domingo, janeiro 11, 2009

REPINTANDO A IGREJA

rOB bELL
uMA vISÃO cONTEMPORÂNEA


7 MOVIMENTOS
Salto, Jugo,Verdadeiro, Borlas, Poeira, Novo e Bom.
  • 1. Salto

"As molas ajudam a entender o sentido das realidades mais profundas que orientam como vivemos nossa vida cotidiana. As molas não são Deus. Não são Jesus. Elas são afirmações e convicções acerca da fé que nos ajudam a expressar verbalmente a profundidade do nosso salto. Eu as chamaria de doutrinas da fé cristã"(p. 24)

Aqui começam os problemas com livro de Bell, ele quer flexibilizar tudo, doutrinas básicas e fundamentais também:

"A palavra trindade não se encontra em nenhum lugar da Bíblia, Jesus não usou essa palavra, tampouco os autores da Bíblia. Entretanto, ao longo do tempo, essa convicção, esse entendimento, essa doutrina, passou a ser essencial para que os seguidores de Jesus entedessem quem é Deus. TRata-se de uma mola, e as pessoas saltaram sem ela durante milhares de anos. Ela foi acrescentada posteriormente. Podemos destacá-la e examiná-la. Discuti-la, investigá-la, questioná-la. Ela é flexível e elástica" p. 25

Agora, fica mais complicado mesmo quando ele vai falar do nascimento virginal de Jesus Cristo:

"E se amanhã alguem encontrasse numa escavação a prova clara de que Jesus tinha um pai biologico verdadeiro, terreno, chamado Jaime, e os arqueologos encontrassem o tumulo de Jaime, recolhessem amostras de DNA e provassem sem sombra de duvida que o nascimento virginal foi, na verdade, só um pouco de mitologia que os autores do Evangelhos criaram como forma de apelar aos seguidores das religioes dionisiacas e as de Mithra, muito comuns e conhecidas no tempo de Jesus, seitas religiosas cujos deuses tinham um nascimento virginal? Mas e se, quando se estudasse a origem da palavra virgem, se descobrisse que essa palavra no evangelho de Mateus na verdade provém do livro de Isaías? E, em seguida, se se descobrisse que na lingua hebraica desse periodo a palavra virgem podia signficar varias coisas. E se se descobrisse que no primeiro seculo ser nascido de uma virgem tambem se referisse a uma criança mae engravidou na primeira vez que teve relação sexual? (p.29)

Respostas de Ben Witherington :

1. O culto de Mithra só surgiu apos o 1o seculo, e não foi importante para os autores do NT.

2. O culto não era baseado em uma pessoa real de carne o osso, que existiu, historicamente, ao contrário de Jesus.

  • 2. Jugo

  • 3. Verdadeiro

  • 4. Borlas

"O tzitzit aparece pela primeira vez em Numeros 15, quando Deus diz a Moises: Façam borlas nas extremidades das suas roupas e ponham um cordão azul em cada uma delas, faça isso por todas as gerações. Quando virem essas borlas vocês se lembraramde todos os mandamentos do Senhor, para que lhes obedeçam e não se prostituam nem sigam as inclinações do seu coração e dos seus olhos. Assim vocês se lembrarão de obedecer a todos os meus mandamentos, e para o seu Deus vocês serão um povo consagrado.

Deus mandou que seu povo amarasse borlas nas extremidades de suas roupas para que constantemente todos eles vissem e se lembrassem de viver de maneira que ele os criara para viver.

A palavra hebraica para extremidades é kanaf.

A palavra borla ou franja é tzitzit.

Ate hoje muitos judeus usam um xale de oração para obedecer a esse texto. O xale de oraçao tambem aparece em varias passagens interessantes em toda a Bíblia (1Sm 24.4, Mt 6.6).

Uma das mais importantes está na predição de Malaquias acerca do Messias futuro "...o sol da justiça se levantará trazendo cura em suas asas" (4.2).

A palavra que Malaquias emprega para asas é kanaf- a mesma palavra que em Numeros se refere às extremidades das vestes, às quais deviam ser atadas às borlas. Por isso, surgiu a lenda de que, quando Messias viesse, haveria poderes de cura especiais em sua kanaf, nas borlas de seu xale de oração.

Acelerando o filme para a epoca de Jesus, vemos uma mulher que sofria de uma doença havia doze anos e ninguem a curava. Ela abre caminho no meio da multidão para chegar até Jesus e quando está perto dele, segura-lhe o manto. Lembre-se que Jesus era um rabino judeu que observava os ensinos da Torá e cumpria os mandamentos da Escritura palavra por palavra, inclusive passagens como Numeros 15, o que significa que Jesus devia estar usando um xale de oracao. Assim, quando a mulher segurou a ponta de seu manto, ela estava demonstrando que cria que Jesus era o Messias e que as borlas de seu manto tinham poder de cura. Ela cria que Jesus é aquele de quem Malaquias fala. (p. 122-124)

  • 5. Poeira

"Em Cesaréia de Filipe ele lhes diz:"sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vence-la. na verdade, ele estava dizendo que aquelas pessoas- as pessoas que ficavam com os bodes- iam juntar-se ao movimento de Jesus, que não poderia ser detido. De que maneira voce, como discipulo, começaria a enteder esta declaração?" (p. 154)

  • 6. Novo

"A verdadeira espiritualidade, portanto, não diz respeito a escapar deste mundo para outro lugar, onde ficaremos para sempre. O cristão nao é alguém que espera passar todas a eternidade lá no céu. O cristão é alguém que antecipa a vida eterna aqui, num novo céu que vem à terra.

O objetivo não é escapar deste mundo, mas fazer deste mundo o lugar em que Deus possa habitar. E Deus está recriando, nos transformando no povo que pode fazer essa obra" (p. 173)

  • 7. Bom

"E Deus nao está apenas interessado em recuperar seu sonho original para criação. Ele quer ir mais adiante. Imagine tirar todo o pecado e a morte da Bíblia. Restaria um livro curto. Teria quatro capitulos para ser preciso: Genesis 1 e 2 e Apocalipse 21 e 22. Em Genesis 1 e 2, lemos sobre um jardim, em Apocalipse 21 e 22 sobre uma cidade. A cidade é mais avançada e mais complexa que o jardim., Se um jardim for cultivado, desenvolvido, administrado e cuidade, ele acabará se transformando numa cidade. Se não houvesse pecado nem morte, a criação progrediria porque Deus, não quer apenas recuperar essas coisas, Deus quer que elas progridam". (p. 185)

sábado, janeiro 10, 2009

Vocação Espiritual do Pastor

Redescobrindo o chamado ministerial
Ed. Mundo Cristão

Dois movimentos de Jonas

O primeiro movimento na história mostra um Jonas desobediente; o segundo o mostra como profeta obediente. Em ambos, Jonas fracassa. Nós nunca vemos um Jonas bem-sucedido. Ele nunca acerta. Acho isso um tanto reconfortante. Jonas não é um modelo a ser seguido, um modelo que mostra minha ineficiência; esse é um treinamento de humildade, uma humildade bem alegre, em vez de servil.

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Fuga para Társis


E por que Társis? Bem, para começar, é bem mais empolgante do que Nínive, que era um lugar antigo coberto por uma história arruinada e infeliz. Ir à Nínive para pregar não era uma missão cobiçada por um profeta hebreu com boas recomendações. Társis, entretanto, era outra história. Era um lugar exótico. Uma aventura. Társis tinha o encanto do desconhecido enfeitado com detalhes barrocos de fantasia e imaginação. Nas referências bíblicas, Társis era "um porto distante e às vezes idealizado". O livro de 1Reis 10:22 relata que a frota de Salomão ia a Társis pegar ouro, prata, marfim, macacos e pavões. O estudioso de línguas semíticas, Cyrus H. Gordon, diz que na imaginação popular ela era "um paraíso distante".Shangri-lá.


Esse escapismo exótico é bem familiar. Deus oferece a homens e mulheres uma vocação e os chama para realizarem uma obra. Nós respondemos a essa iniciativa divina, mas humildemente pedimos para escolher o destino. Seremos pastores, mas não em Nínive, faça o favor! Vamos experimentar Társis. Em Társis, podemos ter uma carreira religiosa sem termos de lidar com Deus. (p. 27)


Pornografia Eclesiástica
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Existe uma tendência generalizada de nos esquivarmos das condições; mais comumente, essa fuga é alcançada ou por um encantamento artificial da igreja ou por seu repúdio. Fico muito ressentido quando pessoas tentam me atrair até Társis, pintando o trabalho pastoral como servir de sacerdote para os turistas do Mar Religioso — admirando as paisagens das Ilhas Gregas, parando em Roma para um tour pelas ruínas e museus, e finalmente chegando à lendária Társis.
Esse encantamento artificial da igreja é pornografia eclesiástica — tirando fotos ou pintando quadros de congregações que não têm mancha ou mácula, algo que só existe em umas poucas igrejas por alguns curtos anos. Estes quadros exibidos de maneira provocante não possuem relacionamentos pessoais. Os quadros atiçam a cobiça por domínio, gratificação e por uma espiritualidade impessoal e sem envolvimento. Minha própria imagem de uma congregação desejável era lapidada por tal pornografia um templo com uma torre alta e uma congregação banal. Fico espantado e alarmado que, mesmo tendo parado há muito de olhar as revistas e cartazes nas paredes da minha imaginação vocacional, ainda estou vulnerável à sedução.
O repúdio da paróquia ocorre mais repentinamente, muitas vezes pela imaginação de estruturas alternativas. Quantos de nós, no final de um longo dia de trabalho, sonhamos em começar um centro de retiro para ser freqüentado apenas por famintos e sedentos, ou em formar comunidades onde apenas pessoas muito motivadas podem entrar, ou em escapar para um seminário ou universidade onde as complexidades do pecado e os mistérios.

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Depois de tudo...

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Deus realiza seus propósitos por meio de quem realmente somos, com nossa desobediência impetuosa e nossa obediência impiedosa, e generosamente usa nossa vida tal como encontra para realizar sua obra.
Ele faz isso de tal maneira que é quase impossível para nós recebermos crédito por ela, mas também de tal maneira que em algum lugar no caminho ficamos surpreendidos com as vitórias que ele realizou, no mar e na cidade, onde desempenhamos nosso estranho papel de Jonas. (p. 39)


FUGINDO DA TEMPESTADE
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"No momento em que as palavras são usadas sem oração e pessoas são tratadas sem o acompanhamento da oração, algo de essencial na vida começa a vazar. Foi a percepção desse vagaroso vazamento, a perda de espírito, que produziu minha sensação de crise" (p.59)
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"A redução da alma ao simples eu, seguido de uma remoção manipulada de Deus do centro e do fundamento, tornou possível o diagnóstico do eu - ja que todo misterio havia desaparecido- e a fabricação de uma religião precisamente adequada para a satisfação das necessidades do eu, mas que deixava de lado toda a complexidade e delicadeza do relacionamento de Deus com o homem" (p. 61)
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"Dinheiro, um poderoso elemento na autonomia humana, tem um papel-chave em cada história, Jonas usa uma grande quantia para comprar uma passagem para Társis, e o interesse no dinheiro faz com que o capitão do navio despreze o conselho de Paulo. O poder do dinheiro desaparece na tempestade. Resta agora um único poder: Deus- e salvação de Deus. (p. 70)
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"A tempestade expõe a futilidade de nosso trablaho - como Jonas- ou o confirma - como Paulo-. Nos dois casos, a tempestade nos faz cientes de que nosso trabalho se constitui de Deus, ele retira qualquer sugestão de que, em nosso trabalho, podemos evitar ou controlar Deus. Uma vez que isso esteja estabelecido, estamos prontos para aprender sobre a espiritualidade adequada a nossa vocação, trabalhando verdadeiramente, sem temor, sem ambição ou ansiedade, sem negação ou preguiça" (p. 72)
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NO VENTRE DO PEIXE.
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Existem três condições de tensão para o serviço pastoral, que necessitam serem constantemente pensadas e oradas: a instituição que me ordena, a congregação que me chama e o ego chamado e ordenado.
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Eugene Peterson compara o ventre do peixe a um momento de askesis, um isolamento proporcionado por Deus das condições acima dispostas e de seus poderes ilusórios, para uma reavaliação do chamado e da vocação.
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Para ele a askesis "não é uma tecnologia espiritual ao nosso dispor, mas, ao contrário, é uma imersão num ambiente onde nossas capacidades são reduzidas a nada ou quase nada e ficamos à mercê de Deus para que ele possa moldar sua vontade em nós" (p.89)
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A retomada da sacralidade do sábado santo ajudaria neste sentido, é o evento menos celebrado, como também é a askesis.
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a regra da askesis é a seguinte:


domingo, janeiro 04, 2009

Um culto NFL

A Díficil Doutrina do Amor de Deus



D.A. Carson


CPAD,





Algumas maneiras diferentes de como a Bíblia fala do Amor de Deus
1. Amor peculiar do Pai pelo Filho, e do Filho pelo Pai

João 3.35
João 14.31

2. Amor providencial de DEus sobre tudo que Ele fez.


Genesis 1
Mateus 6.26 e 10.29


3. A postura salvadora em relação ao seu mundo caído.

João 3.16

"alguns calvinistas tentam tomar o grego kosmos aqui para se referir aos que eles chamam de eleitos. Mas isto realmente não servirá. Todas as evidências do uso da palavra no Evangelho de João são contrárias a tal sugestão (...) No vocabulário de João, mundo é primeiramente a ordem moral em rebelião intencional e culpável contra Deus. Em João 3.16, o amor de Deus ao enviar o Senhor Jesus deve ser admirado, não porque seja estendido a algo tão grande quanto o mundo, mas a algo tão mau; não a tantas pessoas, mas a tantas tão impiedosas" p. 17-18
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4. O amor particular efetivo e seletivo de Deus em relação aos seus eleitos.

Deuteronomio 7.7-8 cf. 4.37 e 10.14,15
Malaquias 1.2,3
Efésios 5.25

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5. Finalmente, às vezes é dito que o amor de Deus é dirigido ao seu próprio povo de uma maneira provisional ou condicional condicionado, isto é, à obediência.



"Se o amor de Deus se referir exclusivamente ao seu amor pelos eleitos, é
facil se desviar em direção a uma bifurcação simples e absoluta: Deus ama os
eleitos e odeia os reprováveis.(Caindo no hipercalvinismo).


(...)

Na verdade em uma igreja caracterizada antes mais pela preferencia pessoal e pelo antinomismo do que pelo temor piedoso do Senhor, tais passagens certamente tem algo a nos dizer. Mas separados das declarações biblicas complementares sobre o amor de Deus, tais textos podem nos fazer retroceder na direção da teologia do mérito, uma irritação incessante sobre se temos ou não sido suficientemente bons hoje para desfrutarmos o amor de Deus." (p.23)



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Ch 2- DEUS É AMOR
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No passado, muitos estudiosos buscaram vincular o amor de Deus e, consequentemente, o amor cristão a um grupo de palavras. Por exemplo, eros era tido como referente ao amor sexual, phileo, ao amor emocional, o amor que envolve amizade e sentimentos, e agapao refere-se ao amor voluntário, um ato de renúncia pessoal em favor de outra pessoa.
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Contudo, a vinculação de agapao ao amor de Deus não é tão evidente, senão, errônea.
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O verbo agapao vem do choque homonímico que houve entre as palavras kyneo- beijar- e kyno-impregnar. Certas formas deste verbo são identicas, que foram substituídas por phileo, em Lucas 22.47, quando Jesus beija Judas, a palavra para o ato é phileo.
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Na septuaginta, em 2Samuel 13, quando Amnom incestuosamente estupra sua meia-irmã Tamar, somos informados que ele a "ama"- sua atitude é um ato criminoso e deplorável, contudo os verbos usados aqui são tanto agapao quanto phileo.
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No Evangelho de João, nos 3.35 e 5.20 quando descreve o amor do Pai pelo Filho, ambos os verbos também são usados, assim, não se pode falar em diferença de significado.
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Em 2Timoteo 4.10, quando Paulo fala que Damas amou este mundo maligno presente, mais uma vez o verbo é agapao.
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A melhor coisa que podemos fazer é simplesmente usar o verbo amar que é tão ambíguo quanto era os seus cognatos gregos.
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"Embora eu jamais tenha identificado em detalhes, suspeito que a herança de entender agapao referindo-se a um amor voluntário independente de emoção e comprometido com o bem dos outros, foi influenciada pelos estudiosos e outros teologos filosoficos de uma era do passado, que negavam a existência de sentimentos em Deus. Ter sentimentos, eles argumentavam, implicaria passividade, isto é, suscetibilidade a impressão de pessoas ou eventos fora de si mesmo, e isto certamente é incompatível com a própria natureza de Deus (...) O unico ponto de similaridade entre o amor de Deus e nosso amor, eles argumentavam, é auto-comunicação, não é emoção ou sentimento. Evidências contrárias encontradas na Bíblia devem então ser marginalizadas e dispensadas como antropopatismo - o contraponto emocional ao antropomorfismo- ." p.31
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Relação entre o Pai e o Filho.
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"Primeiro, o Filho por sua obediência a seu Pai, fazendo apenas o que Deus lhe dá para fazer e dizendo apenas o que Deus lhe dá para dizer, embora fazendo tais coisas em função de sua habilidade para fazer tudo que o que seu Pai faz, o Filho esteja agindo de um modo que revela Deus Pai perfeitamente" p. 37
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Jesus : antes da encarnação?
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Alguns acreditam que Jesus recebeu o rótulo de Filho somente após a encarnação. Contudo, há evidências bíblicas em contrário.
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1. João 1.2,3 informa que Filho faz tudo que o Pai faz, ora, se tudo for completo, então desde a criação, a ligação entre o Pai e o Filho já existe, o Filho é agente na criação.
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2. A leitura de João 3.17 diz que Deus enviou seu Filho, nomenclatura que ele já possuía antes.
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3. Em João 5.26, mostra que a filiação é uma concessão eterna do Pai ao Filho, portanto nunca houve um momento inicial em que o Filho não tenha tido vida em si mesmo, esta concessão estabeleceu a natureza mesma do eterno relacionamento entre as duas primeiras pessoas da trindade, logo, a filiação de Jesus não está restrita aos dias de sua carne.
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4. TExtos em Jesus indica Deus Pai como Pai, e assim, se considera como Filho - João 17.5
"Todas as manifestações do amor de Deus surgem a partir desta realidade mais profunda e mais fundamental: o amor de Deus está ligado a própria natureza de Deus, pois, Deus é amor" p.42
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Amor de Deus e sua Soberania
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Paixões de Deus
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"Diferentemente das nossas, não se inflamam repentinamente nem ficam fora de controle. As nossas paixões mudam a nossa direção e as nossas prioridades, domesticando a nossa vontade, controlando a nossa tristeza e nossa felicidade, supreendendo e destruindo ou estabelecendo os nossos compromissos. Mas as paixões de Deus, como tudo o mais em Deus, são mostradas juntamente com a plenitude de todas as suas outras perfeições. Neste panorama, o amor de Deus não é tanto uma função de sua vontade, quanto algo que se mostre em perfeita harmonia com ela e com sua santidade, com os seus propósitos na redenção, com os seus planos, infinitamente sábios, e assim por diante" (p.64)
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quinta-feira, janeiro 01, 2009

Pregando Cristo


“A pregação centrada em Cristo é muito mais específica do que a pregação centrada em Deus”.
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Das recentes palestras sobre “Pregando Cristo a partir das narrativas de Gênesis”.

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No início de meu ministério, preguei uma série de sermões em Eclesiastes. Um sermão após outro, um pregador aposentado me dizia: “Eu apreciei seu sermão, Sid, mas eu me pergunto: “Será que um rabino poderia ter pregado seu sermão em uma sinagoga?” Esta imagem ficou gravada nitidamente em minha cabeça. O meu sermão era distintivamente cristão? Eu tinha pregado Cristo?Hoje reconheço que mesmo com um doutorado em interpretação bí­blica e pregação, eu não sabia como pregar a Cristo com integridade a partir de Eclesiastes, e eu nem estava muito preocupado em como fazê-lo. Minha maior tarefa, eu penso, era fazer justiça ao texto escolhido, e evitar distorcer as Escrituras. Não seria su­ficiente pregar sermões centrados em Deus? Cristo, afinal, é Deus. Mas pesquisas e reflexões poste­riores me convenceram que a “prega­ção centrada em Cristo” é muito mais específica do que a “pregação centrada em Deus”. De acordo com o Novo Testamento, pregar a Cristo não é o mesmo que pregar a Deus de maneira geral, mas significa pregar Cristo encarnado, Jesus de Nazaré, como o clímax da revelação própria de Deus. Como João explica, “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou” (Jo 1.18).
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A Necessidade de se Pregar Cristo
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A necessidade de se pregar Cristo é claramente comunicada no Novo Tes­tamento. Em primeiro lugar, Jesus or­denou que seus discípulos pregassem sobre ele. Após sua ressurreição, Jesus ordenou a seus discípulos: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mt 28.19-20).Em segundo lugar, devemos pregar Jesus Cristo porque ele é o caminho da salvação. Jesus disse para Nicodemus: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). De fato, Jesus disse que ele é o único caminho da salvação. “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6; cf. Jo 17.3; At 4.12). Em terceiro lugar, deveríamos pregar explicitamente a mensagem de Jesus Cristo em nossa cultura pós­cristã. Na antiga cultura cristã, pregadores podiam pressupor que os seus ouvintes indistintamente iriam fazer conexões entre a mensagem do sermão e Jesus. Mas ninguém pode partir dessa hipótese em uma cultura pós-cristã. Se de alguma maneira as pessoas ainda pensam em alcançar a Deus, elas são inclinadas a pensar que existem muitos caminhos para ele. Os cristãos seguem um caminho, os judeus seguem outro, e os mulçumanos, ainda outro. No final das contas, todos se encontram no mesmo topo da montanha. Mas, se a Bíblia está correta, existe apenas um caminho até Deus: Jesus Cristo. Portanto, é crucial que em cada sermão nós explicitamente preguemos Jesus Cristo.
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O Significado de “Pregar Cristo”

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Mas o que significa “pregar Cristo?” O entendimento mais comum de “pregar Cristo” é pregar a pessoa e a obra de Cristo - a obra é costumeiramente en­tendida como o trabalho ungido de Je­sus. Esta definição ampla é baseada no Novo Testamento. Embora Paulo te­nha dito: “Nós pregamos Cristo cruci­ficado” (1Co 1.23), suas cartas deixam claro sua igual preocupação em pregar o Cristo ressurreto (1Co 15.4), em pregar “Jesus Cristo como Senhor” (2Co 4.5), e pregar a Segunda Vinda de Jesus (1Ts 3.13-18). Mas mesmo esta definição da pregação da pessoa e/ou a obra de Jesus Cristo é muito limitada para que possamos pregar Cristo em todos os sermões com integridade. Muitos textos de sabedoria do Antigo Testamento não podem ser legitimamente ligados a pessoa ou obra de Jesus. Deveríamos acrescentar à nossa definição de “pregar Cristo” um elemento a mais: o ensino de Jesus. Em seu mandado missionário, o próprio Jesus nos ordenou que passássemos adiante seus ensinamentos: “Fazei discípulos de todas as nações..., ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mt 28.20). João reiteirou a importância do ensino de Jesus: “Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que per­manece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho” (2Jo 9). Portanto, quando pensamos em pregar Cristo, deveríamos incluir o ensino de Cristo a respeito de tópicos tais como Deus, o reino de Deus, o próprio Jesus e sua missão, salvação, a lei de Deus, e nossa responsabilidade e missão. Em conformidade com isso, sugiro a seguinte definição: “Pregar Cristo a partir do Antigo Testamento significa pregar sermões que autenticamente integram a mensagem do texto com o clímax da revelação de Deus na pessoa, obra, e/ou ensino de Jesus Cristo como são revelados no Novo Testamento”.[1]Quando o texto contém uma pro­messa sobre o Messias que está por vir, os pregadores podem fazer este movimento de modo direto. Eles automaticamente relacionam a promessa com o cumprimento. Por exemplo, quando pregamos em Isaías 61, “O Espírito do SENHOR Deus está sobre mim,” não nos atemos apenas ao significado do texto para os ouvintes de Isaías, mas prosseguir adiante até o seu cumprimento em Jesus (Lc 4) e seu significado para os ouvintes contemporâneos. Do mesmo modo, quando pregamos que Deus redimiu Israel da escravidão do Egito, não deveríamos nos ater apenas à mensagem para Israel, mas deveríamos prosseguir adiante na história da redenção até o ato redentivo final de Deus em Jesus e em sua mensagem para a igreja aqui e agora.
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Os caminhos para a pregação de Cristo a partir do Antigo Testamento
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Estudando tanto o Novo Testamento quanto a história da pregação, cheguei a conclusão de que existem sete caminhos legítimos para relacionar o Antigo Testamento a Jesus. Eles são: (1) a progressão histórico-redentiva, (2) promessa-cumprimento, (3) tipologia, (4) analogia, (5) temas longitudinais, (6) referências neotestamentárias, e (7) contraste.[2]Se o texto pregado é o relato da criação de Gênesis 1.1-2.3, as opções estão limitadas porque o relato descreve o estado anterior a queda. Além disso, os pregadores podem chegar a Jesus através das referências do Novo Testamento: João 1.1-5 faz menção a Gênesis 1 e fala de Jesus como a Palavra de Deus pela qual todas as coisas foram criadas. João continua no verso 14, “A palavra se fez carne,” o que pode ser relacionado com Filipenses 2.6-7, onde Paulo fala de Cristo Jesus, “o qual, sendo o próprio Deus ... esvaziou-se a si mesmo tomando a forma de servo”.Se o texto bíblico fala sobre os eventos posteriores à queda como, por exemplo, a narrativa de Abel e Caim em Gênesis 4, os pregadores podem chegar até Cristo por uma variedade de caminhos:
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Pelo caminho da progressão histórico-redentiva, traçando a batalha entre a semente da serpente e a semente da mulher, a partir de Caim versus Abel, do Egito versus Israel, indo para Canaã versus Israel, para Herodes versus Jesus, para Satanás versus Jesus, para o Mundo versus a igreja, até a derrota final de Satanás (Ap 20.10) e a vitória de Cristo.
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Pelo caminho da tipologia Abel-Cristo: Abel, a semente da mulher que foi morto pela semente da serpente, é um “tipo” de Jesus Cristo, a Semente da mulher que seria morto por Satanás.
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Pelo caminho da analogia: assim como Deus assegurou a Israel que ele preservaria o seu povo da aliança na história humana (veja Gn 4.25-26), Jesus assegura sua igreja que “as portas do inferno não pre­valecerão sobre ela” (Mt 16.18).
Traçando o tema longitudinal da semente da mulher a partir de Sete, a “semente” que substituiu o martirizado Abel (4.25), até Noé, Abraão, Isaque, Jacó, Judá, Davi, e finalmente até Jesus Cristo, a Semente da mulher.
Usando referências neotestamentárias como Hebreus 12.24 ou João 3.11-13 como uma ponte para Cristo.
Para os textos de sabedoria do Antigo Testamento a opção pela analogia combinada com as referências neotestamentárias pode ser uma abordagem frutífera se o pregador identificar um ensino similar de Jesus, o rabi que pensava em parábolas como um homem sábio do passado. Por exemplo, ao pregar sobre “Não te fatigues para seres rico... Pois, certamente, a riqueza fará para si asas, como a águia que voa pelos céus” (Pv 23.4-5), é possível usar analogia para se chegar ao ensino similar de Jesus, “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam” (Mt 6.19). Ou, pregando em Eclesiastes com os seus freqüentes refrões sobre a vaidade, um pregador pode usar a opção do contraste: em razão da ressurreição de Jesus, a vida humana não é vaidade. Isto pode ser baseado pelas palavras finais de Paulo em seu capítulo sobre a ressurreição: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão” (1Co 15.58). O fato é que no contexto histórico-redentivo mais amplo é possível se fazer justiça à mensagem original do texto da pregação, e pregar a pessoa, obra e ensino de Jesus, sem distorcer as Escrituras. A pregação cristrocêntrica não se opõe à pregação teocêntrica. Se feita corretamente, a pregação cristrocêntrica expõe o verdadeiro coração de Deus.
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[1] Esta definição é de meu livro, Preaching Christ from the Old Testament (Grand Rapids: Eerdrmans, 1999), p.10.[2] Para uma explicação detalhada disto veja Preaching Christ from the Old Testament., 203-77
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Dr. Sidney Greidanus

Professor de Pregação no Calvin Theological Seminary em Grand Rapids, Michigan.Este artigo, traduzido por Adrien Bausells, foi extraído da revista Forum (primavera de 2003, p. 3-4), publicada pelo Calvin Theological Seminary.