quinta-feira, maio 07, 2015

Craig e Moreland: Duas Categorias: Propriedade e Substância

NO CAPÍTULO 10 do livro FILOSOFIA E COSMOVISÃO CRISTÃ, Lane Craig e Moreland continuam a tratar de ONTOLOGIA GERAL, Agora falam sobre PROPRIEDADE E SUBSTÂNCIA.

Como devemos considerar a concordância qualitativa? 

NOMINALISMO EXTREMO: defendido por W.V.O. Quine e Wilfred Sellars, as propriedades absolutamente não existem e os indivíduos concretos e os grupos de indivíduos concretos são as únicas coisas reais. As propriedades absolutamente não existem. Em vez disso, os únicos seres que existem são os indivíduos concretos e as palavras das propriedades que são verdadeiras para eles,

NOMINALISMO: defendido por D.C.Williams e Keith Campbell, acreditam na existência das propriedades, mas defendem que são qualidades  específicas, chamadas indivíduos abstratos que não podem ser possuídos por mais de um indívíduo concreto. 

REALISMO: desenvolvido por DM Armstrong e Reinhardt Grossman, a propriedade é um em muitos, ela pode ser possuída por muitos indivíduos concretos, é chamada de relação de exemplificação, predicação ou referimento. As propriedades são chamadas universais, quer dizer, entidades multiplamente exemplificáveis que podem estar presentes ao mesmo tempo em muitas coisas. 


AS PROPRIEDADES E O NATURALISMO.

"O universo pode ser definido como o completo sistema espácio-temporal de matéria e energia (impessoal), ou seja, como a soma total dos objetos materiais de algum modo acessível aos sentidos e à investigação científica. O mundo pode ser definido como a soma total de tudo que existe, inclusive as entidades abstratas não-espácio-temporais. No sentido metafísico, uma entidade abstrata é uma entidade real que não está no espaço ou no tempo."  (PAG 260)

Nominalistas extremos e nominalistas estão ligados ao naturalismo. Negando que as propriedades sejam universais. 

A primeira concepção realista de exemplificação é a visão modelo-cópia: as propriedades são entidades abstratas que existem fora do espaço e do tempo. No entanto, as propriedades não são incorporadas pelos entes que supostamente as possuem. Esta visão não é amplamente aceita devido às dificuldades apontadas contra ela tem sido o argumento do terceiro homem, este mostra que a visão modelo-cópia de propriedades e exemplificação resulta em duas suposições que, tomadas em conjunto, conduzem a um regresso infinito vicioso.

AXIOMA DA LOCALIZAÇÃO: nenhuma entidade qualquer pode existir em diferentes localizações espaciais ou em intervalos descontínuos do tempo.

"Nesse sentido, o realista impuro aceita as propriedades como universais, mas as rejeita como objetos abstratos. Enquanto o realista puro declara que o melhor modo de entender o que significa dizer que as propriedades são universais é vê-las  como objetos abstratos (no sentido metafísico). Os nominalistas puros são natuaralistas  impuros porque rejeitam o axioma da localização, mas aceitam a ideia de que tudo está no espaço e tempo em algum sentido, e os realistas puros rejeitam completamente o naturalismo e admitem os objetos abstratos" (PAG 263).

"o fenômeno da predicação é um problema para o nominalismo extremo e para o nominalismo, porque essas visões não apresentam uma resposta adequada sobre o que inclui alguma coisa em sua classe, o que inclui alguma coisa em sua classe, o que integra a classe, e o que exclui outras coisas dessa classe de membros. O realista pode explicar isso recorrendo à posse da mesma propriedade ou à ausência" (PAG 266)


......

SUBSTÂNCIAS

As propriedades não se apresentam ao mundo totalmente por elas mesmas. Têm possuidores, e uma substância é a possuidora das propriedades, que estão dentro delas, as propriedades são possuidas pelas substâncias a que pertencem.

Uma substância é uma unidade repleta de propriedades e também é uma unidade de capacidades - potencialidades, disposições, tendências.

DECLARAÇÃO CONTRAFACTUAL: é uma alegação que expressa qual seria o caso se, ao contrário do realmente ocorrido, tal e tal coisa acontecesse.  Tais contrafactuais são explicados por um conjunto de capacidades que uma substância possui, que são sua verdade ainda que elas não sejam realizadas. 

A natureza interior de uma substância compreende a unidade estrutural ordenada de suas capacidades finais. É uma profunda unidade de propriedades, partes e capacidades.

IDENTIDADE E UNIFORMIDADE ABSOLUTA ATRAVÉS DA MUDANÇA

Uma substância é um contínuo, que permanece o mesmo através da mudança. A mudança pode ser entendida como a vinda ou a ida de uma propriedade dentro de uma substância durante um período.  Ela perde regularmente partes obsoletas, propriedades e capacidades de ordem inferior, substituindo-as por novas. Mas a própria substância em si mesma forma  a base dessa mudança e permanece a mesma no seu final.

LEI E MUDANÇA LEGIFORME

São  fundamentadas na natureza interna de uma substância que, nesse contexto, pode ser entendida como um princípio dinâmico da atividade ou mudança imanente no interior da substância individual.

A UNIDADE DA PRÓPRIA ESPÉCIE NATURAL.

A espécie natural de uma coisa (ESSÊNCIA, NATUREZA)  é o conjunto de propriedades que a coisa possui, tal que sem ele a coisa não é reconhecida como membro da espécie e, se ela perder quaisquer de suas propriedades essenciais, sua existência finda.

CAUSALIDADE FINAL.

Uma causa eficiente é aquela por meio da qual um efeito acontece. A causa eficiente provoca o efeito. Uma causa material é a substância ou matéria da qual algo é feito. Uma causa formal é a essência de uma coisa. Uma causa final é aquela por cuja finalidade um efeito, ou uma mudança, é produzido.

Hoje a doutrina da causalidade final é tida como antiquada, considera-se que são suficientes a eficiente e a material. Para os autores, ela ainda tem vigor em noções filosóficas e complementares da ciência.

O PROBLEMA DA INDIVIDUAÇÃO.

Quando duas coisas possuem exatamente as mesmas propriedades, como é que os dois não são a mesma coisa? Se elas compartilham todas as propriedades em comum, se as propriedades são universais, o que, então, torna-as duas em vez de apenas uma? Não podemos usar a diferença de localização espacial, porque ela pressupõe a diferença e a individuação, não podendo constituir a própria individuação.

Uma substância individual é um aquele-tal, é uma combinação de duas entidades metafísicas: uma natureza universal e um componente de individuação.

SUBSTÂNCIAS X COISAS-PROPRIEDADE

1. A coisa-propriedade requer duas categorias metafísicas para classificá-la. Em contraste, uma substância é uma unidade verdadeira e complexa, e requer  apenas uma categoria- a da substância- para classificá-la.

2. As coisas-propriedade não são unidades profundas,  mas antes combinações acidentais de uma propriedade relacional ordenada externamente imposta sobre materiais preexistentes. A unidade não surge ou reside dentro do seu próprio ser, em vez disso, pelo menos para os artefatos humanos, reside no plano contido na mente do projetista (designer) da coisa-propriedade. A unidade da substância surge e reside dentro da própria e é devido à essência interna ou natureza da substância que serve como seu princípio de unificação.

3. Para uma coisa-propriedade, as partes existem antes do todo, não só temporalmente mas de forma metafísica. Essas partes são identificadas pelos materiais que as compõem. Na realidade, o todo depende dessas partes para sua estrutura global.  A substância como um todo vem antes das partes, nesse sentido, suas partes são unidas e formadas pela regra da substância e de sua essência tomada como um todo, e tais partes adquirem sua identidade em virtude de sua incorporação na substância como um todo.

4. A coisa-propriedade são relacionadas umas às outras por meio de relações externas, as relações não participam da mesma natureza dessas partes, e estas são indiferentes às relações. As partes de uma substância estão relacionadas umas as outras por meio de relações internas, as partes são o que são em virtude das relações que elas mantêm com outras partes e com a substância como um todo. Se as partes se separarem das relações, elas perdem a sua identidade. Não são indiferentes à sua incorporação numa substância, elas adquirem sua identidade da substância da qual são partes e perdem sua identidade quando fora dela.

5. As coisas-propriedade não possuem nenhum tipo novo de propriedades que já não tivesse contido nas partes, ela fornece uma estrutura pela qual um mediador natural que já exista seja capaz de concentrar energia e produzir um efeito que será interpretado como uma nova forma.  Essa característica é controversa, alguns filósofos acreditam que ela pode ter propriedades emergentes, tipos genuinamente novos de propriedades exemplificados pela coisa-propriedade como totalidade, que não características de suas partes. A substância possui novas propriedades verdadeiramente suas, não de suas partes antes da incorporação em suas substâncias. essas novas são encontradas na natureza da substância.

Para os autores, os organismos vivos são substâncias genuínas.



TEORIA DO FEIXE RELACIONADA À SUBSTÂNCIA

Na visão tradicional, uma substância não é somente um ajuntamento de propriedades, é algo que possui ou está na base das propriedades. Alguns formularam uma visão concorrente da substância, chamada de teoria do feixe.

Uma substância não é uma essência individualizada que possui propriedades embutidas em si, antes, uma substância é uma coleção ou feixe de propriedades.

Aqui, não existe possuidor das propriedades das coisas, elas não se relacionam a uma substância de forma tradicional, a relação entre as propriedades e uma substância é bem maid do que uma relação parte-todo, a substância não é apenas uma lista de propriedades, mas um conjunto de propriedades agrupadas de forma precisa e simultânea.

(pi - pn, uma relação de feixe R)

A vantagem é que não acarreta a aceitação de uma entidade que não seja empiricamente observável. A teoria do feixe será interessante para aqueles que acreditam que a metafísica deve ser feita dentro dos limites das impressões sensíveis.

Os aspectos negativos:

1. não pode responder pela contingência das substâncias, as substâncias individuais não seres necessários, são contigentes- existem no espaço e tempo, surgem e perecem. Mas se as propriedades são universais, logo, a teoria do feixe transforma as substâncias em seres necessários pois ela defende que uma substância é limitada às suas propriedades e todas as suas propriedades são universais, assim, se algo é um agrupamento de propriedades universais, algo é um ser necessário.

2. não pode sustentar que as substâncias permanecem realmente as mesmas durante a mudança, já que uma substância é somente um conjunto de certas propriedades agrupadas, se uma delas acabar, será obtido um novo e diferente feixe.


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