quarta-feira, julho 30, 2014

Romanos 3:21-31: A justiça de Deus nos é dada gratuitamente.

ROMANOS 3:21-31: 3:21  Mas, agora, se manifestou, sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da Lei e dos Profetas,  3.22   isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença. 3.23   Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus,  3.24   sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, 3.25   ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;  3.26   para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.  3.27   Onde está, logo, a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não! Mas pela lei da fé.  3.28   Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei.  3.29   É, porventura, Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios, certamente.  3.30   Se Deus é um só, que justifica, pela fé, a circuncisão e, por meio da fé, a incircuncisão, 3.31   anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes, estabelecemos a lei.

"MAS" é uma palavra que reverte o pronunciamento anterior, isto pode trazer esperança onde não havia. O versículo 20 dizia: " nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado." Mas, agora Paulo move-se da trevas do pecado humano para a luz do evangelho.

JUSTIÇA E JUSTIFICAÇÃO.

Toda religião e cultura acredita que estamos iguais diante de Deus,  que não é uma questão vocacional, mas tem a ver com nosso registro moral ou espiritual.  Você tem isto a partir do registro de sua performance e se ela for boa suficiente, você merece ter uma vida com Deus e você será aceito.  Então, vem Paulo e diz: "mas". Pela primeira vez na história um novo modo de se aproximar de Deus tem sido revelado. Uma retidão divina, a justiça de Deus, um registro perfeito foi dado a nós.

Nenhum outro lugar oferece isto. Fora do evangelho, nós devemos desenvolver nossa justiça e ofertar isto a Deus, e dizer (com esperança e ansiosidade) aceita-me. O evangelho diz que Deus desenvolveu uma perfeita justiça e ele oferece a nós e por isto nós somos aceitos. Esta é a singularidade do evangelho e isto reverte qualquer outra forma de religião e cosmovisão e mesmo aquilo que o coração humano acredita.


Justificação é um termo legal ou jurídico, extraído da linguagem forense. O contrário de justificação é condenação. Os dois são pronunciamentos de um juiz. Dentro do contexto cristão eles são os vereditos escatológicos alternativos que Deus, como juiz, poderá anunciar no dia do juízo. Portanto, quando Deus justifica os pecadores hoje, está  antecipando o seu próprio julgamento final, trazendo até o presente o que de fato faz parte dos "últimos dias". ( JOHN STOTT, Romanos, p. 60)

COMO FICAMOS JUSTOS?

3.22   isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença. 3.23   Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus,  3.24   sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, 3.25   ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;

Primeiro, ela vem da fé em Jesus Cristo para todo aquele que crê (vs.22). A fé que recebe a justiça tem um objeto: Cristo. 

Segundo, isto não pode vir através das nossas ações ou esforços (vs. 23). Este versículo diz que todos nós pecamos e estamos sem a glória de Deus. Fomos feitos à imagem de Deus para dar glória a Ele e desfrutar de sua glória (2:29). Em nosso pecado, nós perdemos esta glória, não podemos viver na presença de Deus, desfrutando de sua aprovação.

Terceiro, a justiça é dada livremente, gratuitamente (vs. 24). Isto é muito importante, porque é possível pensar que a fé é uma espécie de obra. Alguns podem pensar a fé como uma intensa atitude de rendição ou um estado de certeza ou confiança. Mas, Paulo toma cuidado dizendo que ela vem gratuitamente, que quer dizer sem causa, de um modo que é dada ou obtida sem qualquer razão. 

É a obra de Cristo que têm méritos para a nossa salvação.  Pela fé, nós recebemos com mãos abertas aquilo que Deus conquistou para nós, nos é dada gratuitamente. Não podemos achar que a nossa crença é causa da nossa salvação porque estaríamos deixando de olhar para Cristo e começaríamos a olhar para nós mesmos. Isto seria transformar  a fé em uma obra. A fé apenas o instrumento pelo qual nós recebemos a nossa salvação e não a causa da nossa salvação, nunca ache que você é salvo por que você colocou sua fé em Jesus, isto geraria orgulho como veremos no verso 27.

Quarto, Paulo é ainda mais específico sobre onde devemos colocar a fé. A fé está na obra de Jesus na cruz, ao invés de uma admiração de Jesus como um grande homem ou um grande exemplo inspirador. A justiça vem da fé em seu sangue (3:25). A fé salvífica está Jesus Cristo crucificado (1Co 2:2).

Nenhum outro sistema, ideologia ou religião proclama um perdão gratuito e uma nova vida para aqueles que nada fizeram para merecê-los, mas que, ao invés disso, muito fizeram para merecer o julgamento. Pelo contrário, todos os sistemas ensinam alguma forma de auto-salvação através das boas obras da religião, da piedade ou da filantropia. Já o cristianismo, em sua essência, nem mesmo é uma religião; é um evangelho, o evangelho, a boa nova de que a graça de Deus desviou a sua ira, que o Filho de Deus morreu a nossa morte e carregou a nossa condenação, que Deus tem misericórdia de quem não merece e que a nós nada mais resta a fazer ou mesmo contribuir. A única função da fé é receber o que a graça oferece. A antítese entre graça e lei, misericórdia e mérito, fé e obras, salvação de Deus e salvação própria, é absoluta. Não dá para comprometê-la com arranjos ou "jeitinhos". Nós temos de escolher. Emil Brunner ilustrou vividamente essa antítese, em que, segundo ele, a diferença é entre "subir" e "descer": a "questão decisiva" mesmo, ele escreveu, é "a direção do movimento". Os sistemas não-cristãos imaginam "o homem movendo-se" em direção a Deus. Lutero disse que meditar é "elevar-se à majestade nas alturas". De semelhante forma, o misticismo acredita que o espírito humano pode "flutuar nas alturas em direção a Deus". O mesmo se passa com o moralismo. E também com a filosofia. O "otimismo auto-confiante de todas as religiões não-cristãs" é muito parecido. Nenhum deles vê ou sente o abismo que se estende entre o santo Deus e os seres humanos, pecadores e cheios de culpa. Só quando vislumbramos isso é que percebemos a necessidade daquilo que o evangelho proclama, que é o "mover-se de Deus", a sua livre iniciativa de graça, o seu movimento "descendente", o seu surpreendente "ato de condescendência". Parar na beira do abismo, atingir o ápice do desespero por jamais conseguir atravessar — esta é a indispensável "antecâmara da fé" (JOHN STOTT, Romanos, p. 66)

COMO PODEMOS FICAR JUSTOS?

3.24   sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus,

Como pode existir a justiça de Deus e justiça de Deus? Como Deus pode justificar a si mesmo justificando a gente?

Através da redenção que há em Cristo Jesus. Redenção é uma palavra que nos leva ao Antigo Testamento, quando uma pessoa ficava com débito e não pagava, ela se tornava um escravo para pagar a dívida. Então, a lei de Deus criou uma figura chamada redentor, era alguém que pagava a dívida e deixava você livre de novo (Lv 25:25). Agora, Paulo está dizendo que através de Jesus, nós que eramos escravos do pecado, da morte e do julgamento...que nunca poderíamos pagar o que devíamos.. para nós a redenção veio.

 3.25   ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;

O Pai justifica seu povo através da obra de seu Filho. Ele nos redime apresentando a Jesus como um sacrifício de propiciação. Aqui está o modo como Deus justifica pecadores, como ele faz justos os injustos.

A propiciação é mudar a ira de Deus através do sacrifício do perverso, na Cruz é o lugar onde o Juiz tomou sobre si o julgamento. Este era o plano do Pai e também o desejo do Filho de se sacrificar. Ele não sofreu porque ele tinha que sofrer, mas porque Ele amava seu Pai e a gente.

Deus não deixou sua justiça de lado, ele levou ela sobre si mesmo. A cruz não representa um comprometimento entre sua ira e seu amor. A cruz satisfaz ambos completamente, nela tanto sua ira e seu amor estão vindicados, ambos estão demonstrados.

Quando Paulo fala dos pecados dantes cometidos, ele está falando do Antigo Testamento. Em sua paciência, Deus prolongou o tempo do julgamento para julgar os pecados em seu Filho. Deus aceitou Abraão, Moisés, David e todos os santos do Antigo Testamento quando eles se arrependeram e confiaram em sua misericórdia com base na obra futura de Cristo.

3.26   para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.

Precisamos entender que Deus é tanto justo como aquele que justifica seu povo. Não perder de vista o amor sacrificial como tanto sua ira santa contra o mal. Um Deus amoroso sem ira é um Deus que é indiferente e um Deus irado e sem amor nunca poderia ser alcançado.


Aquilo que Deus fez mediante a cruz, isto é, mediante a morte do seu Filho em nosso lugar, Paulo explica através de três expressões deveras significativas. Primeiro, diz que Deus nos justifica por meio da redenção que há em Cristo Jesus (24b). Segundo, Deus o apresentou como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue (25a). Terceiro, Ele fez isto para demonstrar sua justiça ... (25b), isso para demonstrar sua justiça no presente, a fim de ser justo e justificador daquele que tem fé em Jesus (26). As palavras-chave são redenção (apolytrõsis), propiciação (hilastèrion) e demonstração (endeixis). Todas as três se referem, não ao que acontece agora, enquanto o evangelho está sendo pregado, mas ao que aconteceu de uma vez por todas em Cristo e através dele na cruz, sendo a expressão seu sangue uma clara referência à sua morte sacrificial. Associadas à cruz, portanto, vemos uma redenção dos pecadores, uma propiciação da ira de Deus e uma demonstração de sua justiça. (JOHN STOTT, Romanos, p. 62)
A JACTÂNCIA

3.27   Onde está, logo, a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não! Mas pela lei da fé. 

A jactância é aquilo que você é ou faz que gera um sentimento de orgulho. Eu sou alguém porque tenho isto. Eu posso vencer tudo porque eu sou isto. 

Naquilo que você se ostenta é o que fundamentalmente define você, é da onde você tira sua segurança e identidade.

Agora, Paulo está dizendo que a jactância ( ou ostentação, presunção) está excluída. Por que? O princípio da fé exclui a ostentação porque a fé entende que nada do que fazemos pode nos justificar como está na passagem:

3.28   Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei.  3.29   É, porventura, Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios? Também dos gentios, certamente.  3.30   Se Deus é um só, que justifica, pela fé, a circuncisão e, por meio da fé, a incircuncisão, 3.31   anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes, estabelecemos a lei.

Paulo está dizendo que devemos abrir mão de toda a confiança e segurança que temos em nós mesmos. Porque o homem é justificado  pela fé sem as obras da lei. E acima de tudo, é Deus que fez a justiça disponível para os judeus e para os gentios. 

Apenas conseguiremos excluir a jactância quando nós entendermos que as nossas melhores conquistas não podem fazer nada para nos justificar.  Então, nunca iremos nos gloriar em nós mesmos, apenas nos gloriar em Cristo como diz Paulo em Gl 6:14: Quanto a mim, que eu jamais me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo.

A confiança e a esperança é transferida de si mesmos para a obra de Cristo. Eu tenho Cristo, sua morte significa que quando Deus olha para mim, ele vê sua belo filho. Mundo, eu não preciso de nada de você e você não pode me tirar nada, eu tenho Cristo.

O que a jactância causa:

1. DIVISÕES HUMANAS: quando colocamos nossa confiança em coisas, nos colocamos como melhores que outras pessoas. Quando entendemos a doutrina da justificação, sabemos que somos amados de Deus por sua graça e não por méritos nossos.

2. NEGAÇÃO: quando a nossa confiança está em alguma qualidade pessoal ou do nosso grupo, ficamos cegos para os nossos pecados e egoístas, não somos capazes de amar quando criticam ou ameaçam estas coisas. Quando entendemos o evangelho, quando mais vemos nossas falhas e erros, mais vemos o quanto Deus nos ama e mais amamos a Deus porque deixamos de confiar em nossa obediência e confiamos na provisão da justiça dEle.

3. ANSIEDADE: quando alguma coisa que ostentamos é ameaçada, nossa segurança está ameaçada. Ficamos mais corajosos porque sabemos que a segurança que temos é eterna e perfeita.

A LEI NÃO SIGNIFICA NADA
3.31   anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes, estabelecemos a lei.

Uma pessoa que crê no Evangelho, que é salva sem a lei, entende e ama a lei mais do que alguém que busca ser salvo pela lei. Porque apesar de guardar a lei para buscar a salvação é impossível, a lei não deve ser posta de lado ou seus mandamentos serem alterados. A lei deve ser obedecida por qualquer um que permanece na presença de Deus.

Quando colocamos a nossa fé em Cristo, nossos pecados são dados a Ele, e ele nos dá a perfeita obediência à lei de Deus



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