primeiro pensador que, perante a história universal pela primeira vez aflorada em seu conjunto, coloca a pergunta decisiva e a reflete internamente em toda a sua extensão metafísica. Essa pergunta reza: como homem, em sua essência até aqui, está o homem preparado para assumir o domínio da terra?"
in Folha Explica - Nietzsche (Osvaldo Giacóia Jr.)
O branding, em suas encarnações mais autênticas e avançadas, trata de transcendência corporativa.(…)"O conceito original da marca era qualidade, mas agora a marca é um símbolo estilístico de bravura." (…)Etiquetas como Baby Gap e Gap Mewborn dotam criancinhas de reconhecimento de marca e transformam bebês em minicartazes. Minha amiga Monica me conta que seu filho de sete anos responde a seu dever de casa não com um X, mas com pequenos swooshs da Nike em vermelho. (…) o que no passado foi um processo de vender cultura a um patrocinador por um determinado preço foi suplantado pela lógica do "co-branding" -uma parceria fluida entre gente famosa e marcas famosas.
à medida que mais e mais empresas buscam ser aquela que fabrica a marca que consumimos, a que produz arte e até constrói nossas casas, todo o conceito de espaço público está sendo redefinido.
Esse surto de crescimento foi causado por três tendências do setor, todas drasticamente favorecendo as grandes cadeias que possuíam enormes reservas de dinheiro. A primeira foi a guerra dos preços, em que as maiores megacadeias sistematicamente derrubavam todos os seus concorrentes; a segunda foi a prática de atacar a concorrência abrindo as lojas em "grupos". A terceira tendência, a ser explorada no próximo capitulo, foi a chegada da suntuosa superloja principal, que parece um excelente bem imobiliário e age como publicidade tridimensional para sua marca. (Loc. 2349-52)
Neste segundo capítulo do Caminho da Servidão, Hayek faz uma crítica da utopia socialista, que substituiu o ideiário do progresso, começando por uma citação de Tocqueville:
A democracia amplia a esfera da liberdade individual [dizia ele em 1848], o socialismo a restringe. A democracia atribui a cada homem o valor máximo; o socialismo faz de cada homem um mero agente, um simples número. Democracia e socialismo nada têm em comum exceto uma palavra: igualdade. Mas observe-se a diferença: enquanto a democracia procura a igualdade na liberdade, o socialismo procura a igualdade na repressão e na servidão. (p.49)
Depois, Hayek retoma a argumentação da liberdade propriamente dita e da democracia propriamente dita.
O advento do socialismo seria um salto do reino da necessidade para o reino da liberdade. Ele traria a "liberdade econômica", sem a qual a liberdade política já obtida "de nada serviria". Somente o socialismo seria capaz de pôr termo à luta secular pela liberdade, na qual a conquista da liberdade política era apenas um primeiro passo.
(…)
Para os grandes apóstolos da liberdade política, essa palavra significava que o indivíduo estaria livre da coerção e do poder arbitrário de outros homens, livre das restrições que não lhe deixavam outra alternativa senão obedecer às ordens do superior ao qual estava vinculado. Na nova liberdade prometida, porém, o indivíduo se libertaria da necessidade, da força das circunstâncias que limitam inevitavelmente o âmbito da efetiva capacidade de escolha de todos nós, embora o de alguns muito mais do que o de outros.
Numa outra citação de Walter Lippmann, busca atentar-se pelo período sombrio em que vive:
geração à qual pertencemos está agora aprendendo pela experiência o que acontece quando os homens se afastam da liberdade para organizar de forma coercitiva suas atividades. Embora prometam a si mesmos uma vida mais abundante, na prática têm de renunciar a ela; à medida que a organização centralizada se amplia, a variedade de objetivos necessariamente cede lugar à uniformidade. Esta é a nêmesis da sociedade planificada e do princípio autoritário na condução das questões humanas.
O socialismo democrático, a grande utopia das últimas gerações, não só é irrealizável, mas o próprio esforço necessário para concretizá-lo gera algo tão inteiramente diverso que poucos dos que agora o desejam estariam dispostos a aceitar suas conseqüências. No entanto, tais evidências não serão aceitas enquanto essa relação de causa e efeito não for explicitada em todos os seus aspectos.
Ex-ministro, ex-senador, ex-governador, ex-prefeito da maior cidade do país. Se havia alguém com peso político para enfrentar o PT e seus aliados, deveria ter sido José Serra. Deveria. O que se viu foi uma incrível capacidade do candidato do PSDB de tropeçar em suas próprias pernas. Sua campanha desastrada apenas recebeu nova chance graças ao desempenho de Marina Silva no 1° turno. Esses são alguns dos piores momentos da campanha de José Serra à presidência:
Propor a criação de mais dois ministérios, mesmo que pretenda extinguir outros, não deixa de parecer aquele dito popular de “trocar seis por meia dúzia”. O problema maior é outro: a mentalidade de que a criação de ministérios tem o poder de resolver todos ou a maior parte dos problemas nas áreas específicas. Se já existe legislação especial porque não agregar os projetos num órgão do governo já existente? Ou, melhor, porque não deixar de atrapalhar a sociedade e acabar com o inchaço ministerial?
Para se livrar da acusação feita pelo PT de que iria privatizar a Petrobras e o Pré-Sal, José Serra teceu loas às empresas estatais. O candidato do PSDB, inicialmente, cometeu o mesmo erro de Geraldo Alckmin em 2006 e assim jogava no lixo a “boa” herança do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que foi a privatização, por exemplo, do setor de telefonia. O problema é que Serra, de fato, nunca foi um privatista e se comportou na campanha com um discurso mais à esquerda do que o da candidata do PT.
A campanha do candidato do PSDB elaborou um jingle que popularizasse a candidatura de José Serra e ao mesmo tempo usasse o capital político do presidente Lula sem elogiá-lo diretamente, mas também sem criticá-lo. A mensagem da música é clara: política e economicamente o Brasil segue sob o comando de um projeto da esquerda que preserva o tal Estado fomentador com o capital alheio.
De um candidato que posava de defensor da responsabilidade fiscal não se ouviu nada de projeto de redução drástica de despesas do Estado, nada de redução de carga tributária, nada de plano de qualificação dos órgãos públicos. Em vez disso, José Serra prometeu a criação do 13º Bolsa Família, o Bolsa Extra, um aumento de 10% para os aposentados, pacote de benefícios para os funcionários públicos etc. Essas propostas criariam um gasto extra de 46 bilhões de reais. De onde sairá o dinheiro? Serra não responde.
A reforma trabalhista deveria ser prioridade em qualquer campanha. 40% da economia brasileira sobrevive na informalidade. Além de se silenciar quanto a qualquer medida para modernizar a legislação trabalhista, José Serra ainda propõe o salário mínimo de R$600 em todo o Brasil. O candidato age como se fosse apenas o governo brasileiro, e não principalmente os empresários, que tivessem que pagar a conta. São as micro e pequenas empresas as responsáveis por mais de 50% dos empregos formais do país. Essas empresas são as mais vulneráveis às variações em seus custos de produção. Um aumento da remuneração paga aos funcionários, imposto pelo governo por conveniência política, as deixariam com 2 tristes opções: as demissões ou a volta à informalidade.
O pensamento econômico de José Serra está engavetado desde os anos 70. O candidato criticou repetidamente o fato de os brasileiros estarem consumindo produtos importados baratos. Seu modelo econômico baseia-se no pensamento cepalista que, em seu momento mais ousado, culminou na década perdida de 1980: a única coisa que importa é fazer um Brasil exportador de produtos industrializados. Os consumidores que se virem pagando mais caro. Ele estaria disposto a sacrificar as chances do Brasil se tornar uma superpotência agrícola (como são Austrália e Canadá) em favor de um industrialismo medíocre. Quem sofre com subsídios para as indústrias paulistas e protecionismo contra estrangeiros são os pobres, que passam a ter que pagar mais caro pelo seu consumo, e a economia competitiva brasileira, que tem que pagar mais caro pelas suas importações. O PSDB não quer que os brasileiros comprem produtos importados mais baratos e eficientes. Quer que voltemos a 1984, quando o governo brasileiro decidiu proteger a indústria nacional de informática em detrimento da maior parcela da sociedade que não tinha dinheiro ou um “conhecido” para adquirir um computador nos Estados Unidos. A afirmação de que fará uma ampla mudança na economia soa mais como uma ameaça do que propriamente a celebração de uma boa ideia.
1- A oposição que não ocorreu
“…”
Quando Lula se gabou de ter eliminado a direita do país, ele tinha em mente a tradição ideológica do principal oponente do seu partido. A campanha de José Serra não se apresentou como uma alternativa à esquerda petista, com propostas de modernização e liberalização da economia e da sociedade brasileira. Com exceção da política externa, Serra preferiu tentar se posicionar à esquerda de Dilma, com um discurso mais protecionista, intervencionista, e mais burocrático do que o da candidata do PT. Quando atacava (corretamente) o aparelhamento do estado pelo PT, não dava soluções claras além de que o pessoal do PSDB seria melhor. Serra perdeu a oportunidade de construir uma plataforma liberal de centro-direita, conquistando os brasileiros que querem menos estado e mais qualidade de vida. Por reduzir o debate político no Brasil à meta-esquerda, em vez de avançar os elementos liberais que sua coalizão poderia trazer, a ausência de oposição merece o primeiro lugar na melancólica campanha de José Serra.
Um dia após a vitória de Dilma, é bom relembrar Hayek para entender que há mais horizontes que o monocromismo político-ideológico brasileiro.
Não há no Brasil, uma real opção de direita, a simples menção de direita no Brasil é complicada por inexistirem políticos deste setor por aqui. O último que me lembro é Roberto Campos, após ele, quem?
O capítulo 1 fala sobre o Caminho Abandonado, onde Hayek critica a volta ao socialismo, ao invés, da busca de uma consolidação das estruturas liberais.
O líder nazista que definiu a revolução nacional-socialista como uma contra-Renascença estava mais próximo da verdade do que provavelmente imaginava. Ela representou a etapa final da destruição da civilização construída pelo homem moderno a partir da Renascença e que era, acima de tudo, uma civilização individualista. O individualismo tem hoje uma conotação negativa e passou a ser associado ao egoísmo. Mas o individualismo a que nos referimos, em oposição a socialismo e a todas as outras formas de coletivismo, não está necessariamente relacionado a tal acepção. Só de maneira gradual, no decorrer deste livro, é que poderemos esclarecer a distinção entre os dois princípios opostos. Por enquanto podemos dizer que o individualismo, que a partir de elementos fornecidos pelo cristianismo e pela filosofia da antiguidade clássica pôde desenvolver-se pela primeira vez em sua forma plena durante a Renascença e desde então evoluiu e penetrou na chamada civilização ocidental, tem como características essenciais o respeito pelo indivíduo como ser humano, isto é, o reconhecimento da supremacia de suas preferências e opiniões na esfera individual, por mais limitada que esta possa ser, e a convicção de que é desejável que os indivíduos desenvolvam dotes e inclinações pessoais. "Liberdade" é agora uma palavra tão desgastada que devemos hesitar em empregá-la para expressar os ideais por ela representados durante aquele período. Talvez "tolerância" seja o único termo que ainda expresse o pleno significado do princípio que predominou durante esse período, e apenas em tempos recentes voltou a declinar, desaparecendo de todo com o advento do Eistado totalitário.
A constatação de que os esforços empreendidos pelos indivíduos de modo espontâneo e não dirigido pela autoridade eram capa/es de produzir uma complexa ordem de atividades econômicas só poderia ocorrer depois que esse processo de desenvolvimento tivesse avançado até certo ponto. A elaboração de uma tese coerente de defesa da liberdade econômica resultou do livre desenvolvimento das atividades econômicas que tinham sido um subproduto imprevisto e não planejado da liberdade política.
Os princípios básicos do liberalismo não contêm nenhum elemento que o faça um credo estacionário, nenhuma regra fixa e imutável. O princípio fundamental segundo o qual devemos utilizar ao máximo as forças espontâneas da sociedade e recorrer o menos possível à coerção pode ter uma infinita variedade de aplicações. Há, em particular, enorme diferença entre criar deliberadamente um sistema no qual a concorrência produza os maiores benefícios possíveis, e aceitar passivamente as instituições tais como elas são.
A atitude do liberal para com a sociedade é semelhante à do jardineiro que cuida de uma planta e que, a fim de criar as condições mais favoráveis ao seu crescimento, deve conhecer tudo o que for possível a respeito da estrutura e das funções dessa planta.