Christians are called upon by Christ Himself to read the signs of the times. He rebukes the Pharisees and Sadducees who desired that he would show them a sign from heaven, saying ‘O ye hypocrites, ye can discern the face of the sky; but can ye not discern the signs of the times?’ (Matthew 16.3). Consistently Jesus refuses to give a sign (Matthew 12.39; Mark 8.12; Luke 11.29) for he is the sign of God’s redemptive activity in the world. And the secret spring of faith lies not in demonstration but operation: being able to read the signs that are available correctly and work with them. To read them correctly, in fact, to recognise that a sign has been given, is to read objects and actions in the world analogically and eschatologically Christ’s own teaching, preaching and healing were the signs for those with ears.
sexta-feira, julho 08, 2011
Graham Ward: Cities of God
quinta-feira, julho 07, 2011
Dietrich Bonhoeffer: A obediência sincera
Neste capítulo Bonhoeffer continua o tema da crença e obediência.
Quando Jesus chama, devemos abandonar tudo e segui-lo. Confiar na palavra de Jesus como um terreno muito mais firme que todas as seguranças do mundo.
Se Jesus nos falasse hoje através da Escritura, nós argumentaríamos o seguinte: Ele me ordena uma coisa concreta, mas, quando manda algo, devo saber que nunca exige uma obediência conforme a lei, somente requer de minha uma única coisa: eu creia. Sem que os bens tivessem que ser vendidos ou não, nossa obediência seria uma negação a obediência sincera, por ser legalista, para ser obedientes na fé. Somos diferentes do jovem rico, que tendo o chamado de Jesus se retirou triste, perdendo a fé por lhe faltar a obediência. Seu fracasso revela que ele não podia obedecer a palavra de Jesus, mas nós temos mais argumentos, que nos distingue totalmente do ouvinte bíblico da palavra de Deus.
Se Jesus disser: abandona tudo e me segue, deixa tua profissão, tua família, teu povo e a casa do teu pai, este homem sabe que somente pode responder a tal chamada com a obediência sincera, porque precisamente para ela foi concedida a comunhão com Jesus. Mas, nós, diríamos: sem dúvida, a chamada deve ser totalmente totalmente a sério, contudo, a verdadeira obediência a ela consiste em que eu permaneça na minha profissão, com minha família, e o sirva com a liberdade interior.
Jesus diria, buscai primeiro o reino de Deus, e nós, entenderíamos, naturalmente, devemos buscar todas as outras coisas, primeiro. Se não for assim, como subsistiremos.
Bonhoeffer diz que sempre encontramos a supressão consciente da obediência sincera, da obediência literal. As coisas somente mudam quando se trata das ordens de Jesus, converte-se a obediência sincera em pura desobediência. Isso é possível por causa de no fundo desta falsa argumentação se encontra uma coisa verdadeira.
A ordem de Jesus ao jovem rico foi colocar-se numa situação em que é possível crer, tem efetivamente por único fim chamar o homem a fé em Jesus, a comunhão com Ele. Nada depende da situação, pobreza ou riqueza, nisto temos razão, isso é verdade.
Contudo, o autor explica que uma possibilidade com vistas a volta iminente de Jesus, uma obediência sincera nunca pode suprimir o que ordena os mandamentos.
Bonhoeffer fala de uma interpretação paradoxal dos mandamentos, intento de compreender as coisas com sinceridade, que sempre correr o perigo de transformar-se em uma escapatória fácil, sem obediência concreta.
Para ele, é muito mais fácil compreender de forma sincera o mandamento, obedecendo-o ao pé da letra, numa compreensão literal. A chamada de Jesus e a obediência sincera tem um sentido irrevogável. Jesus nos dá uma situação concreta em que é possível crer nele, somente aí o homem se acha livre pela fé.
Onde a obediência sincera é eliminada fundamentalmente, a graça cara do chamamento se transforma de novo em graça barata da auto-justificação. Com isto, se proclama a lei do mundo, aquela que opõe a lei da graça. O mundo não é o que tem sido superado em Cristo e aquilo que temos que vencer a cada novo dia em comunhão com ele, senão aquilo que se tem convertido em uma lei rigoroso e intangível.
A graça aí já não é o dom de Deus porque fomos arrancados do pecado e situados na obediência a Cristo, senão uma lei divina geral, um princípio cuja aplicação somente depende do caso particular, o combate sistemático contra o "legalismo" da obediência sincera resultou na mais perigosa das leis: a lei do mundo.
A obediencia ao chamado de Cristo não é um ato arbitrário do homem, não é um oferecimento do homem a Deus, senão uma oferta graciosa de Jesus.
Ver mateus 19, 23-26.
quarta-feira, julho 06, 2011
JOSÉ COMBLIN: O Caminho do Seguimento
Se o cristianismo é urna caminhada - vindo de um passado, vivendo um presente precario e rumo a um futuro desconhecido - , claro que a esperança é a disposição fundamental do cristão, a base da sua vida. Estamos longe da preocupação pela salvação da alma. Nossa vida é o Reino de Deus neste mundo, as promessas, a espera dos dons do Espirito, a aspiração para a revelação do Espirito e o discernimento, o acolhimento e a coragem, a audacia, palavra evangélica básica, frente a um futuro ainda inseguro, mas dentro deste mundo em primeiro lugar. Pois quem se salva neste mundo, já está salvo para a eternidade. Todo o drama da vida se realiza neste mundo, e nao na saída deste mundo.
JOSE COMBLIN - O caminho do seguimento p. 23
JOSE COMBLIN - O caminho do seguimento p. 23
segunda-feira, julho 04, 2011
Karl Barth : proclamação do evangelho
Para Barth, o evento da pregação é o Deus loquitur, tudo que passa ali é a ação do próprio sujeito divino, depois da revelação- epifania- antes da futura revelação- parousia-. Ela não pode pretender ser a transmissão da verdade de Deus e também não deve buscar-se estabelecer a realidade de Deus.
Ele deve colocar a nu a situação do homem e coloca-lo diante de Deus.
....
Mas se Deus fala servindo-se de nossa palavra, então, na realidade, se cumpre este evento: os profetas e os apóstolos estão aí, mesmo se é um simples pastor que fala. Entretanto, devemos ignorar este papel e não nos engrandecer como profetas; se Cristo se digna fazer-se presente por ocasião da nossa palavra, é precisamente porque há nela um ato do próprio Deus, não de nós.
...
a pregação deve ser conforme a Revelação. Devemos partir do fato de que o próprio Deus
deseja revelar-se; é Ele que deseja testemunhar sua Revelação; é Ele que a realizou e que a deseja realizar. Assim, a pregação tem lugar na obediência, escutando a vontade de Deus. Eis aí o evento no qual o pregador se acha engajado, que faz parte de sua vida e que comanda sua pregação, tanto no seu conteúdo como em sua forma. A pregação não um ato neutro nem uma ação entre dois parceiros. Ela não pode ser senão soberania da parte de Deus, obediência da parte do homem.
sexta-feira, julho 01, 2011
Dietrich Bonhoeffer: A Chamada ao seguimento
Continuando a leitura de Discipulado de Bonhoeffer, vamos ao:
CAPÍTULO 2 : A CHAMADA AO SEGUIMENTO.
Quando ia passando, viu a Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria, e disse-lhe: Segue-me. E ele, levantando-se, o seguiu. Marcos 2:14
CAPÍTULO 2 : A CHAMADA AO SEGUIMENTO.
Quando ia passando, viu a Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria, e disse-lhe: Segue-me. E ele, levantando-se, o seguiu. Marcos 2:14
Se produz a chamada e, sem outro intermediário, segue o ato de obediência por parte daquele que tem sido chamado. A resposta do discípulo não consiste em uma confissão de fé em Jesus, senão em um ato de obediência. Como é possível esta sucessão imediata da chamada e obediência? A razão natural acha isto demasiadamente chocante, tem que se esforça para entender esta sucessão tão brutal, é preciso que algo se tenha desenvolvido no meio, tem que explica algo. De qualquer forma que seja, tem que encontrar um elemento de conexão, psicológico ou histórico. Se propõe a estúpida pergunta de saber se o publicano não conhecia já a Jesus, porque estaria disposto a seguir sua chamada. Contudo, o texto se obstina em não responder este ponto, única coisa que importa é, precisamente, esta sucessão imediata da chama e da ação. Não lhe interessam as motivações psicológicas das decisões piedosas de um homem. Por que? Porque somente tem uma motivação que explica suficientemente esta sucessão entre chamada e ação: Jesus Cristo mesmo. É ele quem chama. Por isto, obedece o publicano. Neste encontra fica atestada a autoridade incondicional, imediata e não motivada de Jesus.(p.27)
Jesus por ser Cristo, tem pleno der para chamar e exigir que se obedeça a sua palavra. Jesus não nos chama como um professor ou um modelo, mas sim como Cristo, Filho de Deus.
Que Bonhoeffer nos diz sobre o conteúdo do seguimento?
Segue-me apenas isto, não é uma causa que do ponto de vita humano merecia qualquer comprometimento. Aquele que foi chamado abandona tudo que tem, não para fazer algo especialmente valioso, senão simplesmente a causa da chamada- Jesus Cristo. Porque senão não pode marchar atrás Dele, a este não se pode atribuir o menor valor em si mesmo.
O discípulo é arrancado, então, da seguridade relativa da vida e lançado a inseguridade total da vida, esta não é uma lei geral, mas é o contrário de legalismo.
Ao lado de Jesus não há outro conteúdo, da chamada ao seguimento é a vinculação à pessoa de Cristo, ruptura de todo legalismo por garça graça daquele que chama.A graça e mandamento se unificam (Sl 119,45). Uma idéia sobre Cristo, um sistema de doutrina, um conhecimento religioso geral da graça ou do perdão dos pecados não fazem necessário o seguimento, assim, fica excluído o seguimento.
Um cristão sem Jesus vivo segue sendo um cristianismo sem seguimento, o seguimento está ligado ao mediador, somente Jesus, o Deus-homem, pode chamar ao seguimento. O seguimento sem Jesus se constitui na eleição pessoal de um caminho ideal, contudo, carece da promessa de que Jesus deve busca-lo.
Bonhoeffer examina esta passagem do evangelho, e trata o perfil dos seguidores:
O primeiro não foi chamado,a resposta de Jesus indica que ele não sabe o que esta fazendo, este é sentido da resposta, mostrar ao discípulo a vida com Jesus em toda sua realidade, que fala aqui e aquele que se dirige a Cruz, padeceu é o símbolo dos apóstolos para sua vida toda. Nenhum homem pode desejar isto por sua própria eleição, há um abismo entre o oferecimento voluntário e o verdadeiro seguimento. Contudo, quando é Jesus mesmo que chama, supera o abismo.
O segundo quer enterrar seu pai antes de segui-lo, está ligado a lei, ele sabe o quer fazer e deve fazer, antes de tudo, convém cumprir a lei depois virá o seguimento. Um claro preceito da lei se encontra aqui entre quem foi chamado e Jesus. Nenhum pretexto pode se opor a chamada de Jesus, nem sequer o mais grande e santo, nem sequer a lei. A lei deve ser transgredida por amor a Jesus, porque ela não tem nenhum direito entre Jesus e aquele que Ele chamou, somente Cristo fala desse jeito, só ele tem a última palavra. O outro não pode resistir, esta chamada, esta graça são irresístiveis.
O terceiro, como o primeiro, entende o seguimento como um oferecimento seu, como um programa de vida que se escolhe, mas, ao contrário do primeiro se julga com direito a colocar condições, deste modo, se contradiz, quer acompanhar Jesus, mas ao mesmo tempo coloca algo entre ele e Jesus. Para ele, o seguimento é uma possibilidade cuja realização supõe o cumprimento de determinadas condições e pressupostos, assim, ele se converte em algo humanamente compreensível e inteligível. O discípulo se coloca a disposição de Jesus, mas conservando seu direito de colocar condições. O seguimento deixa de ser seguimento, se converte em um programa humano que eu me estabeleço segundo meu próprio juízo. O seguimento não admite condições suscetíveis de intervir entre Jesus e aquele que obedece. Há várias contradições aqui, ele não quer o que Jesus quer, nem o que ele quer, se condena a si mesmo, a resposta de Jesus confirma esta divisão interna que impede o seguimento, quem coloca a mão no arado e olha para trás não está apto.
Seguir a Cristo significa dar passos determinados, quando ele chama, isto significa que aquele que recebe a chamada somente há uma possibilidade de crer em Jesus: abandonar tudo e acompanhar o filho de Deus feito homem.
Com este primeiro passo, o que segue é colocado numa situação que o permite crer. Se não segue, se fica para trás, não aprende a crer. Deve-se sair de sua situação para entrar numa que lhe permite crer. Em si mesmo, este passo não tem nenhum valor programático, somente se justifica com a comunhão que se adquire com Jesus.
Se Levi e Pedro tivessem permanecidos em seus ofícios, não saberiam crer. Crer não significa permanecer tranquilo e esperar, senão ir com ele seguindo-o. A chamada rompe todos os vínculos em benefício do único laço que une a Jesus Cristo.
Bonhoeffer continua dizendo que ao estabelecer a diferenciação entre uma situação que se pode crer e uma que não pode, há um grande perigo que precisa ficar claro, de que a situação por si mesmo nunca nos revela a qual classe nos pertence, somente a chamada de Jesus qualifica-se como uma situação em que se pode crer.
Outro ponto que ele coloca é que não é para o homem determinar qual é a situação possível para a fé, o seguimento não é uma oferta do homem, somente a chamada cria a situação.
Em terceiro e quarto lugar, a situação nunca implica nada em si mesmo, somente a chamada a justifica. E é essencial saber que a situação em que se pode crer somente chega a produzir-se por meio da fé.
Somente o crente é obediente, e somente o obediente crê.
É um erro grave tomar-se a primeira frase deixando de lado a segunda. A obediência, para Bonhoeffer, é uma consequência da fé, como o bom fruto é produzido da boa árvore. A fé e depois vem a obediência. Estas devem estar separadas quanto a sua causa, a causa da justificação,mas esta separação não pode suprimir a unidade que existe entre elas. Para poder crer há que praticar a obediência numa ordem concreta, isto é preciso para a fé não se converta em graça barata, numa forma piedosa de enganar-se a si próprio.
Somente nesta existência nova, criada pela obediência é possível crer.
Há uma troca de uma existência por outra, não se trata apenas de moralidade, ou de obras.
É preciso que Cristo tenha chamado, somente por sua palavra podemos dar o passo, esta chamada é sua graça, que chama da morte para uma nova vida em obediência. O primeiro passo da obediência já em si mesmo um passo de fé na palavra de Cristo.
Bonhoeffer diz que seriamos ignorantes se concluirmos que o primeiro passo é desnecessário, posto que já há a fé. Aquele que não é obediente não pode crer. Não se pode colocar nada que nos aparte do chamado de Jesus, desobedecendo conscientemente. Se assim fazemos, não fique admirado de não receber o Espírito Santo, de não poder orar, não poder perdoar. Se quer recusar a palavra de Deus que te obriga, não pode receber sua palavra de graça.
O problema não é saber se crê ou não, se Cristo manda, deve cumprir imediatamente. Nele, a fé é possível e existe realmente. Não existe situação em que não pode crer, porque ele é a situação em que você pode crer. Temos que entrar nessa verdade, para que a nossa fé seja verdadeira e não um auto-engano.
Bonhoeffer retoma o tema, somente que crê é obediente, e só o que obedece crê. Se tiramos a primeira frase, o crente é entregue a graça barata, ou seja, a perdição. Sem a segunda, o crente é entregue às obras, ou seja, a perdição.
O pastor, segundo Bonhoeffer, deve saber que se alguém se queixa de falta de fé, isto provém de uma desobediência consciente ou já inconsciente, e que é muito fácil corresponder a estes lamentos com o consolo da graça barata. Assim, a desobediência permanece, e a graça se transforma num consolo que o desobediente dirige a si mesmo.
Há uma ironia aqui, ele fala num perdão que o desobediente concede a si mesmo. Mas, isto faz da pregação um vazio, a incredulidade se alimente da graça barata porque deseja perseverar na desobediência. Leva o homem a não conseguir mais discernir sobre o que é a vontade de Deus, os mandamentos, dizendo que essas são coisas equívocas e suscetíveis de inúmeras interpretações.
Aquilo que era claro, com a desobediência se obscurece cada vez mais, se transforma em endurecimento. O desobediente se vê tão enveredado em si mesmo que não pode mais escutar a palavra. Assim, não pode crer.
Bonhoeffer conta como é o diálogo com o pastor:
- Já não posso crer!
- Escuta a palavra, que pregamos.
- A escuto, mas contudo não me diz nada, para mim é vazia.
- Por que não queres escuta-la
- Sim, eu quero
O homem intoxicado por graça barata segue na desobediência, e se consola com um perdão que ele mesmo se dá. Se fecha a palavra de Deus, pois somente quem obedece crê.
Bonhoeffer quer explicar a relação entre fé e obras, por isto, toma outro texto bíblico, o do jovem rico em Mt. 19.16-22. A pergunta do jovem é sobre a vida eterna, sobre salvação, contudo, não é fácil colocá-la corretamente, começa o jovem com a sentença 'bom mestre', deseja a opinião do bom mestre sobre este ponto. Ele espera que Jesus tenha algo importante a dizer e espera uma declaração essencial, não uma ordem divina que o obrigue sem reservas.
Mas, a resposta de Jesus se interpõe logo de cara, porque me chamas bom? Jesus quer que ele entende que ele não está diante de um bom rabino, mas diante do próprio Deus.
O jovem conhece os mandamentos, mas não se contenta com eles, deseja supera-los. Ele se encontra numa piedade inventada. A seguir, ele vem com a pergunta, Quais mandamentos? Ele pensa que a revelação é ambígua, pouco clara, não vê os mandamentos, somente se fixa em si mesmo, em seus problemas e conflitos. Utiliza seu conflito ético contra os mandamentos, porque os mandamentos estão destinados a colocar um fim no conflito.
O conflito ético para Bonhoeffer é produto da queda do homem, é em si mesmo a oposição do homem a Deus. A serpente introduziu este conflito quando disse: Deus falou realmente isto? A dúvida ética tira o homem da obediência sincera e ingênua.Agora é o homem quem deve decidir o que é bom ou mal.
No livro ÉTICA, Bonhoeffer explica esta cisão que ocorre no ser humano:
Em lugar da simples ação, aparece um duplo pensamento: o homem se gloria ao comparar-se com o filho obediente, se afasta da realidade de Deus, refugia-se na dúvida.
A resposta de Jesus desmascara isto, a resposta de Jesus para ele vender tudo que tinha e dar aos pobres expõe, primeiro, Jesus reivindica para si o poder de pronunciar a palavra e o mandamento definitivo, o jovem deve reconhecer que se encontra diante do Filho de Deus. O chamado de Jesus é a suma de todos os mandamentos.
Segundo, esta chamada requer também ser esclarecida para que não se preste a equívocos, não se trata de um estilo de vida especial ou uma conclusão de sua problemática anterior, esta situação é criada pelo convite de Jesus a pobreza voluntária, no aspecto existencial, pastoral da questão. Ela pretende ajudar o jovem a obedecer e compreender corretamente, nasce do amor de Jesus pelo jovem. Bonhoeffer chama atenção que esta ação não se trata do seguimento em si mesmo, mas de um ato de obediência que torna possível que o seguimento seja um fim em si mesmo.
Terceiro, Jesus volta a pergunta, se você quer ser prefeito, isto poderia parecer uma adição a condição anterior, é uma adição, contudo, não tem a ver com o precedente, o jovem não é perfeito, compreendeu mal o mandamento,somente agora com as palavras de Jesus pode entende-lo.
O jovem perguntava pelo caminho para vida eterna, e Jesus respondeu, eu te chamo, e isto é tudo! A resposta para a pergunta é Jesus Cristo.
Somente faltava uma coisa a obediência ou a desobediência, a resposta do jovem foi não, se viu desiludido, enganado com sua esperança, porque não podia abrir mão do seu passado, tinha muitos bens. A chamada ao seguimento não tem outro conteúdo que Jesus Cristo em si mesmo, a vinculação a Ele, a comunidade com Ele.
Para Bonhoeffer, esta história está vinculada a outra no Novo Testamento, aquele jovem rico da parabola do bom samaritano em Lucas 10.
A pergunta do legalista é a mesma do jovem, mas agora é uma pergunta capciosa, ele tenta a Jesus, já sabe de antemão a solução, que leva a um conflito ético. A resposta de Jesus é a mesma. Quem pergunta, quer no fundo, se subtrair da obediência do mandamento de Deus. Jesus responde, faça isto e viverás.
Igual ao jovem rico, há uma dúvida quanto ao mandamento. Quem é meu próximo? Toda a história do bom samaritano é uma oposição a esta pergunta, por ser uma pergunta satanica conforme Bonhoeffer, ela não tem fim, fica sem resposta. (1Tm 6:4 ss)
É a pergunta dos orgulhosos (2Tm 3:5), são incapazes de crer, porque não obedecem a palavra de Deus. Sim, esta pergunta é uma rebelião contra o mandamento de Deus. Eu quero ser obediente, mas Deus não me disse como posso faze-lo. O mandamento é equívoco, me deixa em conflito. A resposta é que não deves perguntar, senão atuar. ser o próximo não é uma qualificação do outro, senão a exigência que este tem sobre mim, nada mais. A cada instante, a cada situação, sou uma pessoa obrigada a ação, a obediência. Devo atuar, devo obedecer, devo ser o próximo do outro.
E disse-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça. E aconteceu que, indo eles pelo caminho, lhe disse um: Senhor, seguir-te-ei para onde quer que fores.E disse a outro: Segue-me. Mas ele respondeu: Senhor, deixa que primeiro eu vá a enterrar meu pai. Mas Jesus lhe observou: Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos; porém tu vai e anuncia o reino de Deus. Disse também outro: Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa. E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus(Lc 9, 57-62).
Bonhoeffer examina esta passagem do evangelho, e trata o perfil dos seguidores:
O primeiro não foi chamado,a resposta de Jesus indica que ele não sabe o que esta fazendo, este é sentido da resposta, mostrar ao discípulo a vida com Jesus em toda sua realidade, que fala aqui e aquele que se dirige a Cruz, padeceu é o símbolo dos apóstolos para sua vida toda. Nenhum homem pode desejar isto por sua própria eleição, há um abismo entre o oferecimento voluntário e o verdadeiro seguimento. Contudo, quando é Jesus mesmo que chama, supera o abismo.
O segundo quer enterrar seu pai antes de segui-lo, está ligado a lei, ele sabe o quer fazer e deve fazer, antes de tudo, convém cumprir a lei depois virá o seguimento. Um claro preceito da lei se encontra aqui entre quem foi chamado e Jesus. Nenhum pretexto pode se opor a chamada de Jesus, nem sequer o mais grande e santo, nem sequer a lei. A lei deve ser transgredida por amor a Jesus, porque ela não tem nenhum direito entre Jesus e aquele que Ele chamou, somente Cristo fala desse jeito, só ele tem a última palavra. O outro não pode resistir, esta chamada, esta graça são irresístiveis.
O terceiro, como o primeiro, entende o seguimento como um oferecimento seu, como um programa de vida que se escolhe, mas, ao contrário do primeiro se julga com direito a colocar condições, deste modo, se contradiz, quer acompanhar Jesus, mas ao mesmo tempo coloca algo entre ele e Jesus. Para ele, o seguimento é uma possibilidade cuja realização supõe o cumprimento de determinadas condições e pressupostos, assim, ele se converte em algo humanamente compreensível e inteligível. O discípulo se coloca a disposição de Jesus, mas conservando seu direito de colocar condições. O seguimento deixa de ser seguimento, se converte em um programa humano que eu me estabeleço segundo meu próprio juízo. O seguimento não admite condições suscetíveis de intervir entre Jesus e aquele que obedece. Há várias contradições aqui, ele não quer o que Jesus quer, nem o que ele quer, se condena a si mesmo, a resposta de Jesus confirma esta divisão interna que impede o seguimento, quem coloca a mão no arado e olha para trás não está apto.
Seguir a Cristo significa dar passos determinados, quando ele chama, isto significa que aquele que recebe a chamada somente há uma possibilidade de crer em Jesus: abandonar tudo e acompanhar o filho de Deus feito homem.
Com este primeiro passo, o que segue é colocado numa situação que o permite crer. Se não segue, se fica para trás, não aprende a crer. Deve-se sair de sua situação para entrar numa que lhe permite crer. Em si mesmo, este passo não tem nenhum valor programático, somente se justifica com a comunhão que se adquire com Jesus.
Se Levi e Pedro tivessem permanecidos em seus ofícios, não saberiam crer. Crer não significa permanecer tranquilo e esperar, senão ir com ele seguindo-o. A chamada rompe todos os vínculos em benefício do único laço que une a Jesus Cristo.
O caminho da fé passa pela obediência a chamada de Jesus, este passo é necessário, sem ele, a chamada de Jesus se perde num vazio e toda presunção de obediência se revela como uma falsa exaltação. (p. 32)
Bonhoeffer continua dizendo que ao estabelecer a diferenciação entre uma situação que se pode crer e uma que não pode, há um grande perigo que precisa ficar claro, de que a situação por si mesmo nunca nos revela a qual classe nos pertence, somente a chamada de Jesus qualifica-se como uma situação em que se pode crer.
Outro ponto que ele coloca é que não é para o homem determinar qual é a situação possível para a fé, o seguimento não é uma oferta do homem, somente a chamada cria a situação.
Em terceiro e quarto lugar, a situação nunca implica nada em si mesmo, somente a chamada a justifica. E é essencial saber que a situação em que se pode crer somente chega a produzir-se por meio da fé.
Somente o crente é obediente, e somente o obediente crê.
É um erro grave tomar-se a primeira frase deixando de lado a segunda. A obediência, para Bonhoeffer, é uma consequência da fé, como o bom fruto é produzido da boa árvore. A fé e depois vem a obediência. Estas devem estar separadas quanto a sua causa, a causa da justificação,mas esta separação não pode suprimir a unidade que existe entre elas. Para poder crer há que praticar a obediência numa ordem concreta, isto é preciso para a fé não se converta em graça barata, numa forma piedosa de enganar-se a si próprio.
Somente nesta existência nova, criada pela obediência é possível crer.
Há uma troca de uma existência por outra, não se trata apenas de moralidade, ou de obras.
É preciso que Cristo tenha chamado, somente por sua palavra podemos dar o passo, esta chamada é sua graça, que chama da morte para uma nova vida em obediência. O primeiro passo da obediência já em si mesmo um passo de fé na palavra de Cristo.
Bonhoeffer diz que seriamos ignorantes se concluirmos que o primeiro passo é desnecessário, posto que já há a fé. Aquele que não é obediente não pode crer. Não se pode colocar nada que nos aparte do chamado de Jesus, desobedecendo conscientemente. Se assim fazemos, não fique admirado de não receber o Espírito Santo, de não poder orar, não poder perdoar. Se quer recusar a palavra de Deus que te obriga, não pode receber sua palavra de graça.
"A chamada da graça de Jesus ao seguimento se converte, então, numa lei rigorosa. Sai do barco e vê Jesus! Quem quiser se excusar com sua fé ou com sua falta de fé, sua desobediência a chamada de Jesus, ele nos diz: obedece primeiro, realiza a obra externa, abandona o que te prende, renuncia aquilo que te separa da vontade de Deus. Não diga: não tenho fé para isto. Não a tens, enquanto permanece na desobediência, enquanto não quer dar o primeiro passo. Não diga: tenho fé, não necessito dar o primeiro passo. Não tem a fé enquanto não quer dar este passo, enquanto se obstina na incredulidade debaixo da aparência de fé humilde. É uma má escapatória relacionar a falta de obediência com a falta de fé e a falta de fé com a falta de obediência. A desobediência própria dos "crentes" consiste em reconhecer sua incredulidade quando lhes é exigida sua obediência (Mc. 9,24)" p. 38
O problema não é saber se crê ou não, se Cristo manda, deve cumprir imediatamente. Nele, a fé é possível e existe realmente. Não existe situação em que não pode crer, porque ele é a situação em que você pode crer. Temos que entrar nessa verdade, para que a nossa fé seja verdadeira e não um auto-engano.
Bonhoeffer retoma o tema, somente que crê é obediente, e só o que obedece crê. Se tiramos a primeira frase, o crente é entregue a graça barata, ou seja, a perdição. Sem a segunda, o crente é entregue às obras, ou seja, a perdição.
O pastor, segundo Bonhoeffer, deve saber que se alguém se queixa de falta de fé, isto provém de uma desobediência consciente ou já inconsciente, e que é muito fácil corresponder a estes lamentos com o consolo da graça barata. Assim, a desobediência permanece, e a graça se transforma num consolo que o desobediente dirige a si mesmo.
Há uma ironia aqui, ele fala num perdão que o desobediente concede a si mesmo. Mas, isto faz da pregação um vazio, a incredulidade se alimente da graça barata porque deseja perseverar na desobediência. Leva o homem a não conseguir mais discernir sobre o que é a vontade de Deus, os mandamentos, dizendo que essas são coisas equívocas e suscetíveis de inúmeras interpretações.
Aquilo que era claro, com a desobediência se obscurece cada vez mais, se transforma em endurecimento. O desobediente se vê tão enveredado em si mesmo que não pode mais escutar a palavra. Assim, não pode crer.
Bonhoeffer conta como é o diálogo com o pastor:
- Já não posso crer!
- Escuta a palavra, que pregamos.
- A escuto, mas contudo não me diz nada, para mim é vazia.
- Por que não queres escuta-la
- Sim, eu quero
O homem intoxicado por graça barata segue na desobediência, e se consola com um perdão que ele mesmo se dá. Se fecha a palavra de Deus, pois somente quem obedece crê.
Bonhoeffer quer explicar a relação entre fé e obras, por isto, toma outro texto bíblico, o do jovem rico em Mt. 19.16-22. A pergunta do jovem é sobre a vida eterna, sobre salvação, contudo, não é fácil colocá-la corretamente, começa o jovem com a sentença 'bom mestre', deseja a opinião do bom mestre sobre este ponto. Ele espera que Jesus tenha algo importante a dizer e espera uma declaração essencial, não uma ordem divina que o obrigue sem reservas.
Mas, a resposta de Jesus se interpõe logo de cara, porque me chamas bom? Jesus quer que ele entende que ele não está diante de um bom rabino, mas diante do próprio Deus.
O jovem conhece os mandamentos, mas não se contenta com eles, deseja supera-los. Ele se encontra numa piedade inventada. A seguir, ele vem com a pergunta, Quais mandamentos? Ele pensa que a revelação é ambígua, pouco clara, não vê os mandamentos, somente se fixa em si mesmo, em seus problemas e conflitos. Utiliza seu conflito ético contra os mandamentos, porque os mandamentos estão destinados a colocar um fim no conflito.
O conflito ético para Bonhoeffer é produto da queda do homem, é em si mesmo a oposição do homem a Deus. A serpente introduziu este conflito quando disse: Deus falou realmente isto? A dúvida ética tira o homem da obediência sincera e ingênua.Agora é o homem quem deve decidir o que é bom ou mal.
No livro ÉTICA, Bonhoeffer explica esta cisão que ocorre no ser humano:
"Conhecer significa agora estabelecer o relacionamento consigo mesmo, significa reconhecer a si mesmo em tudo e tudo em si mesmo. Desta forma, tudo se divide para o ser humano separado de Deus: o ser e o dever, a vida e a lei, saber e fazer, idéia e realidade. razão e instinto, dever e desejo, opinião e proveito, o necessário e o opcional, o conquistado e o genial, o geral e o concreto, o individual e o coletivo; mas também verdade, justiça, beleza e amor se polarizam, bem como prazer e tédio, felicidade e sofrimento-poderíamos prolongando esta lista, e o curso da história humana aumenta-a constantemente." Ética, p. 20
Em lugar da simples ação, aparece um duplo pensamento: o homem se gloria ao comparar-se com o filho obediente, se afasta da realidade de Deus, refugia-se na dúvida.
A resposta de Jesus desmascara isto, a resposta de Jesus para ele vender tudo que tinha e dar aos pobres expõe, primeiro, Jesus reivindica para si o poder de pronunciar a palavra e o mandamento definitivo, o jovem deve reconhecer que se encontra diante do Filho de Deus. O chamado de Jesus é a suma de todos os mandamentos.
Segundo, esta chamada requer também ser esclarecida para que não se preste a equívocos, não se trata de um estilo de vida especial ou uma conclusão de sua problemática anterior, esta situação é criada pelo convite de Jesus a pobreza voluntária, no aspecto existencial, pastoral da questão. Ela pretende ajudar o jovem a obedecer e compreender corretamente, nasce do amor de Jesus pelo jovem. Bonhoeffer chama atenção que esta ação não se trata do seguimento em si mesmo, mas de um ato de obediência que torna possível que o seguimento seja um fim em si mesmo.
Terceiro, Jesus volta a pergunta, se você quer ser prefeito, isto poderia parecer uma adição a condição anterior, é uma adição, contudo, não tem a ver com o precedente, o jovem não é perfeito, compreendeu mal o mandamento,somente agora com as palavras de Jesus pode entende-lo.
O jovem perguntava pelo caminho para vida eterna, e Jesus respondeu, eu te chamo, e isto é tudo! A resposta para a pergunta é Jesus Cristo.
Somente faltava uma coisa a obediência ou a desobediência, a resposta do jovem foi não, se viu desiludido, enganado com sua esperança, porque não podia abrir mão do seu passado, tinha muitos bens. A chamada ao seguimento não tem outro conteúdo que Jesus Cristo em si mesmo, a vinculação a Ele, a comunidade com Ele.
Para Bonhoeffer, esta história está vinculada a outra no Novo Testamento, aquele jovem rico da parabola do bom samaritano em Lucas 10.
A pergunta do legalista é a mesma do jovem, mas agora é uma pergunta capciosa, ele tenta a Jesus, já sabe de antemão a solução, que leva a um conflito ético. A resposta de Jesus é a mesma. Quem pergunta, quer no fundo, se subtrair da obediência do mandamento de Deus. Jesus responde, faça isto e viverás.
Igual ao jovem rico, há uma dúvida quanto ao mandamento. Quem é meu próximo? Toda a história do bom samaritano é uma oposição a esta pergunta, por ser uma pergunta satanica conforme Bonhoeffer, ela não tem fim, fica sem resposta. (1Tm 6:4 ss)
É a pergunta dos orgulhosos (2Tm 3:5), são incapazes de crer, porque não obedecem a palavra de Deus. Sim, esta pergunta é uma rebelião contra o mandamento de Deus. Eu quero ser obediente, mas Deus não me disse como posso faze-lo. O mandamento é equívoco, me deixa em conflito. A resposta é que não deves perguntar, senão atuar. ser o próximo não é uma qualificação do outro, senão a exigência que este tem sobre mim, nada mais. A cada instante, a cada situação, sou uma pessoa obrigada a ação, a obediência. Devo atuar, devo obedecer, devo ser o próximo do outro.
A obediência somente se aprende, obedecendo, não perguntando. Somente nela conheço a verdade. Em meio a divisão de nossa consciência e de nosso pecado chaga a nós a chamada de Jesus para a sinceridade na obediência (p.45)
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