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terça-feira, abril 12, 2016

Lucas 15:1-10 - As Pessoas ao Redor de Jesus

Lucas 15:1-10: Todos os publicanos e "pecadores" estavam se reunindo para ouvi-lo.  Mas os fariseus e os mestres da lei o criticavam: "Este homem recebe pecadores e come com eles". Então Jesus lhes contou esta parábola: "Qual de vocês que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma, não deixa as noventa e nove no campo e vai atrás da ovelha perdida, até encontrá-la? E quando a encontra, coloca-a alegremente sobre os ombros e vai para casa. Ao chegar, reúne seus amigos e vizinhos e diz: ‘Alegrem-se comigo, pois encontrei minha ovelha perdida’. Eu lhes digo que, da mesma forma, haverá mais alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam arrepender-se". "Ou, qual é a mulher que, possuindo dez dracmas e, perdendo uma delas, não acende uma candeia, varre a casa e procura atentamente, até encontrá-la? E quando a encontra, reúne suas amigas e vizinhas e diz: ‘Alegrem-se comigo, pois encontrei minha moeda perdida’. Eu lhes digo que, da mesma forma, há alegria na presença dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende".

Lucas 15 começa com os líderes religiosos vendo algo- que Jesus parecia atrair e ser amigo de coletores de impostos e pecadores,  pessoas moralmente reprováveis da sociedade respeitável. Lemos no verso 2 que eles murmuravam uns com os outros sobre isto. Podemos quase imaginar eles dizendo: "Ele recebe pecadores! Este tipo de pessoa nunca vai aos nossos encontros. Isto deve estar acontecendo porque ele deve estar falando o que eles querem ouvir. Ele não está chamando eles ao arrependimento ou à mudança.  Ao ouvir atentamente as três parábolas e, especialmente a última, a tradicionalmente chamada Parábola do Filho Pródigo, Jesus desafia os conceitos fundamentais de seus ouvintes sobre Deus, pecado e salvação. Ele dá a eles um novo modo de pensar sobre Deus e o mundo. Nesta semana vamos olhar para as primeiras duas parábolas. Vamos ver três tipos de personagens: 1. ouvintes indesejosos, 2. coisas perdidas e 3. buscadores alegres.

1. OUVINTES RELUTANTES.

VERSOS 1-3  
Havia dois grupos de pessoas ao redor de Jesus - coletores de impostos e pecadores e fariseus e doutores da lei.
O grupo religioso está especialmente ofendido que Jesus come com pecadores. A mesa da comunhão era considerada um sinal de aceitação e amizade. Como, eles pensavam, ele pode estar tão aberto para eles? Eles não percebiam eles eram pessoas ruins- que eram o problema real do mundo? (E, então, eles achavam que eram as pessoas boas?
Jesus não dá uma resposta direta e compacta. Ao invés disso, ele responde com três parábolas ou histórias. Isto é importante para entender que estas parábolas não ditas num vácuo. O propósito destas de todas estas parábolas era desafiar o ponto de vista dos fariseus.
Quando nós chegamos a última parábola, vamos entender que ambos os grupos de pessoas- pecadores e pessoas religiosas- estão representados na parábola. Isto é a razão da última história, é a resposta final de Jesus. Mas, isto fica para depois. Por ora, vamos ver como começa o desafio para as atitudes e categorias de pensamento dos fariesus nas duas primeiras histórias.

AS COISAS PERDIDAS- versos 4-5,8.

Primeiro, Jesus confronta suas categorias sobre o pecado.
Na parábola da ovelha perdida, o pastor sai para encontrar a ovelha. A ovelha é um animal estúpido que fica completamente vulnerável quando se perde. Na segunda parábola, o objeto perdido é a moeda, que é mais ainda incapaz de encontrar seu caminho de volta.
Os três objetos perdidos -a ovelha, a moeda e o filho- todos representam pessoas que estão espiritualmente perdidas, longe de Deus. Isto é Jesus caracterizando as pessoas que os fariseus viam como pecadoras.   Eles estão perdidos, ainda que sua perdição seja de modos diferentes. A ovelha se perde através de sua tolice, a moeda por causa de descuido e o filho através de sua obstinação.
Tomados juntos, isto é uma visão multi-dimensional do pecado.
Aqui vai um exemplo, o Sr. Smith tem um problema com raiva abusiva, ele geralmente sai na briga verbal até física com os outros. Por que?
1. O problema é genético? É uma questão de química cerebral? É parte de sua natureza inata, como no exemplo da ovelha?
2. Ou seu problema é resultado de um ambiente ruim? Talvez, é o resultado de pais ruins ou uma vida familiar complicada? Ele seria como a moeda, fui mal cuidado por seus donos?
3. Ou seu problema vem do egoísmo e orgulho, como o filho pródigo? A resposta é 
usualmente, varia de grau, sendo tudo acima.
O pecado é profundamente complexto. Ele está em nossa natureza, é magnificado pelo tratamento pecaminoso e está aprofundado e moldado em nossas próprias escolhas. A visão de Jesus do pecado é mais compreensiva e multi-dimensional que muitos psicólogos, sociólogos e líderes religiosos. É certamente mais compreensiva que a visão defendida pelos fariseus que ouviam a ele.

3. BUSCADORES ALEGRES- veros 6-7,9-10

Segundo, Jesus confronta suas categorias de salvação.
A maioria das pessoas pensa religião como uma busca da humanidade por Deus. Eles gostam de pensar a si mesmos como buscadores espirituais, como inquidores honestos. Olhamos para as religiões do mundo e, enquanto dão alguma direção diferente sobre como fazer isto, eles parecem todas concordar que se nós sinceramente buscarmos a Deus, vamos encontrar ele. Milhões de pessoas do mundo acreditam que crer e obedecer a lei de Deus na Bíblia, podemos encontrar Deus.
O problema é que qualquer um que sente que está suvando e encontrar a Deus vai naturalmente desdenhar aqueles que não estão fazendo nenhum esforço. Eles vão olhar para os pecadores e dizer, eu encontrei Deus! Se você tentar, você consegue. Eu consegui.
Mas, o evangelho bíblico discorda desta ideia. O pastor (com quem Jesus obviamente se identifica) deve ir buscar e salvar aquilo que está perdido ( Lucas 19:10). Assim também, a moeda perdida não podem buscar e achar seu dono, o dono é que encontra moeda.
Aqui está o primeiro golpe contra as categorias do mundo. Toda outra religião diz que podemos buscar e encontrar Deus se nós tentarmos o suficiente. Apenas o Cristianismo diz, não, Deus teve que vir neste mundo para buscar e salvar a gente. Salvação deve ser por sua graça, e não por nosso merecimento.
O fim de cada parábola desafia não apenas as categorias dos fariseus mas seus corações e atitudes. Um tem que aparece nas três parábolas é alegria de encontrar o perdido. Deus não olha para os perdidos espirituais do modo como os fariseus fazem. Porque os farisesus não enxergam a si mesmos como pecadores perdidos salvos pela graça, eles desdém pecadores. Eles se sentem superiores a eles. Mas, o céu se alegra quando pecadores são alcançados e achados. 

Jesus é o grande pastor, mais intencional e alegre que o pastor da parábola. Pois ele sabia que deveria morrer para trazer de volta o perdido para casa, pela alegria que estava proposta ele suportou a cruz e a vergonha (hb 12:22). A alegria que ele tem é fazer a vontade do Pai, e a alegria dele é nos encontrar, e ela era tão grande que desejou suportar a cruz para isto.
Fonte: The People Around Jesus- Timothy Keller 

"Deus não é passivo, não fica esperando que as pessoas se aproximem dele depois de terem a sua vida toda arrumada. Ele é o Deus que busca, que toma a iniciativa de trazer as pessoas de volta, independentemente do estado de perdição em que se encontrem" 

"Poucas coisas são mais importantes do que a percepção que temos de Deus, pois é a partir desse conhecimento que percebemos a nossa própria identidade, a forma como deveríamos pensar e agir, e a forma como o mundo deveria ser. Se Deus é um Deus que busca e se importa, então a sua graça deveria caracterizar a nossa autopercepção e o tratamento que dispensamos às demais pessoas. A consciência de que Deus nos procura gera liberdade e confiança na vida. O fato de sua graça determinar a forma como tratamos as outras pessoas deve fazer com que nos tornemos  preocupados e sensíveis para com o nosso próximo.  Tendemos a conhecer estas verdades de forma abstrata, mas não a traduzimos em prática nem  na maneira como vemos a nós mesmos, nem na forma como tratamos aos outras, tampouco na forma como organizamos a vida da igreja.  Somos mais propensos a considerar que Deus deve ser mais severo e que a nossa tendência seria a de nos preocupar muito mais com as noenta e nove do que com a ovelha extraviada.  Será que as pessoas perdidas, desobedientes e insignificantes sentem que Deus cuida delas e está a procura delas a partir do veem em nós? E será que sentem que nos importamos com elas?

Klyne Snodgrass, Compreendendo todas as parábolas de Jesus, CPAD, p. 171-172  

quinta-feira, março 10, 2016

Sinclair B. Ferguson: The Whole Christ: Legalism, Antinomianism, and Gospel Assurance—Why the Marrow Controversy Still Matters


O livro de Sinclair Ferguson toma como ponto de partida a Controvérsia Marrow (1718-1723), que começou quando o livro Marrow of Modern Divinity  de Edward Fisher foi republicado.

Os pontos da controvérsia tinham relação com a pregação do evangelho, a natureza da fé e da graça, o lugar da moral etc. A questão central da controvérsia era se  uma pessoa deve primeiro abandonar seus pecados para vir a Cristo.

Os que concordavam com Fisher entendiam que este abandono se colocaria como um precursor para a fé, e, deste modo, se oporia à livre oferta do evangelho. Por outro lado, seus opositores diziam que o evangelho só deveria ser oferecido àqueles que estivessem demonstrando evidências de estarem entre os alcançados por Deus.

Assim, como a controvérsia foi além da questão suscitada, o livro também vai além traçando as semelhanças entre o antinomismo e o legalismo e a diferença dos dois em relação ao evangelho.

Trechos:

Sobre a Tentação de Adão e Eva: 

O evangelho é designado para nos liberta desta mentira (da Serpente), por isto revela o que está por trás da vinda de Cristo e sua morte por nós é o amor do Pai que nos deu tudo que ele tinha: primeiro, seu filho que morre por nós, e, depois, seu Espírito para viver conosco... Aqui está a única cura genuína para o legalismo. É o mesmo remédio que o evangelho prescreve para o antinomismo: entender e provar a união com Jesus Cristo. Isto nos leva a um novo amor e obediência para com a lei de Deus. (pos. 418)


O ARMINIANISMO ( que Cristo morreu para tornar a salvação possível para todos)
0 AMIRALDISMO ( que Cristo morreu condicionalmente por todos, que deve realmente acreditar)


SOBRE A DISCORDÂNCIA DA CONTROVÉRSIA, FERGUSON CONCORDA POIS:

Primeiro, que em Jesus Cristo existe plenitude de graça para todos que virem até Ele. 
Segundo,  isto preserva a ênfase do Novo Testamento não apenas na riqueza da graça de Cristo mas também na liberdade da graça em Cristo.
Terceiro, 

"A falácia aqui? Há um sútil movimento em ver o abandono do pecado como um fruto da graça que está enraizado na eleição, fazendo do abandono do pecado o necessário precursor para experimentar a graça. O arrependimento, que é o fruto da graça, se torna, então, a qualificação da graça" (pos. 819)


Onde os benefícios de Cristo são visto de maneira abstrata de Cristo em si, há uma perca na sua pessoa e obra na pregação e nos livros que são publicados para alimentar a pregação. Isto é acompanhado por uma valorização de nossa experiência da salvação ao invés de ver a graça, majestade e glória do Senhor Jesus Cristo"  (pos. 863)


Esta separação dos benefícios do evangelho de Cristo, que é o evangelho, é também a mãe de muitas variedades de cristianismo de multíplos estágios em que a pessoa pode desfrutar alguma coisa, mas não tudo, de algumas bênçãos"

....

Primeiro, devemos entender que enquanto Cristo fica fora de nós, e estamos separados dele, tudo que ele sofreu e fez pela salvação da raça humana permanece inútil e não tem valor para nós (pos. 904)

....

...o Pai não nos ama porque somos pecadores, mas ele nos ama mesmo nós sendo pecadores. Ele  nos ama porque Cristo morreu por nós. E é por causa de seu amor que Cristo morreu por nós!... (pos. 1619)

....
ANTINOMISMO 


The Antinomian principle, That it is needless for a man, perfectly justified by faith, to endeavour to keep the law and do good works, is a glaring evidence that legality is so engrained in man’s corrupt nature, that until a man truly come to Christ, by faith, the legal disposition will still be reigning in him; let him turn himself into what shape, or be of what principles he will in religion; though he run into Antinomianism, he will carry along with him his legal spirit, which will always be a slavish and unholy spirit.









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terça-feira, agosto 04, 2015

Robert W. Thune: A vida centrada no Evangelho


A VIDA CENTRADA NO EVANGELHO de Robert W, Thune e Will Walker publicado pela Vida Nova  é dos melhores guias de discipulado e introdução ao Evangelho que vi em português. Escrito 9 lições, ele aborda temas centrais do que seria realmente uma vida centrada no Evangelho.
 

Alguns trechos:

CRESCER NO EVANGELHO

"Crescer no evangelho significa enxergar mais da santidade de Deus e mais do meu pecado. E por causa daquilo que Jesus fez por nós na cruz, não precisamos ter medo de ver Deus como ele realmente é ou  de admitir quão falhos realmente somos. Nossa esperança não está na nossa própria excelência, nem na vã expectativa que Deus vai abrir mão dos seus padrões e "baixar o nível". Pelo contrário, descansamos em Jesus como nosso perfeito Redentor, aquele que é nossa "justiça, santificação e redenção"(Cl 1:30)"".p.22

CRISTIANISMO DE DESEMPENHO.

"O cristianismo de desempenho é realmente uma minimização da santidade de Deus. A ideia de que podemos impressionar Deus com a nossa vida correta mostra que temos rebaixado seus padrões a muito menos do que eles realmente são. Em vez de ficarmos admirados com a medida infinita de sua santa perfeição, temos nos convencido de que, se nos esforçarmos bastante, podemos merecer o amor e a aprovação de Deus" p. 31

MARTINHO LUTERO E A JUSTIÇA PASSIVA:

"Chama-se justiça passiva porque não temos de labutar por ela ... Não é uma justiça pela qual trabalhamos, mas a justiça que recebemos pela fé. Essa justiça passiva é um mistério que alguém não conhece a Jesus não consegue entender. Aliás, nem os cristãos têm uma compreensão completa dela e raramente usufruem dela na vida diária ... Quando existe qualquer medo ou nossa consciência fica perturbada, isso é sinal de que perdemos de vista nossa justiça passiva e Cristo está oculto.
A pessoa que se afasta da justiça passiva não tem outra escolha senão viver pela justiça das obras. Se não depender da obra de Cristo, terá de depender de sua própria obra. Portanto, temos de ensinar e continuamente repetir a verdade dessa justiça passiva ou cristã para que os cristãos continuem a crer nela e jamais a confundam com a justiça das obras"  Martinho Lutero na p. 36

BOA NOTÍCIA

"A boa notícia do evangelho não é o fato de que Deus dá muita importância para nós, mas, sim de que ele nos liberta para dar muita importância para Jesus."
  p. 36

"Quando abraçamos o evangelho dessa forma, o padrão infinito da santidade de Deus já não mais nos amedronta ou intimida. Ele leva à adoração, porque Jesus o satisfez por nós. Nossa identidade está nele. A boa notícia do evangelho não é que Deus nos favorece por causa de quem somos, mas que ele nos favorece apesar de quem somos" p. 37

LEGALISMO E LICENCIOSIDADE.

"Os legalistas continuam a viver sob a lei, acreditando que a aprovação de Deus depende, em alguma medida, de sua conduta correta. Pessoas licenciosas dispensam a lei, acreditando que, uma vez que estão debaixo da graça, as regras de Deus não tem importância.(...) a lei nos impulsiona na direção do evangelho e o evangelho nos liberta para obedecer à lei" p. 41

LUTERO E A LEI

"A lei corretamente entendida e bem compreendida, não faz nada mais do que nos lembrar do nosso pecado e nos assassinar por meio dele, e nos faz sujeitos à ira eterna...A lei não é cumprida pelo próprio poder do homem, mas unicamente mediante Cristo, que derrama o Espírito Santo em nossos corações. Cumprir a lei....é fazer suas obras com prazer e amor..que são postos no coração do homem" p. 42


PECADO

"O pecado é uma condição, e não apenas um comportamento. Da mesma maneira, o verdadeiro arrependimento é um estilo de vida, e não apenas uma prática ocasional. O arrependimento não é algo que fazemos apenas uma vez (quando somos convertidos), ou apenas periodicamente (quando nos sentimos muito culpados). O arrependimento é contínuo, e o toque divino que nos mostra o nosso pecado é sinal do amor paternal de Deus por nós "Eu repreendo e castigo a todos quantos amo: sê pois zeloso e arrepende-se" (Ap. 3:19)" p. 51

PERDÃO 

"O perdão tem um custo, pois significa cancelar uma dívida quando temos todo o direito de exigir seu pagamento. Significa absorver a dor, o prejuízo, a vergonha e o pesar do pecado de alguém contra nós. Significa desejar arrependimento e restauração. Mas é exatamente assim que Deus, em Jesus Cristo,tem agido em relação a nós. E por meio do evangelho, o Espírito Santo nos capacita a fazer o mesmo em relação aos outros" p. 58







domingo, abril 27, 2014

TRANSFORMATIONAL DISCIPLESHIP: how people really grow

Este é um comentário sobre o livro TRANSFORMATIONAL DISCIPLESHIP: how people really grow  escrito por Eric Geiger, Michael Kelley e Phillip Nation publicado pela BH Books em 2012.

O livro como seu outro livro genitor TRANSFORMATIONAL CHURCH é todo baseado em pesquisas sobre modelos e igrejas que possuem um discipulado que seja realmente eficiente.

Em suma, é um livro muito bom que oferece algumas explicações básicas sobre o evangelho e como ele opera na vida das pessoas. Como também o evangelho além de transforma as pessoas, modela a comunidade. 

A tese é que o discipulado é mais do que o repasse de informações ou uma mudança de comportamento.

Algumas igrejas que pensam no primeiro modelo, acreditam que o discipulado seria um modo de transferência de conhecimento bíblico levando a um paradigma mais informativo e não transformativo. O resultado seria apenas conhecimento sem obediência.

 Por outro lado, quem trabalho no aspecto comportamental não há uma transformação sincera, seria apenas um ajuste comportamental que não trabalha as estruturas internas das pessoas.

Eles defendem um discipulado para transformação de pessoas, a partir do Evangelho, que confia no poder regenerador  do Espírito Santo e acredita que Jesus irá trazer a mudança.

No capítulo 3,  "transformational sweet spot" vem a síntese de como os autores entendem ser um discipulado que transforma quando líderes saudáveis dão a verdade ao discípulo que está em uma posição vulnerável (p. 82). Então, são três pontos:  Verdade (disciplinas com identidade no Evangelho),  Líderes e Postura (fraqueza interdependente de alguém). 

O restante do livro é para analisar como cada um desses princípios se desenvolve num discipulado que transforma:

Na parte 1 sobre a verdade, há uma retomada do conceito de evangelho distinto de um conceito de melhora de vida, mas uma volta ao evangelho em sentido da morte de Jesus como expiação e substituição, há uma clara influência dos escritos de Tim Keller, há até uma nota em que os autores dizem que tudo que ele escreve deve ser lido (p. 228).

Eles dividem a parte da verdade em : as lentes do evangelho, como o evangelho muda o modo como vivemos a vida, 

As lentes da identidade, como o evangelho muda o modo como pensamos a respeito de nós mesmos:

"A salvação começa com a justificação quando  Cristo Sua própria retidão e termina com a glorificação quando os crentes gozam a eternidade sem a presença do pecado. O processo entre os dois é a santificação. Santificação é o processo de sermos feitos santos pelo Único que nos declarou santos e andamos em novidade de vida por causa que Ele nos fez novos. Deus é perfeitamente aquele que nos já declarou-nos perfeitos e continuamente purifica aqueles que Ele já fez puros através de Cristo" (p. 95)

"Ao invés de começar com comportamento, os líderes devem lemvrar as pessoas quem elas são em Cristo. Isto conecta os mandamentos de Deus com a identidade que Ele assegura aos seus seguidores, apresentando a obediência como um fluir do entendimento e da vida da nova natureza que Cristo nos deu" (. 96)

Ele termina este capítulo lembrando quatro aspectos de nossa identidade: noiva, embaixador, estrangeiro e escravos.

As lentes da disciplina, aqui há uma visão de sinergia entre humilharmos a nós mesmos e a presença de Deus. É o ponto da postura humilde, vulnerável que devemos ter no discipulado, como algo intencional e não passivo.

"As lentes da disciplina é um caminho de ver tudo através da obra do evangelho. É priorizar a obra de Deus, humilhando a nós mesmos diante disto, e fazendo nós mesmos sempre disponíveis para aquilo que está sendo realizado através de nós" (p. 118)

Na parte 2, os autores vão falar da postura que se releva em três posturas principais: a da fraqueza, da intedependência e da para fora (outward). Há uma posição de depravação total diante da graça de Deus que leva a fraqueza.

 No capítulo sobre interdepência, há uma posição brilhante sobre que a fé é algo pessoal mas não privado, sendo que uma comunidade transformadora é mais do que uma associação é uma participação de pessoas, que são parceiras no crescimento espiritual.

 Para fora, é o propósito de crescimento, lembrando que uma das identidades do cristão é embaixador.

A liderança deve se lembrar que vive pelo poder do evangelho e também está sujeita a fraquezas, interdepência e ser para fora.

segunda-feira, agosto 12, 2013

Steve Timmis e Tim Chester: IGREJA TOTAL

Igreja Total está baseado em duas premissas indissociáveis: no Evangelho e na Vida em Comunidade.

Por que o Evangelho?
 
"Na igreja, o Cristo ressurreto governa por meio da sua palavra. Isso porque a única habilidade exigida dos líderes da igreja é que eles possam ensinar, aplicando corretamente a palavra de Deus. A autoridade deles é uma autoridade mediada. Eles não possuem autoridade em si mesmos. Antes, exercem a autoridade de Cristo no nome dele, na medida em que ensinam e aplicam a palavra. Isso define a incrível extensão da autoridade deles: quando aplicam a palavra, exercem a autoridade do próprio Deus". (p.29)

O evangelho é uma palavra, portanto a igreja deve ser centrada na palavra.

 Por que  Comunidade?

"A individualidade divina é definida em termos relacionais. O Pai é o Pai porque tem um Filho. Deus é parte de uma comunidade. A individualidade humana também é definida em termos relacionais. A existência de uma pessoa sem relacionamentos é tão impossível quanto a de uma mãe sem filhos ou um filho sem pais" (p. 40)

"Deus é um Deus missionário, e a sua principal metodologia missionária é sua aliança com as pessoas. A humanidade foi feita à imagem do Deus trino. O propósito de uma imagem é  representar algo, e fomos feitos para representar Deus na terra. Deus nos fez pessoas que são parte de uma comunidade para sermos o veículo por meio do qual ele revelaria sua glória. Mas a humanidade buscou autonomia de Deus. Caímos sob a maldição de Deus, e a comunidade humana foi quebrada. Os portadores da imagem de Deus não alcançaram sua glória" (p. 47)

A Comunidade se move por todo o globo (um movimento centrífugo), o tempo todo atraindo pessoas para o Senhor por meio da sua vida comum (movimento centrípedo) (p.49)

"Nossa identidade como seres humanos é encontrada na comunidade. Nossa identidade como cristãos é encontrada na nova comunidade de Cristo. E nossa missão é realizada por meio das comunidades da luz. O cristianismo é igreja total". (p. 50)

Evangelismo.

"Por sua vida, criada e transformada pelo evangelho, a igreja revela a natureza do governo de Deus. Por essa vida e proclamação do evangelho, ela chama as nações a adorarem a Deus" (p. 55)

A comunidade cristã é uma parte vital da missão cristã, a missão se dá na medida em que as pessoas veem nosso amor uns aos outros. A vida da comunidade cristã é parte da forma pela qual o evangelho é comunicado. Aqui ele cita Lesslie Newbigin, que diz que a congregação local seria como a hermenêutica do evangelho.

Os três fios do evangelismo seriam:  construir relacionamentos, compartilhar o evangelho e apresentar as pessoas à comunidade cristã.

A vida em comum com intencionalidade evangélica, para os autores, a maior parte do ministério evangélico envolve pessoas comuns fazendo coisas comuns com intencionalidade evangélica, o comum precisa ser saturado com um compromisso de viver e pregar o evangelho.


Envolvimento Social

Para os autores, o evangelismo e a ação social são atividades distintas, a proclamação é central e o evangelismo e a ação social são inseparáveis.

"Nossa prioridade  em termos de envolvimento social é sermos igreja, uma comunidade de acolhimento e inclusão de marginalizados. Isso precisa ser mais profundo do que um aperto de mão na porta da igreja. As pessoas muitas vezes não têm consciência do quanto da cultura da igreja é adaptada à classe social. Uma pessoa na porta de uma igreja pode, por exemplo, entregar um hinário, uma Bíblia, um boletim a um visitante com um sorriso, cumprimentando-o, sem se dar conta de quão intimidante isso pode ser para alguém que vem de uma cultura não alfabetizada. As atividades sociais para as quais os pobres são convidados, o processo de tomada de decisão da igreja, as regras do vestuário não escritas, o estilo de ensinar - isso tudo pode ser estranho aos marginalizados. Assim, mesmo que haja acolhimento, os pobres podem se sentir tão marginalizados dentro da igreja quanto fora dela" (p.81)

"O mundo estimula o intelecto dos profissionais, a influência dos poderosos e a nobreza das classes mais altas, pensando que essas coisas são importantes. Mas nós nos gloriamos em Cristo Jesus" (p. 83)

Plantação de igrejas.

"A igreja local é o agente da missão. É o contexto em que as pessoas aprendem o discipulado. Não pode haver uma missão cristã sustentável sem comunidades cristãs locais sustentáveis. A vida da comunidade cristã faz parte da mensagem do evangelho de reconciliação e da maneira como essa mensagem é comunicada" (p. 88)

"Reproduzir igrejas constantemente era o modelo das igrejas apostólicas, mas era um modelo que deu plena expressão aos princípios da comunidade cristã. De certa forma, o modelo domiciliar define a igreja. A igreja é a casa de Deus." (93)

Uma visão de crescimento de igrejas deve ser uma visão de plantação de igrejas, toda a igreja local deve ter o objetivo de transplantar e levantar plantadores de igreja.

Missão Mundial

"A esperança é essencial à nossa mensagem. Os não-cristãos promovem a justiça e alimentam os famintos muitas vezes com mais energia do que os cristãos. Mas somente os cristãos podem conduzir as pessoas em direção ao mundo vindouro. Somente os cristãos podem lhes mostrar quão eloquente e relevantemente a Bíblia descreve o mundo que todos queremos" (p.102)

"A igreja é a estratégia missionária de Deus. No coração do plano de Deus para abençoar as nações, está o povo de Deus. A igreja é formada pela missão e para a missão (...) O Novo Testamento fala da igreja em dois sentidos. Primeiro, a igreja é a congregação celestial continuamente reunida ao redor do trono de Deus. Segundo, são chamadas de igreja congregações locais que mostram a realidade dessa igreja celestial. (...) Sabemos que a vinda do Reino de Deus é uma boa notícia devido ao tipo de reino que o Rei exerceu na terra. Sabemos que essa continua sendo uma boa notícia por meio das comunidades que ele cria, as quais vivem uma vida plena e servem de modelo para o seu reino. É por isso que podemos falar da igreja como a estratégia missionária de Deus. E isso significa igrejas locais de verdade!" (p. 103)

Tornou-se comum fazer uma diferenciação entre a a missão de Deus - missio Dei - e a missão da igreja - missio ecclesiae.  Contudo, a a missão da igreja deve estar envolvida na atividade de Deus no mundo.

"Hoje, o poder militar e econômico das nações ocidentais lutam contra a ameaça do terrorismo internacional. A derrota de um inimigo composto por células locais, trabalhando em prol de uma visão em comum com grande autonomia, mas valores compartilhados, tem se demonstrado difícil. Eles são flexíveis, interessados, oportunistas, influentes e eficazes. Juntos, parecem ter um impacto muito maior no nosso mundo do que teriam se fizessem parte de uma organização estruturada e identificável. As igreja podem e devem adotar esse mesmo modelo de grande impacto na medida em que trava paz no mundo" (p. 108)

Discipulado e Treinamento.

O batismo é um ato de comunidade e não solitário. É o modo como experimentamos a vida conjunta e compartilhada da Trindade. E nos tornamos parte do povo de Deus.

"Para sermos uma comunidade de luz da qual a luz de Cristo emanará, precisamos ser intencionais nos nossos relacionamentos; amarmos os não amáveis, perdoarmos os imperdoáveis, acolhermos os repulsivos, incluirmos os desajeitados e aceitarmos os excêntricos. É nesse contexto que pecadores são transformados em discípulos que obedecem a tudo que o Rei Jesus ordenou" (p.111)

"Ser centrado na palavra significa que a palavra de Deus tem prioridade com relação à tradição e aos costumes. Muitas igrejas afirmam ser centradas na palavra, na prática, são centradas nas tradições" (p. 114)

A igreja local é o contexto em que podemos obedecer fielmente aos mandamentos e demonstrar o poder do governo do Rei.


Aconselhamento Pastoral

"Este livro é um chamado à dupla fidelidade, à palavra do evangelho e à comunidade do evangelho. Acreditamos que a palavra do evangelho e a comunidade do evangelho não nos decepcionam no que diz respeito ao aconselhamento pastoral! Juntas elas nos fornecem uma estrutura segura dentro da qual é possível abordar questões pastorais" (125)

Então, há a suficiência tanto do evangelho como da comunidade do evangelho. Primeiro, o aconselhamento pastoral é a capacidade de dirigirmos a palavra do evangelho aos problemas das pessoas.

A comunidade cristã fornece o contexto em que aprendemos o significado de sermos pessoas como parte de uma comunidade e o contexto em que casamentos podem prosperar.

Espiritualidade.

Os autores possuem uma visão negativa da contemplação.

"A espiritualidade bíblica não tem a ver com contemplação, mas com a leitura da palavra de Deus e meditar sobre ela. Não tem a ver com o silêncio, mas com uma súplica apaixonada. Não tem a ver com solitude, mas com a participação na comunidade. Em outras palavras, a espiritualidade bíblica reflete a dupla fidelidade que defendemos durante este livro: está centrada no evangelho e radicada no contexto da comunidade cristã" (p. 135)

A seguir, eles colocam alguns constrastes:

a bíblia em vez de contemplação- espiritualidade centrada na palavra.
a súplica em vez do silêncio - espiritualidade centrada na missão.
a comunidade em vez da solitude - espiritualidade centrada na comunidade.

"Não encontramos Deus na quietude, mas sim na sua palavra. Não estamos mais próximos de Deus em um jardim, estamos mais próximos de Deus em sua palavra (Dt 30.14)" (135)

"Na tradição mística e contemplativa, o objetivo da espiritualidade é a união com Cristo. A união com Cristo é alcançada por meio de disciplinas ou uma série de etapas espirituais. A imagem de uma escada é muitas vezes utilizada como ilustração. A espiritualidade evangélica é exatamente o oposto. A união com Cristo não é o objetivo da espiritualidade, mas a base da espiritualidade. Não é alcançada por meio de disciplinas ou etapas, elas nos é dada por meio da fé como a uma criança" (p. 137)

"A espiritualidade bíblica não ocorre em silêncio, mas ao carregarmos a cruz. Não é uma espiritualidade de isolamento, mas de envolvimento. Não a praticamos em um retiro ou em uma casa reclusa, praticamo-la em meio às vidas quebrantadas" (p. 139)



segunda-feira, fevereiro 04, 2013

Como a graça transforma?




Evangelho na Vida: como a graça transforma a idolatria.

1João 5.21   Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém!
1.  
     No princípio, a Idolatria.


Os seres humanos foram criados para adorar e servir a Deus e governar sobre todas as coisas (Genesis 1:26-28)

Romanos 1:23-25:  E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.  Pelo que também Deus os entregou às concupiscências do seu coração, à imundícia, para desonrarem o seu corpo entre si;  pois mudaram a verdade de Deus em mentira e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém!

Por causa do pecado, adoramos e servimos as coisas criadas, e assim, as coisas governam sobre nós. Quando buscamos nossa salvação, satisfação e segurança em qualquer coisa que não seja Deus. Fazemos de algo nosso deus, e começamos a servi-lo e adora-lo.

O nosso coração é uma fábrica de ídolos (Jr 2:13, Is 44:10-13, Sl 24:3-4, Rm 1:18-25, Gl 4:8-9)

Êxodo 20.3   Não terás outros deuses diante de mim.

Na raiz de todo pecado está a idolatria. Só podemos pecar contra os mandamentos se antes quebrarmos os dois primeiros, não adorar a Deus e começar a adorar a outra coisa.

2.       Identificando a idolatria.

Qual é seu maior pesadelo?  Do que você se orgulha?


Qualquer coisa, boa ou má, pode ser objeto de nossa idolatria: família, sucesso, ministério como também drogas, bebidas, poder.


Se você busca
Seu maior pesadelo
Seus amigos se sentem
Seu problema emocional
PODER (sucesso, vitória, influência)
HUMILHAÇÃO
USADAS
RAIVA
APROVAÇÃO (afirmação, amor, relacionamentos)
REJEIÇÃO
SUFOCADAS
COVARDIA
CONFORTO (privacidade, liberdade)
STRESS, QUESTIONAMENTOS
NEGLIGENCIADAS
TÉDIO
CONTROLE (segurança, certeza)
INCERTEZA
CONDENADAS
PREOCUPAÇÃO

3.  
     Destronando os ídolos.

Romanos 6.14   Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.

a.     Arrependa-se de seus ídolos: identifique-os em sua vida, veja que não são o que prometem ser, que eles são perigosos e só te escravizam.

b.     Descanse e se alegre no Senhor:  olhe para obra salvadora de Jesus, busque a alegria, a satisfação e segurança verdadeira para sua vida.


Em momentos de raiva, covardia, tédio e preocupação lembre-se a presença de Jesus em você.

Medite esta semana em Mateus 18:21-35 e 26:36-46, João 15:9-17 e 17:13-26

terça-feira, janeiro 29, 2013

Tim Keller: A obra da renovação pelo evangelho.


No capítulo 6 de Center Church, pastor Tim Keller ainda está comentando a respeito da renovação pelo Evangelho.  Agora, ele irá falar sobre os aspectos práticos através do qual o Espírito Santo transforma vidas e igrejas, e também sobre a pregação e sinais da evidência de uma renovação pelo evangelho.

Os significados de uma renovação pelo Evangelho.

A fonte última do avivamento é o Espírito Santo, ele usa muitos instrumentos para produzir isto.

Oração extraordinária.

Uma oração unida, persistente e centrada no reino. O importante aqui não é o número de pessoas, mas a natureza da oração. 

Ele cita a diferenciação de C. John Miller de orações de manutenção e orações de linha de frente.  Orações de manutenção são pequenas, mecânicas e focadas nas necessidades físicas de dentro da igreja. Em contraste, oração de linha de frente são:

1. pedido pela graça para confessar pecados e nos humilharmos.
2. compaixão e zelo pelo florescimento da igreja e alcançar os perdidos.
3. desejo de conhecer a Deus, ver sua face, ter um vislumbre da sua glória.

Estas distinções são poderosas, podemos ver elas em uma reunião de oração. As orações bíblicas por avivamento estão em Ex 33, Nee 1, At 4, os três elementos estão claros lá. Em Atos 4, após serem ameaçados, os discípulos não pedem por proteção, ele pedem corajem para continuar pregando! 

Redescoberta do Evangelho.

A ênfase no novo nascimento e na salvação apenas pela graça. Martin Lloyd-Jones, citado por Keller, lembra que o evangelho que enfatiza a graça poderia se perder por muitas formas, a igreja poderia se tornar heterodoxa, e perder alguns ensinos ortodoxos como a natureza triuna de Deus, a deidade de Cristo, a ira de Deus e assim por diante. Alguns poderiam pensar que a crença na justificação pela fé somente e a necessidade de conversão é apenas uma questão de membresia ou viver com base no exemplo de Jesus. Isto corta o nervo da renovação pelo evangelho e avivamento. Contudo, é possível subscrever toda doutrina ortodoxa e ainda assim, falhar em comunicar o evangelho para os corações das pessoas numa forma que leva ao arrependimento, alegria e crescimento espiritual. Um jeito que isto acontece é pela ortodoxia morta, em que o orgulho cresce pela correção doutrinária, que gera uma igreja de justiça por obras.

Lloyd-Jones também fala de uma ortodoxia defeituosa e uma inércia espiritual, algumas igrejas seguram doutrinas mas com desequilíbrios e falta de uma ênfase adequada. Muitos ministros gastam mais tempo defendendo a fé do que a propagando-a.  Ou, gastam muita energia com questões como profecias, dons espirituais, criação e evolução. Mas as doutrinas da graça e da justificação e da conversão não são tão enfatizadas, não se conecta com a vida das pessoas. As pessoas vêem estas doutrinas, mas não enxergam. É possível tirar um num teste doutrinário e descrever adequadamente as doutrinas da salvação, e ainda assim, ser cego para seu poder e implicação verdadeiros.

Quando isto é aplicado aos corações, cristãos nominais são convertidos,  cristãos letárgicos e fracos se tornam fortes, e não crentes são atraidos para a novamente bela congregação.

Um dos grandes veículos que levaram ao primeiro avivamento em Northampton, Massachutes, foi dois sermões de Jonathan Edwards em Romanos 4:5 - Justificação apenas pela fé=- em novembro de 1734. Para John Wesley e Whitefield, os líderes do avivamento britânico, o entendimento da salvação pela graça, ao invés do esforço moral, que tocou as pessoas para uma renovação e as fez agentes de avivamento.

Aplicação do Evangelho.

Primeiro, a igreja recupera o evangelho através da pregação. A pregação é onde o grande número de pessoas da igreja está exposto. Existem algumas partes da escritura melhores para pregar o evangelho que outras? Não, de forma alguma. Qualquer oportunidade que você prega Cristo e sua salvação como o significado do texto ao invés de simplesmente expor os princípios bíblicos para a vida, você está pregando através da renovação. Pregar desta forma não é fácil. Mesmo aqueles que estão compromissados com uma pregação cristocêntrica tendem a fazer sermões inspirativos em Jesus, com pouca aplicação. Entender isto é um tópico enorme para digerirmos. Aqui Keller aconselha o livro de Bryan Chappell.

O segundo modo como um pastor recupera o evangelho é através de treinamento dos líderes leigos para ministrar o evangelho para os outros. Os componentes são aqui são conteúdo e contato.  Como conteúdo, Keller cita seu próprio livro Deus pródigo e o capítulo a verdadeira fundação de Depressão Espiritual de Lloyd-Jones. Por contato de vida, é o aconselhamento e encontros para ajudar os líderes a se arrependerem de seus ídolos e sua auto-justiça. Quando a ficha do evangelho cair, você terá os efeitos.

Uma terceira forma é enjetar um elemento experimental num pequeno grupo ou em grupos dedicados a isto. As pessoas precisam de um momento de comunhão e estudo juntas em grupos pequenos, Wesley e Whitefield aconselhavam isto. 

A quarta forma é através da conversação, a renovação pelo evangelho se espalha pela igreja pelas pessoas que contam sua renovação umas para as outras, quando um cristão compartilha como evangelho transformou sua vida.

O quinto modo de aplicação é que os pastores e lideres saibam usar o evangelho no coração das pessoas no aconselhamento pastoral.  Busque saber qual é conhecimento e sentimentos do aconselhado a respeito do evangelho, procure formas de auto-justiça e ajude as pessoas a saírem disto.  O evangelho deve ser usado para cortar tanto o moralismo como a licenciosidade que destrói a vida e o poder espiritual.


Inovação do Evangelho.

Outro fator importante é a inovação e a criatividade. O avivamento acontece pelos meios instituídos como a pregação, pastoreio, adoração e oração. É muito importante reafirmá-los. O Espírito Santo pode usar estes meios para conversões extraordinárias e trazer um crescimento significante na igreja.

Contudo, quando estudamos a história dos avivamentos, vemos novos métodos de comunicar o evangelho. No grande avivamento, dois ministros começaram a pregar em público e usaram encontros de pequenos grupos.  Como também o uso de inovações tecnológicas como a imprensa. Nenhum avivamento repete as experiências do passado, seria um erro identificar um método específico com avivamentos. 

Embora, os meios principais continuam sendo teológico - redescoberta do evangelho- e ordinários- pregação, oração, comunhão e adoração - Devemos procurar novos modos para a proclamação do evangelho que o Espírito Santo possa usar em nosso momento cultural. 

Pregação para uma renovação pelo Evangelho.

Keller coloca cinco características que definem esta pregação:

1. Pregue distinguindo  religião do evangelho. Uma pregação efetiva irá criticar tanto a religião como a irreligião, e também vai direcionar ao problema central da idolatria ajudando os ouvintes olhar além de seu comportamento, para as motivações e ver como o evangelho está funcionando ou não em seus corações.

2. Pregue tanto a santidade como o amor de Deus para transmitir as riquezas da graça. A pregação não deve enfatizar apenas o julgamento de Deus, a santidade e retidão - como pregadores moralistas- ou enfatizar apenas o amor e a misericórdia de Deus - como os pregadores liberais-. Apenas quando as pessoas enxergam Deus como absolutamente santo e absolutamente amoroso, a cruz irá transformá-los.  Jesus era tão santo que teve de morrer por nós, nada menos poderia satisfazer sua santidade e retidão. Mas ele era tão amoroso que ele estava satisfeito em morrer por nós, nada menos poderia seu desejo de nos ter como seu povo. Isto nos humilha do nosso orgulho e egoísmo, e ainda assim, ao mesmo tempo, nos afirma de nosso desencorajamento. Isto nos leva a odiar o pecado e ao mesmo tempo nos proibe de odiarmos a nós mesmos.

3. Pregue não apenas para deixar a verdade clara, mas também, para deixá-la real. Quando vemos como Paulo busca crescer a generosidade das pessoas apelando para como elas conhecem a generosidade e graça de Cristo - 2Co 8-. Em outras palavras, se os cristãos são materialistas, não é uma mera falha da vontade, a falta de generosidade vem de que eles realmente não entenderam como Jesus se fez pobre por eles, como nEle temos todas as riquezas e tesouros. Não pregue simplesmente o que as pessoas devem fazer, você deve apresentar Cristo de tal forma que ele captura o coração e a imaginação mais do que as coisas materiais. Isto toma não só uma apresentação intelectual mas uma apresentação da beleza de Cristo.
Para Jonathan Edwards, o maior problema espiritual dos crentes é que enquanto eles tem uma noção intelectual de muitas doutrinas, estas não são reais para seus corações e não influenciam seu comportamento. No caso do materialismo, o poder do dinheiro para trazer segurança é mais espiritualmente real que o amor de Deus e sua providência. 
D. Martyn Lloyd-Jones sumariza isto dizendo: o primeiro e primário objeto da pregação é produzir uma impressão. Esta é a impressão que com o tempo importa, ainda mais quando você pode lembrá-la depois. 

A questão da pregação é tornar o conhecimento vivo.

4. Pregue Cristo de todo texto. 
A maneira principal para evitar uma pregação moralista é estar certo que você sempre estará pregando Cristo como o ponto principal e mensagem de cada texto. Se você não apontar Cristo para seus ouvintes antes do fim de cada sermão, você dará a impressão que o sermão é sobre eles, sobre o que devem fazer. Contudo, nós sabemos de textos como Lucas 24:13-49,  que Jesus entendia cada parte da Bíblia como apontando para Ele e sua obra de salvação. Isto não é uma sugestão que cada autor de cada passagem intencionalmente fez referências a Jesus mas se você entender o texto todo em seu sentido canônico é possível discernir as linhas que estão apontando para Cristo.
Por exemplo, em Juízes 19, temos um texto de um levita cercado por homens violentos que para salvar sua própria vida, oferece sua concubina para ser estrupada. Não há como falar deste texto sem dizer que é um fato horrível, uma direta contradição ao que a Bíblia ordena aos maridos. Um marido deve proteger sua esposa - Ef 5. Como? O autor de Juízes não saberia  como nós sabemos, que verdadeiro esposo temos quando olhamos para Jesus, Paulo diz isto em Efésios 5. Apenas mostrar que devemos ser bons maridos não é o bastante, devemos apontar para Cristo que nos fará livres do medo e do orgulho que nos faz maus esposos. 
No fim há duas questões que devemos fazer quando lemos a Bíblia: é sobre mim? Ou é sobre Jesus? Em outras palavras, a Bíblia é basicamente sobre o que devo fazer ou sobre o que Ele fez?  Pense na história de Davi e Golias, se eu leio como uma história sobre mim, é uma exortação para termos fé e coragem para lutar com os gigantes. Mas, se eu aceito que Bíblia é sobre o Senhor e sua salvação, e se leio Davi e Golias sobre esta luz, ela lança uma multidão de coisas em evidência!  O ponto central desta passagem do Velho Testamento é que os israelitas não poderia se opor ao gigante por si mesmos. Ao invés disto, eles precisavam de um campeão que poderia lutar em seu lugar- um substituto que iria enfrentar o perigo mortal em seus lugares. E o substituto que Deus providenciou não era uma pessoa forte, mas fraca- um garoto que mal cabia numa armadura. Ainda assim, Deus usou esta fraqueza libertadora como meio para trazer destruição ao risonho e super confiante Golias. Davi triunfa através de sua fraqueza e sua vitória é imputada para seu povo. E assim também Jesus. Através de seu sofrimento, fraqueza e morte que o pecado foi derrotado. Esta  história vívida e envolvente nos mostra que significa quando declaramos que estamos mortos com Cristo - Rm 6:1-4- e ressuscitamos e nos assentamos com Ele (Ef 2:5-6). Jesus é o perfeito campeão, nosso verdadeiro campeão, que não apenas arriscou sua vida por nós, mas deu ela. E agora sua vitória é a nossa vitória, e tudo que ele conquistou foi imputado para nós.

5. Pregue tanto para cristãos como para não cristãos. Keller conta a influência de Lloyd-Jones em sua pregação, com que aprendeu que não se deve pregar para a congregação apenas para o crescimento espiritual, assumindo que todos são crentes, e nem pregar um sermão evangelístico, pensando que os crentes não podem crescer com ele, Evangeliza como você edifica e edifica como você evangeliza.


Os sinais da renovação.

O avivamento acontece quando as pessoas que já conhecem o evangelho descobrem que realmente não o conhecem. E por abraçar o evangelho, elas vivem uma fé viva. Não crentes são atraídos pelas vidas transformadas, e a igreja começa a crescer em seu chamado e como um sinal do reino, uma linda alternativa para a sociedade humana sem Deus.
Um primeiro sinal é quando crentes nominais se convertem, que passam a entender que nunca acreditaram no evangelho realmente. Logo, cristãos sonolentos começam a receber uma nova segurança e apreciação pela graça. Cristãos se tornam confiantes e testemunhas atraentes.
Quando o evangelho se faz presente, tanto a santidade de Deus e seu amor são mais adorados, isto leva a uma nova realidade espiritual de Deus na adoração. 
Um renovado interesse no evangelho sempre leva a um interesse na teologia bíblica, que esteja conectada com a vida real. 
O evangelho cria uma humildade que leva os crentes a serem mais pacientes uns com os outros, que aprofunda os relacionamentos.
Durante os tempos de avivamento, há uma natureza contracultural da igreja que atrai os não-crentes.
A renovação pelo evangelho produz pessoas humildes, não desdenhosas com aqueles que não concordam com elas, mas amorosas, menos preocupadas com a opinião dos outros. Cada crente se torna um evangelista natural. Há um crescimento através de conversões.
Há uma atenção com a pobreza e a justiça social, cristãos entendem que não podem se auto salvarem, isto muda sua atitude com as pessoas que estão pobres. Se tornam servos de seus vizinhos, dos pobres e da cidade.
Todas estas mudanças, na igreja e na comunidade em redor, trazem um efeito cultural. Crentes assim impactam as artes, os negócios, governos, mídia.
Porque a verdadeira religião não é uma prática privada somente que dá paz e satisfação. A santidade afeta a vida civil e privada dos crentes. transforma comportamentos e relacionamentos, a presença ativa de cristãos mudam uma comunidade em todas as suas dimensões. São os frutos que são produzidos de um verdadeiro avivamento pelo Evangelho, 
Sem isto, muito do crescimento pode vir por transferência e não conversões, porque não acontece uma convicção profunda do pecado ou arrependimento, poucas pessoas mostram uma mudança de vida. Este crescimento não tem impacto porque os participantes não levam sua fé para o trabalho, para como eles usam seu dinheiro ou vivem suas vidas públicas. Contudo, quando as dinâmicas da renovação estão fortes em nossos corações e igrejas, somos fortalecidos e embelezados pelo Espírito de Deus.




Todos estes elementos de um visão teológica de Igreja de Centro, a renovação pelo evangelho pode ser a mais dificil para ser colocada em prática porque nós podemos apenas nos preparar para o avivamento, Deus tem de enviá-lo. Isto pode desencorajar alguns porque vivemos numa sociedade tecnológica em que procuramos ter controle sobre tudo através de nossa competência e vontade.





Gospel Renewal - Trailer from Redeemer City to City on Vimeo.