domingo, agosto 08, 2010

Grant R. Osborne: A Espiral Hermenêutica

 

O autor começa estabelecendo que a hermenêutica tem três estágios –

“Começamos com uma abordagem baseada na terceira pessoa, fazendo a seguinte pergunta a respeito do texto: o que ele significa- exegese-. Em seguida, passamos para uma abordagem na primeira pessoa e indagamos: o que ele signifca para mim (devocional). Por fim, vamos ao texto para abordá-lo na segunda pessoa e procuramos descobrir como compartilhar com você o que ele significa para mim (homilética)” p. 26

A premissa do autor é que a interpretação bíblica gera uma espiral que vai do texto ao contexto, do significado original à contextualização uo significação para a igreja de hoje. A espiral é a metáfora mais adequada porque segundo o autor o movimento não e círculo fechado, mas de um movimentar-se por uma espiral, aproximando-se cada vez mais do verdadeiro significado original pretendido pelo texto, no aprimoramento da interpretação.

O autor adota a perspectiva de significado e significação, conceito baseado em Hirsch, na distinção entre o significado  pretendido pelo autor de um texto, que seria um núcleo invariável e a significação ou implicações multiformes de umtexto para cada leitor, que é a aplicação do significado original  que varia de acordo com as circunstâncias diversas.

“As verdades do evangelho são simples, mas a tarefa de desvendar o significado original de textos específicos é complexa e exige trabalho árduo” p. 29

A inspiração e autoridade das Escrituras.

“o nível de autoridade diminui à medida que passamos do texto para a interpretação e depois para a contextualização; porntanto, precisamos fazer o caminho inverso e garantir que nossa contextualização se aproxime o tanto quanto possível de nossa interpretação, e garantir que a interpretação, por sua vez, esteja em harmonia com a essência do texto” p. 31

Estudo indutivo e dedutivo.

“O estudo indutivo da Bíblia acontece basicamente na organização do livro e dos parágrafos para determinar o desenvolvimento estrutural da mensagem do escritor tanto no nível macro-livro- quanto no nível micro-parágrafo-. Disso resulta, uma idéia preliminar acerca do significado e do desenvolvimento do pensamento do texto (…) O estudo dedutivo lida com os estágios  como aspectos separados, mas, interdependentes, da pesquisa exégitica. Nessa fase todas as ferramentas devem ser consultadas- gramáticas, léxicos, dicionários, estudos vocabulares, atlas, estudos de contexto histórico,m artigos em periodicos, comentarios.” p. 37

Parte 1- Hermenêutica Geral

 

1. Contexto.

O autor fala na observação de duas áreas – o contexto histórico e o contexto lógico, que fornecem o alicerce sobre o qual construímos o significado mais profundo da passagem.

O contexto histórico- pano de fundo histórico de um livro-  neste aspecto devemos levar em conta: a autoria, a data, a quem é dirigido e o propósito e temas do livro.

O contexto lógico é o fator mais básico da interpretação, segundo o autor. Aqui está o mapeamento do livro e o diagrama do parágrafo, que caracterizam o método indutivo.

Estudo do todo: mapa de um livro.

“primeiro, traçamos o mapa de um livro como um todo e analisamos o fluxo de pensamento nessa apresentação preliminar, em segundo, fazemos um estudo intensivo de cada uma das partes para detectar os detalhes da argumentação, por fim, retrabalhamos a sequência de pensamentos do todo em sua relação com as partes. Começamos com o livro inteiro, passamos para as divisões principais, depois para os parágrafos e, por fim, para frases específicas.” p. 47-48

O autor cita Walter Kaiser, que relaciona 8 pistas para descobrir as costuras entre as unidades de pensamento (p. 52):

  1. Termos, frases, orações ou periodos que podem servir de título para introução de cada parte ou como colofão que encerra uma seção específica.
  2. muitas vezes há pistas gramaticais cmo conjunções de transição ou advérbios, por exemplo, então, portanto, todavia, enquanto isso e palavras gregas como oun, de, kai, tote, dio.
  3. Perguntas retóricas podem sinalizar a passagem para um novo tema e outra seção. também é possível haver uma série dessas perguntas conduzindo o argumento ou plano de toda a seção.
  4. Mudanças de tempo, lugar ou ambiente são um recurso comum, principalmente em contextos de narrativa, e indicam um novo tema e uma nova seção.
  5. o uso deliberado do vocativo revela mudança de atenção.
  6. mudanças no tempo, modo ou aspecto do verbo, talvez incluindo uma mudança no sujeito ou no objeto.
  7. repetição de palavras chave, proposições  ou conceitos.
  8. em pouco, o tema de cada seção será anunciado como título.

 

 

Um comentário:

Meiry de Jesus Simões disse...

Vc tem a parte 2 desse livro "A espiral Hermeneutica