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quarta-feira, junho 25, 2014

Romanos 1:1-17: Introduzindo o Evangelho




ROMANOS 1:1-17: Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus, 1.2   o qual antes havia prometido pelos seus profetas nas Santas Escrituras, 1.3   acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, 1.4   declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, — Jesus Cristo, nosso Senhor, 1.5   pelo qual recebemos a graça e o apostolado, para a obediência da fé entre todas as gentes pelo seu nome, 6   entre as quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo. 7   A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos: Graça e paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.  8   Primeiramente, dou graças ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé.  9   Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, me é testemunha de como incessantemente faço menção de vós, 10   pedindo sempre em minhas orações que, nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de ir ter convosco. 11   Porque desejo ver-vos, para vos comunicar algum dom espiritual, a fim de que sejais confortados, 12   isto é, para que juntamente convosco eu seja consolado pela fé mútua, tanto vossa como minha. 13   Não quero, porém, irmãos, que ignoreis que muitas vezes propus ir ter convosco (mas até agora tenho sido impedido) para também ter entre vós algum fruto, como também entre os demais gentios. 14   Eu sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes. 15   E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma. 16   Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego. 17   Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.



Esta carta e verdadeiramente a mais importante peça do Novo Testamento. É o evangelho mais puro. É de grande valor para um Cristão não somente para memorizar palavra por palavra, mas também para o ocupar com isso diariamente, como se fosse o pão diário da alma. É impossível ler ou meditar nesta carta {tão pouco}. Quanto mais alguém lida com ela, mais preciosa ela se torna e melhor ela saboreia. Por esta razão, eu quero completar meu serviço e, com este prefácio, prover uma introdução para a carta, a medida que Deus me dá habilidade, de maneira que qualquer um possa obter o mais profundo entendimento dela. Até agora ela tem sido escurecida{colocada em trevas} pelas interpretações [notas de explicação e comentários que acompanham o texto] e por muitos um comentário sem uso, mas está dentro dela própria uma luz resplandecente, quase resplandecente o suficiente para iluminar toda a Escritura. ( MARTINHO LUTERO, Prefácio à Carta de Romanos)



Romanos é uma carta sobre o Evangelho, foi escrita por um homem que teve a vida e a obra envolvida pelo Evangelho, mostrando a diferença que traz e faz o evangelho.Sem surpresa, o começo desta carta já fala do Evangelho.


SEPARADO PELO EVANGELHO (Rm 1:1).


Paulo se coloca como servo (escravo) de Jesus Cristo. Ele está sob a autoridade do seu Mestre. 


Ele também é um apóstolo, um enviado por Jesus para pregar o Evangelho para os gentios.  Em Atos 9:1-15, lemos sobre esta chamada de Jesus.


Na igreja primeva, alguns discordavam do apostolado de Paulo. Por que?


Paulo era um perseguidor dos cristãos, então para alguns que não aceitavam sua mensagem, ele não poderia ser considerado como um dos apóstolos.


Outra razão é que para ser considerado um apóstolo, teria de ser alguém que fosse uma testemunha ocular da vida de Jesus 



Atos 1:21-26 É necessário, pois, que, dos homens que nos acompanharam todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós, começando no batismo de João, até ao dia em que dentre nós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição. Então, propuseram dois: José, chamado Barsabás, cognominado Justo, e Matias. E, orando, disseram: Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se transviou, indo para o seu próprio lugar. E os lançaram em sortes, vindo a sorte recair sobre Matias, sendo-lhe, então, votado lugar com os onze apóstolos.

Mas, Paulo recebeu seu testemunho acerca de Jesus do próprio Senhor. Como vemos em Gálatas:

Gl 1.18-24:  Depois, passados três anos, fui a Jerusalém para ver a Pedro e fiquei com ele quinze dias. 1.19   E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor. 1.20   Ora, acerca do que vos escrevo, eis que diante de Deus testifico que não minto. 1.21 Depois, fui para as partes da Síria e da Cilícia. 1.22   E não era conhecido de vista das igrejas da Judeia, que estavam em Cristo; 1.23   mas somente tinham ouvido dizer: Aquele que já nos perseguiu anuncia, agora, a fé que, antes, destruía. 1.24   E glorificavam a Deus a respeito de mim.

O EVANGELHO DE DEUS (Rm 1:2-4).

"O recado que Paulo tem para entregar é o “Evangelho de Deus”; é transmitir aos homens a inaudita, boa e alegre verdade de Deus! Justamente de Deus! Não se trata de mensagem religiosa, ou de notícia ou instrução sobre a divindade ou a divinização do homem, mas da mensagem de um Deus totalmente diferente do qual o homem, como tal, nunca virá a ter conhecimento, ou ter parte, mas de quem, por isso mesmo, vem a salvação; não é algo a ser entendido diretamente, uma coisa a ser compreendida, de uma vez, entre as demais coisas, mas é a Palavra sempre nova que precisa ser percebida sempre de novo, com temor e tremor; é a Palavra sempre reiterada, da origem de todas as coisas." (KARL BARTH, COMENTÁRIO DE ROMANOS,p. 28)

O Evangelho não é uma construção do apóstolo Paulo, mas é algo que ele recebeu de Deus. O Evangelho também não são bons avisos, mas são as boas novas daquilo que Deus fez por nós em Jesus Cristo.

O versículo 2 fala que foi prometido pelos seus profetas nas Sagradas Escrituras. Toda a Bíblia fala a respeito de Jesus.  O Evangelho não é um conceito, mas é uma pessoa.



Jesus é o verdadeiro Adão, que passou no teste do Jardim.


Jesus é o verdadeiro Abel, cujo sangue verteu para a salvação.
Jesus é o verdadeiro Abraão, que respondeu ao chamado de Deus, deixando seu lar, para fazer um novo povo.
Jesus é o verdadeiro Isaque, que foi sacrificado por seu Pai, e agora sabemos que Deus nos ama.
Jesus é o verdadeiro Jacó, que foi ferido por Deus para que possamos ser abençoados.
Jesus é o verdadeiro José, que está à direita do Rei e intercede por nós que o lançamos a morte


O conteúdo do Evangelho é o Filho de Deus.

Totalmente homem (nascido da descendência de Davi (vs.3))

Aquele que cumpre as promessas das Escrituras. 

2Sm 7:11-16:   desde o dia em que mandei que houvesse juízes sobre o meu povo Israel. A ti, porém, te dei descanso de todos os teus inimigos; também o SENHOR te faz saber que o SENHOR te fará casa. 12   Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então, farei levantar depois de ti a tua semente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. 13   Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre. 14   Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens e com açoites de filhos de homens. 15   Mas a minha benignidade se não apartará dele, como a tirei de Saul, a quem tirei de diante de ti. 16   Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para sempre.

Totalmente Deus ( "declarado com poder para ser Filho de Deus pela ressurreição da morte" (vs.4)

Paulo aqui não está dizendo que Jesus apenas se fez Deus após levantar da tumba. Ao invés disso, Ele está dizendo que a tumba vazia é uma grande declaração de quem Jesus é. Sua ressurreição remove toda a dúvida sobre que Ele é o Filho de Deus.  E sua ascensão demonstra que agora Ele está junto ao Pai (Ef 1:19-22) com poder.


Por isto, Ele é o nosso Senhor, que governa sobre tudo.

A OBEDIÊNCIA PELA FÉ. (Rm 1:5)


Paulo diz que recebeu o apostolado e a graça através de Jesus, para a obediência da fé. Na versão NVI, o texto está mais claro:

Por meio dele e por causa do seu nome, recebemos graça e apostolado para chamar dentre todas as nações um povo para a obediência que vem pela fé (Rm 1:5).

A obediência a Deus vem da fé, é uma consequência da fé salvífica e não uma segunda condição para a salvação. 

 A verdadeira fé em nossos corações leva a uma obediência verdadeira em nossas vidas. Por que? Porque o evangelho é uma declaração que Jesus é o rei prometido, o Filho de Deus ressuscitado e cheio de poder, que agora nos convida a desfrutar das bênçãos do seu reinado.  

A fé verdadeira é uma fé no rei divino para quem nós devemos nossa obediência e de quem somos servos agora. Uma obediência alegre flui de uma confiança verdadeira neste rei. 

PORQUE PAULO ENVIOU A ROMA ESTA CARTA? (1: 6-13)

Há quatro características que Paulo fala a respeito da igreja de Roma que servem para qualquer igreja:

1. Chamados para pertencer a Jesus Cristo.
2. Amados por Deus.
3. Chamados para ser santos.
4. Desfrutar da graça e da paz.

Nos versos 8 a 13, vemos que Paulo nunca esteve com esta igreja.  Mas, ele quer encorajar esta igreja e ser encorajado por ela. 

Os versículos 11 e 12 mostram que a obediência pela fé leva a humildade para servir e ser servido pelas pessoas. No verso 11, vemos que os dons servem para fortalecer as outras pessoas na fé. E no verso 12, devemos permitir que os outros a usarem seus dons para nos ajudar.

"Nunca devemos deixar nossos encontros na igreja, gastando um tempo cercado por pessoas amadas, pessoas diferenciadas pela fé, sem que sejamos encorajados" (Keller, p. 16)
A COLHEITA (Rm 1:13-15)

 Paulo fala de sua dívida em pregar o Evangelho que recebeu de Deus, que deve ser falado tanto para os que estão dentro ou fora da igreja.


Existem duas maneiras de alguém se endividar. A primeira é emprestando dinheiro de alguém; a segunda é quando alguém nos dá dinheiro para uma terceira pessoa. Por exemplo, se eu pegasse R$ 1.000,00 emprestados de você, eu seria seu devedor até que lhe restituísse o dinheiro. Da mesma forma, se um amigo seu me desse R$1.000,00 para lhe entregar, eu estaria em dívida com você até que entregasse o dinheiro ao destinatário. No primeiro caso, eu estaria endividado por tomar emprestado; no segundo, seria o seu amigo que, ao confiar-me os R$ 1.000,00, me poria em dívida com você.
É no segundo sentido que Paulo está endividado. Ele não emprestou nada dos romanos que tenha de devolver. Mas Jesus Cristo lhe confiou o evangelho para ser passado a eles. Várias vezes em suas cartas ele fala de como o evangelho "lhe foi confiado", de como foi "encarregado" de anunciá-lo.2 É verdade que essa metáfora tem mais a ver com mordomia (ou administração) do que com dívida, mas a idéia é a mesma. Foi Jesus Cristo quem fez de Paulo um devedor ao confiar-lhe o evangelho. Agora Paulo tinha uma dívida para com os romanos. Como apóstolo dos gentios, ele tinha uma dívida particular para com o mundo gentílico, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes . Não se sabe ao certo como se deveria entender essa classificação. Pode ser que os dois pares de palavras indiquem contraste dentro de um mesmo grupo, ou então que o primeiro aponte para diferenças de nacionalidade, cultura e linguagem, enquanto o segundo seria uma alusão a diferenças de inteligência e educação. De qualquer maneira, essas duas expressões, juntas, cobrem a totalidade do mundo dos gentios. Foi movido por esse senso de dívida para com eles que Paulo escreveu: Por isso estou disposto a pregar o evangelho também a vocês que estão em Roma (JOHN STOTT, A MENSAGEM DE ROMANOS,p. 28)
A OFENSA DO EVANGELHO (Rm 1:16)

A palavra traduzida por vergonha por também significar no original ofensa. Seria o Evangelho ofensivo?

1. O evangelho por nos falar que a nossa salvação é livre e imerecida, é realmente um insulto. Ele nos fala que nós estamos tão falidos espiritualmente que a única forma de sermos salvos é pela graça. Isto ofende pessoas moralistas e religiosas que pensam que sua decência dá a eles uma vantagem em relação a pessoas imorais.

2. O evangelho também é um insulto quando nos fala que Jesus morreu por nós. Nós diz que estávamos tão perdidos que apenas a morte do Filho de Deus poderia nos salvar. Isto ofende a crença moderna da auto-estima que acredita que as pessoas têm uma bondade inata.

3. O evangelho, ao dizer para nós que tentar ser espiritual ou bonzinho não será o suficiente. Ele insiste que nenhuma pessoa boa será salva, a não ser que aqueles que venham a Deus através de Jesus. Isto ofende a crença moderna que a pessoa pode encontrar Deus em qualquer lugar do seu próprio jeito. Não gostamos de perder nossa autonomia.

4. O evangelho nos diz que a nossa salvação foi conquistada pelo sofrimento e serviço de Jesus, não por conquista ou destruição. E que seguir a Ele significa que vamos sofrer e servir com Ele. Isto ofende as pessoas que querem salvação para ter uma vida fácil, isto também ofende as pessoas que querem que suas vidas estejam seguras e confortáveis.

Ainda assim, Paulo não tem vergonha deste evangelho que nos envergonha. 

Porque Ele é o poder de Deus:  o evangelho não são só palavras, mas palavras com poder. A mensagem do evangelho é sobre o que Deus fez e fará por nós. É o poder que pode transformar e mudar as coisas em nossas vidas.

O poder de Deus é visto na sua habilidade de transformar completamente as mentes e os corações. É poderoso porque nenhum outro poder na terra pode nos salvar, nos reconciliar com Deus e garantir um lugar no reino de Deus para sempre.

O que é requerido é crer, este poder está oferecido para todos que crerem. Apenas a fé é o verdadeiro canal para o poder de Deus. Esta oferecido para todos, mas só pode ser experimentado para quem crer.

A JUSTIÇA REVELADA (Rm 1:17)

O que faz o Evangelho tão poderoso? É porque nele está revelada a justiça de Deus, aquilo que Jesus conquistou para a humanidade. 


A justiça de Deus pode ser referida para o caráter justo de Deus que nos é revelado pelo Evangelho, por aquilo que Jesus fez e faz por nós. 


"a justiça de Deus" é a iniciativa justa tomada por Deus ao justificar os pecadores consigo mesmo, concedendo-lhes uma justiça que não lhes pertence, mas que vem do próprio Deus. "A justiça de Deus" é a justificação justa do injusto, sua maneira justa de declarar justo o injusto, através da qual ele demonstra sua  justiça e, ao mesmo tempo, nos confere justiça. Ele o fez através de Cristo, o justo, que morreu pelos injustos, como Paulo explica mais adiante. E ele o faz pela fé quando confiamos nele, clamando a ele por misericórdia" (JOHN STOTT, A Mensagem de Romanos, p. 31)
Esta justiça vem para nós através da fé, e uma fé do começo até o fim.  A justiça, a retidão é apenas recebida através da fé.  

Algumas pessoas pensam que Jesus morreu para nos perdoar apenas. Isto é verdade, mas não é tudo. Agora, que fomos perdoados temos que sair da cadeia e viver uma vida digna por nós mesmos. Contudo, no Evangelho nós descobrimos que Jesus tomou sobre si toda a nossa vida, dependemos dele para viver ela.

Como não viver pela fé? 
Quando tentamos viver sendo o nosso próprio salvador.

1. Quando pessoas licenciosas rejeitam a religião e Deus, sua rebelião é realmente uma recusa em acreditar no evangelho - a mensagem que nós somos tão pecadores, que apenas Jesus pode ser o nosso salvador.

2. Quando pessoas moralistas tomam a religião e o moralismo e  se tomar ou ansiosas (porque não conseguem viver de acordo com as regras que estabeleceram ) ou orgulhosas (porque acham que conseguem).  A ansiedade ou o orgulho é uma amostra que recusam o evangelho.

3. Quando o crente peca, isto sempre envolve um esquecimento de que não podem salvar a si mesmos. Busca em outra coisa aquilo que apenas Deus pode dar.



O evangelho sempre nos causa ofensa, porque ele nos revela que temos uma necessidade que não podemos completar. Nós precisamos lembrar que ele é o poder de Deus. Nós precisamos lembrar que ele revela a justiça de Deus. Isto é o que fundamentalmente reverte nossa atitude em compartilhar o evangelho. O oposto de ser envergonhado é disposição e vontade. Nos tornamos dispostos quando nós sabemos a verdade, o poder e a maravilha do evangelho tão profundamente que nós anunciamos isto não porque nós devemos fazer, ou porque nós nos sentimos que teríamos que fazer, mas porque nós queremos e amamos fazer para a glória do nome Dele. (KELLER, p. 23)



BIBLIOGRAFIA

ROMANS 1-7 FOR YOU de TIMOTHY KELLER

A MENSAGEM DE ROMANOS de JOHN STOTT





segunda-feira, junho 13, 2011

WATCHMEN NEE: A vida cristã normal

Logo no primeiro capítulo Nee lança as bases de sua fé, para ele a vida cristã normal é Vivo não mais eu, mas Cristo vive a Sua vida em mim.

Deus nos revela claramente, na Sua Palavra, que so­mente há uma resposta para cada necessidade humana — Seu Filho, Jesus Cristo. Em toda a Sua ação a nosso res­peito, Deus usa o critério de nos tirar do caminho, pondo Cristo, o Substituto, em nosso lugar. O Filho de Deus morreu em nosso lugar, para obter o nosso perdão; Ele vive em vez de nós, para alcançar o nosso livramento. Podemos falar, pois, de duas substituições — uma Substi­tuição na Cruz, que assegura o nosso perdão, e uma Substituição interior que assegura a nossa vitória.. Ajudar-nos-á grandemente, e evitará muita confusão, conservar constantemente perante nós este fato: Deus responderá a todos os nossos problemas de uma só forma: mostrando-nos mais do Seu Filho.

Isto posto, Nee parte para  o  estudo dos primeiros oito capítulos de Romanos,  sendo que na primeira seção que vai até 5.11, considera-se a questão dos pecados que eu tenho cometido diante de Deus, que são muitos e que podem ser enumerados, enquanto que, na segunda(5.12-8.39), trata-se do pecado como princípio que opera em mim. De tal modo que existe dentro de mim uma inclinação para pecar, um poder interior que leva ao pecado. Quan­do aquele poder anda solto, eu cometo pecados. Posso procurar e receber o perdão, depois, porém, peco outra vez. E, assim, a vida continua num círculo vicioso de pe­car e ser perdoado e depois pecar outra vez. Aprecio o fato bendito do perdão de Deus, mas eu desejo algo mais do que isso: preciso de livramento. Preciso de perdão pa­ra o que tenho feito, mas preciso também de ser liberta­do daquilo que sou.




Para estes dois problemas, apresentam-se dois aspectos da salvação: em primeiro lugar, perdão dos pecados, e em segundo lugar, libertação dos pecados.  Para Nee, o sangue de Jesus  está ligado aquilo que fizemos, enquanto que a cruz está ligada a nossa natureza. O Sangue purifica os nossos pecados, enquanto que a Cruz atinge a raiz da nossa capacidade de pecar.


Todos pecaram - Rm 3.23

Nee fala da queda, o pecado entrou pela desobediência- Rm 5.19-. Criando uma separação entre Deus e o homem, há um afastando para todos- Rm 3.9-. Isto leva a um sentimento de culpa- de afastamento e  separação de Deus. 



O pecado entra na forma de desobediência, para criar, em primeiro lugar, separação entre Deus e o ho mem, do que resulta ser este afastado de Deus. Deus já não pode ter comunhão com ele, por agora existir algo que a impede, e que, através de toda a Escritura, é co nhecido como "pecado". Desta forma, é Deus que, pri meiramente, diz: "Todos... estão debaixo do pecado" (Rm 3.9). Em segundo lugar, o pecado, que daí em dian te constitui barreira à comunhão do homem com Deus, comunica-lhe um sentimento de culpa — de afastamento e separação de Deus. Agora, é o próprio homem que, mediante a sua consciência despertada, diz: "Pequei" (Lc 15.18). E ainda não é tudo, porque o pecado oferece também a Satanás uma possibilidade de acusação diante de Deus, enquanto o nosso sentimento de culpa lhe dá ocasião para nos acusar nos nossos corações; assim, pois, em terceiro lugar, é o "acusador dos irmãos" (Ap 12.10), que agora diz: "Tu pecaste".
As Escrituras mostram como o Sangue de Cristo opera eficazmente nestes três aspectos, em relação a Deus, em relação ao homem, e em relação a Satanás,

O Sangue é para expiação e, em primeiro lugar, rela ciona-se com a nossa posição diante de Deus. Precisamos de perdão dos nossos pecados cometidos para que não caiamos sob julgamento; e eles nos são perdoados, não porque Deus não os leva a sério, mas porque Ele vê o Sangue. O Sangue é, pois, primariamente, não para nós, mas para Deus.

domingo, agosto 08, 2010

D. Martin Lloyd-Jones: Romanos 8:14

Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.

Romanos 8:14

Há o começo de um novo ponto aqui que se estenderá até o vs. 17.  O grande tema deste capítulo é a segurança do cristão, conforme Lloyd-Jones.

“A mensagem do capítulo é a segurança e certeza da salvação, ou, como prefiro expressá-lo, a certeza absolura da perseverança final de todos quantos foram justificados em Cristo Jesus pela fé” p.201

O tema, então, é a certeza absoluta da salvação final, completa e total do cristão, incluindo até mesmo o seu corpo. Este tema teve início no capítulo 5, quando Paulo introduz a doutrina cardinal da união do cristão com Cristo, como ele estivera em Adão, agora está em Cristo.

O homem que está em Cristo, não tem mais condenação- Rm. 8:1-. Não está mais debaixo da lei no sentido da condenação, mas debaixo da graça. A final, completa e total libertação do pecado é garantida pela habitação do Espírito em nós.

“Se o Espírito de Cristo não está em nós, não somos dele, mas, se Ele está em nós, somos dEle, e, como o apóstolo nos demonstrou em detalhe, o Espírito realiza e continuará realizando a nossa santificação”. p. 202

 

O comentarista nota que há um processo no pensamento paulino, primeiro, ele nos fala que a mortificação das obras do corpo é guiada pelo Espírito, é Ele que nos leva a fazer isto. E desse mesmo modo, Paulo chega a sua declaração, que somos filhos de  Deus. Ninguém a não ser o cristão, mortifica as obras da carne, ninguém senão o cristão submete-se ao Espírito Santo. esta é a prova positiva que somos conduzidos pelo Espirito Santo, e assim, filhos de Deus.

O tema da filiação liga-se a certeza e segurança da salvação e não a santificação. É um erro, a interpretação popular que diz que o capítulo 6 fala da santificação, o 7 do cristão incompleto e o 8 da santificação completa. Segundo Lloyd-Jones, a santificação aqui é subsidiária, porque a santificação nunca pode ser considerada com um fim em si mesma.

Dizem eles: Aqui estou eu, um  cristão, mas estou sendo derrotado, e maior de todas as perguntas é: como posso ficar livre da minha vida de fracassos como cristão? Como posso obter  vitória e viver a vida vitoriosa? Essa é a abordagem. Por isso a questão da santificação se torna maior e mais importante. Todavia a maior preocupação do apóstolo é que saibamos e compreendemos que somos filhos de Deus, que nos regozigemos e louvemos a Deus e clamemos Abba Pai, que nos libertemos do espírito de escravidão. Seu desejo é que estejemos tão certos e seguros disso que, não importa o que nos sobrevenha de fora, permaneceremos plenamente confiantes em que somos herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, se com Ele sofremos, também com Ele seremos glorificados” p. 204

 

Glorificação vindoura.

Segundo o comentarista, o interesse de Paulo aqui está na glorificação vindoura, e não na santificação. O que interessa é a glorificação final que inclui o nosso corpo, pois este é o objetivo final e não a santificação.

A proposição que somos filhos de Deus está ligada à segurança, nega e desmente o atual ensino popular que fala muito sobre a paternidade universal de Deus e sobre a fraternidade universal do homem- e assim, a salvação universal, que apregoa que toda a humanidade será salva, até mesmo os anjos decaídos e o próprio diabo.

A Bíblia divide a humanidade toda num ou noutro destes dois grupos: ou somos povo de Deus, ou não somos povo de Deus. Somos salvos ou perdidos, estamos vivendo ou perecendo (…) Ou somos filhos de Deus e temos olhos postos na glória futura, ou a ira de Deus permanece sobre nós. Nesta vida e neste mundo o nosso destino eterno é decidido. Somos confrontados por estas duas possibilidades. Este é o tema mais importante da Bíblia. Somos chamados para fugir ou separar-nos de um mundo condenado, a fugir da ira vindoura, a sair, a separar-nos, como pessoas pertencentes a Deus. (…) Somente são filhos de Deus aqueles, e tão-somente aqueles, que são guiados pelo Espírito de Deus, diz o apóstolo. E, como veremos, toda a substância da idéia de adoção torna isso absolutamente essencial. Não há nenhum sentido na doutrina da adoção, a não ser que o nosso postulado básico e fundamental seja que todo homem é por natureza filho da ira, como Paulo diz em Efésios 2:2” (p. 207)

O comentarista traça um paralelo entre o texto e Galatas 4, sobre a diferença entre a criança e ser filho. que a posição neo testamentária é distinta do antigo testamento e devemos ter consciência disto.

Outro ponto levantado é a filiação de Adão, a ele pertencemos por natureza, e assim, somos filhos da ira.

“O Senhor Jesus  é o unico Filho de Deus, Seu Filho unigênito, Ele está só, nessa posição; Ele é único, o Filho unigênito do Pai, único filho de Deus de Deus gerado. É completamente antíbíblico dizer que todos os seres humanos são filhos de Deus” p. 211

Sendo assim, a adoção é o ato de Deus pelo qual Ele nos recebe e nos inclui em Sua família. A adoção deve ser entendida como um ato legal, gerido pela lei. Segundo o pregador, não é idêntica à justificação,aproxima-se a ela. Porque quando Deus diz legalmente, em termos forenses,  que considera uma pessoa justificada em Cristo, ele também adota aquela pessoa como membro da sua família santa. A adoção deve, então, ser pensada como um grande ato legal de Deus para conosco.

Foi Deus quem nos adotou, o cristão não é só alguém que foi adotado, podemos dizer conforme Lloyd-Jones, que houve uma mudança com ele, aconteceu o novo nascimento. A adoção por Cristo não é somente algo externo, já que estamos nEle- 1Jo 3:9, 2Pe 1:4-.

“Ele assumiu nossa natureza, e nessa natureza estamos nEle, e assim, dessa maneira extraordinária, somos participantes da natureza divina, meditante a humanidade de Cristo e nossa união com Ele. Somos membros do Seu corpo. Por isso não estacamos ao chegarmos a adoção, regozijamo-nos no fato de que, com resultado do novo nascimento, somos nascidos de Deus, somos participantes da natureza divina” p. 212

D. Martin Lloyd- Jones: Rm 8:12-13

De maneira que, irmãos, somos devedores, não à carne para viver segundo a carne. Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis. 

Romanos 8:12-13

 

“Devemos tratar primeiro da palavra ‘corpo’, q qual significa o nosso corpo físico, a nossa estrutura física, como no versículo dez. Não significa carne. Até o grande dr. John Owen perde o rumo neste ponto e trata o termo como significando carne, e não corpo. Mas o apóstolo, que tinha falado tanto sobre a carne, fala aqui deliberadamente sobre o corpo. Ele tinha feito isso nos versículos 10 e 11, como também no versículo doze do capítulo seis. Ele se refere ao corpo físico, no qual o pecado ainda permanece, porém que um dia será ressuscitado incorruptível e glorificado, vindo a ser semelhante ao corpo glorificado do nosso bendito Senhor e Salvador” p. 179

O corpo não é inerentemente pecaminoso, o homem foi feito perfeito em corpo, alma e espírito, este é o ensino do Novo Testamento.  Quando o homem pecou, a totalidade dele caiu, a sua alma, corpo e espírito se tornaram pecaminosos. No novo nascimento, o espírito já está liberto, contudo, o corpo ainda não,sendo este ainda sede e instrumento do pecado e da corrupção.  Como está escrito em 1Co 9:27. O pecado residual existente em nós está sempre tentando a levar os instintos naturais em direções más, tenta induzir-nos a todo “apetite desordenado” – Cl 3:5.

Como devemos proceder a mortificação?

Lloyd-Jones estabelece que há dois falsos modos de fazê-lo:

1. método católico-romano, que seria o monasticismo-se você quiser ser um cristão espiritual, deve sair do mundo e entrar em um mosteiro ou convento, tomar certos votos, e assim, dedicar-se inteiramente a vida cristã.

2. o legalismo, ou seria também conhecido como um falso puritanismo, um modo de viver imposto a nós com grande rigor, um estilo de vida que deprezava os prazeres e vivia dias laboriosos, uma religião sem alegria.

O método certo, o apóstolo expõe claramente: “Se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo”- O Espírito é mencionado porque sua obra e presença constituem a singular e peculiar marca do verdadeiro cristianismo. É isto que diferencia o cristianismo do moralismo, do legalismo e do falso puritanismo. "

“o cristão nunca deve queixar-se de falata de capacidade e de poder. Um cristão dizer, Não posso fazer isso, é negar as Escrituras. O homem em quem reside o Espírito Santo nunca deve proferir tais palavras, é negar a verdade a respeito dele próprio.” p. 184

O crente não vive habitualmente no pecado, porque Cristo vive nele, e maligno não pode tocá-lo, não só não pode controlá-lo, nem sequer pode tocá-lo, diz Lloyd-Jones. O cristão é de Deus, e o maligno nem pode tocar nele, pode aterroriza-lo, mas não pode tocá-lo, e muito menos, controlá-lo.

Na prática, conforme o pregador galês,  temos que entender espiritualmente nossa situação, porque muitos dos nossos problemas advém da incompreensão de quem somos em Deus. Temos que compreender que se pesa sobre nós a culpa de algum pecado, entristecemos o Espírito Santo que habita o nosso corpo. Toda vez que pecamos, o que importa não é tanto que pecamos e ficamos em condições miseráveis, mas o principal é que entristecemos o Espírito Santo de Deus. Quantas vezes nós pensamos nisto??? Lloyd-Jones nota que algumas pessoas o procuram preocupadas com essa questão, sempre falando de si mesmas- o meu fracasso. Estou sempre caindo neste ponto, só falam delas mesmas, não falam da sua relação com o Espírito Santo, e assim, elas não percebem que a maior dificuldade na sua vida pecaminosa é que com isso ela está entristecendo o Espírito Santo. No momento em que a pessoa verifica isto, procura o verdadeiro tratamento.

“O nosso maior problema é que estamos sempre olhando para nos mesmos e para o mundo. Se pensarmos em nós mesmos cada vez mais como peregrinos da eternidade (que é o que somos), toda a nossa perspectiva será transformada. Paulo expõe isso aqui, no versículo onze: mantenham os olhos fixos nisso, diz ele praticamente, fiquem de olho na meta”. (p. 187)

quarta-feira, agosto 04, 2010

Lloyd-Jones: Romanos 8:11

 

E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo Jesus há de vivificar também os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita.

Romanos 8:11

 

Ao penetrarmos o signficado deste versículo, somos de novo compelidos a começar partindo de duas negativas, porque muitos o interpretam mal. Há aqueles que dizem  que o apóstolo está ensinando  aqui uma espécie de  ressureição moral para a nova vida. Até mesmo o extraordinário João Calvino disse isso! Disse ele que esta passagem nos fala sobre “A operação contínua do Espírito pela qual Ele mortifica os restos da carne e renova em nós uma vida celestial” , uma espécie de ressureição moral. Rejeito esta interpretação pela seguinte razão: se o ensino fosse essse, o apóstolo estaria fazendo  repetição desnecessária. Ele já tinha tido o que Calvino diz nos versículos 5 e 8 deste capítulo. Há, certamente, uma ressureição moral. É esse também o sentido das palavras, “o espírito vive”, no versículo 10.

(…)

Outra razão, e mais forte, para rejeitar a interpretação de Calvino é que, se o sentido fosse o que ele propõe, não haveria relevância na declaração, “aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo”. O argumento do apóstolo é que o que Deus fez a Cristo, Ele vai fazer a nós.  Ora, não houve nenhuma ressureição moral no caso do Senhor Jesus Cristo, porque nEle nunca houve  morte  moral. No entanto, aquilo a que Paulo se  refere é algo que aconteceu com o Filho de Deus. Portanto, não pode ter  referência alguma a espécie  de ressureição moral. (p. 114-115).

(…)

Temos aqui uma clara, inequivoca e incontestável referência à ressureição física do Senhor Jesus Cristo, no corpo e da sepultura. Essa é a chave de tudo. É disso que o apóstolo está falando. Notem que ele afirma o fato duas vezes, como que para assegurar que não o entendemos mal (…) Mas, em segundo lugar, notemos que as duas frases que falam do Espírito habitando em nós, clara e obviamente apontam para o nosso corpo físico(…) O Espírito Santo habita em nosso corpo como Paulo diz repetidamente aqui. Portanto, a referência é a algo que vai acontecer com os nossos corpos. (p. 116).

 

É porque o Espírito Santo habita em mim, por eu ser cristão, que eu posso estar absolutamente certo e seguro da ressureição e da glorificação final deste meu corpo mortal. (p.119)

 

É essencial dar ênfase à ressureição do corpo. Os que não crêem na ressureição literal e física do corpo de Cristo, ou do nosso corpo, não somente negam as Escrituras, mas também ignoram ou omitem um dos aspectos mais gloriosos da salvação cristã. Se o meu corpo no futuro não fosse redimido e glorificado, Cristo teria falhado neste ponto. O nosso corpo, como é, está sujeito a moléstias, sujeito à morte, é o lugar em que o pecado habita e onde o diabo está constantemente nos tentando e nos experimentando, tudo por causa do peado  e da queda; e se não fossemos chegar a um estágio e a um ponto em que estes males já não pertencessem ao corpo, eu digo que a obra realizada pelo Senhor seria incompleta. (p.122)

 

Não passaremos a eternidade como espíritos desencarnados. Lá estaremos com o mesmo corpo essencial, mas glorificado. Sua identidade permanecerá, e será preservada, mas será gloriosa. Os efeitos e as más consequências do pecado e da Queda terão sido inteiramente removidos e cancelados. Haverá até “novos céus e nova terra” (2Pe 3:13). Este velho mundo terá sido renovado e glorificado de semelhante maneira, e eu e vocês, povo cristão, andaremos por ele e habitaremos nele com o nosso bendito Senhor. (p. 125)

Você sabe que coisa alguma jamais terá permissão para feri-lo realmente, porque você é filho de Deus, porque Deus é seu Pai. Anteriormente, estivemos examinando e considerando-o que é verdade a nosso respeito pelo fato de que Deus é nosso Pai- o que Ele faz por nós, etc. (p. 318)

 

 

 

 

 

ROMANOS: OS FILHOS DE DEUS - EXPOSIÇÃO SOBRE CAPÍTULO 8:5-17  EDITORA PES.

sábado, março 20, 2010

Lloyd-Jones: Os Filhos de Deus


Sobre Romanos 8:5-8

Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus
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"O cristão é alguém que está vivo dentro os mortos, vivo para Deus, casado com o Senhor Jesus Cristo, que ressuscitou dentre os mortos e está vivo para todo o sempre, e, portanto, os cristãos, casados com Ele e unidos a Ele, também estão vivos para todo o sempre. ESse é o argumento. Ou, como Paulo o expressa em Efésios 2:1: E vos vivificou, estando vós mortos". Vocês foram ressuscitados da morte com Cristo, estão vivos com Cristo, estão assentados com Cristo neste momento nos lugares celestiais. Ou, como diz Pedro: Vocês foram feitos praticipantes da natureza divina (2Pedro 1:4). Essa é a situação do cristão. Ele tem nova vida, nova disposição, novo poder, nova energia- é vida proveniente de Cristo e vida em Cristo" p. 55
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Sobre Romanos 8:9-11
Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça.E, se o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita.
"Ter o Espírito de Cristo significa que o Espírito Santo está habitando em você, que você não está mais na carne, mas no Espírito, que você nasceu de novo, é um novo homem, uma nova criação. O teste final e supremo é a sua relação com o Filho de Deus, o Senhor Jesus Cristo- a sua relação com Ele, o seu conceito sobre Ele e a sua atitude para com Ele." p. 95
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Fonte: D. Martyn Lloyd-Jones Romanos: Os Filhos de Deus Exposição sobre Capítulo 8:5-17 Editora PES

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

D. Martyn Lloyd-Jones: Expiação e Justificação

Sobre Romanos 3:25
Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;
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Qual era o propósito disso? Por que Deus ordenou estas mortes sacrificiais? Qual era o propósito da morte sacrificial de animais no Velho Testamento? Elas nos ensinam quatro verdades da maior importância. A primeira é que seu objetivo era tornar Deus propício. Os sacrifícios de animais no Velho Testamento não tinham por objetivo afetar o homem; eram dirigidos a Deus. Não há sequer uma centelha de evidência em todo o Velho Testamento de que esses sacrifícios se destinavam a fazer algo às pessoas. Visavam, por assim dizer, afetar a Deus. Esse era todo o seu objetivo, todo o seu propósito. Sua intenção era tornar Deus propício.



O segundo princípio era assegurada pela expiação, ou seja, pelo cancelamento da culpa do pecador. Como já vimos, a expiação leva necessariamente à propiciação; e por meio da expiação que se obtem a propiciação. O pecado é riscado, é cancelado, e, portanto, vai-se a Deus, que agora foi tornado propício.


O terceiro princípio é que a propiciação era efetuada pela punição vicária da vítima, que substitui o ofensor em favor dele. O pecador, o ofensor, tomava um cordeiro ou um touro ou um bode, e punha as mãos sobre ele, com isso lançando simbolicamente seus pecados sobre o animal, e depois o animal era imolado. O animal sofria vicariamente, levava vicariamente a punição. O pecador colocava o animal em seu lugar e em seu favor. Esse é um princípio muito importante, e não se opderá compreender o ensino do Velho Testamento nos livros de Exodo e de Levítico, se não se compreender esse princípio- a punição vicária de uma vítima em lugar do ofensor e em favor do mesmo.


Em quarto lugar, o efeito das ofertas sacrificiais era o perdão do ofensor e sua restauração ao favor de Deus e à comunhão com Ele.
(...)


A pena decretada por Deus para o pecado é a morte. Portanto, nunca se pode tratar do pecado isoladamente, da morte. Sem derramento de sangue não há remissão de pecados" p.114-115
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sobre Romanos 3:27-31

Onde está logo a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé.Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei. É porventura Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios, certamente,Visto que Deus é um só, que justifica pela fé a circuncisão, e por meio da fé a incircuncisão.Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei.
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"É o que de fato está sendo ensinado- que o plano da salvação em Cristo é simplesmente que Deus está agora nos pedindo que façamos algo que está ao nosso alcance; é apénas crer. Ele não mais exige de nós obras que não podemos praticar; agora pede simplesmente que creiamos em Seu Filho. Dizem esses mestres que Paulo chama a isso de lei da fé. A lei das obras não tem mais aplicação; agora a questão é cumprir a lei da fé, e isso é algo que podemos fazer" p. 146
(...)
Jamais a fé é algo isolado ou só. Nunca se deve divorciar a fé do seu objeto. A fé sempre está ligada a um objeto. O objeto da fé é o Senhor Jesus Cristo, Sua obra perfeita e Sua justiça perfeita; e contanto que vocês se lembrem disso, nunca errarão. Assim, não devemos jactar-nos da nossa fé; não é a fé como tal que nos salva. A fé é tão somente aquele canal, aquele instrumento, aquele elo que nos liga à justiça de Cristo que nos salva, e a fé simplesmente não a traz a nós. É a Sua justiça que nos salva pela fé, mediante a fé" p.149
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Tiago 2:24 x Romanos 3:28
"Tiago e Paulo, embora crentes na mesma verdade, tinham cada um um objetivo imediato diferente. Paulo estava preocupado em mostrar que as nossas obras, sob a Lei, de nada valem na salvação. A preocupação de Tiago era com uma coisa muito diferente. O problema que Tiago teve que enfrentar era que havia pessoas na Igreja Primitiva que falavam em fé de maneira completamente erronea. Ele coloca isso com clareza no vs 14 do capítulo dois: Meus irmãos, que aproveita se alguém disser quie tem fé, e não tiver as obras?" . Tiago estava lidando com um tipo de gente que dizia : Eu tenho, sou crente, e depois essas pessoas saíam dizendo, que, devido a terem fé e serem crentes , o que elas faziam não tinha importância, e que aquilo que salva o homem é ele dizer que é crente. Noutras palavras, havia na Igreja Primitiva o problema do fideísmo. Tiago estava lidando com homens que alegavam que tinham fé-= homens que empregavam a palavra fé, mas que com ela não queriam dizedr nada senão assentimento intelectual" p.150-151
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Romanos 3:31
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"Mais uma vez vemos ue o ensino hoje corrente, que afirma que sob a nova dispensação a lei do velho testamento foi abolida inteiramente e foi posta de lado- e que agora que somos confrontados por uma nova lei, a lei da fé, e que doravangte nada temos que fazer senão crer no Senhor Jesus Cristo- vemos que esse ensino é completamente errôneo" p. 174
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"que o apostolo quer dizer, afirmam eles, é que, por meio da nossa fé no Senhor Jesus Cristo, agora somos habilitados a cumprir a Lei. Cristo nos dá força e poder que nos capacitam a observar, honrar e cumprir a Lei, tendo vida virtuosa, a vida cristã. Isso significa estabelecer a Lei" p. 175
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"o apostolo não está considerando a santificação, porém tão somente a justificação Mas no momento em que se começa a falar sobre a vida cristã, sobre o comportamento cristão e sobre a vida virtuosa, está se falando da santificação. O ponto onde aquele ensino realmente chega afinal é que somos justificados porque somos santificados. Esse sempre foi, e ainda é, o ensino católico romano sobre a justificação. Segundo o catolicismo romano, o homem é justificado diante de DEus porque é capacitado a ter vida virtuosa pela graça e pela nova vida que ele recebeu no batismo,e, habilitado pela graça a viver essa vida virtuosa, ele mesmo se justifica" p. 175-6
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a justificação é essencialmente forense e declaratória. Ela é a declaração feita por Deus de que somos por Ele considerados justos por causa da justiça do Senhor Jesus Cristo. É uma declaração judicial, forense, feita por Deus de que, embora por assim dizer continuemos em nossos pecados, Ele nos considera justos; Ele nos dá a justiça de Cristo por meio da fé, e nos proclama justos, aceitos e retos a Seus santíssimos olhos" p.176
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Romanos 4:1-3
Que diremos, pois, ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne? Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus. Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.
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"Carne significa obras de alguma espécie, ou algo que diz respeito a nós, ou que é próprio de nós, em que tendemos a confiar para a nossa salvação, algo do que nos inclinamos a jactar-nos" p. 197
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Abraão era um homem religioso, era um homem temente a Deus, era um homem piedoso. Abraão tinha prazer em obedecer a Deus e em fazer o que Deus lhe dissesse, e foi porque ele era esse tipo de homem que Deus o tratou como o tratou. Seria isso justificação pela fé? SEria isso que Genesis 15:6 diz? Eles argumentam que é, e que esse continua sendo o metodo da salvação.; Se o homem tiver um sério conceito sobre a vida e se dispuser a agradar a Deus e a ter uma vida virtuosa e piedosa, será perdoado e não terá o que temer. E nessa sua intenção que Deus está interessado; e se Deus vir essa intenção, perdoará tal homem e o abençoará", p.199
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Sobre Romanos 4:4-8

Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida. Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça. Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras, dizendo: Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, E cujos pecados são cobertos. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado.
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"Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se" (João 8:56). Foi o que o próprio Senhor Jesus Cristo disse. Portanto, quando vocês lerem a frase: Abraão creu em Deus e que fazia o que Deus lhe dizia. Vai além disso, Abraão creu no método de redenção que Deus planejou, como eu e vocês. Ele não viu isso claramente, mas o viu de longe (Hb 11:13). Agora já aconteceu, manifestou-se em sua plenitude. Mas Abraão o viu de longe, perto de dois mil anos antes de acontecer, como posteriormente se deu com Davi, exatamente da mesma maneira. Isto significa crer no plano divino de salvação. E isso consta no livro de Gênesis" p. 205
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"Nunca nos esqueçamos de que a justificação é forense, judicial. Não nos torna justos; declara que somos justos. E somos declarados justos porque a justiça de Jesus Cristo é posta em nossa conta" p.203
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"Há muitos que pensam que estão cultuando a Deus, quando na realidade estão simplesmente cultuando a si mesmos, prestando culto à sua bondade pessoal. Eles fizeram um deus que lhes é próprio, e quando são confrontados por Deus como Ele Se manifestou na Bíblia, O odeiam, não gostam dEle." p. 207
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"...trata de uma questão inteiramente forense, judicial. A justificação é uma afirmação feita por Deus de que agora Ele declara inocente essa pessoa, e que vai vestir-lhe a justiça de Cristo e vai considerá-la justa" p. 209
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"A ação é totalmente de Deus. É o que Ele faz com estes nossos pecados, que Ele põe sobre Cristo e os castiga nEle. É o que Ele faz com a justiça de Cristo, que Ele põe sobre nós. Tudo é feito para nós, e nós o recebemos passivamente de Deus" p. 214
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Sobre Romanos 4:13-17

Porque a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não foi feita pela lei a Abraão, ou à sua posteridade, mas pela justiça da fé. Porque, se os que são da lei são herdeiros, logo a fé é vã e a promessa é aniquilada. Porque a lei opera a ira. Porque onde não há lei também não há transgressão.
Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a posteridade, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós, (Como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí) perante aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos, e chama as coisas que não são como se já fossem.
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"A Lei sempre vem a nós e nos diz: "Se você fizer isto" ou "Você tem que fazer isto, e não deve fazer aquilo"- a Lei sempre se refere às nossas ações, à nossa conduta e ao nosso comportamento. A lei ordena algumas coisas e proibe outras. O princípio é que a preocupação e o interesse da lei visam sempre aos nossos feitos, às nossas obras, à nossa conduta, às nossas ações, ao nosso comportamento. Portanto, no momento em que você introduz a Lei, você retorna às obras, e a fé não é levada em conta. A lei é matéria de mandamentos, positivos e negativos, proibições, vetos e injunções. Assim, no momento em que você introduz a Lei, é que diz Paulo, a fé é banida, a fé é posta fora. A fé é algo que se opõe às obras" p.231
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"...a própria Lei de Deus que proíbe o pecado acaba nos levando a pecar. A razão disso não é que haja algo errado na Lei, mas que há algo terrivelmente errado em nós. Logo, se a promessa fosse em termos da Lei, essa nada produziria para nós, senão ira e condenação" p. 233
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"Na salvação, a glória que há é unicamente a de Deus; e, se você introduzir algo que não seja a fé, estará tirando parte de Sua glória. Se você começar a falar sobre as obras, e sobre a lei, o homem estará fazendo uma reivindicação, e você estará menosprezando a glória da graça de Deus (...) Se você gabar da sua fé, se você se gabar do fato de que você crê enquanto outros não crêem, já não será graça; e já não será para a glória de Deus, mas o crédito vai ser para sua crença" p. 237
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"O que lhes traz a bênção não é o fato de que tinham sido circuncidados, mas, sim, que andam nas pisadas daquela fé de nosso pai Abraão, que tivera na incircuncisão. O que importa não é a circuncisão, e sim o fato de que eles exercem a mesma fé que Abraão exercia" p. 238
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"A salvação, graças a Deus, é totalmente de Deus, é toda ela da graça de Deus. E é somente por essa razão que ela é certa e segura. A salvação final de vocês, e a minha, na glória, só é garantida por uma coisa: é pela graça e mediante a fé, e não pelas obras ou pela circuncisão ou pela Lei ou por qualquer coisa que haja no homem" p. 240
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sobre Romanos 4:18-19:
O qual, em esperança, creu contra a esperança, tanto que ele tornou-se pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência.E não enfraquecendo na fé, não atentou para o seu próprio corpo já amortecido, pois era já de quase cem anos, nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara
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Lloyd-Jones lembra que a tradução aqui está equivocada: "os quatro manuscritos mais antigos do Novo Testamento não têm a negativa. Eles colocam a declaração de forma positiva. Todos eles dizem que ele considerou seu próprio corpo, mas que não foi enfraquecido na fé quando considerou seu próprio corpo e o amortecimento do ventre de Sara" (p. 257) A melhor tradução seria " sem ser enfraquecido na fé, ele considerou seu próprio corpo".
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"Aqui temos a resposta para isso. Abraão encarou os fatos, ele se lembrou da sua idade, como o apóstolo nos diz aqui; e também para idade de Sara. Ele viu os fatos como eles eram, viu-os em sua pior expressão; e, todavia, apesar de ter feito isso , não foi enfraquecido em sua fé"(...) "A fé não fica girando em torno dos problemas, sobrepuja-os. Vê-os, olha-os de frente, e depois passa por cima deles" p. 258
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Sobre Romanos 4:23-25

Assim isso lhe foi também imputado como justiça.Ora, não só por causa dele está escrito, que lhe fosse tomado em conta,Mas também por nós, a quem será tomado em conta, os que cremos naquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus nosso Senhor; O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação.
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Em que consiste esta fé que justifica?
1o. é uma fé que crê em Deus e glorifica a Deus.
2o. esta fé crê em Deus particularmente em termos da ressurreição do Senhor Jesus Cristo.
3o. que por nossos pecados Cristo foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação.
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"A ressurreição é a proclamação do fato de que Deus está plena e completamente satisfeito com a obra realizada por Seu Filho na cruz" p.289
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"ele crê que o único meio de salvação é o que Deus providenciou; crê que Deus enviou Seu Filho, Seu Filho unigênito, do céu à terra como Jesus de Nazaré; crê que Ele o sujeitou a Lei; crê que o Filho cumpriu a Lei perfeitamente; crê que Deus lançou sobre Ele os nossos pecados e a nossa culpa, e que os puniu e lhes deu tratamento definitivo, para sempre; e crê que Deus está plenamente satisfeito" p. 291
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"Fé justificadora é aquela que capacita o homem a crer na palavra de Deus a despeito de tudo isto, a crer na Palavra de Deus a despeito de conhecer sua fraqueza, sua propensão para a queda, sua propensão para o fracasso- fé justificadora é isso." p. 294
D. Martyn Lloyd-Jones Romanos Expiação e Justificação:Exposição sobre Capítulos 3:30-4:25, Editora PES

sábado, janeiro 23, 2010

Lloyd-Jones: Vir a Cristo


"Você não pode vir a Cristo apenas em busca de algo- de auxílio ou de alguma outra coisa- há uma única razão para ir a Cristo: é você compreender que nenhuma carne pode ser justificada pela Lei perante Deus. Toda boca foi fechada e todo o mundo está condenado diante de Deus" p. 40

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"A próxima verdade, apresentada com muita objetividade e clareza, é que é Deus quem provindencia este método, este plano de salvação, é Deus quem providencia tudo o que está em nosso Senhor Jesus Cristo. Foi Deus que O enviou, foi Deus quem O incumbiu de sua missão. A ação é toda de Deus. Foi Deus que amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito- e, todavia, há essa tendência de esquecer isso, de deixar isso de lado, e de sermos tão Cristocêntricos que no fazemos culpados de esquecer e ignorar Deus, o Pai, a primeira Pessoa da trindade santa e bendita" p.50

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"A justificação não produz nenhuma mudança fatual em nós: é uma declaração que Deus faz concernente a nós. Não é algo resultante de alguma coisa que nós fazemos, mas, antes, é algo que é feito para nós. Só nos tornamos justos no sentido de que Deus nos considera justos, e nos proclama justos" p. 75


Romanos : Exposição sobre Capítulos 3:30-4:25 Expiação e Justificação

Editora PES

sexta-feira, julho 10, 2009

MARWA DAWN: A constante aventura de descobrir


Truly the community : Romans 12 and how to be church
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Ch 6- The Constant Adventure of Discovering God´s Will. ( A constante aventura de descobrir a vontade de Deus).
Romanos 12:2
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"He asserts that as we experience our transformation by the Holy Spirit´s renewing our minds, we will be enabled thereby to examine and accept for our own lives what the will of God is. The NIV includes both of these options in its translation of the verb as "test and approve". (p.49)
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"....because he created the shape into wich we are being transformed, he must know what is best for us. We will experience the Hillarity of true freedom only when we live according to the shape of our design" p. 50
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If signs are added, they provide excellent confirmations of what God is already teaching us. However, signs are too flimsy and too easily misconstrued for them to bem the primary means by wich we choose what to believe about the will of God" p. 51
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Just at the right moment when we need to know, we will know- provided we are opne to God´s action in our lives and his renewing of our minds. Then we can approve it for our own lives and live it out with confidence and Hilarity" p. 53
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segunda-feira, dezembro 22, 2008

Perspectivas da Nova Perspectiva




Romanos 3:21-22


"A resposta, é claro, é que para Paulo há uma conexão íntima entre a justificação gratuita por Deus de pecadores pela morte de Jesus e com base na fé, porum lado, e a criação de Deus, por outro lado, de uma nova família composta por judeus e gentios igualmente. Nós bem que podemos entender que os Reformadores,enfrentando o urgente desafio de um Catolicismo Romano profundamente corrupto,desejassem, corretamente, enfatizar o primeiro ao invés do segundo. Mas ao compartilhar seu princípio fundamental de “Sola Scriptura” nós nos comprometemos a salientar o que está lá no texto, sílaba por sílaba, mesmo que eles não o tenham feito.

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E para Paulo aquela pequena letra e é uma indicação crucial e explicativa de para onde seu verdadeiro argumento estava indo. Seu ponto é simplesmente isto: quese Deus justificasse pessoas em uma base qualquer diferente da fé, então ele seriaafinal Deus dos judeus apenas, e não dos gentios igualmente. E a menos que estejamos preparados para pensar sobre a razão de tal ponto ser assim e captar o fato de que isto é para onde o parágrafo está indo – em outras palavras, a menos que vejamos que Romanos 3:21-31 como está registrado, sílaba por sílaba, no texto da escritura inspirada, esteja indo em direção a este ponto, o qual é fortemente apoiado por todo o capítulo 4, e que este ponto não é uma questão secundária, uma “implicação extra” de um evangelho que é sobre algo muito diferente – então o princípio formal de toda a teologia inspirada na reforma terá sido sacrificado no altarde nossas próprias tradições." (pag.3)


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"Para Paulo, o que ele quer dizer com “evangelho” não é, a despeito do nosso uso atual, a descrição de um modo de salvação; não é umadescrição de como reordenar sua espiritualidade privada; não é uma ordo salutis. O “evangelho” não é, em especial, idêntico à doutrina da justificação. O “evangelho”não é em si mesmo a mesma coisa que a revelação da justiça de Deus; tal revelação tem lugar dentro do evangelho, de modo que quando o evangelho é anunciado ajustiça de Deus é, de fato, manifestada; mas o “evangelho” em si mesmo se refere à proclamação de que Jesus, o Messias crucificado e ressuscitado, é o verdadeiro e único Senhor do mundo.

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Reparem em como isso funciona em Romanos, e novamente devemos prestar atenção ao que a escritura diz ao invés do que nossas tradições teriam preferido que o texto dissesse. Paulo descreve seu evangelho em 1:3-4; então, em 1:16-17, ele explica a razão pela qual ele não se envergonha de seu evangelho, porque nele a justiça de Deus se revela. Aqueles dentre nós que cresceram na tradição da Reforma foram ensinados muitas vezes, implícita se não explicitamente, (a) que 1:16-17 é a primeira afirmação da justificação pela fé, que então se torna o tema principal da carta, (b) que a justificação pela fé é o que Paulo quer dizer por “evangelho” e (c)que 1:3-4 é uma afirmação retirada de uma fórmula de credo primitiva colocada naquele ponto por outras razões que não centrais nem ao pensamento de Paulo nem à mensagem da carta. Eu me lembro bem da luta que tive, intelectual e espiritualmente,no meio da década de 1970, quando percebi que cada um desses três pontos tinha deser desafiado em nome de uma exegese cuidadosa, fiel e acurada daquilo que Paulo de fato escreveu. Meu compromisso contínuo de ler 1:3-4 como a descrição introdutória de Paulo do próprio evangelho, 1:16-17 como uma descrição da revelação da própria justiça de Deus, que por sua vez resulta na justificação pela fé mas é também algo muito maior, e a conseqüente diferenciação entre “evangelho” e “justificação pela fé”,sem diminuir ou desmentir esta última – tal compromisso contínuo tem se justificado,se posso dizer assim, por tantos outros insights teológicos e exegéticos derivados diretamente dele que eu nem posso sonhar em voltar atrás. “Solus Christus”: o próprio Messias, não uma verdade sobre mim mesmo, nem mesmo sobre minha salvação, é o centro do evangelho de Paulo". (pag. 7)

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N.T. Wright PAULO EM DIFERENTES PERSPECTIVAS 3/1/2005 p.3 doc. pdf disponível em http://www.ntwrightpage.com/port/DiferentesPerspectivas.pdf

domingo, dezembro 14, 2008

Verdadeiramente a comunidade

Truly the community : Romans 12 and how to be church


Marva J. Dawn







Durante o livro, Marva J. Dawn vai usar o conceito de Hilariedade para descrever o que seria a comunidade cristã, não como o uso contemporaneo de alegria barulhenta, mas referindo-se a palavra grega hilarotês, que Paulo usa em Rm 12:8, quando convida aqueles que tem o dom para mostrar misericordia exercendo com alegria. A palavra Hilariedade é usada para descrever o espirito da comunidade cristã, sumarizando todos os aspectos que serão explicados no livro, nomeando a alegre esperança que pode caracterizar o povo de Deus. (p.x)





1. Getting the connections - tomando as conexões










Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. Romanos 12:1










Nos tres capitulos anteriores Paulo está lutando com a dificuldade de situar os judeus no plano de Deus. Apos muita procura, ele acaba se rendendo , e exclamando que nao pode descobrir. Os caminhos de Deus são muito magnificos para que ele possa entender. Então, ele usa Is. 40:14 e Jó 41:11 em voo extasiado pela Hilariedade:










Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor? ou quem se fez seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém




Em resposta a esta grandeza, Paulo se apressa em convidar-nos a ofertarmos nossos corpos em sacrificio. Note-se que nos primeiros 11 capitulos, Paulo fala sobre formulaçoes doutrinais, nos capitulos 12-16, ele busca discorrer sobre o amor na comunidade um pelo outro.




A carta de Paulo aos romanos é incomum porque ele não é o fundador do cristianismo ali, e numa havia estado ali antes. Contudo, ele gostaria muito de visitar Roma e a viu como um ponto base donde poderia pregar na Espanha - Rm 15:23-24-. A igreja em Roma foi estabelecida por cristãos que vieram para a cidade imperial das diversas cidades onde Paulo e outros haviam pregado. Consequentemtente, ele conhecia alguns membros desta igreja (Rm 16).




Nos vivemos em uma era desperadamente necessitada de um tipo de amor que esta carta descreve, que é , o amor encontrado, e expressado através da hilariedade. Contudo, tal amor não pode ser criado através dos nossos recursos proprios. Deve estar conectado a transformações de vida, experiencias vindas de Deus e seu amor, do poder que nos livra do legalismo, e da imensa fidelidade de Deus para com seu povo.




Muitas coisas pode bloquear nossa visão. Nossas varias atitudes ruins- do orgulho , do interesse proprio ou ganancia- podem impedir-nos de vermos as misericordias de Deus. Esta é uma das razões pelas quais precisamos da comunidade cristã- para restaurar a hilariedade nos lembrando de ver as misericordias de Deus mais cuidadosamente e por nos ajudar a reposnder a elas de maneira mais fiel.




2. Dois modos de ofertas de corpos.




Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. Romanos 12:1




A palavra corpos pode ser interpretada para significar tanto individuos como também as varias casas-igreja da congregação em Roma. O resultado do sacrificio é a santa Hilariedade, a verdadeira alegria que nos tanto ansiamos.


Primeiro, a palavra grega soma é usalmente interpretada para significar nossos corpos fisicos. Neste sentido, Paulo apela para cada um de nos colocarmos numa relacao com Deus e com os outros. Isso está em Rm 6:13, quando ele coloca nosso corpo individual como instrumento da retidão ou nos lembra que nossos corpos são a morada do Espirito Santo e devem ser assim tratados - 1 Co 6:19-20.


A oferta dos nossos corpos tem varias implicações, uma delas é a adoração, não somente com nossos labios, mas com todo o nosso ser. Nos não podemos ser cristãos apenas intelectualmente, nos devemos responder ao amor de Deus com nossas palavras e atitudes em amor, nossas emoções e ações.




Quando nos oferecemos nossos corpos, nos queremos dar a Deus o melhor que nos podemos, e colocar todo nosso ser nessa oferta. Nossa motivação em fazer isto é a Hilariedade criada pela revelação do seu imenso amor e graça expostas nos primeiros 11 capitulos de romanos.




A palavra ofertar releva também liberdade, não somos coagidos, ao contrário, ofertar é um presente da nossa escolha.

Quando estamos cheios da gratitude pelo amor de Deus, Paulo diz, que poderiamos responder com a ofertar de nossos corpos como sacrificio, vivo e santo e aceitavel a Deus. O primeiro atributo é vivo, apresenta-se como um paradoxo a palavra sacrificio que implica uma oferta que seria queimada, um tipo de sacrificio que implica morte. O misterio da vida cristã é que podemos realmente oferecer a nos mesmos a Deus apenas quando abrimos mão de nos mesmos. - Ver Galatas 2:20.

O desafio de Paulo para nos é que sempre que abrimos mão de nos mesmos, em direção a uma oferta completa de nos mesmos, nós experimentamos a profundeza da Hilariedade em nossa vida.


A segunda interpretação possivel para soma é que a palavra corpo em Rm 12:5 significa a igreja como o organismo vivo de Cristo, então, aqui o termo plural refere-se as igrejas-casa que havia na congregação de Roma, esta interpretação faz sentido, pois Paulo busca que as igrejas busquem se juntar num sacrificio mutuo para o serviço e adoração, num todo coeso.





3.Set Apart and Acceptable - Separado e aceitável.



Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. Romanos 12:1



Seções anteriores de Romanos nos colocam a par de uma terrível realidade, nossos sacrifícios não são perfeitos. No capitulo 7, Paulo descreve a batalha da vida cristã, uma constante guerrra entre os desejos distorcidos e a vida cheia do Espírito Santo. Martinho Lutero, daqui, tirou sua conclusão: somos ao mesmo tempo santos e pecadores.

Nós somos santos porque Deus declarou que somos, através não de como nós atuamos, mas do que somos., Nossas tendencias humanas de fazermos a nós mesmos ainda existe e vai continuar a empestiar-nos até nós nos tornemos perfeitos num corpo incorruptivel ao final dos tempos.

Entretanto, por ora, como está em 2 Co 5, nos continuaremos dentro da falibilidade e limitação humana. Ao contrário das crenças puritanas, nossos corpos não nos fazem pecadores. Soma -corpo- não é a mesma coisa que Sarx no grego bíblico.

Uma das razões para o uso corporativo de corpos é reconhecer que nosas varias comunidades tem cada uma sua identidade unica na oferta, para construir o Hilariedade, não precisamos destruir as diferenças denominacionais, mas oferta-las em serviço.

São agradaveis a Deus - Não depende do que façamos, somos livres para fazer as coisas que agradam porque já somos agradaveis a Ele. Isto coloca em questão o quanto o amor de Deus é sua motivação, quando sabemos que já somos aceitos, não precisamos ficar gastando tempo provando nós mesmos.

Paulo sumariza todas essas qualidades com o culto racional - em inglês, spiritual worship- adoração ou culto espiritual-. O termo grego aqui pode também ser traduzido como serviço, que carrega conotações tanto de deveres quanto de rituais, é o mesmo usado em Rm 9:4. A ambiguidade é bem vinda porque nos recorda que nossos ritos de adoração e nosso serviço cristão estão intimamente ligados, tudo na vida é uma resposta para o amor de Deus em Hilariedade tanto em louvor como em ação.

Racional - Spiritual

vem do grego logikos, é relacionado com o verbo pensar e o nome palavra, significa ser genuino, no sentido de ser verdadeiro com a real e essencial natureza de alguma coisa. Então, a ideia de culto racional está correta.

O conceito anterior traz algumas implicações quando pensamos corpos individualmente, porque ai, envolve-ra uma atitude sacrificial em cada dimensão da vida pessoal, não havendo a diferenciação entre aquilo é sacro e profano.

Ch. 4 Not Squeezed into a Mold - Não espremida num molde.

  • E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.

Romanos 12:2

Em todo tempo nós devemos ficar em guarda sobre as influências que estão sobre nossa vida, o povo de Deus deve, continuamente, resistir, seja corporativamente ou individualmente, às pressões da cultura materialista, o sentido de tempo, imoralidade, etc.

O Espírito de Hilariedade dentro da comunidade cristã ajuda-nos a trabalhar juntos para resistir as pressões. Precisamos uns dos outros, para manter nossos desejos por uma vida simples.

Como exemplo, a autora diz que a questão sexual deve ser ligada fortemente ao matrimonio, a fim de evitar a manipulação sexual e possibilitar fortes amizades com pura afetividade. A igreja pode oferecer um entendimento claro sobre a bondade de Deus e seu plano para o casamento e a sexualidade.

Lembre-se, o desejo de Deus para nós é sermos transformados de dentro para fora, assim lidar com as pressões dos valores que são vindos de fora. O amor de Deus nos capacita para ficarmos firmes contra estas pressões. Não adianta a igreja forçar uma "conformidade santa".

Ch 5 Transformação para a verdade sobre nós mesmos



mas transformai-vos pela renovação da vossa mente,

Romanos 12:2

Somos transformados pelo trabalho do Espirito Santo em nós. Em sua criatividade magnifica, ele cria cada um de nós de modo unico, pessoal, acima de tudo, deu a cada uma de nossas comunidades uma identidade unica. Então, quando o Espirito nos enche com seu poder, somos levamos a forma que fomos planejados por Deus desde o começo para manifestar.

O povo de Deus entra num processo continuo, que não está sujeito aos principios de perfomance, que enfatiza o vazio do prestigio e do sucesso, nosso valor não advem daí. Vem da Hilariedade, da possiblidade unica de afirmação que cada um tem na completa aceitação tida no amor de Deus e assim, no amor da comunidade.

Quando juntamos nossos corações e mentes para buscar a vontade de Deus em suas Escrituras juntos, quando descobrimos nós mesmos e nossas comunidades transformadas. Quando nos juntamos em fervente oração e profunda meditação a respeito das menssagens da Biblia e nossas experiencias diarias, nos crescemos no conhecimento de Deus e, assim, na verdade sobre nós mesmos.