez não estejamos comendo aquilo que anunciamos. O mais provável, acho eu, é que o que estamos "vendendo" seja irrelevante para a nossa vida real e não tenha o poder de mudar o nosso dia-a-dia. (...)
A situação atual, na qual a fé que se professa exerce pouca influência sobre o conjunto da vida, não é característica do nosso tempo, tampouco é um desenvolvimento recente. Mas atravessa agora uma fase aguda. A história nos levou ao ponto em que se considera que a mensagem cristã trata essencial e exclusivamente dos meios de lidar com o pecado: de atos ou atitudes erradas e as suas conseqüências. A vida, nossa existência real, não está incluída naquilo que hoje se apresenta como o cerne da mensagem cristã, ou se inclui só marginalmente. É assim que nos encontramos hoje.
Quando percebemos a separação entre a mensagem atual e a vida cotidiana, as faltas destacadas acima fazem pelo menos algum sentido. Não nos surpreendem. Quem examina o largo espectro da profissão e da prática cristãs, percebe que a única coisa considerada essencial na ala direita da teologia é o perdão dos pecados. Na ala esquerda é a eliminação dos males sociais ou estruturais. O evangelho corrente então se torna um "Evangelho da administração do pecado". A transformação da vida e do caráter simplesmente não faz parte da mensagem redentora. No seu âmago, a realidade humana corriqueira não é o palco da fé e do viver eterno.
Para a direita, ser cristão é uma questão de ter os pecados perdoados. (Lembra-se o leitor dos adesivos?) Para a esquerda, você é cristão se está realmente comprometido com a eliminação dos males sociais. O cristão é ou aquele que está pronto a morrer e enfrentar o juízo de Deus, ou aquele que tem um compromisso visível com o amor e a justiça na sociedade. E só.
De volta ao Espírito das Disciplinas, precisamos realmente re-avaliarmos nossos conceitos de salvação, regeneração, santificação, ressurreição. Conceitos que precisam sair do mundo das idéias e assumir a realidade de nossos corpos pela força do Espírito Santo.
Uma vez que esquecemos ou obscurecemos o significado de "salvação" (ou" redenção", ou "regeneração") e o substituímos por expiação simples ou mero perdão de pecados, jamais seremos capazes de alcançar um retorno coerente para a existência humana concreta. Jamais seremos capazes de deixar claro exatamente o que a nossa vida tem a ver com a nossa "salvação". Uma prova clara disso são os esforços fúteis de cristãos através dos séculos de- alinhavar obediência – ou "obras" ou "leis" – à graça, ou insistir que Cristo não pode ser nosso Salvador sem ser também nosso Senhor. (ED)
A fé deve então estar relacionada com obras, seguindo Lutero, parte para a mesma consequência de Bonhoeffer, só tem fé que é obediente, só o obediente tem fé...No "Espírito das Disciplinas" ele apresenta três dimensões disto:
1. A presença de um novo poder dentro do indivíduo, irrompendo numa ruptura com o passado por meio do arrependimento e a liberação de perdão. A folha seca automaticamente cai do ramo quando uma nova folha surge. Assim, temos a representação bíblica do arrependimento, bem como dão, como algo dado por Deus (Salmo 80.3; 8504; Atos 5.31; Romanos 2:4 e Timóteo 2.25).
2. Uma transformação imediata, mas também gradual do caráter e da personalidade do indivíduo (2 Co 5.17; Rm 5.1-5; 2 Pe l:4-l1).
3.Um poder significativo, sobre-humano, sobre os males deste presente século e do mundo, exercido tanto pelo indivíduo como pela Igreja coletiva ("Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão..." – Mt 28.18).
Para terminar minha questão, pego a resposta de outro livro de Willard, A GRANDE OMISSÃO
Uma mente abarrotada de desculpas pode transformar o discipulado num mistério ou pode considerá-lo algo a ser temido. Mas não há nenhum mistério no desejo e na intenção de ser como alguém — isso é algo extremamente comum. E se, de fato, estamos decididos a ser como Cristo, isso ficará evidente para todas as pessoas mais atentas ao nosso redor, assim como para nós. É claro que as atitudes que definem o discípulo não podem ser colocadas em prática nos dias de hoje deixando a família e o trabalho para seguir Jesus em suas viagens pelo país. Mas o discipulado pode ser concretizado ao aprendermos ativamente como amar os inimigos, abençoar os que nos perseguem e suportar com longanimidade um opressor — ou seja, colocar em prática pela graça as transformações interiores da fé, do amor e da esperança. Esses atos — realizados pela pessoa disciplinada que manifesta graça, paz e alegria — tornam o discipulado tão tangível e espantoso hoje quanto aquelas deserções do passado distante. Qualquer um que entrar no Caminho verá isso e, ao mesmo tempo, verá por experiência própria que não há nada de assustador no discipulado.
sábado, novembro 21, 2009
A santidade cristã não é uma façanha de Prometeu. Não temos de escalar os muros dos céus e de lá trazer o fogo de Deus, não temos de invadir suas salas de tesouros para obter boas coisas que reservou para nós. Prometeu é o herói de um mito que exprime a profunda desesperança de todas as religiões pagãs. Mas Cristo desceu, realmente, dos céus, tomou nossa carne, re-uniu a raça humana em Si mesmo, iluminou os homens com Sua luz, enviou Seu Espírito ara unir-nos ao Pai. vendo que jamais iriamos a Ele. Deus veio a nós. Sabendo que nunca, por nossas forças, poderíamos ter uma idéia certa sobre Sua verdadeira natureza, ele próprio Se revelou para nós, e mostrou-nos como conquistá-Lo; não pelo conhecimento, mas pelo amor. São segredos que só Deus poderia revelar-nos e Ele o fez, dando-se a nós"
Thomas Merton, Espiritualidade, Contemplação e Paz, p. 113
"Estar satisfeito com uma vida de bondade simples entre os que vivem à nossa volta exige uma total reorientação de valores. Envolve uma reestruturação geral de nossa perspectiva acerca do que é importante na vida. Somente a graça da simplicidade pode nos conferir essa perspectiva" p. 198
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"A moderação é uma coisa boa se a liberalidade estiver unida a ela. A primeira evita as despesas supérfulas, a última as aplica para o benefício dos que estão em necessidade" William Penn in p. 211
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"Se você prega o evangelho em todos os aspectos, mas exclui as questões importantes de sua época você não está pregando o evangelho" M. Lutero in p. 215
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"As decisões não precisam ser tomadas durante a reunião. Na verdade, é melhor aguardar até que a confirmação espiritual seja percebida pelo grupo. Depois que alguém expõe sua preocupação, todos do grupo passam a buscar uma solução de acordo com a mente de Cristo. Perguntas são feitas e questões são debatidas, mas também há louvor e oração. Um conselho nunca deve ser dado as pressas, pois isso pode distorcer a verdade em vez de conduzir a ela. As palavras devem brotar do poder de Deus manifestado no meio do grupo. Cada um deve ter a disciplina de jamais expressar o que seja mera opinião pessoal. Quem não consegue controlar a língua não está apto a participar deste tipo de reunião." p. 226
PRINCIPADOS E POSTESTADES
"principados e postestades mencionados por Paulo, contradizendo a ficção popular, não são apenas espíritos desencarnados que assobram casas, cidades e países à procura de oportunidades para fazer o mal"...O que o apostolo está dizendo é que , por trás deles -seres humanos-, existem realidades muito mais profundas, que os influenciam e motivam suas ações"
"Paulo está se referindo à inter-relação dinamica daquelas quatro realidades- personalidades humanas, poderes espirituais com autoconsciência, estruturas e politicas institucionais e todo contexto cultural. Voce e eu fomos convocados para uma batalha cosmica. Em Efésios 6, Paulo nos exorta a participar da guerra pacificadora do Cordeiro contra todos os principados e potestades do mal. Guerreamos de maneira consistente contra as estruturas demoniacas e poderes desonestos utilizando as poderosas armas de Efésios 6- verdade, justiça, fé, paz e oração. Atacamos o mal em todos os níveis- pessoal, social, estrutural e institucional-" p. 237-239
"O dízimo simplesmente não é um conceito radical o bastante para incorporar a indiferença por riquezas que marca a vida no Reino de Deus. Jesus Cristo é o Senhor de todos os nosso bens, não apenas de dez por cento. É possível obedecer a lei do dízimo sem lidar com o pecado da avareza, sentir que nosso pagamento mensal obedece à nova lei de Jesus e jamais cria raízes na cobiça e na ganância. É possível dar o dízimo e, ao mesmo tempo, oprimir os pobres e necessitados...
(p. 81)
"O aspecto mais traiçoeiro do ministério da contribuição é a falsa sensação de poder que ele proporciona....Uma importante sensação gerada pelo dinheiro é a de poder, temos nas mãos o futuro deste projeto ou daquela causa, e os outros sabem disso. Pior ainda, nós sabemos disso. O orgulho espiritual ergue sua horrenda cabeça no omento em que começamos a pensar que estamos no comando e acender os holofotes. O processo degenerativo continua até que vejamos nascer outro pseudo-salvador" p. 190
“A simplicidade cristã não é um modismo que busca respostas para o holocausto ecológico que ameaça engolfar todos nós, tampouco se constitui em algo nascido de nossa frustração com a obesidade tecnocrática. Ela é um chamado que se estende a todo cristão. O testemunho da simplicidade está profundamente arraigado à tradição bíblica e perfeitamente exemplificado na vida de Jesus Cristo".
"A santa obediência é a insaciável fome de Deus, que torna o cristão insatisfeito com qualquer coisa mneos preciosa que a pérola de grande valor. A santa obediência é o alegre despojamento de alguém que vende tudo que possui para comprar o campo."
De forma geral, quem se convertia até uns 30 anos atrás ainda deve lembrar do que a maioria dos pastores costumava bradar dos púlpitos: “Você tem que mudar tudo em sua vida para seguir a Jesus!” Mas alguma coisa aconteceu nas últimas décadas, e o discurso mudou. Para não criar antipatia contra o rebanho, nem afugentar potenciais fiéis, muitos líderes passaram a inverter a lógica, e garantem que não é preciso mudar nada para seguir a Jesus.
Para Dallas Willard , representante mais do que legítimo de uma multidão de pessoas preocupadas com os rumos da Igreja moderna, ninguém nasce de novo para continuar sendo o que era antes. Por isso a estranheza que tal falta de solidez espiritual lhe causa – fraqueza esta que, a seu ver, tem sido a ruína do povo de Deus. Afinal, não deveria ser comum encontrar um número tão grande de crentes envolvidos em pecados sexuais, improbidade financeira e tantos outros desvios morais.
O que falta a essa gente que carrega o nome de Cristo, mas se recusa a imitar o caráter do Salvador? A resposta está em A renovação do coração, no qual o autor do sucesso Conspiração divina (também publicado no Brasil pela Editora Mundo Cristão) defende o que chama “transformação do espírito”, um processo divino por meio do qual cada elemento do ser se harmoniza com a vontade do Criador.
Em linguagem objetiva, e ainda assim repleta de sensibilidade, Willard vasculha os processos e os componentes da natureza humana para propor um discipulado pessoal e o enfrentamento sem rodeios dos desafios à autenticidade da fé. O resultado, segundo ele, fica patente “quando todas as partes essenciais do ser humano são efetivamente organizadas em função de Deus, e por ele restauradas e sustentadas”.
Sobre o autor Dallas Willard é teólogo e professor da Escola de Filosofia da Universidade do Sul da Califórnia. Também foi professor na Universideade de Wisconsin. É graduado em Psicologia pela Faculdade William Jewell e em Filosofia e Religião pela Universidade Baylor, onde fez o doutorado. Suas obras filosóficas são concentradas nas áreas da Epistemologia e da Filosofia da Mente e da Lógica. Trabalhou também na Fundação C. S. Lewis e na Universidade de Biola. Saiba mais!
trechos:
A formacao espiritual repousa sobre esta fundação indispensável da morte do eu e não pode continuar a não ser que fundação esteja firmemente estabelecida e sustentada . (p. 76)
A ganância é auto-idolatria, pois torna os meus desejos supremos. Significa que eu poderia pegar o que quisesse caso fosse possível. Derrotar a ganância é aprendera nos alegrar por outros desfrutarem os bens que possuem. (p.77)
Mas andar com Jesus pelo caminho da autonegação rompe de imediato o encouraçado domínio do pecado sobre a personalidade humano e abre a estradas para uma restauração cada vez mais plena da bondade radical na alma. Tal situação da acesso a uma incrível e sobrenatural força para a vida. Porque devemos ser os agentes ativos desta progressão ‘de força em força´(Sl 84:7), é crucial que agora procuremos compreender os três principais componentes de qualquer processo de transformação espiritual. (p. 89)
Em todas as coisas que fazemos, somos autorizados a realizar a obra divina. O que almejamos nessa visão é habitar de modo completo no reino de Deus e tão completamente quanto possível aqui e agora, não apenas no futuro. (p. 103)
Os maiores santos não são os precisam menos da graça, mas os que mais consomem, os que de fato mais precisam dela,- os que estão impregnados por ela em todas as dimensões do seu ser. A graça para eles é como a respiração. (p.112)
Dallas Willard, A Renovação do Coração Ed. Mundo Cristão.
"É um desastre espiritual para o homem contentar-se com sua identidade exterior com a fotografia do seu passaporte. Sua vida resume-se apenas às suas impressões digitais?" Thomas Merton
"Para sermos perfeitamente o que Deus quer que sejamos, é-nos preciso ser com toda a verdade nós mesmos. Mas, para sermos nós mesmos, de verdade, temos que encontrarmo-nos em Cristo- o que só pode acontecer se nos perdermos Nele. É esta nossa grande vocação"p. 37
"Num sacrifício puro, o que realmente importa é a preferência do amor de Deus a tudo mais e o gesto mais efetivo é aquele que de modo mais claro e completo exprime essa preferência" p. 52
MERTON, Thomas Espiritualidade, Contemplação e Paz Ed. Itatiaia, 1962.
“O homem nao pode salvar-se a si mesmo, por mais heróicos que sejam seus sacrifícios, sem Cristo. Mas, em compensação, desde que se veja o sacrifício de Cruz como a verdadeira salvação, até o mínimo ato de caridade se torna precioso aos olhos de Deus- até um copo d´água fresca” p. 21
Dom Vonier: “Somente apreciam com justiça a Encarnação aqueles que consideram a humanidade de Cristo como a maravilha das maravilhas, uma criação soberba na qual tem seu ser, onde vivem, trabalham, morrem e na qual esperam ressuscitar e onde encontram a plenitude da Divindade, como Moisés encontrou o fogo na sarça” p. 16
“ser levado pelo Espírito Santo é viver na alegria, na confiança, na exultação e liberdade interior, pois o espírito de filiação divina é um espírito de liberdade”p. 28
WELLS, Mike Problemas, Presença de Deus e Oração Abba Press.
“A vida crista é de problemas, mas lembre-se de que cada problema passou pelas mãos de um Pai de amor e traz consigo mesmo antes de chegar, um propósito expresso e intrínseco” p 19
“Deus usa problemas para destruir nossos planos- que nunca nos trariam vida abundante- e conduzir-nos pela porta que nos leva pra Sua presença e verdadeira vida” p 26
“A resposta esta nEle e não em nos. Temos de nos concentrar nEle e não em nossos fracassos, frustrações ou ansiedade” p 28
“Precisamos permitir a cada circunstancia nos leve pra Presença de Deus, onde encontraremos nosso alivio” p 42
“Por que você sofre? Porque você não é um dos muitos chamados, mas um dos poucos escolhidos. Você sofre porque Deus em Seu amor o vê como alguém precioso e especial que Ele quer para si” p 47
“Somos ramos entregues pra videira, confiando nEle para tudo que precisamos” p 55
“Entrega não requer grande força, mas apenas abandonar-se pra força de Deus e viver diariamente consciente dela e experimentando-a” p 57
“Ser ofendido é um ingrediente crucial na vida do cristão porque quando a insolência dos outros não nos incomodar mais, saberemos que estamos vivendo a vida eterna” p 60
“A definição do Senhor de uma vida profunda não é pesada, mas é a de uma vida em que simplesmente Lhe entregamos nossos espíritos a cada momento” p 63
“Em nossos corações, a luz de Deus tem de se levantar a cada dia, e toda escuridão, inclusive o medo, desaparecerá” p 67
“O desejo de esperar em Deus enquanto nada se recebe, o dizer uma palavra gentil quando difamado ou mal interpretado, e a capacidade de amar os que não se consegue amar” p 108
“Somos aceitáveis porque a vida de Cristo, a única vida aceitável a Deus, habita em nos para se tornar nossa vida mesmo” p 111
“Quando tiver uma atitude de dependência total, o Pai o conduzira ao verdadeiro mana que vem do céu, porque Ele é o verdadeiro pastor que alimenta seu rebanho consigo mesmo” p 130 “Tenha fé na proximidade que Ele livremente concedeu habitando em você, e aja com base na segurança completa de que Ele esta perto” p 134 “Um dos segredos da vida permanente é o reconhecimento de que Cristo, agora é nossa vida, então o que é verdade sobre Sua vida torna-se verdade sobre nos” p 136
“Lutamos de, não para, uma posição de vitória. Compartilhamos de uma vida que venceu o inimigo” p 138 “Porque Ele se diz nossa vida! Ele esta conosco e em nos, Ele é a Videira e nos, os ramos, é assim porque Ele diz. Isso é fé! É suficiente! Não precisamos de prova experimental ou emocional, mas apenas que Ele o diga. Isso é a vida plena” p 160