sexta-feira, junho 27, 2014

Romanos 1:18-32: O Deus conhecido e a idolatria

ROMANOS 1:18-32:  Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça; 19   porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. 20   Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; 21   porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. 22   Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. 23   E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. 24   Pelo que também Deus os entregou às concupiscências do seu coração, à imundícia, para desonrarem o seu corpo entre si; 25   pois mudaram a verdade de Deus em mentira e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém!  26   Pelo que Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. 27   E, semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. 28   E, como eles se não importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convém; 29   estando cheios de toda iniquidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; 30   sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes ao pai e à mãe; 31   néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; 32   os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem. 

A declaração de Paulo nos versos 16 e 17 deixa uma questão: por que os justos devem viver pela fé? Por que apenas recebendo a justiça é o único modo de ficarmos retos diante de Deus? Paulo vai usar os versos 18 a 32 para responder o porquê nós precisamos que Deus nos dê sua justiça e por que não podemos merecê-la, conquistá-la por nós mesmos. Ele vai nos apresentar um retrato escuro da humanidade.

A IRA REVELADA.

O versículo 18 começa como um porque, então este verso vem dos versículos anteriores 16-17. Paulo está mostrando que o evangelho é necessário porque estamos diante da ira de Deus. Todos os seres humanos sem o evangelho estão debaixo da ira de Deus.

A ira de Deus está sendo manifesta, revelada. Por que está sendo revelada? Como está sendo revelada? São duas perguntas que ele irá responder neste capítulo.

O que atrai a ira de Deus é a impiedade e a injustiça. A primeira fala do não cumprimento das leis de Deus, uma destruição de nosso relacionamento vertical com Deus. A segunda fala sobre o descumprimento em relação aos homens, uma destruição de nosso relacionamento horizontal com os homens. É a quebra do grande mandamento: amar a Deus e aos outros (Mc 12:29-31).

SUPRIMINDO A VERDADE.

Paulo antecipa a objeção de que as pessoas não podem conhecer nada melhor. Como Deus pode fazer alguém responsável por não conhecer a Deus que nunca ouviu falar? Mas em fato, todos conhecem melhor, porque eles conhecem a verdade e suprimem ela. 

Romanos 1:21 vai mais adiante dizendo que todos os seres humanos conhecem a Deus. A criação nos mostra que existe um deus de eterno poder e de natureza divina. Todos nós conhecemos, apesar do que dizemos para nós mesmos, que existe um Criador, de quem nós somos ultimamente dependentes e para quem devemos prestar contas. Não podemos saber tudo sobre Deus a partir da criação- seu amor e sua misericórdia por exemplo- mas nós podemos e fazemos, deduzir de qualquer criatura que há um criador. Mas nós suprimimos isto.

Este é um ensino contra cultural. Cristãos, para quem o Espírito Santo mostrou a verdade sobre o criador, são geralmente acusados de serem repressores- não sendo verdadeiros consigo mesmos ou abertos para a realidade do mundo. Contudo, Paulo está dizendo que, naturalmente, todos nós somos repressores enquanto nós nos mantemos longe da verdade de que existe um Deus criador. Enquanto nós suprimirmos esta verdade, nunca iremos entender quem somos e porque o mundo é o que é. 

TODO MUNDO ADORA ALGUMA COISA.

Então, Paulo diz que os homens estão sem desculpas, todo o ser humano conhece a Deus, mas não glorifica a Deus e nem dá graças a Ele (vs. 21). O que Paulo está dizendo é nós plagiamos Deus, pegamos aquilo que Deus criou e achamos que é nosso. Não percebemos a nossa dependência de Deus, mas clamamos por independência. Preferimos a ilusão que nós podemos decidir o que é certo ou errado. Não somos gratos porque não aceitamos aquilo que foi feito para nós.

O que acontece quando as pessoas se recusam a reconhecer e a depender de Deus como Deus? Não paramos de adorar. Apenas mudamos o objeto de nossa adoração. Paulo diz que mudamos a glória do Deus imortal por imagens que parecem o homem mortal, pássaros, animais e reptéis (vs. 23). Nós vemos esta troca nos versos 25 a 27. 

Nós precisamos adorar alguma coisa. Fomos criados para adorar o Criador, então se rejeitamos a Ele, nós iremos adorar outra coisa. Sempre deve haver algo que capture nossa imaginação ou nossa fidelidade, que é um lugar de descanso para os nossos desejos mais profundos e para onde nós olhamos para nos acalmar de nossos medos mais profundos. Qualquer que seja esta coisa, nós a adoramos, nós a servimos. Se torna a base de nossa vida, não vivemos sem ela, ela valida e determina tudo que fazemos.

O problema dessa troca na nossa adoração e serviço é que ela desvirtua a criação de Deus. Fomos criados como imagem de Deus (Gn 1:26-29), feitos para nos relacionar com Ele e refletir sua natureza e bondade para o mundo. Em Romanos 1:23, a humanidade vira às costas para Deus, e passa se prostrar diante das coisas. 

Da perspectiva divina, nós nos tornamos tolos (vs.22). Deixamos a base de tudo e ficamos sem base alguma para a vida.

A IRA DE NOS DAR O QUE NÓS QUEREMOS.

Pelo que também Deus os entregou às concupiscências do seu coração, à imundícia, para desonrarem o seu corpo entre si; (vs.24)


"quando a humanidade comete idolatria, adorando aquilo que não é Deus cmo se fosse, concede a outras criaturas e seres do cosmos um poder, um prestígio e autoridade sobre nõs, que nõs, submissos a Deus, deveríamos ter sobre eles. Ao adorar um idolo, seja ele qual for, você abdica algo de sua propria autoridade humana sobre o mundo e concede autoridade a esse idolo, chamado a ser uma força negativa, contrária a Deus, uma força oposta à criação, porque, sendo ela mesma parte do mundo transitório, esta destinada à decadência e morte e, caso nçao tenhamos cuidado, seremos arrastado juntos com essa força".  (N T WRIGHT, O Mal e a Justiça de Deus,p .100)

Desde que nossos corações foram feitos para estar centrados em Deus, sendo Ele o real provedor de satisfação e significância, as coisas não satisfazem a nossa vida, sempre sentimos que precisamos de mais e mais. Falhamos em simplesmente receber e desfrutar da vida de Deus, suprimimos a verdade que iria nos libertar e satisfazer.

As concupiscências do seu coração vem de uma palavra grega chamada epihumia, que significa desejo exagerado. O problema principal do nosso coração não é tanto o desejo por coisas erradas, mas um desejo exagerado por coisas boas, que transforma estas coisas em deuses, em objetos de nossa adoração e serviço.

Então, a pior coisa que pode nos acontecer é quando damos ao nosso coração aquilo que ele deseja demais. A pior coisa que Deus pode fazer com a humanidade no presente é deixar ela alcançar seus objetivos idolatras.  O que leva as pessoas a uma tragédia pessoal. 


Qualquer coisa, boa ou má, pode ser objeto de nossa idolatria: família, sucesso, ministério como também drogas, bebidas, poder.


Se você busca
Seu maior pesadelo
Seus amigos se sentem
Seu problema emocional
PODER (sucesso, vitória, influência)
HUMILHAÇÃO
USADAS
RAIVA
APROVAÇÃO (afirmação, amor, relacionamentos)
REJEIÇÃO
SUFOCADAS
COVARDIA
CONFORTO (privacidade, liberdade)
STRESS, QUESTIONAMENTOS
NEGLIGENCIADAS
TÉDIO
CONTROLE (segurança, certeza)
INCERTEZA
CONDENADAS
PREOCUPAÇÃO



O conceito bíblico de idolatria é uma idéia extremamente sofisticada, integrando categorias intelectuais, sociais, psicologicas, culturais e espirituais. Há idolos pessoais, como um amor romântico e família, ou dinheiro, poder, ou realização, ou acesso a círculos sociais em particular, ou uma dependência emocional dos outros em você, ou saúde, ou forma física, ou beleza física. Muitos buscam em todas estas coisas pela esperança, sentido e satisfação que somente Deus pode dar.  Há ídolos culturais, tais como o poderio militar, o progresso tecnológico, e a prosperidade econômica. Os ídolos de sociedades tradicionais incluem família, trabalho duro, dever e virtude moral, enquanto que na cultura ocidental estão a liberdade individual, auto-descobrimento, influência pessoal, e satisfação. Todas estas coisas podem tomar um tamanho desproporcional e poder na sociedade. Eles prometem para nós, a proteção, paz e feliciade se apenas nós basearmos nossas vidas neles. (TIM KELLER, Counterfeit Gods)
A verdadeira liberdade só pode ser alcançada é quando adoramos que é bendito eternamente. É o único modo de parar de suprimir a verdade, é quando voltamos a Deus como alvo de nossa adoração e vida. 

PAULO E O HOMOSSEXUALISMO.

Pelo que Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza.   E, semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. (1:26,27)

Recentemente, muitos tem tentando mudar a interpretação destes versículos, dizendo que Paulo estava tratando de pessoas que agem contra a sua natureza ou se refere a um sexo promíscuo homossexual e não à relações estáveis.

Mas, o texto é claro ao afirmar que o homossexualismo é contra a natureza, é uma violação da natureza criada de Deus. E não nada aqui que possa sugerir que Paulo tem em vista apenas certos tipos de relacionamento homossexual. 

O final do verso 27 deve ser interpretado como uma consequência dos homens terem sido deixados ao seu desejo incontrolado.  A bíblia é clara tanto no Novo como no Antigo Testamento, que a o sexo homossexual é um comportamento pecaminoso de rejeição do senhorio de Cristo e que deixa as pessoas fora do reino de Deus como vemos também em 1Co 6:9-11. 

Nesta passagem, Paulo tem em vista dois comportamentos pecaminosos, o primeiro é o sexo fora do casamento no verso 24 e também o sexo homossexual aqui nos versos 26 e 27. É um comportamento criado pelo desejo desordenado, por uma idolatria como também é a ganância (Cl 3:5). 

O homossexualismo é um pecado sério como também é inveja, a fofoca, a desobediência, a deslealdade (vs. 29-30). Se vemos a homossexualidade como uma perversão do mesmo modo temos que enxergar o engano como uma depravação (vs. 28). 

VENDO A NÓS MESMOS. 

28   E, como eles se não importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convém; 29   estando cheios de toda iniquidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; 30   sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes ao pai e à mãe; 31   néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; 32   os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem. 

Aqui está uma lista não exaustiva das consequências da idolatria. Aqui nós temos a desordem econômica (avareza), a desordem social (assassinato, engano e malícia), a desordem familiar ( desobediência), a desordem relacional (irreconciliáveis, sem misericórdia). 

Aqui está o que os teólogos chamam de a doutrina da depravação total, embora nem tudo que a gente faça seja completamente pecaminoso, nada é completamente sem a marca do pecado.

Se você acha que não está na  lista, Paulo lembra que também estão aqueles que aprovam ou consentem com quem as fazem. Pergunte-se a si mesmo se você nunca: concordou com uma inveja alheia, deixou passar adiante uma fofoca ou mesmo criou um ídolo para seus filhos como uma prova na escola.


Cada cultura humana é uma complexa mistura de verdades brilhantes, meia verdades e resistências à verdade. Cada cultura terá um discurso de idolatria com ela. E, ainda assim, cada cultura terá um testemunho da verdade de Deus nela. Deus dá bons dons de sabedoria, talento, beleza, habilidade sem olhar para o mérito, Ele deixa como sementes para enriquecer, abrilhantar e preservar o mundo, sem este entendimento de cultura, cristãos tenderão a pensasr que eles podem viver auto-suficientes, isolados das contribuições daqueles que estão no mundo. Sem uma apreciação da graça de Deus disposta na cultura, cristão poderão lutar para entender porque não-cristãos, por vezes, excedem cristãos em sua prática moral, sabedoria e habilidade. A doutrina do pecado significa que como crentes nunca seremos tão bons como a nossa cosmovisão nos mostra que deveríamos. E ao mesmo tempo, a doutrina da nossa criação como imagem de Deus,  e um entendimento da graça comum, nos lembra que não crentes nunca são tão ruins quanto sua falsa visão de mundo gostaria que fossem. (TIM KELLER, Center Church)


Como responder a isto tudo?

Primeiro, precisamos reconhecer as narrativas que estamos inseridos. São elas que formam nossos desejos e nos levam para a idolatria. O mundo propõe para o nosso coração os ideais de beleza, satisfação e segurança. Precisamos, voltar para a narrativa do evangelho, e entender e desejar aquilo que Deus quer para o nosso coração e vida.

Segundo, não tem um comportamento fariseu, de auto salvação e enxergar só nos outros certos tipos de comportamento de idolatria. Olhar com humildade para o nosso coração e ver quais os padrões de idolatria e de desejo estão habitando em nossa vida, o moralismo não vai ajudar aqui, precisamos de arrependimento.

Terceiro, temos de ler esta passagem com os olhos voltados para os versos 16 e 17, não precisamos temer a ira de Deus pois fomos justificados pela fé, recebemos a graça de Deus. O modo de vencer os desejos do coração desordenado é levá-lo a descansar e a satisfazer-se em Deus apreciando-o em louvor.



fonte bibliográfica:

CENTER CHURCH  de Timothy Keller
COUNTERFEIT GODS  de Timothy Keller
ROMANS 1-7 FOR YOU  de Timothy Keller

O MAL E JUSTIÇA DE DEUS  de N.T. Wright


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