quarta-feira, setembro 26, 2012

Estante lida - Set/12



"We talked about books, how borring they were to read, but how you loved them anyway"  Charles Baxter


Pensando em ajudar mais pessoas a ler, vou seguir mais ou menos o modelo de The Complete Polysyllabic Spree de Nick Hornby. Os livros que comprei, os que li, o que achei e que deixei.

Todo leitor compulsivo tem outro pecado que o segue, o de comprar mais livros que lê. Quem sabe fazendo uma lista, me leve a gastar menos com livros novos e ler os parados.

Livros comprados em setembro:

O Evangelho e a Evangelização - Mark Dever 
Ministério Criativo - Henri Nouwen
A caixa-preta de Darwin - Michael Behe
A Missão do povo de Deus - Christopher J. Wright
11 influências - Leonard Sweet
Um caminho melhor - Michael Horton

Livros lidos em setembro:

Por que a ciência não consegue enterrar Deus - John Lennox
Ciência, Intolerância e Fé - Phillip E. Johnson
Criação e Evolução: 3 perspectivas - J. P. Moreland
Justiça: o que é fazer a coisa certa - Michael Sandel
O Povo, a Terra e Deus - Christopher J. Wright
Ministério Criativo - Henri Nouwen


1. Como defender Deus?



Como a maioria dos leitores, leio vários livros ao mesmo tempo e um vai puxando o outro. Foi assim o interesse recente em apologética, começou com a visita de Craig ao Brasil, passando por ter visto Árvore da Vida e, finalmente, lendo Questões difíceis da vida de Craig.


O fio foi puxado, e comecei a ler Em Guarda,  depois, Ciência, Intolerância e Fé que me levou a Criação e Evolução até Porque a ciência...

Em Guarda, como também em Questões Difíceis, Craig defende uma defesa mais neutra da fé cristã, partindo de uma base mais lógica do que das escrituras.  Busca ser um livro introdutório de apologética, o carro-chefe do livro, é o argumento kalam, baseado no filosofia mulçumana, diz que tudo existe deve ter uma causa.




Phillip E. Johnson escreveu um livro buscando colocar em dúvida a crença a respeito do darwinismo, crença? Sim, para ele o darwinismo é mais uma questão de ideologia e política científica do que conhecimento científico. Ele levanta as questões científicas do darwinismo, os problemas de ensino como também a monopolização do conhecimento pelo naturalismo apelidado por ele como darwinismo da mente. 

A incapacidade moral e intelectual hoje de se defender outra tese que não seja o darwinismo se dá a intolerância da comunidade científica em defender seu paradigma apesar de tudo.

De tentar entender estas questões mais do que tentar defender Deus, fui para outro livro também, ao mesmo tempo, Criação e Evolução organizado por J.P.Moreland e John Mark Reynolds. 

O livro traz as três teses principais de conciliação entre o texto bíblico e o conhecimento científico a respeito da origem do universo: a teoria da criação recente, a teoria da criação antiga e teoria da criação de potencial pleno. 

As teorias ou colocam sua enfase no texto bíblico ou na teoria científica, de forma excludentes, esta é uma questão levantada no livro, esta dicotomia entre o pensamento científico e o estudo bíblico.  

A teoria da criação recente, que a maior parte professa, diz que o mundo foi criado recentemente, há "apenas" milhares de anos. A segunda, defende uma criação antiga com bilhões, mas sem o elemento evolutivo, mas sim progressivo da criação. A terceira tenta misturar as idéias de uma criação com o potencial evolutivo, tenta juntar darwinismo com teísmo.

Em Porque a ciência não consegue enterrar Deus?, John Lennox faz um livro que me apresenta uma análise mais profunda da teoria da evolução e das teorias da origem do universo. De sua crítica aos limites da teoria da evolução, veio um outro livro - A caixa-preta de Darwin de Michael Behe-.

O livro caminha para uma defesa do design inteligente, numa criação conduzida dada a impossibilidade das teorias sejam a respeito da origem do universo seja da evolução darem explicações para a sintonia fina e especial que a vida e o universo exigem para existirem.

Mais do que a defesa de Deus, a defesa da minha fé em Deus foi fortalecida com a leitura dos livros. Questões, dúvidas? Elas aumentaram porque comecei a questionar coisas que engolimos sem mastigar, como o próprio darwinismo. Se você estiver cansado de uma resposta-padrão como o homem não veio do macaco porque Deus não fez assim, vale a pena encarar, especialmente, o livro de John Lennox.

Precisamos de uma teologia natural, entender que a criação é uma obra de Deus feita para glorificar seu próprio nome. 

2. Tinha isto no Antigo Testamento?

Faz muito tempo que procuro os livros de Christopher J. Wright, até comprei um pela audible, mas nunca tive tempo de ouvir. Achei na estante do meu pai, Povo, terra e Deus.

O livro é uma análise da ética no antigo testamento, e sua importância para os nossos dias. Wright coloca a ética vetero-testamentária em três àngulos: teológico, social e econômico. 

Se o livro é bom? Eu não estaria falando muito se eu disser para você que se um dia você quiser entender o antigo testamento e o novo testamento, você vai ter que ouvir as idéias de Wright.

A imagem de Deus na criação está nestes três ângulos, na queda, o homem corrompeu os mesmos três. E todo antigo testamento, é uma busca para uma redenção nestas áreas com a escolha de Abrão e a nação de Israel. 

O livro leva a você pensar tinha tudo isto no Antigo Testamento?!?

Este livro mais Crente no mundo de Deus me fez 

3. É certo perguntar o que é certo ou errado?



O livro de Michael Sandell mostra qual é o conceito de justo. Ele analisa alguma questões atuais como quotas raciais, impostos e imigração e dá uma aula sobre as diversas concepções de justiça.

4. Criatividade no ministério.

Gosto de ler Henri Nouwen, ele sempre tem uma novidade sobre temas antigos. Em Ministério Criativo, procura mostrar qual o papel do ministro diante de suas atividades: ensinar, pregar, organizar, cuidar e celebrar.

"O ensino torna-se ministério, quando os professores se movem para além da transferência de conhecimento e estão desejosos de oferecer sua experiência de vida aos seus alunos de modo que ansiedade paralisante pode ser eliminada e um novo insight libertador pode surgir. A pregação torna-se ministério quando os pregadores vão além de contar uma história e permitem que sua mais profunda intimidade interior esteja disponível aos seus ouvintes para que possam receber a palavra de Deus. O cuidado individual torna-se ministério quando aqueles que desejam ajudar vão além do equilibrio cuidadoso de dar e receber com um desejo de arriscar suas próprias vidas e permanecer fiéis ao sofrimento de irmãos e irmãs, mesmo quando isto coloca em risco seu próprio nome e reputação. Organização torna-se ministério quando os organizadores se movem para além de seu desejo por resultados concretos e olham para o mundo com uma firme esperança de uma total renovação. E celebração torna-se ministério quando os celebrantes vão além dos limites dos rituais protecionistas para uma aceitação obediente da vida como uma dádiva" p. 128

Sobre a pregação, fui lembrado de algo que vale para todo este texto, aquilo que me interessa pode não interessar as pessoas que estão sob meu cuidado. Podemos, às vezes, ficarmos tão espantados e entusiasmados com algo que lemos que pode não despertar o menor interesse em outra pessoa.

É claro que o livro é muito mais do que esta questão, mas para um leitor compulsivo a sede e fome de novas coisas e páginas fazem todo o sentido, mas para outra pessoa, é melhor gastar o dinheiro com uma roupa nova, etc, etc.

Ler livros pode ser visto como um luxo, mas também é uma necessidade. Por mais chatas que sejam as páginas de serem lidas, há sempre uma boa história para ler e contar.


Um comentário:

George Gonsalves disse...

Que ótima postagem, Allen. Pode parecer estranho aos não amantes da leitura, mas livros não são apenas para serem lidos. Mas são guardados como tesouros ou lembranças que recebemos. Queremos tê-los perto de nós. De alguma forma, nos sentimos melhor assim. Faço comentários sobre alguns que li em meu blog. Um abraço.
www.gracaesaber.com