sexta-feira, janeiro 11, 2013

Timothy Keller: O Evangelho não é tudo.



A primeira parte do livro vai tratar do primeiro eixo, o Evangelho, a teologia do Evangelho. Em seu primeiro capítulo, fala sobre o Evangelho não é tudo. Qual o significado do evangelho?

1. O evangelho são boas novas, mas não bons avisos. 

Não se trata de um modo de vida, de algo que devemos fazer. Mas, sim de algo que foi feito por nós e para o qual temos que responder.  Keller vai a origem da palavra euangelion, que quer dizer boas novas, não se trata de um código de práticas.

2. O evangelho são boas novas anunciando que fomos resgatados ou salvos.

Fomos salvos do que?  Da ira vindoura (1Ts 1:10), que não é uma força impessoal, mas a ira divina. Porque  estávamos desligados de Deus, também estamos alienados uns dos outros - psicologicamente (Gn 3:10) e socialmente (vs.7) E também alienados da natureza, vs. 16-19.  A raiz dos nossos problemas não são os nossos relacionamentos horizontais, mas sim nosso relacionamento vertical com Deus. Somos trazidos de volta para um relacionamento com Deus mesmo.

3. O evangelho são as boas novas sobre o que Jesus fez para endireitar nosso relacionamento com Deus.

Lemos em 1Jo 3:4, que passamos da morte para a vida, ou estamos em Cristo ou não.  Keller cita Lloyd-Jones que perguntava as pessoas se elas se sentiam como cristãs? A resposta mais comum era que elas não se sentiam boas o suficiente.  Elas continuam pensando em termos de si mesmas, a idéia de que elas tem que se fazerem melhores para serem cristãs, isto soa bem modesto, mas é uma mentira do inimigo, é uma negação da fé...você nunca será bom o suficiente, ninguém pode ser bom o suficiente. A essência da salvação cristã é dizer que ele é bom o suficiente  e eu estou nele.

Se tornar um cristão é uma mudança em nosso relacionamento com Deus,  a obra de Jesus quando é acreditada e descansada muda nosso relacionar-se com Deus instantaneamente.


O evangelho não é resultado do evangelho.

O evangelho não é sobre algo que fazemos a respeito de algo que foi feito por nós, mas ainda assim, o evangelho produz resultados. Somos salvos pela fé, mas a fé não permanece sozinha. A verdadeira crença no evangelho nos leva às boas ações, mas as boas obras não levam a salvação, fé e obras não devem ser confundidas.

Ef 2:8-10.

O evangelho não é participar em algo como o programa do reino de Cristo, mas é mais receber algo, a obra final de Cristo. 

O evangelho é preeminentemente um relato sobre a obra de Cristo em nosso favor, isto é por quê e como o evangelho é salvação pela graça. O evangelho são notícias porque é sobre a salvação conquistada para nós. É uma nova que cria uma vida de amor, mas a vida de amor não é em si mesma o evangelho.

O evangelho tem dois inimigos opostos e iguais.

Keller volta a metáfora de Tertuliano, de que Jesus foi crucificado entre dois ladrões, então o evangelho tem dois ladrões: a religião e a irreligião, em termos teológicos, legalismo e antinomismo.

O legalismo diz que temos que ter uma vida santa, uma boa vida para sermos salvos. O antinomismo diz que somos salvos, portanto não temos que ter uma vida santa. Uma pregação ruim do evangelho pode escorregar pra esses dois polos:  você deve acreditar e viver corretamente para ser salvo ou Deus ama e aceita todo mundo como é.

Se apenas pregar uma doutrina geral ou ética das Escrituras também não é pregar o evangelho.

O evangelho são as boas novas que Deus tem conquistado nossa salvação para nós através  de Cristo para nos trazer junto a ele num relacionamento certo com Ele e um dia irá destruir todos os resultados do pecado no mundo.

Para que entendemos isto, temos que ter um conhecimento básico das escrituras que seriam como as pressuposições do evangelho, segundo J. Gresham Machen. Se não entendermos que Jesus não foi apenas um bom homem, mas a segunda pessoa da trindade ou não compreendermos a ira de Deus, fica impossível entender aquilo que Jesus conquistou na cruz.

A tarefa não é apenas pregar a Bíblia, mas pregar o evangelho. O conhecimento bíblico é necessário para o evangelho, mas ele não é o evangelho. 

O evangelho tem capítulos.

Existem dois modos de nos aproximarmos da riqueza do evangelho. De um lado, podemos perguntar como nos tornamos corretos com Deus, esta seria uma aproximação mais individualizada. De outro lado, podemos perguntar qual o significado mais abrangente daquilo que Jesus realizou.  A resposta para o mundo pode ser descrita em termos da criação, queda, redenção e restauração. Estes seriam capítulos do evangelho, da história sua.

O problema de responder apenas a primeira questão, é que ficamos com uma versão individualista do evangelho, em que se fica apenas pensando na questão de culpa e limites pessoais.  

Não se fala a respeito da bondade original da criação nem da preocupação de Deus com mundo material. Contudo, sem a primeira mensagem a segunda mensagem também não é o evangelho. 

A grande narrativa bíblica da redenção cósmica é plano de fundo crítico para ajudar o indivíduo a ter um relacionamento correto com Deus.

Keller divide em capítulos, a Narrativa do Evangelho, da qual extrai  Verdades do Evangelho.

De onde viemos? Viemos de Deus, para sermos um com Ele e nos relacionarmos.
Por que as coisas deram erradas? Por causa do pecado, culpa e condenação.
O que irá endireitar as coisas? Cristo, pela sua encarnação, substituição e restauração.
Como eu me endireito? Através da fé, graça e confiança.

De onde viemos? 

A resposta é Deus, existe um Deus, que é infinito em poder, bom e santo e ainda é pessoal e amoroso, um Deus que fala conosco através da Bíblia.  O mundo não é um acidente, foi criado por Ele.  Por que fomos criados? A resposta que há um Deus que existe em três pessoas que tem se relacionado em amor desde a eternidade. 

Aqui Keller lembra C.S. Lewis, se Deus fosse unipessoal não conheceria amor em sua própria essência.  Deus nos criou para compartilhar aquilo que ele já tem, não para ter. Assim, criou um mundo e os seres para compartilhar seu amor e alegria, de pessoas chamadas para adora-lo, servi-lo e o conhecerem, não para as pessoas em si mesmas.

Por que as coisas deram errado?

A resposta é o pecado, Deus nos criou para adorarmos e servi-lo e amar os outros. Vivendo desta forma, seríamos completamente felizes e desfrutaríamos de um mundo perfeito. Contudo, toda  a raça humana se voltou contra Deus, rebelando contra sua autoridade. Em vez de vivermos para Deus e para os outros, vivemos nossas vidas auto-centradas.

Porque nosso relacionamento com Deus foi quebrado, todos os outros também foram: com o próximo, com o mundo e com nós mesmos.

Existem duas consequências que vêm do pecado: escravidão espiritual (Rm 6:15-18) e a condenação (Rm 6:23). 

O que irá endireitar as coisas?

Cristo, através de sua encarnação (Jo 1:14). Deus viu o mundo que criou, viu a perdição que estava e teve misericórdia dele. Ele colocou a si mesmo dentro da história como seu personagem principal (Jo 3:16).

O segundo modo como Cristo transformou as coisas foi através da substituição, por causa da culpa e da condenação sobre nós, Deus não poderia simplesmente limpar nossa sujeira. 

Jesus Cristo viveu uma vida perfeita, como único ser humano a vivê-la (Hb 4:15), e no fim de sua vida, ele merecia a bênção e aceitação, e cada um de nós no fim de nossa vida, por causa do pecado, merecíamos rejeição e condenação (Rm 3:9-10).  Ainda assim, na cruz Jesus recebeu em nosso lugar a rejeição e a condenação que nós merecíamos (1Pe 3:18) para quem acreditar nele, pudesse receber a benção e a aceitação que Ele merece (2 Co 5:21). 

O terceiro modo é a restauração. A primeira vez que Jesus veio a terra em fraqueza para sofrer por nossos pecados. Mas, em sua segunda vinda, ele virá para julgar o mundo, colocar um ponto final no mal, no sofrimento e na morte - Rm 8:19-21, 2Pe 3:13.

Isto significa que a salvação de Cristo não diz respeito a nós fugirmos da dor da maldição sobre o nosso mundo físico, mas, que o objetivo final é a renovação e restauração do mundo material, e a redenção de nossas almas e corpos. 

Como posso me endireitar?

Pela fé em Jesus, nossos pecados podem ser perdoados, temos a certeza de viveremos para sempre junto com Deus e, um dia, nós levantaremos da morte como Cristo.

Acreditar em Jesus não significa que somos perdoamos de nosso passado, que temos um novo começo de vida, e que simplesmente deveríamos tentar bastante viver uma nova vida melhor que a do passado.  Isto é colocar sua fé em si mesmo, você ser seu salvador. Você procura seus esforços morais e habilidades para fazer de você certo com Deus. Mas, isto nunca vai funcionar.

O evangelho diz que aqueles que acreditam em Jesus, não há condenação para aqueles que estão em Jesus - Rm 8:1-. Colocar nossa fé em Cristo não é tentar mais duro, significa transferir nossa confiança~para além de nós mesmos, e descansar nele. 

Pai me aceita não pelo que eu faço ou irei fazer, mas por aquilo que Jesus fez em meu lugar.

A segunda coisa que precisamos entender que não se trata da qualidade da fé em si mesmo que nos salva, mas aquilo que Jesus fez por nós. Não é a quantidade de nossa fé, mas o objeto da fé que nos salva. A fé salvadora não é um nível de certeza psicológica, é um ato da vontade que descansa em Jesus. Nos damos totalmente a Ele porque Ele nos deu a si mesmo totalmente por nós - Mc 8:34, Ap. 3:20-.

O correto relacionamento do evangelho para todo ministério.

Há sempre o perigo que os líderes e ministros considerem o evangelho como um padrão mínimo de doutrina para sermos um crente cristão. 

Toda a forma de ministério é habilitada pelo evangelho, baseada no evangelho e é um resultado do evangelho.


Resumo.

O evangelho não é tudo que a bíblia ensina, não é um modo de vida, algo que fazemos. Não é se juntar ao programa do reino de Cristo.

Existe o evangelho e os resultados do evangelho. 









2 comentários:

Anônimo disse...

Amigo, obrigado pelo resumo do livro. Tbm estou lendo o mesmo mas um pouco mais pausadamente. Obrigado. Renato

Renato disse...

Amigo, obrigado pelo resumo do livro. Tbm estou lendo o mesmo mas um pouco mais pausadamente. Obrigado. Renato