terça-feira, fevereiro 24, 2009

De dentro para fora


Lucas 18:9-14


E disse também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros:
Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano.
O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: O Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano.
Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo.
O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: O Deus, tem misericórdia de mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.

Como o evangelho muda o nosso modo de vida completamente.


Jesus nos apresenta ao problema da retidão.


Hoje a palavra retidão está ligada a uma pessoa mais conservadora, não é usada mais normalmente, talvez


No novo testamento a palavra retidão está ligada a aprovação. Por exemplo, sua filha passou na melhor universidade do Brasil, você sente feliz, acredita que ela vai ter um bom futuro. Não, você sente satisfeito, este será um dos momentos mais importantes da sua vida como pai.


Porque a retidão, neste sentido de aprovação nos pega: porque o anseio de todos nós é ser aceito.


Lemos a Bíblia, vemos esta história, e dizemos isto não tem nada a ver comigo. Será? Hoje mudamos o nome, para auto-estima.


Todos temos uma fome de reconhecimento, nos esforçamos em nosso trabalho, com nossa família, nossa vida para saciar esta fome por aprovação, glória.


Quando somos jovens provamos quão espertos ou corajosos somos, quando casamos, tentamos provar quão amáveis somos, quando temos filhos, temos que provar que somos os melhores pais, quando ficamos velhos, temos que provar quão sábios ou bem sucedidos ficamos.


As únicas pessoas que não se importam com a opinião dos outros, são as pessoas más.


De onde vem esse anseio universal, deve vir do começo de tudo, e vem. Em Genesis, depois da queda, ficamos em vergonha e desde então, estamos buscando a aprovação.


Na parábola, Jesus vai mostrar dois modos de se lidar com a retidão, o que funciona e que não funciona. Um é visto de fora para dentro e outro de dentro pra fora.


O modo de fora para dentro é o fariseu.


1. Externalismo


O entendimento de pecado ou virtude é completamente externo aqui. Não olha para o caráter ou para dentro, é tudo uma questão de comportamento. Eu não roubo, não cometo adultério, eu jejuo duas vezes por semana e dou os dízimos. Tudo que ele se gloria são atos externos, a violação é quebrar as regras de comportamento apenas.


Ele não diz eu te agradeço porque me tornei uma pessoa mais ama´vel, mais compreensiva, mais generosa.


2. Separatismo.


"Orava consigo mesmo" é uma expressão ambígua, na verdade quer dizer sobre si e para si mesmo. Ele se coloca acima de todo mundo, ele mesmo diz que não como aquele publicano.

Isso traz uma certeza que poderia evitar o pecado se ficar longe de pessoas que não compartilham seus valores, não tem sua capacidade de comportamento, ele poderia ser uma pessoa perfeita por apenas não andar com aqueles que fazem errado como o publicano.


Eu sou melhor que aquela categoria de pessoas, porque eu não roubo, não adultero, não minto, dou meu dizimo, isto tudo está na Bíblia.


Mas, jejuar duas vezes por semana não está na Bíblia, na lei mosaica só havia uma ocasião para o jejum no ano, que é o Yom Kippur.


O que o fariseu está dizendo, é eu não roubo, ele rouba isso me faz melhor. Eu não minto, ele mente, isto me faz melhor. Eu não adultero, eles adulteram, isso me faz melhor.


Mas com o jejum, ele está elevando uma preferência pessoal a um nível de lei divina, para se sentir melhor que os outros, é quando pegamos uma coisa cultural ou pessoal e a elevamos para nos sentirmos melhor que todas as outras pessoas.


Se não sabemos quem somos, não somos satisfeitos com a aprovação de Deus, fazemos isto mesmo, colocamos coisas que estamos bem, e fazemos disto nossa fonte de aprovação, e não Deus.


Em nossas igrejas, colocamos nosso jeito, nosso costume, nossa preferência e as elevamos para este nivel, então aquelas igrejas que não somos como nós, no fundo, achmaos que estão abaixo de nós, eles não são tão crentes assim como nós.
Ou mesmo no nível pessoal, quando nos separamos das pessoas que achamos que não tem nossa aptidão, nossa capacidade moral.
Isso começa quando não estamos satisfeitos conosco, aí buscamos estas coisas para nos sentirmos grandes, mas quando damos com a realidade vemos que estes comportamentos, preferências não nos dão esta grandeza que achamos que temos.
Um exemplo disto é quando achamos que quando chegamos a ser o melhor membro da igreja, o melhor pai, melhor esposo, melhor filho, melhor obreiro então chegaremos a ponto que estaremos bem, e não precisaremos de mais nada. Se vivermos uma vida boa, então saberemos que Deus nos ama, me aprova.
Esta é uma das razões pelas quais não devemos confiar na moralidade, porque se somos tão bons não ficaríamos tão obcecados em sermos aprovados, sermos reconhecidos como sujeitos bonzinhos e certinhos.
Este fariseu na história não é um hipocrita, na verdade, ele é um homem bom. Não trai sua mulher, dá o dízimo. Mas, vamos prestar atenção na oração dele, ele é um egoísta, a única vez que ele fala de Deus é no começo, e agradece a Deus por ele ser ele mesmo.
O publicano por outro lado, era como se fosse um colaborador nazista na ocupação, ele é um homem ruim.
Mas aqui o homem bom está perdido, e o homem mal está salvo, mas por que?
O problema é que parecemos tão bons pelo lado externo, que chegamos ao ponto de dizer, agora, Deus você me deve. Nossa bondade pode nos afastar de Deus, a questão aqui é que a bondade, disfarça o desejo de afastar Deus, as pessoas religiosas não se sentem assim. Os pecadores sabem claramente que estão tentando evitar Deus, mas as religiosas que tentam controlar sua vida sem Deus, acham que não por causa de sua bondade.
A estratégia de fora para dentro é muito perigosa, porque é um caminho que nos cega levando para a destruição. Como lidar com a fome de aprovação, buscamos realizar coisas que nos leva para ela, isso é o metodo de fora para dentro.
Mas vejamos, o outro modo de encarar, de dentro para fora, veja o que publicano diz.
Ele diz Deus tenha misericórdia de mim, pecador!
Ele não se compara com ninguém, porque sabe que ele é pecador, não se comparando com ninguém, ele pensa o pecado não olhando para ações individuais, ou coisas que ele faz, ele olha o pecado como parte de sua natureza mesma, como sua tendência de evitar o controle de Deus sobre sua vida, seja quando ele fez coisas más ou boas ações. Ele se arrepende seja de suas boas ações ou de suas más ações.
Misericórdia aqui, tem um sentido muito específico, ele quer dizer Deus seja meu reparador, expiador. A palavra é alestrea, a mesma palavra usada quando o santo sacerdote derramava o sangue para a expiação do pecado do povo.
Ele não está apenas dizendo Deus olhe meus pecados, me livra deles, ele está pedindo para Deus que seja seu expiador.
Hebreus 2:17, diz que
A palavra aqui também é alestrea.
Jesus se tornou o ultimo pecador para nos salvar, ele se fez expiação por nós, e assim, Ele pode entrar em nós. Você não precisa mais provar a si mesmo, Jesus já está em nós, e por sua obra, ele nos aprova.
Se começarmos internamente, com o conhecimento que somos aprovados por Jesus morar em nõs, isto muda tudo.
um exemplo: em muitas igrejas, há uma pressão para as pessoas testemunharem Cristo, e assim, serem aprovadas na igreja. O lema é melhor você testemunhar Cristo, porque assim você terá certeza que Deus te aprova, contudo, isto ou leva ao orgulho ou a decepção.
Temos que lembrar que Jesus sempre está nos amando, mesmo que não o testemunhos ou fazemos alguma coisa por Ele, o amor dele por nós está nEle mesmo, quando temos que testemunhar por aprovação de Jesus, ficamos sobrecarregados, porque começa por fora, começa com atos nossos. Mas, se começamos descobrindo que não importa o que fazemos ou não, ele continua conosco, isso muda o reconhecimento nosso da grandeza do amor de Deus por nós.
Há sempre uma tendência de fora para dentro em nós, por isto temos que sempre voltar a nossa verdadeira fonte de aprovação: a expiação de Jesus por nós.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

A igreja da Palavra e do Poder

Como conciliar as tradições reformadas com as pentecostais, num ambiente onde uma não exclua a outra. Este é o desafio proposto pelo livro a Igreja da Palavra e do Poder de Douglas Banister.
A partir da experiência da igreja local e do próprio autor, o livro busca conciliar essas riquezas e vivenciá-las da maneira mais plena possível em sua igreja.
Os legados são apresentados assim:
tradicional:
  • pregação expositiva
  • ênfase na autoridade e na suficiência das Escrituras.
  • confirmação realista de que o Reino de Deus ainda não está completo aqui
  • crença de que o crescimento espiritual é um processo
  • crença que a Palavra deve ser estudada em comunidade



renovado:

  • ênfase no poder
  • confirmação cheia de esperança de que o Reino está aqui em parte
  • crença de que Deus fala hoje
  • crença de que o Espírito deve ser experimentado em comunidade.
As igrejas de Palavra e do Poder buscam reunir o melhor de ambos os mundos: o renovado e o tradicional.
o LEGADO TRADICIONAL
Pregação Expositiva


1.A pregação expositiva é centrada em Deus

2. A pregação expositiva concentra-se no texto
"Para avaliar um bom sermão expositivo, basta saber o seguinto: O que mais causou impacto nos ouvintes: a própria Escritura? ou foi a emoção, as ilustrações ou histórias do pregador? Se foram elas, o poder do sermão se perdeu. Os melhores sermões expositivos deixam o ouvinte pensando nas palavras da própria passagem, como se Cristo as houvesse proferido de novo" p. 73-74
3. a pregação expositiva incliua-se para a aplicação
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"A tarefa principal da igreja, lembra D. Martin Lloyd-Jones é pregar e proclamar a Palavra, mostrar a verdadeira necessidade do homem e o único remédio, a única cura para ele" p.77
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"As igrejas da Palavra e do poder têm uma história mais do que fatos para contar. A pregação bíblica e o estudo das Escrituras que comunicam à proxima geração vão convocar o povo de Deus a considerar um novo roteiro para sua vida, um roteiro cujo autor é um Pai amoroso, escrito com o sangue do seu Filho" p. 177
  • Grupos Pequenos
"os membros do grupo podem partilhar de modo e em que medida o texto exerceu impacto sobre eles e pedir apoio para por aquelas verdades em prática na vida diária. Poucas coisas são um incentivo melhor para a santidade do que saber que seu grupo pequeno vai questioná-lo na noite seguinte de quarta-feira, por exemplo
As igrejas da Palavra e do poder colocam grande prioridade na pregação da Palavra. Mas a pregação por si só não é suficiente. Jesus deixou o modelo dos grupos pequenos como meio melhor de fazer discipulos. As igrejas da Palavra e do poder são impulsionadas pelos grupos pequenos, reunindo seu povo para o estudo da Palavra" p. 85
"Os grupos pequenos são organismos vivos. Crescem e amadurecem. Um bom grupo pequeno precisa crescer em sua capacidade de ministrar a Palavra. um bom grupo pequeno também precisa crescer em sua capacidade de praticar os dons espirituais" (p. 111)
"O grupo pequeno é um lugar seguro para a prática dos dons espirituais. Erros podem ser cometidos, mas qualquer prejuízo é mais facil de controlar em um grupo pequeno. É mais fácil recuperar, crescer e receber correção em um ambiente onde você sabe que é amado e aceito" p. 147

  • Cinco tijolos do legado tradicional
1. pregação expositiva
2. autoridade das Escrituras
3. mistério do Reino
4. Crescimento espiritual como processo
5. renovação espiritual por meio de grupos pequenos


Legado dos Renovados
  • Oração é essencial.
1.precisamos oferecer às pessoas uma teologia prática, experimental
Esclarecer as dúvidas sobre os dons do Espírito Santo.


2. Identificar e estabelecer e mobilizar intercessores.


3. Precisamos liberar o tempo dos pastores para que façam da oração uma prioridade de vida.

4.Abertura de espaço oportuno para os dons de línguas em em meio à congregação.
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"A oração de cura nos liberta para avançar em nossa peregrinação espiritual. momentos de oração geralmente revelam áreas do caráter que precisam estar apoiadas no estudo das Escrituras, na disciplina e na prestação de contas mútuas. É muito importante não abandonar as pessoas depois que o Espírito tenha poderosamente se envolvido com elas. Relacionamentos de amor ajudam as pessoas a avançar para além da cura e estabelecer hábitos espirituais eficientes que os protegerão de feridas da alma no futuro" p. 195

  • Reino de Deus já está aqui.
"O Reino de Deus pertence à Era Futura. Mas a Era Futura se sobrepôs a esta Era. Podemos experimentar sua influência poderosa e assim ser libertos desta Era sem viver mais em conformidade com Ela. Esse novo poder transformador é poder da Era Futura; é realmente o poder do Reino de Deus. O Reino de DEus é futuro, mas não é apenas futuro. Como o poder da Era Futura, o Reino de Deus invadiu esta Era perversa para que os homens possam conhecer algumas da bênçãos, embora ainda estejam na Era do mal" George Eldon Ladd na p. 95
  • Deus fala hoje
Palavra de sabedoria e palavra de conhecimento
Profecia

uma boa definição de profecia é dizer algo que Deus traz de modo espontâneo à mente (p. 99)

"Os profetas do Antigo Testamento falavam com a autoridade das Escrituras. Os do Novo Testamento, não. Na verdade, Paulo exige que as profecias sejam julgadas pelos outros crentes presentes (I Co 14.29). Você é capaz de imaginar alguém julgando um profeta do Antigo Testamento como Jeremias ou Isaías? Mas Paulo chega ao ponto de desobedecer uma profecia (At 21.4,5) (...) As palavras proféticas são convicções da parte de Deus impressas em nossa mente que partilhamos uns com os outros para edificação. Podem referir-se ao futuro, mas nem sempre." (p.100)

"O Espírito que habita em nós não é mudo ... Simplesmente não posso crer que duas pessoas tão intimamente relacionadas não falariam uma com a outra. Como poderia haver relacionamento pessoal com Deus sem comunicação individual" Dallas Willard na p. 120
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"Longe de afastar-se da Palavra, a profecia inspirada pelo Espírito Santo glorifica a Palavra, revelando os lugares em que o bálsamo das Escrituras precisa ser aplicado" p. 125
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Precisamos destacar as Escrituras e não as palavras proféticas como meio principal de crescimento e orientação espiritual e também aprender a ouvir a voz de Deus por meio das Escrituras.
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O autor estabelece algumas instruções em relação ao dom profético:
  • a. Esta profecia edifica aqueles a quem se dirige?
"A profecia do Novo Testamento é principalmente para edificação, encorajamento e consolação (ICo 14,3). Profecias inspiradas pelo Espírito vão edificar as pessoas que as ouve" (p.129)
  • b. Esta profecia concorda com as Escrituras?
  • c. Todos concordam que esta profecia veio de Deus
  • d. A pessoa que está com a profecia a apresentou com humildade.
"As Escrituras nunca são maculadas pela influência humana do autor bíblico. As palavras proféticas sempre são e devem ser transmitidas com humildade" p. 130
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Línguas e interpretação de línguas


Há três formas bíblicas segundo o autor:
1. Atos 2 mostra que o dom de línguas pode ser a capacidade de proclamar o evangelho em uma língua desconhecida à pessoa que fala.
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2. Que espécie de falar em línguas Paulo praticava fora da igreja: a melhor explicação é que se referia à oração em línguas em particular. Paulo chama esse tipo de oração de falar à Deus (1Co 14, 2) e diz que quem fala em língua a si mesmo se edifica (1Co 14,4); ele incentiva as pessoas a usar esse dom em particular (1 Co 14,5).
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3. O terceiro uso das línguas é uma mensagem pública enunciada em línguas e interpretada por alguém que tenha o dom de interpretação. Quando essa mensagem pública de línguas é corretamente interpretada, serve de palavra profética para a assembléia. Paulo é irredutível quando diz que não se deve falar em línguas sem interpretação: "Se alguém falar em língua, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e cada um por sua vez, e haja um que interprete.Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus." (1Co 14, 27-28)

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O autor defende que nem todos falaram em línguas, pois "a Bíblia ensina claramente que nem todos falam em línguas. Paulo termina 1Coríntios 12 fazendo uma série de perguntas retoricas: Tem todos o dom de realizar milagres? Falam todos em línguas? Todos interpretam? vs. 29,30. A resposta que ele claramente espera é não"pag. 136

O culto é participativo

1. Há atenção cuidadosa a forma de adorar

2. Cada igreja determina o equilíbrio adequado entre hinos e corinhos.

3. criam um ambiente de adoração em que há liberdade para cultuar o Senhor de maneiras expressivas ou não.

4. Aceitam as artes

Tudo é uma questão de amor.
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Voce terá de determinar o que edifica mais a sua congregação. Lembre-se o propósito de cada dom espiritual é a edificação do corpo. Se um dom não edifica, Deus não está nele.

domingo, fevereiro 22, 2009

Redeemer Core Values

1. Gospel

The 'gospel' is the good news that through Christ the power of God's kingdom has entered history to renew the whole world. When we believe and rely on Jesus' work and record (rather than ours) for our relationship to God, that kingdom power comes upon us and begins to work through us.

2. Changed People

The Gospel changes people from the inside out.
Christ gives us a radically new identity, freeing us from both self-righteousness and self-condemnation. He liberates us to accept people we once excluded, and to break the bondage of things (even good things) that once drove us. In particular, the gospel makes us welcoming and respectful toward those who do not share our beliefs.

3. City

We believe that nothing promotes the peace and health of the city like the spread of faith in the gospel. It renews both individual lives and reweaves the fabric of whole neighborhoods. We believe that nothing moves Christians to humbly serve, live with, and love all the diverse people of the city like the gospel does.

4. Community

The gospel creates a new community which not only nurtures individuals but serves as a sign of God's coming kingdom. Here we see classes of people loving one another who could not have gotten along without the healing power of the gospel. Here we see sex, money, and power used in unique non-destructive and life-giving ways.

5. Movement

We have no illusions that our single church or our Presbyterian tradition is sufficient to renew all of New York City spiritually, socially, and culturally. We are therefore committed to planting (and helping others plant) hundreds of new churches, while at the same time working for a renewal of gospel vitality in all the congregations of the city.

6. Serving

Though we joyfully invite every person to faith in Jesus, we are committed to sacrificially serving our neighbors whether they believe as we do or not. We do this by using our gifts and resources for the needs of others, especially the poor. And more than merely meeting individual needs, we work for justice for the powerless.

7. Renewing

We believe that the gospel has a deep, vital, and healthy impact on the arts, business, government, media, and academy of any society. Therefore we are highly committed to support Christians' engagement with culture, helping them work with excellence, distinctiveness, and accountability in their professions.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Nascido do Evangelho

Born of Gospel
Timothy Keller.

1 Pedro 1:12 e 22-25

12Aos quais foi revelado que não para si mesmos, mas para vós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos bem desejam atentar.


22Já que tendes purificado as vossas almas na obediência ã verdade, que leva ao amor fraternal não fingido, de coração amai-vos ardentemente uns aos outros,
23tendo renascido, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela palavra de Deus, a qual vive e permanece.
24Porque: Toda a carne é como a erva, e toda a sua glória como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor;
25mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que vos foi evangelizada



Alguns acreditam que nascer de novo é para certas pessoas, ou para certo tipo de cristianismo. Contudo, todo escritor do Novo Testamento, mesmo Jesus Cristo disseram que devemos nascer de novo. Olhe o verso 23, o que Pedro está falando? O assunto aqui é nascer de novo.



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Há três modos de entender o nascer de novo...como acontece, o que é e por que?


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A resposta para como, que Pedro responde é a Palavra, a semente incorruptível. Aqui vou falar sobre 4 coisas:





  • poder da palavra


  • história da palavra


  • herói da história


  • maravilha da palavra



Poder

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Você nasceu de uma semente imperecível, é uma forma muito semelhante a que Tiago fala em 1:16, como se a Palavra fosse plantada em nós, para nos salvar.


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A Palavra de Deus é aplicada como uma metafora, ela é uma semente que é plantada em nós, que possui poder em si para dar vida, como uma semente.


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Imagine, que você vai em seu jardim e planta um pedaço de metal, vidro ou uma pedra, isso não vai crescer não importa quanto você jogue água ou fertilize, isso não vai crescer. Contudo, há muitos conhecimentos humanos, livros, filosofias que continuam sendo plantados como se tivessem vida, mas são como metal, ou vidro. Eles podem deformar você, ocupar um espaço, mas não sementes, não podem produzir vida, e uma vida que não perece.


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A Palavra de Deus sozinha tem poder para transformar sua vida.


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Também é um poder penetrante, geralmente a semente tem que entrar profundamente para produzir vida, não pode apenas estar na superfície. Uma das coisas mais espantosas da Bíblia, é quando Jesus em Mateus 22 fala com lideres religiosos, são pessoas que tinham a Bíblia de cor na cabeça, mas Jesus diz que eles não sabiam nada dela, porque o poder de Deus não estava com eles.


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Contudo, para semente entrar dependendo do solo, há varios modos, se for um solo duro, você precisará de uma pá batendo no solo, para a semente poder penetrar, contudo, se for um solo mais aerado, você simplesmente abre um buraco e coloca a semente.


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Aqui ha 4 coisas praticas sobre como o novo nascimento opera:


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1. Se você quer expressar o novo nascimento, você deve estar exposto a Palavra de Deus.


Não há outro caminho, Pedro fala esta é a Palavra que foi pregada para vocês( vs. 10 e 12). Quando Pedro fala de profetas, ele está falando sobre a Bíblia, sobre as escrituras. Só há um lugar onde você tem certeza que não há vidro, metal ou pedra, são escrituras, ela é a semente, são palavras humanas, mas não são opiniões humanas.

Você não pode nascer de novo, a menos que você seja exposto a Verdade, que é a Bíblia.

Eu não estou dizendo que você tem que conhecer toda a Bíblia para ser salvo, por exemplo, quando você toma um remédio, você não precisa saber de todos os componentes químicos, de todos efeitos, você simplesmente precisa tomar o remédio, assim também é com a Bíblia.



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2. O nascer de novo é um evento definitivo, mas pode não ser um evento consciente.


Há pessoas que sabem o dia que nasceram de novo, o momento, como John Wesley. Contudo, a maioria de nós experimenta o novo nascimento de modo mais inconsciente. Uma mulher que acabou de ficar grávida, sabe que tem o filho imediatamente, não. Ela precisa sentir os efeitos, fazer testes, confirmar que está grávida, o novo nascimento para muitas pessoas é assim, elas não sabem quando, mas é um evento definitivo, porque não é uma função moral, uma escolha que se faz, algo que se tenta, tenta e tenta. Não, é um evento definitivo, a vida eterna vem morar em você.

Se queremos um evento como o de John Wesley, podemos ter problemas.


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3. Precisamos ver a história na Palavra

4. Precisamos conhecer o Herói da história.


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Não é apenas saber os eventos, datas, dados da Bíblia.


No vs. 12, Pedro fala que o Evangelho é pregado, Pedro não está dizendo que você estar familiarizado com tudo que há Bíblia, mas sim com o Evangelho.


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O Evangelho é diferente da religião dos gregos, para eles a religião se baseava em conhecimento, em seu acúmulo - knosis-.


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Para os judeus, a religião era sobre as instruções -sofia-, quase todas as religiões falam sobre sua fé em termos de instruções, mas os escritores do Novo Testamento falam sobre sua fé em termos do Evangelho, boas novas, porque a palavra Evangelho quer dizer felicidade por algo que aconteceu.


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As religiões têm nos seus livros sagrados como livros de instruções com algumas histórias, contudo o cristianismo é a história com instruções dentro dela. A religião é baseada naquilo que você faz, ou seja, os livros sagrados são manuais de instruções para viver, se você vive de acordo com as instruções está tudo bem, as histórias nos livros são apenas para ilustrar como fazer e a possibilidade daquelas condutas.

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Todas as religiões são instruções, o que salva é se você cumpre as regras ou não.

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Todos quando começam a ler a Bíblia, podem encarar a Biblia como um compendio de regras, é assim que devo viver, isso nunca vai penetrar, você não está vendo o Evangelho. Contudo, o cristianismo é sobre o que Ele fez, é sobre o que Ele fez para conquistar sua salvação e não sobre o que fazemos. Por sinal, há um título para esta história: o Retorno do Rei.

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Há uma linha histórica na Bíblia, ao contrário das outras religiões, que tem instruções ilustradas por instruções, a Bíblia é uma história com instruções, se você não ler a história todas instruções são inuteis, porque você não viu que Ele veio para viver uma vida que nunca poderiamos viver, e da-la para nós.

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Deus quer que eu viva perfeitamente por causa do que Cristo fez, não começa em nós, mas no herói da história.

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No vs. 10, Pedro diz algo importante, toda escritura foi realizada para revelar Jesus. Todas as historias, toda a lei, todos os profetas é sobre Jesus. Na estrada de Emaus, Jesus fala isso, que ele deveria sofrer todas aquelas coisas, que tudo que estava escrito era sobre ele.

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As historias de Davi, Adão, Ester, tudo que está na Bíblia deve ser visto como falando sobre JEsus, se você não entender isto, as historias podem te coagir, forçar algumas atitudes, mas não vai te transformar, até que você encontre o herói da história.

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Adão: Jesus é o melhor e verdadeiro Adão, também foi testado no jardim e venceu.

Abel: Jesus é melhor e verdadeiro Abraão, que morreu inocentemente, não para culpar, mas para perdoar.

José: é o melhor e verdadeiro José, que ficou a direita do trono e perdoou aqueles que o tinham ofendido.

David: David arriscou sua vida para vencer o Gigante, mas ele deu sua vida e venceu todos os gigantes por nós.

Ester: Ester arriscou perder o palacio, Jesus perdeu o palácio para salvar seu povo.

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Tudo aponta para Jesus, não é apenas um truque de interpretação. Boas novas, uma alegria que permanece sobre o sofrimento só vem quando enxergamos o verdadeiro Jesus, se você le uma historia da Bíblia e não traz felicidade, isto é Boas Novas, não. Porque não foi visto Jesus nela, encontrar a vitória de Jesus, o verdadeiro sentido da historia, o herói da historia é encontrar o Evangelho, isso que vai penetrar em nós, o Evangelho.

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Se vermos a Bíblia sobre o que Ele fez, isso nos libertará para viver as verdades da Bíblia, aí esta o poder para viver a vida cristã. Devemos procurar o real Davi, o real Jonas, o real Adão, a real Ester, aí haverá a verdadeira felicidade que são as boas novas.

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Aqui voce entende que você não precisa saber de todas as historias para ser salvo, mas precisa estar exposto a veradeira historia e aí sim conhecer as historias que apontam para Cristo.

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A maravilha do Evangelho. vs. 12

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Pedro fala que os anjos não se cansam de ver o Evangelho,a palavra para atentar é epiquimou, quer dizer isso quer dizer que os anjos estão obcecados com o evangelho, o anjos não são idiotas, eles não estão tentando entender o evangelho, e por isso não param de atentar para ele.

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Os anjos entenderam que o Evangelho não é apenas um requisito minimo para entrar no Ceu, mas é como se fosse um oculos através do qual eles podem ver as historias da Bíblia, de um modo maior e melhor, ver Jesus nelas.

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O Evangelho possui uma riqueza que não pode ser exaurida de uma vez só. Quando Paulo exorta Pedro sobre seu racismo, ele não diz que ele errou, ele lembrou ele do evangelho, porque somente o Evangelho tem poder para nos curar, somente uma obssessão com o Evangelho e sua riqueza pode nos curar de nosssos pecados, vicios e erros, porque assim realizamos aquilo que Deus fez por nós.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Speaking in Tongues


Speaking in Tongues
By Zadie Smith
The following is based on a lecture given at the New York Public Library in December 2008.
1.
Hello. This voice I speak with these days, this English voice with its rounded vowels and consonants in more or less the right place—this is not the voice of my childhood. I picked it up in college, along with the unabridged Clarissa and a taste for port. Maybe this fact is only what it seems to be—a case of bald social climbing—but at the time I genuinely thought this was the voice of lettered people, and that if I didn't have the voice of lettered people I would never truly be lettered. A braver person, perhaps, would have stood firm, teaching her peers a useful lesson by example: not all lettered people need be of the same class, nor speak identically. I went the other way. Partly out of cowardice and a constitutional eagerness to please, but also because I didn't quite see it as a straight swap, of this voice for that.
My own childhood had been the story of this and that combined, of the synthesis of disparate things. It never occurred to me that I was leaving the London district of Willesden for Cambridge. I thought I was adding Cambridge to Willesden, this new way of talking to that old way. Adding a new kind of knowledge to a different kind I already had. And for a while, that's how it was: at home, during the holidays, I spoke with my old voice, and in the old voice seemed to feel and speak things that I couldn't express in college, and vice versa. I felt a sort of wonder at the flexibility of the thing. Like being alive twice.
But flexibility is something that requires work if it is to be maintained. Recently my double voice has deserted me for a single one, reflecting the smaller world into which my work has led me. Willesden was a big, colorful, working-class sea; Cambridge was a smaller, posher pond, and almost univocal; the literary world is a puddle. This voice I picked up along the way is no longer an exotic garment I put on like a college gown whenever I choose—now it is my only voice, whether I want it or not. I regret it; I should have kept both voices alive in my mouth. They were both a part of me. But how the culture warns against it! As George Bernard Shaw delicately put it in his preface to the play Pygmalion, "many thousands of [British] men and women...have sloughed off their native dialects and acquired a new tongue."
Few, though, will admit to it. Voice adaptation is still the original British sin. Monitoring and exposing such citizens is a national pastime, as popular as sex scandals and libel cases. If you lean toward the Atlantic with your high-rising terminals you're a sell-out; if you pronounce borrowed European words in their original style—even if you try something as innocent as parmigiano for "parmesan"—you're a fraud. If you go (metaphorically speaking) down the British class scale, you've gone from Cockney to "mockney," and can expect a public tar and feathering; to go the other way is to perform an unforgivable act of class betrayal. Voices are meant to be unchanging and singular. There's no quicker way to insult an ex-pat Scotsman in London than to tell him he's lost his accent. We feel that our voices are who we are, and that to have more than one, or to use different versions of a voice for different occasions, represents, at best, a Janus-faced duplicity, and at worst, the loss of our very souls.
Whoever changes their voice takes on, in Britain, a queerly tragic dimension. They have betrayed that puzzling dictum "To thine own self be true," so often quoted approvingly as if it represented the wisdom of Shakespeare rather than the hot air of Polonius. " What's to become of me? What's to become of me?" wails Eliza Doolittle, realizing her middling dilemma. With a voice too posh for the flower girls and yet too redolent of the gutter for the ladies in Mrs. Higgins's drawing room.
But Eliza—patron saint of the tragically double-voiced—is worthy of closer inspection. The first thing to note is that both Eliza and Pygmalion are entirely didactic, as Shaw meant them to be. "I delight," he wrote,
in throwing [Pygmalion] at the heads of the wiseacres who repeat the parrot cry that art should never be didactic. It goes to prove my contention that art should never be anything else.
He was determined to tell the unambiguous tale of a girl who changes her voice and loses her self. And so she arrives like this:
Don't you be so saucy. You ain't heard what I come for yet. Did you tell him I come in a taxi?... Oh, we are proud! He ain't above giving lessons, not him: I heard him say so. Well, I ain't come here to ask for any compliment; and if my moneys not good enough I can go elsewhere.... Now you know, don't you? I'm come to have lessons, I am. And to pay for em too: make no mistake.... I want to be a lady in a flower shop stead of selling at the corner of Tottenham Court Road. But they wont take me unless I can talk more genteel.
And she leaves like this:
I can't. I could have done it once; but now I can't go back to it. Last night, when I was wandering about, a girl spoke to me; and I tried to get back into the old way with her; but it was no use. You told me, you know, that when a child is brought to a foreign country, it picks up the language in a few weeks, and forgets its own. Well, I am a child in your country. I have forgotten my own language, and can speak nothing but yours.
By the end of his experiment, Professor Higgins has made his Eliza an awkward, in-between thing, neither flower girl nor lady, with one voice lost and another gained, at the steep price of everything she was, and everything she knows. Almost as afterthought, he sends Eliza's father, Alfred Doolittle, to his doom, too, securing a three-thousand-a-year living for the man on the condition that Doolittle lecture for the Wannafeller Moral Reform World League up to six times a year. This burden brings the philosophical dustman into the close, unwanted embrace of what he disdainfully calls "middle class morality." By the time the curtain goes down, both Doolittles find themselves stuck in the middle, which is, to Shaw, a comi-tragic place to be, with the emphasis on the tragic. What are they fit for? What will become of them?
How persistent this horror of the middling spot is, this dread of the interim place! It extends through the specter of the tragic mulatto, to the plight of the transsexual, to our present anxiety —disguised as genteel concern—for the contemporary immigrant, tragically split, we are sure, between worlds, ideas, cultures, voices—whatever will become of them? Something's got to give—one voice must be sacrificed for the other. What is double must be made singular.
But this, the apparent didactic moral of Eliza's story, is undercut by the fact of the play itself, which is an orchestra of many voices, simultaneously and perfectly rendered, with no shade of color or tone sacrificed. Higgins's Harley Street high-handedness is the equal of Mrs. Pierce's lower-middle-class gentility, Pickering's kindhearted aristocratic imprecision every bit as convincing as Arthur Doolittle's Nietzschean Cockney-by-way-of-Wales. Shaw had a wonderful ear, able to reproduce almost as many quirks of the English language as Shakespeare's. Shaw was in possession of a gift he wouldn't, or couldn't, give Eliza: he spoke in tongues.
It gives me a strange sensation to turn from Shaw's melancholy Pygmalion story to another, infinitely more hopeful version, written by the new president of the United States of America. Of course, his ear isn't half bad either. In Dreams from My Father, the new president displays an enviable facility for dialogue, and puts it to good use, animating a cast every bit as various as the one James Baldwin—an obvious influence—conjured for his own many-voiced novel Another Country. Obama can do young Jewish male, black old lady from the South Side, white woman from Kansas, Kenyan elders, white Harvard nerds, black Columbia nerds, activist women, churchmen, security guards, bank tellers, and even a British man called Mr. Wilkerson, who on a starry night on safari says credibly British things like: "I believe that's the Milky Way." This new president doesn't just speak for his people. He can speak them. It is a disorienting talent in a president; we're so unused to it. I have to pinch myself to remember who wrote the following well-observed scene, seemingly plucked from a comic novel:
"Man, I'm not going to any more of these bullshit Punahou parties."
"Yeah, that's what you said the last time...."
"I mean it this time.... These girls are A-1, USDA-certified racists. All of 'em. White girls. Asian girls—shoot, these Asians worse than the whites. Think we got a disease or something."
"Maybe they're looking at that big butt of yours. Man, I thought you were in training."
"Get your hands out of my fries. You ain't my bitch, nigger...buy your own damn fries. Now what was I talking about?"
"Just 'cause a girl don't go out with you doesn't make her a racist."
This is the voice of Obama at seventeen, as remembered by Obama. He's still recognizably Obama; he already seeks to unpack and complicate apparently obvious things ("Just 'cause a girl don't go out with you doesn't make her a racist"); he's already gently cynical about the impassioned dogma of other people ("Yeah, that's what you said the last time"). And he has a sense of humor ("Maybe they're looking at that big butt of yours"). Only the voice is different: he has made almost as large a leap as Eliza Doolittle. The conclusions Obama draws from his own Pygmalion experience, however, are subtler than Shaw's. The tale he tells is not the old tragedy of gaining a new, false voice at the expense of a true one. The tale he tells is all about addition. His is the story of a genuinely many-voiced man. If it has a moral it is that each man must be true to his selves, plural.
For Obama, having more than one voice in your ear is not a burden, or not solely a burden—it is also a gift. And the gift is of an interesting kind, not well served by that dull publishing-house title Dreams from My Father: A Story of Race and Inheritance with its suggestion of a simple linear inheritance, of paternal dreams and aspirations passed down to a son, and fulfilled. Dreams from My Father would have been a fine title for John McCain's book Faith of My Fathers, which concerns exactly this kind of linear masculine inheritance, in his case from soldier to soldier. For Obama's book, though, it's wrong, lopsided. He corrects its misperception early on, in the first chapter, while discussing the failure of his parents' relationship, characterized by their only son as the end of a dream. "Even as that spell was broken," he writes, "and the worlds that they thought they'd left behind reclaimed each of them, I occupied the place where their dreams had been."
To occupy a dream, to exist in a dreamed space (conjured by both father and mother), is surely a quite different thing from simply inheriting a dream. It's more interesting. What did Pauline Kael call Cary Grant? " The Man from Dream City." When Bristolian Archibald Leach became suave Cary Grant, the transformation happened in his voice, which he subjected to a strange, indefinable manipulation, resulting in that heavenly sui generis accent, neither west country nor posh, American nor English. It came from nowhere, he came from nowhere. Grant seemed the product of a collective dream, dreamed up by moviegoers in hard times, as it sometimes feels voters have dreamed up Obama in hard times. Both men have a strange reflective quality, typical of the self-created man—we see in them whatever we want to see. " Everyone wants to be Cary Grant," said Cary Grant. " Even I want to be Cary Grant." It's not hard to imagine Obama having that same thought, backstage at Grant Park, hearing his own name chanted by the hopeful multitude. Everyone wants to be Barack Obama. Even I want to be Barack Obama.
2.
But I haven't described Dream City. I'll try to. It is a place of many voices, where the unified singular self is an illusion. Naturally, Obama was born there. So was I. When your personal multiplicity is printed on your face, in an almost too obviously thematic manner, in your DNA, in your hair and in the neither this nor that beige of your skin—well, anyone can see you come from Dream City. In Dream City everything is doubled, everything is various. You have no choice but to cross borders and speak in tongues. That's how you get from your mother to your father, from talking to one set of folks who think you're not black enough to another who figure you insufficiently white. It's the kind of town where the wise man says "I" cautiously, because "I" feels like too straight and singular a phoneme to represent the true multiplicity of his experience. Instead, citizens of Dream City prefer to use the collective pronoun "we."
Throughout his campaign Obama was careful always to say we. He was noticeably wary of "I." By speaking so, he wasn't simply avoiding a singularity he didn't feel, he was also drawing us in with him. He had the audacity to suggest that, even if you can't see it stamped on their faces, most people come from Dream City, too. Most of us have complicated back stories, messy histories, multiple narratives.
It was a high-wire strategy, for Obama, this invocation of our collective human messiness. His enemies latched on to its imprecision, emphasizing the exotic, un-American nature of Dream City, this ill-defined place where you could be from Hawaii and Kenya, Kansas and Indonesia all at the same time, where you could jive talk like a street hustler and orate like a senator. What kind of a crazy place is that? But they underestimated how many people come from Dream City, how many Americans, in their daily lives, conjure contrasting voices and seek a synthesis between disparate things. Turns out, Dream City wasn't so strange to them.
Or did they never actually see it? We now know that Obama spoke of Main Street in Iowa and of sweet potato pie in Northwest Philly, and it could be argued that he succeeded because he so rarely misspoke, carefully tailoring his intonations to suit the sensibility of his listeners. Sometimes he did this within one speech, within one line: "We worship an awesome God in the blue states, and we don't like federal agents poking around our libraries in the red states." Awesome God comes to you straight from the pews of a Georgia church; poking around feels more at home at a kitchen table in South Bend, Indiana. The balance was perfect, cunningly counterpoised and never accidental. It's only now that it's over that we see him let his guard down a little, on 60 Minutes, say, dropping in that culturally, casually black construction "Hey, I'm not stupid, man, that's why I'm president," something it's hard to imagine him doing even three weeks earlier. To a certain kind of mind, it must have looked like the mask had slipped for a moment.
Which brings us to the single-voiced Obamanation crowd. They rage on in the blogs and on the radio, waiting obsessively for the mask to slip. They have a great fear of what they see as Obama's doubling ways. "He says one thing but he means another"—this is the essence of the fear campaign. He says he's a capitalist, but he'll spread your wealth. He says he's a Christian, but really he's going to empower the Muslims. And so on and so forth. These are fears that have their roots in an anxiety about voice. Who is he? people kept asking. I mean, who is this guy, really? He says sweet potato pie in Philly and Main Street in Iowa! When he talks to us, he sure sounds like us—but behind our backs he says we're clinging to our religion, to our guns. And when Jesse Jackson heard that Obama had lectured a black church congregation about the epidemic of absent black fathers, he experienced this, too, as a tonal betrayal; Obama was "talking down to black people." In both cases, there was the sense of a double-dealer, of someone who tailors his speech to fit the audience, who is not of the people (because he is able to look at them objectively) but always above them.
The Jackson gaffe, with its Oedipal violence ("I want to cut his nuts out"), is especially poignant because it goes to the heart of a generational conflict in the black community, concerning what we will say in public and what we say in private. For it has been a point of honor, among the civil rights generation, that any criticism or negative analysis of our community, expressed, as they often are by white politicians, without context, without real empathy or understanding, should not be repeated by a black politician when the white community is listening, even if ( especially if) the criticism happens to be true (more than half of all black American children live in single-parent households). Our business is our business. Keep it in the family; don't wash your dirty linen in public; stay unified. (Of course, with his overheard gaffe, Jackson unwittingly broke his own rule.)
Until Obama, black politicians had always adhered to these unwritten rules. In this way, they defended themselves against those two bogeymen of black political life: the Uncle Tom and the House Nigger. The black politician who played up to, or even simply echoed, white fears, desires, and hopes for the black community was in danger of earning these epithets—even Martin Luther King was not free from such suspicions. Then came Obama, and the new world he had supposedly ushered in, the postracial world, in which what mattered most was not blind racial allegiance but factual truth. It was felt that Jesse Jackson was sadly out of step with this new postracial world: even his own son felt moved to publicly repudiate his "ugly rhetoric." But Jackson's anger was not incomprehensible nor his distrust unreasonable. Jackson lived through a bitter struggle, and bitter struggles deform their participants in subtle, complicated ways. The idea that one should speak one's cultural allegiance first and the truth second (and that this is a sign of authenticity) is precisely such a deformation.
Right up to the wire, Obama made many black men and women of Jackson's generation suspicious. How can the man who passes between culturally black and white voices with such flexibility, with such ease, be an honest man? How will the man from Dream City keep it real? Why won't he speak with a clear and unified voice? These were genuine questions for people born in real cities at a time when those cities were implacably divided, when the black movement had to yell with a clear and unified voice, or risk not being heard at all. And then he won. Watching Jesse Jackson in tears in Grant Park, pressed up against the varicolored American public, it seemed like he, at least, had received the answer he needed: only a many-voiced man could have spoken to that many people.
A clear and unified voice. In that context, this business of being biracial, of being half black and half white, is awkward. In his memoir, Obama takes care to ridicule a certain black girl called Joyce—a composite figure from his college days who happens also to be part Italian and part French and part Native American and is inordinately fond of mentioning these facts, and who likes to say:
I'm not black...I'm multiracial.... Why should I have to choose between them?... It's not white people who are making me choose.... No—it's black people who always have to make everything racial. They're the ones making me choose. They're the ones who are telling me I can't be who I am....
He has her voice down pat and so condemns her out of her own mouth. For she's the third bogeyman of black life, the tragic mulatto, who secretly wishes she "passed," always keen to let you know about her white heritage. It's the fear of being mistaken for Joyce that has always ensured that I ignore the box marked "biracial" and tick the box marked "black" on any questionnaire I fill out, and call myself unequivocally a black writer and roll my eyes at anyone who insists that Obama is not the first black president but the first biracial one. But I also know in my heart that it's an equivocation; I know that Obama has a double consciousness, is black and, at the same time, white, as I am, unless we are suggesting that one side of a person's genetics and cultural heritage cancels out or trumps the other.
But to mention the double is to suggest shame at the singular. Joyce insists on her varied heritage because she fears and is ashamed of the singular black. I suppose it's possible that subconsciously I am also a tragic mulatto, torn between pride and shame. In my conscious life, though, I cannot honestly say I feel proud to be white and ashamed to be black or proud to be black and ashamed to be white. I find it impossible to experience either pride or shame over accidents of genetics in which I had no active part. I understand how those words got into the racial discourse, but I can't sign up to them. I'm not proud to be female either. I am not even proud to be human—I only love to be so. As I love to be female and I love to be black, and I love that I had a white father.
It's telling that Joyce is one of the few voices in Dreams from My Father that is truly left out in the cold, outside of the expansive sympathy of Obama's narrative. She is an entirely didactic being, a demon Obama has to raise up, if only for a page, so everyone can watch him slay her. I know the feeling. When I was in college I felt I'd rather run away with the Black Panthers than be associated with the Joyces I occasionally met. It's the Joyces of this world who "talk down to black folks." And so to avoid being Joyce, or being seen to be Joyce, you unify, you speak with one voice.
And the concept of a unified black voice is a potent one. It has filtered down, these past forty years, into the black community at all levels, settling itself in that impossible injunction "keep it real," the original intention of which was unification. We were going to unify the concept of Blackness in order to strengthen it. Instead we confined and restricted it. To me, the instruction "keep it real" is a sort of prison cell, two feet by five. The fact is, it's too narrow. I just can't live comfortably in there. " Keep it real" replaced the blessed and solid genetic fact of Blackness with a flimsy imperative. It made Blackness a quality each individual black person was constantly in danger of losing. And almost anything could trigger the loss of one's Blackness: attending certain universities, an impressive variety of jobs, a fondness for opera, a white girlfriend, an interest in golf. And of course, any change in the voice. There was a popular school of thought that maintained the voice was at the very heart of the thing; fail to keep it real there and you'd never see your Blackness again.
How absurd that all seems now. And not because we live in a postracial world—we don't—but because the reality of race has diversified. Black reality has diversified. It's black people who talk like me, and black people who talk like L'il Wayne. It's black conservatives and black liberals, black sportsmen and black lawyers, black computer technicians and black ballet dancers and black truck drivers and black presidents. We're all black, and we all love to be black, and we all sing from our own hymn sheet. We're all surely black people, but we may be finally approaching a point of human history where you can't talk up or down to us anymore, but only to us. He's talking down to white people —how curious it sounds the other way round! In order to say such a thing one would have to think collectively of white people, as a people of one mind who speak with one voice—a thought experiment in which we have no practice. But it's worth trying. It's only when you play the record backward that you hear the secret message.
3.
For reasons that are obscure to me, those qualities we cherish in our artists we condemn in our politicians. In our artists we look for the many-colored voice, the multiple sensibility. The apogee of this is, of course, Shakespeare: even more than for his wordplay we cherish him for his lack of allegiance. Our Shakespeare sees always both sides of a thing, he is black and white, male and female—he is everyman. The giant lacunae in his biography are merely a convenience; if any new facts of religious or political affiliation were ever to arise we would dismiss them in our hearts anyway. Was he, for example, a man of Rome or not? He has appeared, to generations of readers, not of one religion but of both, in truth, beyond both. Born into the middle of Britain's fierce Catholic–Protestant culture war, how could the bloody absurdity of those years not impress upon him a strong sense of cultural contingency?
It was a war of ideas that began for Will—as it began for Barack—in the dreams of his father. For we know that John Shakespeare, a civic officer in Protestant times, oversaw the repainting of medieval frescoes and the destruction of the rood loft and altar in Stratford's own fine Guild Chapel, but we also know that in the rafters of the Shakespeare home John hid a secret Catholic "Spiritual Testament," a signed profession of allegiance to the old faith. A strange experience, to watch one's own father thus divided, professing one thing in public while practicing another in private. John Shakespeare was a kind of equivocator: it's what you do when you're in a corner, when you can't be a Catholic and a loyal Englishman at the same time. When you can't be both black and white. Sometimes in a country ripped apart by dogma, those who wish to keep their heads—in both senses—must learn to split themselves in two.
And this we still know, here, at a four-hundred-year distance. No one can hope to be president of these United States without professing a committed and straightforward belief in two things: the existence of God and the principle of American exceptionalism. But how many of them equivocated, and who, in their shoes, would not equivocate, too?
Fortunately, Shakespeare was an artist and so had an outlet his father didn't have—the many-voiced theater. Shakespeare's art, the very medium of it, allowed him to do what civic officers and politicians can't seem to: speak simultaneous truths. (Is it not, for example, experientially true that one can both believe and not believe in God?) In his plays he is woman, man, black, white, believer, heretic, Catholic, Protestant, Jew, Muslim. He grew up in an atmosphere of equivocation, but he lived in freedom. And he offers us freedom: to pin him down to a single identity would be an obvious diminishment, both for Shakespeare and for us. Generations of critics have insisted on this irreducible multiplicity, though they have each expressed it different ways, through the glass of their times. Here is Keats's famous attempt, in 1817, to give this quality a name:
At once it struck me, what quality went to form a Man of Achievement especially in Literature and which Shakespeare possessed so enormously—I mean Negative Capability, that is when man is capable of being in uncertainties, Mysteries, doubts, without any irritable reaching after fact and reason.
And here is Stephen Greenblatt doing the same, in 2004:
There are many forms of heroism in Shakespeare, but ideological heroism—the fierce, self-immolating embrace of an idea or institution—is not one of them.
For Keats, Shakespeare's many voices are quasi-mystical as suited the Romantic thrust of Keats's age. For Greenblatt, Shakespeare's negative capability is sociopolitical at root. Will had seen too many wild-eyed martyrs, too many executed terrorists, too many wars on the Catholic terror. He had watched men rage absurdly at rood screens and write treatises in praise of tables. He had seen men disemboweled while still alive, their entrails burned before their eyes, and all for the preference of a Latin Mass over a common prayer or vice versa. He understood what fierce, singular certainty creates and what it destroys. In response, he made himself a diffuse, uncertain thing, a mass of contradictory, irresolvable voices that speak truth plurally. Through the glass of 2009, "negative capability" looks like the perfect antidote to "ideological heroism."
From our politicians, though, we still look for ideological heroism, despite everything. We consider pragmatists to be weak. We call men of balance naive fools. In England, we once had an insulting name for such people: trimmers. In the mid-1600s, a trimmer was any politician who attempted to straddle the reviled middle ground between Cavalier and Roundhead, Parliament and the Crown; to call a man a trimmer was to accuse him of being insufficiently committed to an ideology. But in telling us of these times, the nineteenth-century English historian Thomas Macaulay draws our attention to Halifax, great statesman of the Privy Council, set up to mediate between Parliament and Crown as London burned. Halifax proudly called himself a trimmer, assuming it, Macaulay explains, as
a title of honour, and vindicat[ing], with great vivacity, the dignity of the appellation. Everything good, he said, trims between extremes. The temperate zone trims between the climate in which men are roasted and the climate in which they are frozen. The English Church trims between the Anabaptist madness and the Papist lethargy. The English constitution trims between the Turkish despotism and Polish anarchy. Virtue is nothing but a just temper between propensities any one of which, if indulged to excess, becomes vice.
Which all sounds eminently reasonable and Aristotelian. And Macaulay's description of Halifax's character is equally attractive:
His intellect was fertile, subtle, and capacious. His polished, luminous, and animated eloquence...was the delight of the House of Lords.... His political tracts well deserve to be studied for their literary merit.
In fact, Halifax is familiar—he sounds like the man from Dream City. This makes Macaulay's caveat the more striking:
Yet he was less successful in politics than many who enjoyed smaller advantages. Indeed, those intellectual peculiarities which make his writings valuable frequently impeded him in the contests of active life. For he always saw passing events, not in the point of view in which they commonly appear to one who bears a part in them, but in the point of view in which, after the lapse of many years, they appear to the philosophic historian.
To me, this is a doleful conclusion. It is exactly men with such intellectual peculiarities that I have always hoped to see in politics. But maybe Macaulay is correct: maybe the Halifaxes of this world make, in the end, better writers than politicians. A lot rests on how this president turns out—but that's a debate for the future. Here I want instead to hazard a little theory, concerning the evolution of a certain type of voice, typified by Halifax, by Shakespeare, and very possibly the President. For the voice of what Macaulay called "the philosophic historian" is, to my mind, a valuable and particular one, and I think someone should make a proper study of it. It's a voice that develops in a man over time; my little theory sketches four developmental stages.
The first stage in the evolution is contingent and cannot be contrived. In this first stage, the voice, by no fault of its own, finds itself trapped between two poles, two competing belief systems. And so this first stage necessitates the second: the voice learns to be flexible between these two fixed points, even to the point of equivocation. Then the third stage: this native flexibility leads to a sense of being able to "see a thing from both sides." And then the final stage, which I think of as the mark of a certain kind of genius: the voice relinquishes ownership of itself, develops a creative sense of disassociation in which the claims that are particular to it seem no stronger than anyone else's. There it is, my little theory—I'd rather call it a story. It is a story about a wonderful voice, occasionally used by citizens, rarely by men of power. Amidst the din of the 2008 culture wars it proved especially hard to hear.
In this lecture I have been seeking to tentatively suggest that the voice that speaks with such freedom, thus unburdened by dogma and personal bias, thus flooded with empathy, might make a good president. It's only now that I realize that in all this utilitarianism I've left joyfulness out of the account, and thus neglected a key constituency of my own people, the poets! Being many-voiced may be a complicated gift for a president, but in poets it is a pure delight in need of neither defense nor explanation. Plato banished them from his uptight and annoying republic so long ago that they have lost all their anxiety. They are fancy-free.
"I am a Hittite in love with a horse," writes Frank O'Hara.
I don't know what blood'sin me I feel like an African prince I am a girl walking downstairsin a red pleated dress with heels I am a champion taking a fallI am a jockey with a sprained ass-hole I am the light mistin which a face appearsand it is another face of blonde I am a baboon eating a bananaI am a dictator looking at his wife I am a doctor eating a childand the child's mother smiling I am a Chinaman climbing a mountainI am a child smelling his father's underwear I am an Indiansleeping on a scalpand my pony is stamping inthe birches,and I've just caught sight of theNiña, the Pinta and the SantaMaria.What land is this, so free?
Frank O'Hara's republic is of the imagination, of course. It is the only land of perfect freedom. Presidents, as a breed, tend to dismiss this land, thinking it has nothing to teach them. If this new president turns out to be different, then writers will count their blessings, but with or without a president on board, writers should always count their blessings. A line of O'Hara's reminds us of this. It's carved on his gravestone. It reads: "Grace to be born and live as variously as possible."
But to live variously cannot simply be a gift, endowed by an accident of birth; it has to be a continual effort, continually renewed. I felt this with force the night of the election. I was at a lovely New York party, full of lovely people, almost all of whom were white, liberal, highly educated, and celebrating with one happy voice as the states turned blue. Just as they called Iowa my phone rang and a strident German voice said: "Zadie! Come to Harlem! It's vild here. I'm in za middle of a crazy Reggae bar—it's so vonderful! Vy not come now!"
I mention he was German only so we don't run away with the idea that flexibility comes only to the beige, or gay, or otherwise marginalized. Flexibility is a choice, always open to all of us. (He was a writer, however. Make of that what you will.)
But wait: all the way uptown? A crazy reggae bar? For a minute I hesitated, because I was at a lovely party having a lovely time. Or was that it? There was something else. In truth I thought: but I'll be ludicrous, in my silly dress, with this silly posh English voice, in a crowded bar of black New Yorkers celebrating. It's amazing how many of our cross-cultural and cross-class encounters are limited not by hate or pride or shame, but by another equally insidious, less-discussed, emotion: embarrassment. A few minutes later, I was in a taxi and heading uptown with my Northern Irish husband and our half-Indian, half-English friend, but that initial hesitation was ominous; the first step on a typical British journey. A hesitation in the face of difference, which leads to caution before difference and ends in fear of it. Before long, the only voice you recognize, the only life you can empathize with, is your own. You will think that a novelist's screwy leap of logic. Well, it's my novelist credo and I believe it. I believe that flexibility of voice leads to a flexibility in all things. My audacious hope in Obama is based, I'm afraid, on precisely such flimsy premises.
It's my audacious hope that a man born and raised between opposing dogmas, between cultures, between voices, could not help but be aware of the extreme contingency of culture. I further audaciously hope that such a man will not mistake the happy accident of his own cultural sensibilities for a set of natural laws, suitable for general application. I even hope that he will find himself in agreement with George Bernard Shaw when he declared, "Patriotism is, fundamentally, a conviction that a particular country is the best in the world because you were born in it." But that may be an audacious hope too far. We'll see if Obama's lifelong vocal flexibility will enable him to say proudly with one voice "I love my country" while saying with another voice "It is a country, like other countries." I hope so. He seems just the man to demonstrate that between those two voices there exists no contradiction and no equivocation but rather a proper and decent human harmony.

Beijo banido em estação de trem


segunda-feira, fevereiro 16, 2009

O resgate de Obama


A great failure of nerve


How serious is this setback? One interpretation is that Mr Obama’s crew mismanaged expectations—that they promised a plan and came up with a concept. If so, that is a big mistake. Managing expectations is part of building confidence and when so much about these rescues is superhumanly complex, it is unforgivable to bungle the easy bit.

More worrying still is the chance that Mr Geithner’s vagueness comes from doubt about what to do, a reluctance to take tough decisions, and a timidity about asking Congress for enough cash. That is an alarming prospect. “Banksters” may be loathed everywhere (see article), but more money will surely be needed to clean up America’s banks and administer the financial fix the economy needs. That, as this newspaper has argued before, means both some form of “bad bank” for toxic loans (with temporary nationalisation part of that cleansing process, if necessary) and guarantees to cover catastrophic losses in the “good” banks that remain. Mr Obama’s
team must recognise this or they, like their predecessors, will come to be seen as part of the problem, not the solution.
The Economist, 14/02/09 p. 10

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

LEITURA DO NOVO TESTAMENTO



LEITURA DO NOVO TESTAMENTO

por Caio Fábio


Leia a Palavra com o coração simples e cheio de fé!
“Vós tendes a unção que vem do Santo, e não precisam de que ninguém ensine a vocês!”LEITURA DO NOVO TESTAMENTO: cada pessoa no Caminho deve fazer a leitura do N.T. conforme a seqüência que se segue, sem leitura orientada, a fim de que cada um, de si mesmo, verifique o significado do Evangelho sem as leituras pré-condicionantes aprendidas na religião.Os livros do Novo Testamento foram escritos na seguinte ordem: 1ª. e 2ª. Tessalonicenses; Gálatas, Efésios, 1ª. e 2ª. Coríntios, e Romanos; Colossenses, Filemom; Filipenses, 1ª. e 2ª. Timóteo e Tito; 1ª. Pedro; Marcos; Mateus; Hebreus; Lucas; Atos; Tiago, Judas, 1ª. 2ª. e 3ª. João; o evangelho de João, 2ª. Pedro; e Apocalipse.CHAVE HERMENÊUTICA: OLHE PARA JESUS E VOCÊ ENTENDERÁ A PALAVRA. "O Verbo se fez carne...", sendo assim, a Encarnação torna-se nossa única e possível chave hermenêutica para entender a Palavra, a mim mesmo, o próximo e a realidade atual.1. Deve-se ler existêncialmente a Bíblia como tendo seu espirito realizada em Cristo. Ele veio para cumprir tudo. Cumpriu? Sim! Está consumado! Mas cumpriu de uma maneira legal-aos-sentidos? Não! Prova disso que o cumprimento da Palavra em Jesus era justamente aquilo que os mestres da Lei em Seus dias chamavam de transgressão. Assim, há um espírito até na Lei. Jesus cumpriu esse espírito, não suas materializações!2. Deve-se ler as "falas" de Jesus e não somente fazer (quando se faz) exegese do texto. Antes disso, deve-se perguntar: qual o significado desse ensino de Jesus para Jesus? E a resposta é uma só: veja como Ele lidou com a vida, com as pessoas, com os fatos! Conferindo uma coisa com a outra fica-se livre da construção de dois seres irreconciliáveis: o Jesus que viveu cheio de amor e graça, e o Jesus que ensinou coisas que só os interpretes autorizados conseguem "captar".3. Desse modo, então, não se faz jamais uma interpretação textual que não coincida com o comportamento e com a atitude de Jesus na questão, conforme o Evangelho. Eu confiro tudo com o espírito de Jesus, conforme o Evangelho.4. Só assim Jesus não fica esquizofrênico ante os nossos sentidos: o que Ele disse, Ele viveu; e o que Ele viveu, é o que Ele disse."Assim, Jesus é a chave hermenêutica para se discernir a Palavra, mas mesmo assim, eu só a conhecerei como Verdade, se eu mesmo a provar na minha carne; e isto é o que acontece quando a gente anda no Caminho; e assim é mesmo quando a gente tropeça."

sábado, fevereiro 07, 2009

Era dos Extremos

O roteiro deste livro segue esse preceito. Ele começa com a Primeira Guerra Mundial, que assinalou o colapso da civilização (ocidental) do século xix. Tratava-se de uma civilização capitalista na economia; liberal na estrutura legal e constitucional; burguesa na imagem de sua classe hegemónica característica; exultante com o avanço da ciência, do conhecimento e da educação e também com o progresso material e moral; e profundamente convencida da centralidade da Europa, berço das revoluções da ciência, das artes, da política e da indústria e cuja economia prevalecera na maior parte do mundo, que seus soldados haviam conquistado e subjugado; uma Europa cujas populações (incluindo-se o vasto e crescente fluxo de emigrantes europeus e seus descendentes) haviam crescido até somar um terço da raça humana; e cujos maiores Estados constituíam o sistema da política mundial. (p. 16)




Parte 1- A Era da Catastrofe.














1. A Era da Guerra Total.


A Primeira Guerra Mundial envolveu todas as grandes potências, e na verdade todos os Estados europeus, com exceção da Espanha, os Países Baixos, os três países da Escandinávia e a Suíça. E mais: tropas do ultramar foram, muitas vezes pela primeira vez, enviadas para lutar e operar fora de suas regiões. Canadenses lutaram na França, australianos e neozelandeses forjaram a consciência nacional numa península do Egêu Gallipoli tornouse seu mito nacional e, mais importante, os Estados Unidos rejeitaram a advertência de George Washington quanto a complicações européias e mandaram seus soldados para lá, determinando assim a forma da história do século 20. Indianos foram enviados para a Europa e o Oriente Médio, batalhões de trabalhadores chineses vieram para o Ocidente, africanos lutaram no exército francês. Embora a ação militar fora da Europa não fosse muito significativa a não ser no Oriente Médio, a guerra naval foi mais uma vez global: a primeira batalha travouse em 1914, ao largo das ilhas Falkland, e as campanhas decisivas, entre submarinos alemães e comboios aliados, deramse sobre e sob os mares do Atlântico Norte e Médio. É quase desnecessário demonstrar que a Segunda Guerra Mundial foi global. Praticamente todos os Estados independentes do mundo se envolveram, quisessem ou não, embora as repúblicas da América Latina só participassem de forma mais nominal. As colônias das potências imperiais não tiveram escolha. Com exceção da futura República da Irlanda e de Suécia, Suíça, Portugal, Turquia e Espanha, na Europa, e talvez do Afeganistão, fora da Europa, quase todo o globo foi beligerante ou ocupado, ou as duas coisas juntas. Quanto aos campos de batalha, os nomes de ilhas melanésias e assentamentos nos desertos norteafricanos, na Birmânia e nas Filipinas, tornaram-se tão conhecidos dos leitores de jornais e radiouvintes e essa foi essencialmente a guerra dos noticiários radiofônicos quanto os nomes de batalhas no Ártico e no Cáucaso, na Normandia, em Stalingrado e em Kursk. A Segunda Guerra Mundial foi uma aula de geografia do mundo. Locais, regionais ou globais, as guerras do século 20 iriam darse numa escala muito mais vasta do que qualquer coisa experimentada antes. Das 74 guerras internacionais travadas entre 1816 e 1965 que especialistas americanos, amantes desse tipo de coisa, classificaram pelo número de vítimas, as quatro primeiras ocorreram no século 20: as duas guerras mundiais, a guerra do Japão contra a China em 1937-1939, e a Guerra da Coréia. Cada uma delas matou mais de 1 milhão de pessoas em combate. A maior guerra internacional documentada do século 19 pósnapoleônico, entre PrússiaAlemanha e França, em 1870-1871, matou talvez 150 mil pessoas, uma ordem de magnitude mais ou menos comparável às mortes da Guerra do Chaco, de 1932-1935, entre Bolívia (pop. c. 3 milhões) e Paraguai (pop. . 1,4 milhão). Em suma, 1914 inaugura a era do massacre (Singer, 1972, pp. 66 e 131).


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FACISMO




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Não é fácil discernir, depois de 1933, o que os vários tipos de fascismo tinham em comum, além de um senso geral de hegemonia alemã. A teoria não era o ponto forte de movimentos dedicados às inadequações da razão e do racionalismo e à superioridade do instinto e da vontade. Atraíram todo tipo de teóricos reacionários em países de vida intelectual conservadora ativa — a Alemanha é um caso óbvio —, mas estes eram elementos mais decorativos que estruturais do fascismo. Mussolini poderia facilmente ter dispensado seu filósofo de plantão, Giovanni Gentile, e Hitíer na certa nem soube nem se importou com o apoio do filósofo Heidegger. Também o fascismo não pode ser identificado com uma determinada forma de organização do Estado, como o Estado corporativista — a Alemanha perdeu logo o interesse por tais ideias, tanto mais porque elas conflitavam com a ideia de uma única, indivisa e total Embora o governo italiano também demonstrasse uma conspícua ausência de zelo no assunto, cerca de metade da pequena população judia italiana morreu; alguns, porém, mais como militantes antifascistas do que como simples vítimas (Steinberg, 1990; Hughes, 1983). 720 Volksgemeinschaft, ou Comunidade Popular. Mesmo um elemento aparentemente tão fundamental como o racismo no início estava ausente do fascismo italiano. Por outro lado, como vimos, o fascismo compartilhava nacionalismo, anticomunismo, antiliberalismo etc. com outros elementos não fascistas da direita. Vários desses, notadamente entre os grupos reacionários franceses não fascistas, também compartilhavam com ele a preferência pela violência de rua como política. A grande diferença entre a direita fascista e não fascista era que o fascismo existia mobilizando massas de baixo para cima. Pertencia essencialmente à era da política democrática e popular que os reacionários tradicionais deploravam, e que os defensores do "Estado orgânico" tentavam contornar. O fascismo rejubilava-se na mobilização das massas, e mantinha-a simbolicamente na forma de teatro público — os comícios de Nuremberg, as massas na piaz-za Venezia assistindo os gestos de Mussolini lá em cima na sacada — mesmo quando chegava ao poder; como também faziam os movimentos comunistas. Os fascistas eram os revolucionários da contra-revolução: em sua retórica, em seu apelo aos que se consideravam vítimas da sociedade, em sua convocação a uma total transformação da sociedade, e até mesmo em sua deliberada adaptação dos símbolos e nomes dos revolucionários sociais, tão óbvia no Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores de Hitier, com sua bandeira vermelha (modificada) e sua imediata instituição do Primeiro de Maio dos comunistas como feriado oficial em 1933.(Pág. 121)




Pacto Moscow- Ribbentrop










Embora os governos — todos os principais reconheceram a URSS depois de 1933 — sempre estivessem dispostos a chegar a um acordo com ela quando isso servia a seus propósitos, alguns de seus membros e agências continuavam a encarar o bolchevismo, interna e externamente, como o inimigo essencial, no espírito das guerras frias pós-1945. Os serviços de espionagem britânicos foram sabidamente excepcionais ao concentrarem-se de tal forma contra a ameaça vermelha que só a abandonaram como seu alvo principal em meados da década de 1930 (Andrew, 1985, p. 530). Apesar disso, muitos conservadores achavam, sobretudo na Grã-Bre-tanha, que a melhor de todas as soluções seria uma guerra germano-soviética, enfraquecendo, e talvez destruindo, os dois inimigos, e uma derrota do bolchevismo por uma enfraquecida Alemanha não seria uma coisa ruim. A relutância pura e simples dos governos ocidentais em entrar em negociações efetivas com o Estado vermelho, mesmo em 1938-9, quando a urgência de uma aliança anti-Hitier não era mais negada por ninguém, é demasiado patente .Na verdade, foi o temor de ter de enfrentar Hitier sozinho que acabou levando Stalin, desde 1935 um inflexível defensor de uma aliança com o Ocidente contra Hitier, ao Pacto Stalin-Ribbentrop de agosto de 1939, com o qual esperava manter a URSS fora da guerra enquanto a Alemanha e as potências ocidentais se enfraqueciam mutuamente, em proveito de seu Estado, que, pelas cláusulas secretas do pacto, ficava com uma grande parte dos territórios ocidentais perdidos pela Rússia após a revolução. O cálculo se revelou incorreto, mas, como as fracassadas tentativas de criar uma frente comum contra Hitier, demonstrou as divisões entre Estados que tomaram possível a ascensão extraordinária e praticamente sem resistência da Alemanha nazista entre 1933 e 1939. (página 152)








Linha Maginot








E no entanto os governos, e em particular o francês e o britânico, também tinham ficado marcados de forma indelével pela Grande Guerra. A França saíra dela dessangrada, e potencialmente uma força ainda menor e mais fraca que a derrotada Alemanha. A França não nada podia sem aliados contra uma Alemanha revivida, e os únicos países europeus que tinham igual interesse em aliar-se a ela, a Polónia e os Estados sucessores dos Habsburgo, se achavam fracos demais para isso. Os franceses investiram seu dinheiro numa linha de fortificações (a "Linha Maginot", nome de um ministro logo esquecido) que, esperavam, impediria os atacantes alemães pela perspectiva de perdas como as de Verdun (ver capítulo l). Fora isso, só podiam voltar-se para a Grã-Bretanha e, depois de 1933, para a URSS. Os governos britânicos tinham igual consciência de uma fraqueza fundamental. Financeiramente, não podiam se dar o luxo de outra guerra. Estrategicamente, não tinham mais uma marinha capaz de operar ao mesmo tempo nos três grandes oceanos e no Mediterrâneo. Ao mesmo tempo, o problema que de fato os preocupava não era o que acontecia na Europa, mas como manter inteiro, com forças claramente insuficientes, um império global geografica-mente maior do que jamais existira, mas também e visivelmente à beira da decomposição (p.154-155)




Guerra Fria


Mas não explica o tom apocalíptico da Guerra Fria. Ela se originou na América. Todos os governos europeus ocidentais, com ou sem grandes partidos comunistas, eram empenhadamente anticomunistas, e decididos a proteger-se de um possível ataque militar soviético. Nenhum deles teria hesitado, caso solicitados a escolher entre os EUA e a URSS, mesmo aqueles que, por história, política ou negociação, estavam comprometidos com a neutralidade. Contudo, a "conspiração comunista mundial" não era um elemento sério das políticas internas de nenhum dos governos com algum direito a chamar-se democracias políticas, pelo menos após os anos do imediato pós-guerra. Entre as nações democráticas, só nos EUA os presidentes eram eleitos (como John F. Kennedy em 1960) para combater o comunismo, que, em termos de política interna, era tão insignificante naquele país quanto o budismo na Irlanda. Se alguém introduziu o caráter de cruzada na Realpolitik de confronto internacional de potências, e o manteve lá, esse foi Washington. Na verdade, como demonstra a retórica de campanha de John F. Kennedy com a clareza da boa oratória, a questão não era a académica ameaça de dominação mundial comunista, mas a manutenção de uma supremacia americana concreta.* Deve-se acrescentar, no entanto, que os governos membros da OTAN, embora longe de satisfeitos com a política dos EUA, estavam dispostos a aceitar a supremacia americana como o preço da proteção contra o poderio militar de um sistema político antipático, enquanto este continuasse existindo. Tinham tão pouca disposição a confiar na URSS quanto Washington. Em suma, "contenção" era a política de todos; destruição do comunismo, não. Embora o aspecto mais óbvio da Guerra Fria fosse o confronto militar e a cada vez mais frenética corrida armamentista no Ocidente, não foi esse o seu grande impacto. As armas nucleares não foram usadas. As potências nucleares se envolveram em três grandes guerras (mas não umas contra as outras). Abalados pela vitória comunista na China, os EUA e seus aliados (disfarçados como Nações Unidas) intervieram na Coreia em 1950 para impedir que o regime comunista do Norte daquele país se estendesse ao Sul. O resultado foi um empate. Fizeram o mesmo, com o mesmo objetivo, no Vietnã, e perderam. A URSS retirou-se do Afeganistão em 1988, após oito anos nos quais forneceu ajuda militar ao governo para combater guerrilhas apoiadas pêlos americanos e abastecidas pelo Paquistão. Em suma, o material caro e de alta tecnologia da competição das superpotências revelou-se pouco decisivo. A ameaça constante de guerra produziu movimentos internacionais de paz essencialmente dirigidos contra as armas nucleares, os quais de tempos em tempos se tomaram movimentos de massa em partes da Europa, sendo vistos pêlos cruzados da Guerra Fria como armas secretas dos comunistas. Os movimentos pelo desarmamento nuclear tampouco foram decisivos, embora um movimento contra a guerra específico, o dos jovens americanos contra o seu recrutamento para a Guerra do Vietnã (1965-75), se mostrasse mais eficaz. No fim da Guerra Fria, esses movimentos deixaram recordações de boas causas e algumas curiosas relíquias periféricas, como a adoção do logotipo antinuclear pelas contraculturas pós-1968 e um entranhado preconceito entre os ambientalistas contra qualquer tipo de energia nuclear. Muito mais óbvias foram as consequências políticas da Guerra Fria. Quase de imediato, ela polarizou o mundo controlado pelas superpotências em dois "campos" marcadamente divididos. Os governos de unidade antifascista que tinham acabado com a guerra na Europa (exceto, significativamente, os três principais Estados beligerantes, URSS, EUA e Grã-Bretanha) dividiram-se em regimes pró-comunistas e anticomunistas homogéneos em 1947-8. No Ocidente, os comunistas desapareceram dos governos e foram sistematicamente marginalizados na política. Os EUA planejaram intervir militarmente se os comunistas vencessem as eleições de 1948 na Itália. A URSS fez o mesmo eliminando os não-comunistas de suas "democracias populares" multipartidá-rias, daí em diante reclassificadas como "ditaduras do proletariado", isto é, dos "partidos comunistas". Para enfrentar os EUA criou-se uma Internacional Comunista curiosamente restrita e eurocêntrica (o Cominform, ou Departamento de Informação Comunista), que foi discretamente dissolvida em 1956, quando as temperaturas internacionais baixaram. O controle direto soviético estendeu-se a toda a Europa Oriental, exceto, muito curiosamente, a Finlândia, que estava à mercê dos soviéticos e excluiu de seu governo o forte Partido Comunista, em 1948. Permanece obscuro o motivo pelo qual Stalin se absteve de lá instalar um governo satéliteTalvez a elevada probabilidade de os finlandeses voltarem a pegar em armas (como fizeram em 1939-40 e 1941-4) o tenha dissuadido, pois ele com certeza não queria correr o risco de entrar numa guerra que podia fugir ao seu controle. Ele tentou, sem êxito, impor o controle soviético à lugoslávia de Tito, que em resposta rompeu com Moscou em 1948, sem se juntar ao outro lado. As políticas do bloco comunista foram daí em diante previsivelmente monolíticas, embora a fragilidade do monolito se tomasse cada vez mais óbvia depois de 1956 (ver capítulo 16). A política dos Estados europeus alinhados com os EUA era menos monocromática, uma vez que praticamente todos os ii partidos locais, com exceção dos comunistas, se uniam em sua antipatia aos soviéticos. (p. 234)