sexta-feira, dezembro 02, 2011

Martin Barcala: Cristianismo Arreligioso




Terminei o livro CRISTIANISMO ARRELIGIOSO escrito pelo Pr. Martin Barcala, - agora retomo o resumo até o final do livro... recolando partes do post original.




O livro tem dois subtítulos que explicam seu propósito, o primeiro, guia para entender o contexto histórico e a produção literária, bem como a recepção e interpretação do pensamento do teólogo alemão, e o outro, uma introdução à cristologia de Dietrich Bonhoeffer.

O livro em português é filho único, não há por aqui nenhum outro título que analise e pense a obra de Bonhoeffer. E é um bom livro. O autor a partir das obras de Bonhoeffer vai analisando a cristologia e sua evolução -ou não- histórica no pensamento do autor alemão.

É bem diferente do livro de Eric Metaxas, que analisa mais a vida mesma de Bonhoeffer, aqui a preocupação é mais com a obra teológica. Se Metaxas escreveu um roteiro de cinema, pintando o alemão como um autor quase envangelical, Barcala traz um autor inovador da teologia radical.

Quantos Bonhoeffers cabe nele mesmo? Acho que isto acontece pela própria diversidade dos escritos do próprio autor, e sua vida e obra inacabada. 


Vale muito a leitura deste livro, é uma contraposição científica a história de Metaxas.


O livro está dividido em três partes, a 1a. - DE CRISTO EXISTINDO EM COMUNIDADE AO CRISTO SENHOR DO MUNDO, a 2a. CRISTIANISMO ARRELIGIOSO NAS CARTAS E ESCRITOS DA PRISÃO e 3a.  DO CRISTIANISMO ARRELIGIOSO À TEOLOGIA DA MORTE DE DEUS.


No primeiro capítulo, De Cristo existindo em comunidade ao Cristo, Senhor do mundo, o autor analisa as primeiras obras acadêmicas de Bonhoeffer e conceito de cristologia apresentado nelas. 


No primeiro, SANCTORUM COMMUNIO, está o conceito de cristologia como Cristo existindo em comunidade, o pecado original se fundamenta e expande sempre desde uma ação egocêntrica  que não aceita afirmar o outro como valor. Há oito princípios que são apresentados por Barcala que são sustentados por Bonhoeffer a respeito da igreja (p. 27-28):


1. a igreja é concebida como ecclesia, que é a plenitude de qahal- termo pelo qual era designada a reunião do povo de Israel no AT-. 


2. existe pela ação de Cristo.


3. existe uma identificação de Cristo com a comunidade, ser em Cristo equivale a ser em comunidade.


4. pessoa coletiva de Cristo,sem que isso seja uma plena identificação com Cristo




5. é Cristo existente como comunidade, a presença de Cristo no mundo


6. é o corpo de Cristo, como anúncio escatológico da nova comunidade de pessoas.


7. visível pelo coletivo no culto e na ação de uns para os outros.


8. ao invés de imposição (totalitarismo), há um serviço mútuo (organicidade paulina).


"a importância dada a igreja como comunidade que representa concretamente a presença de Cristo no mundo; a transcendência  no interior da imanência possibilitada pelo encontro com o semelhante na comunidade da fé e condensada no conceito de ser-para-os-outros como modo de existir de Jesus Cristo e dos cristãos; e a critica à religião como tentativa humana de recuperar seu estado original por meio de rituais e práticas  individualizantes e especulações metafísicas" (p. 41)
A causa do desespero humano e a principal característica de sua existência é a transitoriedade, não é o ser humano que prepara a glória de Deus, ela já está lá na criação e, portanto, não desaparece totalmente com a queda humana. Bonhoeffer ao contrário de Barth, preserva o conceito de ordem de preservação mesmo após a queda, mas como o mestre suiço, nega a ordem da criação. A única continuidade entre Deus e sua criação é sua Palavra, há a transcendência a partir do encontro com o outro, há uma analogia relationis, e não analogia entis entre Deus e o ser humano, ou seja, apenas na relação com o seu semelhante o ser humano se descobre como imagem de Deus e, portanto, conhece a Deus na presença de seu próximo. (p. 46)


A teologia natural seria pretender ir além da palavra dada por Deus, a religião é o produto do ser humano que deixou de ser a imago dei e tornou-se sicut deus, ser religioso é tentar encontrar uma nova forma de ser para Deus que vá além da palavra de Deus, que se origina do conhecimento humano sobre Deus e sobre o bem e o mal. Para Bonhoeffer, o ser humano perde a noção de sua criaturalidade tornando-se seu próprio deus, assim sendo, "a consciência leva o ser humano de Deus para o seu lugar escondido, para que, sentindo-se seguro em seu próprio saber do bem e do mal, o ser humano se erija como juiz e anule, assim, o juízo de Deus. A consciência é esta vergonha diante de Deus, na qual se oculta a própria maldade, na qual o ser humano justifica-se a si mesmo... A consciência não é a voz de Deus no ser humano pecador, senão que é precisamente a defesa contra esta voz" (p.49)


Para Bonhoeffer, o sacramento não é um ritual praticado pela igreja, nem um símbolo da presença de Jesus, como entendia Lutero, mas é a presença existencial de Cristo no meio da comunidade. A linguagem aqui assemelhasse ao existencialismo de Kierkegaard, já que Cristo está presente no mundo em forma de comunidade, não como ideal ético ou princípio religioso. Não é o ato religioso que faz o cristão, mas a participação nos sofrimentos de Deus na vida secular.


Quanto a Tillich e o método da correlação, Bonhoeffer diz que o pecado é uma realidade antropológica do ser humano, nada pode se saber do ser humano antes que Deus se torne ser humano em Jesus Cristo. Cristo não aparece como o portador de uma nova religião, mas o portador de Deus mesmo.


"A morte e ressurreição de Cristo privaram a igreja primitiva do convívio com a presença física de Jesus. Portanto, a missão da igreja passou a ser conquistar o espaço no mundo para o corpo de Cristo que, desde a encarnação até a morte na cruz, foi rejeitado pela humanidade. À semelhança do que disse anteriormente em outras obras, novamente aqui a igreja é concebida por Bonhoeffer como presença física de Jesus Cristo no mundo. A igreja é o corpo de Cristo buscando ocasião para se encarnar no mundo" p. 71
Para Bonhoeffer, a única coisa que devia diferenciar o cristão do mundo, o elemento extraordinário, era a cruz, concebida como amor aos inimigos e participação nos sofrimentos de Cristo pelo mundo. Nenhum privilégio, nenhuma doutrina ou ritual, mas a cruz era o sinal visível dos cristãos no mundo. A pergunta é a mesma de Kierkegaard, o que faz um cristão um cristão? Neste aspecto, a ética cristã vai além de uma modelagem dogmática, somente o agir livre e responsável aliado apenas à vontade de Deus seria capaz de expressar a conformação com Cristo. 


Devido a participação de Dietrich nos planos de assassinato de Hitler, sua própria concepção do lugar de Jesus no mundo transformou-se.  O sofrimento humano além daquele em nome de Cristo deve ser valorizado, a igreja não pode esconder-se sobre a idéia de que os judeus não tinham nada a ver com ela. 


Para Bonhoeffer, a primeira tarefa da ética cristã é suspender o saber do bem e do mal,  a possibilidade do julgamento de bem e de mal está na origem da queda e rompimento com Deus. A vontade de Deus é sempre única, e está na concretização de Jesus no ser humano e no mundo. "Somente o agir livre e responsável, aliado apenas à vontade de Deus seria capaz de expressar a conformação com Cristo, modelo para a ética cristã" p. 83


Cristo como Senhor do mundo.


Chegamos a conclusão do capítulo - que começou com as reflexões de Cristo como existindo em comunidade ao Cristo como Senhor do mundo. Para Bonhoeffer, na visão de Barcala, precisamos entender a diferença entre as coisas últimas e as penúltimas como estão no Discipulado.


"Esforçar-se pela causa justa é tomar a sério a realidade do mundo como criação preservada de Deus e reconciliada em Jesus Cristo. É respeitar a legitimidade das coisas penúltimas.......As coisas últimas não estão ao alcance da humanidade. É a palavra misericordiosa de Deus àqueles que perseveram e caem pelo caminho da justiça. É a graça obtida como resultado do seguimento a Jesus Cristo. Nada que se faça no mundo pode garantir a salvação. Portanto, a última palavra de Deus ao ser humano e ao mundo continua sendo sua misericordia. As coisas penúltimas se referem ao que fazer humano em seu cotidiano no mundo. É o caminho  que deve ser trilhado por aqueles que desejam participar do sofrimento de Cristo. Tudo aquilo que, apesar de não garantir o alcance às coisas últimas deve ser assumido seriamente como preparação para o que é ultimo. Resumidamente, é a relação dos cristãos com o mundo no qual estão inseridos" p. 85
 Bonhoeffer começa a emancipar sua teologia da instituição, a participação no corpo de Cristo não incluia apenas a participação na comunidade eclesiástica, mas também os sofrimentos de Cristo no e pelo mundo todo.


Há um certo desencanto com a situação do germanismo cristão e, em especial, o luteranismo alemão e seu distanciamento da questão nazista ou/e judaica e sua (ausência de) participação na vida  alemã.


2. O Cristianismo arreligioso nas cartas e escritos da prisão.


A segunda parte do livro chega ao momento mais angustiante da vida de Bonhoeffer, seu encarceramento por participar de atividades conspiratórias, a SS não sabia na época de sua prisão de sua participação em planos para assassinar Hitler, coisa que só foi saber com o fracasso da operação  Valquíria.


Barcala acredita em evolução e não ruptura no pensamento de Bonhoeffer, o ponto de partida do teólogo alemão foi velho testamento, num momento em que teólogos liberais a serviço do Reich relativizavam a importância dos escritos do primeiro testamento. Em ruptura a isto, Bonhoeffer passou a dedicar-se ao estudo vetero-testamentário.


Bonhoeffer foi além do conceito prenunciatório de Seeberg ou do conceito preparatório de Troeltsch, para Bonhoeffer o Antigo Testamento era o paradigma hermenêutico mais apropriado para se entender o novo.


Quanto a questão da religião, Bonhoeffer parte da distinção barthiana entre religião e revelação.  Sua posição é mais flexível que a de Karl Barth, mas também luta contra o positivismo da religião. O relacionamento do homem com Deus não deveria estar pautado na necessidade barthiana, mas que  em Jesus Cristo, Deus se revela e nos revela o centro da existência. 


Assim,  a linguagem na pregação cristão não é resultado de um esforço para se encontrar o lugar e a revelância de Deus, antes, é a decorrência de uma compreensão mais adequada de Deus. "A autonomia humana é a condição para a qual Deus conduz o ser humano que aceitou a viver como Jesus Cristo, ou seja, existir para-os-outros" p. 121


Então, é no Deus que se identifica conosco que está baseada a nossa fé, não como os deuses gregos que são expressão de força e vontade, o Deus cristão revelado em Jesus é aquele que sofre e se humilha por amor ao humano.


"Nossa relação com Deus não é uma relação religiosa com o ser mais elevado, mais poderoso, melhor que possa imaginar-isto não é transcendência genuína- mas nossa relação com Deus é uma nova vida na existência para os outros, na participação do ser de Jesus. O transcendente não são as tarefas infinitas, inatingíveis, mas é o respectivo próximo que está ao alcance. Deus em figura humana! Não o monstruoso, o caótico, distante, terrível; mas tampouco nas figuras conceptuais do absoluto, metafísico, infinito, etc; tampouco na figura grega do homem-Deus, do ser humano em si, mas do ser humano para os outros! Por isso o crucificado" (na pág. 126)
Há uma concretude no relacionamento com Deus, ele passa pelo nosso relacionamento com  o outro. A negação de um discurso religioso,metafísico deve ser entendida dentro do contexto histórico de Bonhoeffer, da falência do discurso eclesiástico de sua época, ser religioso é insistir numa concepção errônea de Deus.


3. Do Cristianismo Arreligioso à Teologia da Morte de Deus.


No capítulo 3, Barcala analisa a recepção da teologia de Bonhoeffer, a leitura que muitos fizeram de seu cristianismo arreligioso como uma teologia da morte de Deus após sua morte em 9 de abril de 1945, pouco tempo depois de completar 39 anos.


Bethge, amigo e divulgador póstumo da obra de Bonhoeffer, esforçava para demonstrar que não há uma ruptura na obra, há um amadurecimento de conceitos que já estavam presentes em sua teologia antes da prisão. Para tanto, ele parte da análise da cristologia de Bonhoeffer.  Barcala coloca isto claros nas páginas 136-139.


A cristologia de Bonhoeffer deve ser entendida como anti-especulativa, ou seja, Jesus Cristo é tratado como uma pessoa, a pergunta sobre Ele não deve ser o como se deu a encarnação ou que Ele fez, mas antes, quem Ele é.  Por isto, sua teologia se mistura com eclesiologia, no sentido, da presença física de Jesus no mundo.


Outro aspecto é o relacional, em Cristo, os cristãos recebem sua identidade, e assim estão livres para identificarem com a realidade do mundo em se confundir com ela. 


Outro caráter é o universal, Cristo não é a fronteira da existência humana, mas sim seu sustentador, ele é o próprio  centro da existência. Há em Cristo, uma redenção histórica e universal.


Por fim, ela é aberta, admite a inclusão de novos símbolos, significados e títulos.


Em sua crítica à religião, Bonhoeffer seria completamente incompreendido se a realização de sua interpretação mundana fosse concebida como significando o fim de qualquer reunião comunitária para o culto ou de forma que a palavra, o sacramento e a comunidade pudessem ser simplesmente substituídos por cartas. (p. 147)


Segundo Godsey, citado pelo autor, "em Bonhoeffer nós temos um teólogo cujo pensamento é tão cristocêntrico quanto aquele de Karl Bart, que levanta a questão sobre a comunicação do evangelho tão precisamente como Rudolf Bultmann, que abordou os problemas de nosso mundo pragmático, auto-suficiente e tecnológico tão seriamente quanto Reinhold Niebuhr, mas que, mais do que qualquer um destes homens, refletiu a partir da perspectiva da igreja concreta" (p. 149).


Em sua conclusão, "a dimensão comunitária da fé cristã, entendida por ele como anúncio escatológico da nova humanidade revelada em Jesus Cristo, sempre foi o nascedouro de suas intuições e reflexões teológicas mais profundas" (p. 191)


"Ao confundir seu fundamento com suas doutrinas, ritos ou estruturas, a igreja deixa imediatamente de ser igreja, tornando-se mais uma comunidade religiosa, com um grave risco para sua missão, o esquecimento de que ela não existe para si mesma e, portanto, não deve esgotar seus esforços na tentativa  de preservar um lugar no mundo em que possa existir à parte dos dilemas e das lutas humanas" p. 193














quinta-feira, dezembro 01, 2011

As histórias do natal

A história de Maria.

A história de Maria começa antes mesmo de ela nascer. Bem antes, em Adão e Eva no jardim, quando Deus fala que da semente da mulher haveria de vir alguém, está lá em Gn. 3:15.

A promessa era que o salvador haveria de nascer de uma mulher. O estranho é que o resto do Primeiro Testamento coloca a semente do homem como fruto da promessa, e aqui, aparece apenas a mulher sem qualquer menção ao esposo. Paulo parece repetir os termos em Gl. 4:4.

Em Is. 7:14, é o texto mais profético em direção ao nascimento de Jesus, ali há  os personagens que mais adiante haverão de surgir na história: a virgem, o menino chamado Emanuel.

Essas duas passagens vieram a vida na história narrada em Mt. 1.18-25 e Lc. 1. 26-35. Maria foi uma jovem virgem que concebeu Jesus a partir de um milagre do Espírito Santo.

Algumas estórias:

1. Um nascimento anormal de Jesus, que Ele não teria nascido de modo natural ou normal, como por exemplo, Maria deu a luz sem dor. - Mq.5:2-3

2. O fato de Maria permanecer virgem até sua morte. Não encontra respaldo bíblico, embora alguns pais da igreja, até mesmo Lutero, Calvino, Wesley terem concordado com a idéia. Algumas razões, a 1. é que o matrimônio sem intimidade sexual se consistiria em pecado, Mateus 1.25, diz que eles não tiveram relações até que ela deu a luz e 3. as escrituras falam em irmãos e irmãs de Jesus, filhos naturais de Maria com seu esposo José.

3. Acreditar no nascimento virginal não implicar acreditar na deidade de Jesus, os Testemunhas de Jeová, acreditam no nascimento virginal, mas acreditam que Jesus é na verdade a encarnação do arcanjo  Miguel.

4. O pecado não está apenas na linhagem masculina. Para alguns teólogos católicos, a semente do pecado estaria na linhagem masculina, então, a não-participação masculina é que faria de Jesus sem pecado. O argumento vai ainda um pouco mais longe e busca criar uma natureza sem pecado para a própria Maria, o que é contraditório ao que ela própria diz nas escrituras (Lc. 1:46-47 e  2:22-24). Jesus nasceu sem pecado, não por causa de qualquer qualidade de Maria, mas por obra do Espírito Santo de Deus.






sábado, novembro 26, 2011

Muitos hoje pensam a aliança com Deus como um contrato de serviços, Deus dá a salvação eterna em troca de uma vida inteira de serviços sacrificiais. A ênfase está no fazer, ao invés, do ser.

Aquilo que fazemos para Deus nos caracteriza como cristãos, e não aquilo que somos nEle ou aquilo que Ele nos fez. As pessoas que vivem assim acreditam que nunca fizeram o bastante para serem aceitos por Deus. No fundo, a questão passa pela dependência ou não de Deus.

A aliança é um acordo baseado na promessa, que inclui quatro elementos:

1. um compromisso de fidelidade recíproca entre ambas as partes.

2. aceitação do compromisso pela outra parte

3. conhecimento público deste compromisso e aceitação

4. desenvolvimento de uma relação pessoal baseada  em tal compromisso que seja expressão dele.


Em Genesis 14, encontramos uma história singular na vida de Abraão, ele tinha acabado de vencer os inimigos de Sodoma e Gomorra, ali os reis de Sodoma e Gomorra quiseram colocar a confiança de Abrão nas riquezas. Ele escolheu viver do pão e do vinho que veio de Melquisedeque, e não das fazendas de Sodoma e Gomorra.

Deus vendo essa confiança de Abrão aparece para ele e propõe que ele faça um pacto com o Senhor,

quinta-feira, novembro 24, 2011

Arte e o Evangelho

Acabei de ler três livros sobre o relacionamento entre arte e o evangelho. 

1o. A ARTE E A BÍBLIA de Francis Schaeffer. 

Neste livro, o autor começa relacionando o tema da arte com o Primeiro Testamento, apontando que, apesar da proibição do segundo mandamento, Deus permite e quer que os homens façam obras de arte, até mesmo, figurativas. Schaeffer levanta na Bíblia exemplos de poesia, artesanato,música até teatro (Ez. 4:1-3).  Para ele, há uma liberdade artística debaixo do senhorio de Cristo. 

O que Schaeffer diz é que a arte revela a cosmovisão do artista, um arte cristã pode ser secular desde que seja uma arte que não contradiz a cosmovisão cristã. O valor vem da criatividade porque Deus é o criador e também tem valor como criação porque homem é feito a imagem e semelhança de Deus, e assim, tem capacidade de criar. "Tendo sido feitos à imagem do Criador, somos chamados à criatividade" p. 45

O julgamento de uma obra de arte deve ser feito a partir da cosmovisão e sua adequação a ela. Há quatro conceitos que servem de padrão de julgamento: excelência técnica, validade, conteúdo intelectual- a cosmovisão que está sendo comunicada- e integração entre o conteúdo e veículo.


Para exemplificar, Schaeffer pensa numa pregação: "Para tornar o conceito mais real, vejamos o que acontece na arte da pregação. Há muitos pastores cujo trabalho não tem validade. Alguns pregam por ganho material e outros para serem aceitos na sua comunidade. É muito fácil agir de acordo com a platéia, ajustando o que se diz ou como se diz a fim de produzir o tipo de efeito mais benéfico ao próprio pregador. E quando essa questão é em relação ao evangelho, a influência da desonestidade se torna especialmente clara" (p. 54)


2. A arte não precisa de justificativa de H.R. Rookmaaker.


O segundo livro que li sobre a relação entre a cultura e o evangelho do holandes Rookmaaker, fala sobre a necessidade ou não de justificar a arte. O autor começa com a crise atual da arte devido a crise de cosmovisão não tem mais significação.


O autor começa o livro falando sobre o papel do artista em si, que antes da revolução comercial era apenas um artesão, passou a ser um artista reconhecido pela sua obra em si e, enfim, a obra de arte- invenção da categoria de obra de arte. Produção artística tomou valor em si na renascença. 


A arte passa a ser uma religião irreligiosa, onde a arte passa ser um fim em si mesma. 


A crise começou no sec. XVIII e a resposta da igreja qual foi...A igreja se ausentou, esquecendo-se de que Deus é Deus e é o Deus da criação. 








domingo, novembro 20, 2011

Marcos 7:24-37

 E, levantando-se dali, foi para os territórios de Tiro e de Sidom. E, entrando numa casa, queria que ninguém o soubesse, mas não pôde esconder-se,7.25   porque uma mulher cuja filha tinha um espírito imundo, ouvindo falar dele, foi e lançou-se aos seus pés.7.26   E a mulher era grega, siro-fenícia de nação, e rogava-lhe que expulsasse de sua filha o demônio..27   Mas Jesus disse-lhe: Deixa primeiro saciar os filhos, porque não convém tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.7.28   Ela, porém, respondeu e disse-lhe: Sim, Senhor; mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos.7.29   Então, ele disse-lhe: Por essa palavra, vai; o demônio já saiu de tua filha.7.30   E, indo ela para sua casa, achou a filha deitada sobre a cama, pois o demônio já tinha saído. 7.31   E ele, tornando a sair dos territórios de Tiro e de Sidom, foi até ao mar da Galiléia, pelos confins de Decápolis. 7.32   E trouxeram-lhe um surdo, que falava dificilmente, e rogaram-lhe que impusesse as mãos sobre ele. 7.33   E, tirando-o à parte de entre a multidão, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e, cuspindo, tocou-lhe na língua. 7.34   E, levantando os olhos ao céu, suspirou e disse: Efatá, isto é, abre-te. 7.35   E logo se lhe abriram os ouvidos, e a prisão da língua se desfez, e falava perfeitamente.  7.36   E ordenou-lhes que a ninguém o dissessem; mas, quanto mais lho proibia, tanto mais o divulgavam.  7.37   E, admirando-se sobremaneira, diziam: Tudo faz bem; faz ouvir os surdos e falar os mudos.



1. Ser pai -

Para entendermos esta história que narra Marcos, temos que entender que existem covardes e corajosos neste mundo, mas também existem pais. Se seu filho está numa situação ruim, você faz aquilo que precisa ser feito para salvar seu filho. Você não pensa duas vezes.

Jesus está numa região fora da Galíleia, e uma mulher que não é judia entra na casa sem convite e implora que Jesus salve sua filha possessa por demônios. Ela sabia que não poderia estar ali,mas ela é uma mãe que sabe que apenas Jesus pode libertar sua filha.

Então, esta mulher entra nesta casa, ajoelha-se perante Jesus e implora que Ele salve sua filha. Jesus responde a ela da seguinte forma:

Deixa primeiro saciar os filhos, porque não convém tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos

Não se trata de um insulto, e sim de uma parábola. Para entendermos temos que entender o amor dessa mãe pela sua filha, e o amor de Deus pelos seus filhos, o povo de Israel. Jesus estava dizendo que veio para as ovelhas perdidas de Israel,  Ele tinha vindo mostrar para Israel que ele era o cumprimento da lei. Ele estava dizendo o seguinte: há uma ordem aqui, como na sua família, primeiro eu veio para resgatar os meus, depois vou cuidar dos outros.

Mas a resposta da mulher foi deslumbrante.

Sim, Senhor; mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos

Sim, Senhor eu sei que a família vem primeiro, mas também os cachorrinhos comem da mesa também. Ela entendeu que não era de Israel, que não adorava o Deus dos israelitas. E assim, ela não tinha um lugar na nessa. Ela aceitava isto.

Hoje em dia, nossas igrejas estão lotadas de pessoas dizendo: "Deus, me dê o que eu mereço, eu tenho feito tanto para o Senhor. Onde estão os meus direitos?". Mas, esta mulher não faz nada disso, ela diz me dê o que eu não mereço porque sua bondade pode me dar, e eu preciso disso agora.

A resposta de Jesus foi que resposta maravilhosa, inacreditável. Esta mulher foi a primeira pessoa a entender uma parábola de Jesus, ela entendeu que na mesa de Jesus há tanta fartura que até mesmo aqueles que não estão na mesa podem comer e se saciar dEle. Ela entendeu Jesus melhor que os israelitas, melhor que os discípulos que a procuraram afastar.

Ela não se afastou de Jesus com remorsos, ela era uma mãe em busca do melhor para seus filhos, não estava buscando o consolo em roupas, presentes, nova educação, ela buscou a fonte que poderia transformar sua filha, a única. E ela sabia que esta fonte era transbordante.

Hoje, há muitos pais que não mais procuram a real felicidade para os seus filhos buscam dar tantas coisas para trazer uma felicidade que não existe, há uma fartura de brinquedos, equipamentos, roupas e não há uma migalha sequer da graça de Deus.

Precisamos acordar, precisamos implorar para o Senhor que nos alimente, porque uma migalha apenas caída da mesa do Mestre pode mudar toda a nossa vida.

2. Por quê Ele pode? (Mc. 7, 31-37)

A seguir, Marcos nos conta a história de um surdo-mudo, que trazem ao encontro de Jesus  na região da Decápolis. Jesus toma este homem sai da multidão, toca seus ouvidos, toca sua boca, toma sua saliva e coloca na boca do home, olha para cima, e diz- Esteja aberto. 

Você poderia pensar que Jesus estava fazendo um ritual para o milagre, mas nada disso. Lembre-se Jesus saiu com este homem da multidão, ele não faz isto para atrair a atenção de ninguém, e nem porque precisava fazer, ela esta fazendo isto porque aquele homem precisava disto.

Jesus estava se identificando com aquele homem, tocar seus ouvidos e boca seria como uma linguagem de sinais. O suspiro de Jesus é a prova disso, é uma expressão de dor, Jesus está conectado com aquele homem em sua alienação e isolamento.

Há uma palavra aqui usada para descrever o estado daquele homem que só aparece duas vezes na Bíblia é moglilalos, ela está em Isaías 35:5, Marcos está dizendo você esta vendo o surdo ouvir, o cego ver, o coxo ser curado, Jesus está entre nós. 

Mas, Isaías 35 também fala que a vingança do Senhor virá e sua retribuição, Jesus não veio com espada, não trouxe essa vingança. Não, ele não veio com a ira, mas sim carregou a ira de Deus sobre si,

Conforme diz Isaías 53,  na cruz,  o Filho de Deus foi lançado fora, foi desprezado, rejeitador dentre os homens, como um cachorro que não tem migalhas. Como ovelha muda foi sacrificado por cada um de nós.

Muitos pais hoje estão surdos-mudos não sabem ouvir seus filhos e entender a situação deles, como também são incapazes de falar, de dar a verdadeira solução para seus problemas e angústias, Jesus hoje, quer que você entenda como aquela mulher que na mesa dele, apenas uma migalha da graça pode transformar toda uma família.


Bibliografia:

KELLER, Timothy  The King´s Cross 

LOPES, Hernandes Dias  O Evangelho de Marcos