quinta-feira, março 08, 2012

Allister McGrath: Paixão pela Verdade.


O livro de Allister McGrath é uma boa introdução para se ler antes de qualquer livro da igreja emergente,  seja a favor ou contra. 

Sobretudo, trata-se de um livro que trata da doutrina intelectual do evangelicalismo, de suas mazelas e suas virtudes. Sua posição em relação ao modernismo e ao pós-modernismo. O livro foi escrito antes do boom de McLaren e Bell, então, não contém respostas aos emergentes.

O evangelicalismo está baseado na supremacia de Jesus Cristo, em sua singularidade e soberania. 

No primeiro capítulo, o autor defende o ponto de vista que o cristianismo é uma religião singular devido a pessoa de Jesus Cristo, sendo totalmente distinto das demais religiões. De modo, que assim o evangelicalismo se afasta do racionalismo ilumista que não outorga a religião cristã autoridade sobre as demais.  E considera a autoridade de Jesus como derivada, já o evangelicalismo insiste na autoridade inerente de Jesus Cristo.

No segundo capítulo, a respeito da Autoridade da Escritura, o autor estabelece o relacionamento que existe entre a Palavra escrita e o Verbo Encarnado, dizendo que a Escritura está centrada em Cristo e envolvida nEle, retomando um ponto calvinista de interpretação bíblica cristo-cêntrica. Contudo, ambos não podem ser confundidos. 

Neste capítulo, o autor critica a influência racionalista na teologia reformada de alguns autores, que tentaram buscar nas Escrituras puras proposições baseados na filosofia do senso comum do empirismo escocês de Hume.  As Escrituras devem ser o padrão para definição do cristão e não as leituras sejam racionalistas sejam liberais. Há quatro inimigos, assim por dizer, identificados na leitura da Palavra: cultura, experiência  e razão e tradição.

A seguir, no terceiro capítulo, o autor passa a avaliar as relações entre o evangelicalismo e a corrente pós-liberal.

O quarto capítulo, analisa as relações com pós modernismo.

O quinto capítulo, analisa as relações com o pluralismo, um tema do pós modernismo, em especial, a teologia global de John Hick.

alguns trechos:

"A experiência é vista como algo para ser interpretado, em vez de algo que em si é capaz de interpretar. A teologia cristã visa assim dirigir-se a, interpretar e transformar a experiência humana" p. 67







sexta-feira, março 02, 2012

a parábola da ponte




Há uma história no livro de Peter Scazzero, eis a história na tradução de Sandro Baggio em http://www.sandrobaggio.com/2009/01/16/a-ponte-uma-parabola-sobre-escolhas-e-responsabilidade/


O Rabino Edwin Friedman conta uma parábola sobre um homem que tinha pensado bastante sobre o que ele queria da vida. Após tentar muitas coisas, ter sucedido em algumas e fracassado em outras, ele finalmente decidiu o que queria.
Um dia a oportunidade chegou para ele experimentar exatamente o tipo de vida com o qual sonhava. Mas a oportunidade só estaria disponível por pouco tempo. Não esperaria, e não voltaria novamente.
Ansiando tomar vantagem dessa vereda aberta, o homem iniciou sua jornada. A cada passo, ele se movia mais rápido. Toda vez que pensava sobre seu alvo, seu coração batia mais forte; e cada visão do que estava à sua frente, renovava suas forças.
Ao prosseguir adiante, ele chegou a uma ponte que atravessava no meio de uma cidade. A ponte transpunha um rio perigoso.
Logo que começou a cruzar a ponte, ele notou alguém vindo na direção oposta. O estranho parecia estar vindo ao seu encontro para saudá-lo. Quando o estranho chegou mais perto, o homem se deu conta de que eles não se conheciam, no entanto, eram incrivelmente parecidos. Estavam até mesmo vestidos de modo semelhante. A única diferença era que o estranho tinha uma corda enrolada ao redor de sua cintura. Se fosse desenrolada, essa corda poderia alcançar talvez a distância de uns dez metros.
O estranho começou a desenrolar a corda enquanto caminhava. Quando os dois homens se encontraram, o estranho disse: “Por favor, você poderia segurar a ponta dessa corda para mim?”
Sem pensar, o homem concordou e alcançando a ponta da corda, a segurou.
“Obrigado!” disse o estranho. E acrescentou: “Com as duas mãos agora, e lembre-se, segure firme.” Falando isso, o estranho pulou da ponte.
O homem na ponte sentiu um puxão forte da corta agora esticada. Ele automaticamente segurou firme e quase foi arrastado por sobre o parapeito da ponte.
“O que você está tentando fazer?” gritou ele para o estranho lá embaixo.
“Apenas segure firme,” respondeu o estranho.
Isso é ridículo, pensou o homem. Ele começou a tentar puxar o outro para cima. Porém, isso estava além de suas forças.
Novamente ele gritou lá de cima: “Por que você fez isso?”
“Lembre-se,” disse o outro, “se você soltar, eu estarei perdido.”
“Mas eu não posso puxá-lo para cima,” clamou o homem.
“Estou sob sua responsabilidade,” disse o outro.
“Eu não pedi para você fazer isso,” disse o homem.
“Se você soltar, eu estarei perdido,” repetiu o estranho.
O homem começou a olhar ao redor em busca de ajuda. Não havia ninguém à vista.
Ele começou a pensar sobre a situação desagradável em que se encontrava. Estava ansiosamente perseguindo uma oportunidade única, e agora se via sendo desviado de seu alvo por quem sabe quanto tempo.
Talvez eu possa amarrar essa corda em algum lugar, pensou ele, examinando a ponte cuidadosamente, mas não havia como se livrar de seu novo fardo.
Ele então gritou novamente para o homem lá embaixo: “O que você está querendo?”
“Apenas sua ajuda,” foi a resposta.
“Como posso ajudar? Eu não posso puxar você e não tem lugar para amarrar a corda enquanto eu procuro por mais alguém para ajudar você”.
“Apenas continue segurando firme,” respondeu o homem balançando na corda. “Isso será o bastante.”
Temendo que seus braços não poderiam segurar por muito mais tempo, ele deu uma volta com a corda ao redor de sua cintura.
“Por que você fez isso?” ele perguntou novamente. “Você não vê o que você fez? Qual era o seu propósito ao fazer isso?”
“Apenas lembre-se,” disse o outro, “minha vida está em suas mãos.”
Agora o homem estava perplexo. Ele pensou consigo mesmo, se eu soltar, pro resto de minha vida eu saberei que deixei esse homem morrer. Se eu ficar, corro o risco de perder o momento em direção à minha tão desejada salvação. De qualquer modo isso irá me assustar pra sempre.
Conforme o tempo passava, ninguém aparecia. O homem ficou muito consciente de era quase tarde demais para continuar sua jornada. Se não partisse imediatamente, ele não chegaria a tempo.
Finalmente, ele planejou algo. “Ouça,” ele explicou para o homem pendurado abaixo, “acho que sei como salvar você.” Ele delineou a idéia. O estranho poderia escalar enrolando a corda ao redor de seu corpo. Volta após volta, a corda ficaria mais curta.
Mas o homem balançando não queria nem saber da idéia.
“Eu não penso que poderei segurar por muito mais tempo,” alertou o homem sobre a ponte.
“Mas você precisa tentar,” apelou o estranho. “Se você falhar, eu morro.”
De repente, o homem sobre a ponte teve uma nova idéia Era diferente e até mesmo fora do seu modo de pensar. “Quero que você ouça com atenção,” ele disse, “porque eu irei falar sério.”
O homem balançando deu indicação de que estava ouvindo.
“Eu não aceitarei a posição de escolha sobre sua vida, somente sobre a minha própria vida; portanto, eu devolvo a você a escolha sobre sua própria vida.”
“O que você quer dizer?” perguntou o estranho, com medo.
“Eu quero dizer, simplesmente, que a escolha é sua. Você decide como é que isso irá terminar. Eu serei seu contrapeso. Você se esforça e escala a corda. Eu posso até dar alguma puxada daqui.”
Ele desenrolou a corda de sua cintura e colocou-se na posição de contrapeso. Estava pronto a ajudar tão logo o homem balançando começasse a agir.
“Você não pode estar falando sério,” o outro clamou. “Você não poderia ser tão egoísta. Eu estou sob sua responsabilidade. O que poderia ser tão importante que você deixaria alguém morrer? Não faça isso comigo.”
Após um longa pausa, o homem sobre a ponte falou vagarosamente:“Eu aceito sua escolha.” Ao dizer essas palavras, ele soltou a corda e continuou sua jornada sobre a ponte



TED era um evento anual na Califórnia, que agora se diversificou em vários eventos.  No último ficou famoso pela palestra de Allain de Botton, de quem já li alguns livros, acho ele divertido até.

Ele defende o uso da religião pelo ateísmo, não é um ateísmo antigo que nega a religião como superstição, mas uma sofisticação que busca na religião elementos que podem explicar certas coisas com a devida negação da existência de Deus, claro.

O novo ateísmo é algo que não encontrou no Brasil nenhum eco, por ora. A discussão está lá fora em obras de Dawkins, pela área biológica da tendência e de Botton, numa filosofia do novo ateísmo.

Há um certo tom de pelagianismo no TED,  numa palestra sobre o bem e o mal, Philip Zimbardo mostra em sua análise de psicologia social, de como as pessoas boas se tornam más e a necessidade de uma cultura de heróis, pessoas que conduzem suas vidas para um comportamento de rebelião em relação a convulsão do mal.

O TED é, sem dúvida, o evento que retrata o nosso tempo, seja para o bem seja para o mal. Seu formato de 18 minutos por palestra e a multidão de temas e posições são como um espelho do que é o mundo hoje e do porvir no pensamento humano. Pena que este pensamento está mais uma vez contaminado por pelagianismo.


domingo, fevereiro 26, 2012

James Bryan Smith: O maravilhoso e bom Deus.


O livro tem por intenção ser o primeiro de uma trilogia de um currículo de crescimento espiritual. Smith é ligado a Renovare, escreveu um livro simples e profundo que aborda diversas questões da vida espiritual.


A abordagem de Smith é bastante criativa,um capítulo traz um princípio e logo a seguir, vem uma disciplina espiritual a ser praticada em torno daquele tema. O livro de Smith é mais fácil de ser lido que os de seus mentores como Dallas Willard ou Richard Foster, pois é mesmo uma introdução à vida contemplativa.

Para Smith o processo de mudança na vida de uma pessoa envolve a necessidade de examinar o que pensamos - nossas narrativas-, como agimos- nossas disciplinas espirituais- e com quem estamos interagindo - nosso contexto social-. Há quatro elementos básicos: 1. mudar as histórias de nossa mente, 2. engajar-nos em novas práticas, 3. refletir e dialogar com outras pessoas que seguem o mesmo caminho e 4. fazer tudo sob a orientação do Espírito Santo.

A abordagem de Smith diz que precisamos mudar as narrativas de nossa mente, o que lembra o ensino de Peterson. Precisamos descobrir quais as  narrativas que formam o nosso pensamento, e comparar elas com as de Jesus, o livro segue tentando mostrar o Deus que Jesus conhecia em oposição ao Deus das narrativas religiosas.

As disciplinas são vistas como exercícios de treinamento para alma, tratam de sabedoria e não de justiça. 

"O Espírito muda nossas falsas narrativas testemunhando a verdade. nossos dois mais importantes relacionamentos são nosso relacionamento com Jesus, como Senhor- do grego kyrios- e nosso relacionamento com Deus como nosso pai- aba em aramaico, o idioma que Jesus falava-" p.35

A passividade da vida cristã:

"Começaremos a viver como Jesus viveu uma vida perfeita  que não somos capazes de vier e como ele ofereceu essa vida ao Pai em nosso favor, libertando-nos da obrigação de merecer o amor e o favor de Deus" p. 38

Gostei muito do livro, em breve, coloco outros trechos do livro.  A espiritualidade fica claro no livro que está ancorada no amor incondicional de Deus por nós. A nossa transformação está baseada em três coisas, na mudança de narrativa, na disciplina espiritual e comunidade, tudo isto sob dependência do Espíirto Santo. A manifestação disto tudo é uma vida que descansa e frutifica do Espírito Santo, uma vida com paz e contemplação.


quarta-feira, fevereiro 22, 2012

James Houston: 3 livros

Finalmente, acabei de ler três livros de James Houston.






1. Mentoria Espiritual.

Houston coloca três modelos de mentoria em distinção ao mentoreamento cristão, são eles: heróico, estóico e terapeutico. Para Houston, a verdadeira identidade do ser humano está no seu encontro com Cristo, somente a partir do evangelho e da realidade de Jesus, os indíviduos podem se tornarem pessoas de verdade.

Houston escreve o livro sobre três influências, Edwards, Bernardo de Clairvaux e, mais preponderantemente, Kierkegaard.  As formas seculares de mentoreamento criam apenas individuos, que não geram pessoas.

O pensamento secular cria abstrações que não podem completar o ser humano, somente a vida de Jesus Cristo pode dar realidade, fazer do individuo uma pessoa.


Na mentoria cristã, há a vida de Jesus Cristo, que não dá apenas uma noção abstrata de como viver, mas o próprio viver, assim a pessoa se realiza concretamente.


A pessoa está baseada na revelação teológica do imago dei, seres humanos criados à imagem e semelhança de Deus. Somos tornados justos graças à justificação por Deus, e não em ações humanas. A liberdade é definida como auto-transcendência, fundamentada em Cristo, e não numa autonomia. O discipulado é abertura para Deus, com base em seu chamado ao contrário do modelo antropológico de um auto-enclausuramento, iniquidade e desobediência.


A pessoa cristã é alguém que recebe, mas não alcança o mérito. A perfeição cristã não está no ideal grego de não ter falhas, mas numa expressão de crescimento e maturidade.




2. Meu Legado Espiritual


Houston descreve sua formação como cristão, entende que o momento atual é de um cristianismo no fio da navalha, com diversas opções dentro dele que não são exatamente cristãs.


O livro vemos mais uma vez a influência dos mentores do pensamento dele: Kierkegaard, Jonathan Edwards e Agostinho.


Na primeira parte do livro, ele fala da fé cristã como um modo de vida e uma nova identidade, está divida em duas partes, o folego da vida oculta e abertos para um viver visionário de Deus.  Há duas análises, uma sobre a vida interior e outra sobre as expectativas da vida em Cristo.

A prioridade do chamado pessoal sobre a vida institucional, o surrealismo da face visível da vida cristã e tornar-se uma pessoa: uma jornada. Aqui, Houston conta sobre seu ministério, indas e vindas, o caminho que Cristo trilhou. Surrealismo ele chama a vida oca de um cristianismo sem vida, sem cruz. Há uma dupla vocação que são conjuntas, a de discipulo e a profissional.

A jornada é ofensiva para o mundo, é uma dialética entre as duas concepções de mundo, a cristã e a mudana.

A última parte do livro, fala sobre amadurecendo na comunidade, transmitindo a fé em pessoa, fala sobre viver a verdade em amor e a transmissão da fé numa era de ruptura.


3. O Desejo.

Neste livro, Houston fala sobre o coração humano, que é insensato e sedento. Fala sobre os desejos humanos que com a idolatria podem fazer que coisas boas acabem se tornando prejudiciais.

Sobretudo, há uma excelente explicação sobre como os vícios podem afetar o nosso 
coração.

Há uma análise de como descobrir contentamento para os desejos do nosso coração, há mais uma vez a análise de que somente em Cristo, nossos desejos podem nos levar a sermos uma pessoa de verdade.

Sempre nos textos de Houston, há a influência de Kierkegaard, na questão da construção da identidade pessoal em Cristo Jesus. Há a crítica de Edwards contra o racionalismo cartesiano. E uma vida de devoção,  com a mentoria de Agostinho e Bernado de Clairvaux.

"O desejo é o incessante pulsar da vida humana. O que ansiamos determina o escopo de nossas experiências, a profundidade de nossas percepções, os padrões com os quais julgmos e a responsabilidade com que escolhemos nossos valores. Por isso é de crucial importância ansiarmos por coisas que ultrapassam o material, que sejam transcendentais"