Esta carta e verdadeiramente a mais importante peça do Novo Testamento. É o evangelho mais puro. É de grande valor para um Cristão não somente para memorizar palavra por palavra, mas também para o ocupar com isso diariamente, como se fosse o pão diário da alma. É impossível ler ou meditar nesta carta {tão pouco}. Quanto mais alguém lida com ela, mais preciosa ela se torna e melhor ela saboreia. Por esta razão, eu quero completar meu serviço e, com este prefácio, prover uma introdução para a carta, a medida que Deus me dá habilidade, de maneira que qualquer um possa obter o mais profundo entendimento dela. Até agora ela tem sido escurecida{colocada em trevas} pelas interpretações [notas de explicação e comentários que acompanham o texto] e por muitos um comentário sem uso, mas está dentro dela própria uma luz resplandecente, quase resplandecente o suficiente para iluminar toda a Escritura. ( MARTINHO LUTERO, Prefácio à Carta de Romanos)
Romanos é uma carta sobre o Evangelho, foi escrita por um homem que teve a vida e a obra envolvida pelo Evangelho, mostrando a diferença que traz e faz o evangelho.Sem surpresa, o começo desta carta já fala do Evangelho.
SEPARADO PELO EVANGELHO (Rm 1:1).
Paulo se coloca como servo (escravo) de Jesus Cristo. Ele está sob a autoridade do seu Mestre.
Ele também é um apóstolo, um enviado por Jesus para pregar o Evangelho para os gentios. Em Atos 9:1-15, lemos sobre esta chamada de Jesus.
Na igreja primeva, alguns discordavam do apostolado de Paulo. Por que?
Paulo era um perseguidor dos cristãos, então para alguns que não aceitavam sua mensagem, ele não poderia ser considerado como um dos apóstolos.
Outra razão é que para ser considerado um apóstolo, teria de ser alguém que fosse uma testemunha ocular da vida de Jesus
Atos 1:21-26 É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição. Então, propuseram dois: José, chamado Barsabás, cognominado Justo, e Matias. E, orando, disseram: Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se transviou, indo para o seu próprio lugar. E os lançaram em sortes, vindo a sorte recair sobre Matias, sendo-lhe, então, votado lugar com os onze apóstolos.
Gl 1.18-24: Depois, passados três anos, fui a Jerusalém para ver a Pedro e fiquei com ele quinze dias. 1.19 E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor. 1.20 Ora, acerca do que vos escrevo, eis que diante de Deus testifico que não minto. 1.21 Depois, fui para as partes da Síria e da Cilícia. 1.22 E não era conhecido de vista das igrejas da Judeia, que estavam em Cristo; 1.23 mas somente tinham ouvido dizer: Aquele que já nos perseguiu anuncia, agora, a fé que, antes, destruía. 1.24 E glorificavam a Deus a respeito de mim.
O EVANGELHO DE DEUS (Rm 1:2-4).
"O recado que Paulo tem para entregar é o “Evangelho de Deus”; é transmitir aos homens a inaudita, boa e alegre verdade de Deus! Justamente de Deus! Não se trata de mensagem religiosa, ou de notícia ou instrução sobre a divindade ou a divinização do homem, mas da mensagem de um Deus totalmente diferente do qual o homem, como tal, nunca virá a ter conhecimento, ou ter parte, mas de quem, por isso mesmo, vem a salvação; não é algo a ser entendido diretamente, uma coisa a ser compreendida, de uma vez, entre as demais coisas, mas é a Palavra sempre nova que precisa ser percebida sempre de novo, com temor e tremor; é a Palavra sempre reiterada, da origem de todas as coisas." (KARL BARTH, COMENTÁRIO DE ROMANOS,p. 28)
2Sm 7:11-16: desde o dia em que mandei que houvesse juízes sobre o meu povo Israel. A ti, porém, te dei descanso de todos os teus inimigos; também o SENHOR te faz saber que o SENHOR te fará casa. 12 Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então, farei levantar depois de ti a tua semente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. 13 Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre. 14 Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens e com açoites de filhos de homens. 15 Mas a minha benignidade se não apartará dele, como a tirei de Saul, a quem tirei de diante de ti. 16 Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para sempre.
A OBEDIÊNCIA PELA FÉ. (Rm 1:5)
Por meio dele e por causa do seu nome, recebemos graça e apostolado para chamar dentre todas as nações um povo para a obediência que vem pela fé (Rm 1:5).
"Nunca devemos deixar nossos encontros na igreja, gastando um tempo cercado por pessoas amadas, pessoas diferenciadas pela fé, sem que sejamos encorajados" (Keller, p. 16)
Existem duas maneiras de alguém se endividar. A primeira é emprestando dinheiro de alguém; a segunda é quando alguém nos dá dinheiro para uma terceira pessoa. Por exemplo, se eu pegasse R$ 1.000,00 emprestados de você, eu seria seu devedor até que lhe restituísse o dinheiro. Da mesma forma, se um amigo seu me desse R$1.000,00 para lhe entregar, eu estaria em dívida com você até que entregasse o dinheiro ao destinatário. No primeiro caso, eu estaria endividado por tomar emprestado; no segundo, seria o seu amigo que, ao confiar-me os R$ 1.000,00, me poria em dívida com você.
É no segundo sentido que Paulo está endividado. Ele não emprestou nada dos romanos que tenha de devolver. Mas Jesus Cristo lhe confiou o evangelho para ser passado a eles. Várias vezes em suas cartas ele fala de como o evangelho "lhe foi confiado", de como foi "encarregado" de anunciá-lo.2 É verdade que essa metáfora tem mais a ver com mordomia (ou administração) do que com dívida, mas a idéia é a mesma. Foi Jesus Cristo quem fez de Paulo um devedor ao confiar-lhe o evangelho. Agora Paulo tinha uma dívida para com os romanos. Como apóstolo dos gentios, ele tinha uma dívida particular para com o mundo gentílico, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes . Não se sabe ao certo como se deveria entender essa classificação. Pode ser que os dois pares de palavras indiquem contraste dentro de um mesmo grupo, ou então que o primeiro aponte para diferenças de nacionalidade, cultura e linguagem, enquanto o segundo seria uma alusão a diferenças de inteligência e educação. De qualquer maneira, essas duas expressões, juntas, cobrem a totalidade do mundo dos gentios. Foi movido por esse senso de dívida para com eles que Paulo escreveu: Por isso estou disposto a pregar o evangelho também a vocês que estão em Roma (JOHN STOTT, A MENSAGEM DE ROMANOS,p. 28)
"a justiça de Deus" é a iniciativa justa tomada por Deus ao justificar os pecadores consigo mesmo, concedendo-lhes uma justiça que não lhes pertence, mas que vem do próprio Deus. "A justiça de Deus" é a justificação justa do injusto, sua maneira justa de declarar justo o injusto, através da qual ele demonstra sua justiça e, ao mesmo tempo, nos confere justiça. Ele o fez através de Cristo, o justo, que morreu pelos injustos, como Paulo explica mais adiante. E ele o faz pela fé quando confiamos nele, clamando a ele por misericórdia" (JOHN STOTT, A Mensagem de Romanos, p. 31)
BIBLIOGRAFIA
O evangelho sempre nos causa ofensa, porque ele nos revela que temos uma necessidade que não podemos completar. Nós precisamos lembrar que ele é o poder de Deus. Nós precisamos lembrar que ele revela a justiça de Deus. Isto é o que fundamentalmente reverte nossa atitude em compartilhar o evangelho. O oposto de ser envergonhado é disposição e vontade. Nos tornamos dispostos quando nós sabemos a verdade, o poder e a maravilha do evangelho tão profundamente que nós anunciamos isto não porque nós devemos fazer, ou porque nós nos sentimos que teríamos que fazer, mas porque nós queremos e amamos fazer para a glória do nome Dele. (KELLER, p. 23)
ROMANS 1-7 FOR YOU de TIMOTHY KELLER
A MENSAGEM DE ROMANOS de JOHN STOTT








