sexta-feira, abril 13, 2012

Por uma espiritualidade emocionalmente amorosa

Existe um fator que passa desapercebido na vida cristã, é o fator emocional. Quando aceitamos a Cristo como nosso Senhor e Salvador, enfim, como a nossa vida agora.Passamos a andar em novidade de vida, contudo, isto não é um movimento apenas espontâneo, é necessário que entendamos o que era a nossa velha vida para podermos vivermos esta nova.

A vida cristã é um relacionamento de fé, esperança e amor conforme aprendi com o pastor McCord, fé na certeza de que tudo que Cristo tem é real para mim, esperança que Ele está trabalhando na minha vida para me fazer imagem e semelhança dEle mesmo através do Espírito Santo e amor, minha vida agora flui na vida dEle, minhas obras, respostas, fazeres não são mais expressão de mim mesmo,mas, da presença de Jesus dentro de nós.

Este é o cristão saudável aquele que sabe que Cristo é sua salvação, sua rendeção e sua vida.   Nos afastamos deste ciclo vital ou não conseguimos vive-lo plenamente em grande parte por causa de nossa incredulidade em receber esta nova vida ao ficarmos presos a confianças e seguranças da nossa velha vida.

Entender o fator emocional é desvendar quais são esses comportamentos, sentimentos e, por que não, emoções que nos afastam de uma completa entrega a Cristo. 

A primeira coisa que precisamos entender é que o nosso coração, conforme Jeremias 2.13, ele é sedento e insensato, ou seja, ele tem uma sede de satisfação que não pode ser saciada por si mesmo e assim, está sempre em busca de algo ou alguém que o venha completa-lo ainda que provisoriamente.

Nessa busca por completude, criamos os ídolos do coração que são as formas pelas quais, em pecado, tentamos preencher esta fome, esta sede com poder, prazer ou orgulho. Assim, o nosso coração sedento e insensato encontra o vício, aquilo em que colocamos como fonte da nossa satisfação, segurança e salvação.

Na idolatria, nosso coração elege algo como seu objeto de alegria e, precisa, de mais e mais daquilo tendo em troca menos e menos prazer. Há uma ligação entre o vício e a idolatria.

Por vício, é errado entendermos apenas aqueles comportamentos relacionados com substâncias, por exemplo, o alcool. Os vícios podem ter como objeto também padrões comportamentais ou sociais, qualquer coisa, qualquer desejo que temos pode ser um objeto de vício pois pode ser um objeto de idolatria, algo que colocamos no lugar de Deus para a nossa satisfação, segurança e felicidade.

O ser humano é um ser que ama, nós fazemos aquilo que adoramos, e por causa da queda, tudo pode ser objeto deste amor.

Aqui está a importância do aspecto emocional na vida cristã, entendermos como funciona nossos sentimentos, porque ficamos felizes ou tristes, ansiosos ou contentes. Olhar atento para essas mudanças de emoção revela realmente se o nosso coração já desfruta da nova vida ou se ainda estamos presos em algum tipo de idolatria.

Entender isto é fundamental para uma mudança real em nossa vida, para uma transformação de dentro para fora. Leva a um crescimento em maturidade, a uma real transformação integral.

Nesse contexto, um dos aspectos menos percebidos entre nós é o poder dos vínculos familiares. Peter Scazzero fala do poder do passado através de nossas famílias de origem, como seria isto? 

Todos nós temos padrões, referências de comportamento, de expressão que aprendemos em nosso lar. Estes padrões não são bíblicos por vezes, são padrões de resposta contaminados pelo pecado. Quando encontramos com Cristo, alguns destes padrões são deixados de lado na conversão e outros são trabalhados na santificação.

Contudo, grande parte desta herança não é deixada de lado pois não é encarada como algo negativo. Pense em algum comportamento pecaminoso seu, essa idolatria, este vício foi desenvolvido dentro da sua família de origem, veio como uma resposta para um momento de dor e sofrimento.

A resposta veio do modelo de familiar de resolução de conflitos seja internos ou externos,  é por isto, que quando entramos na família de Deus precisamos recusar, ou aborrecer na linguagem de Jesus nossa família de origem, e seguir os modelos desta nova família.

A principal identidade do cristão é ser filho de Deus, entramos na família de Deus por aquilo que seu Filho unigenito fez por nós. Somos buscados por este amor que muda a nossa identidade e nos faz filhos por adoção, pela escolha de Deus em nos amar.

Essa eleição nos capacita para uma nova vida, pois dela vem nossa aprovação e descanso, não está mais na minha luta por criar um nome para mim mesmo, mas em receber gratuitamente o nome novo que Deus quer me dar.

Assim precisamos reconhecer os padrões errados que ainda estão dentro de nossos corações, e lança-los a Cristo para uma mudança completa e madura em nosso ser.

Reconhecer a sede e insensatez do nosso coração, reconhecer que historicamente temos elaborado e recebido mecanismos erroneos de lidar com essa sede, principalmente aqueles recebidos de nossa família de origem.

Amar não é encobrir defeitos, amar é reconhecer os defeitos e mesmo assim prosseguir amando, porque o amor realmente cobre uma multidão de pecados.